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A PEC 32 é o Cavalo de Troia do Governo Federal

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*Manoel de Jesus Sombra Teixeira

Quase todo mundo deve conhecer a história sobre o Cavalo de Troia, quando os gregos em guerra com os troianos e para simular a rendição ofereceram um presente ao rei rival. Um imenso cavalo de madeira foi levado para dentro da cidade e, durante a noite, diversos soldados que estavam escondidos dentro deles saíram, atacaram os inimigos e venceram a luta.

É exatamente dessa mesma forma que o Governo Federal está agindo com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32, tentando transparecer para a sociedade que se trata de um mecanismo que irá trazer economia para os cofres públicos e avanços para o funcionalismo. Mas a proposta visa justamente o contrário. Quer acabar com a estabilidade dos servidores, exterminando serviços essenciais à população, para justamente colocar esses cargos à mercê de interesses.

E não são a interesses da sociedade. Basta enxergar que hoje, mesmo com a garantia constitucional de servidores efetivos no governo, a classe política encontra a cada dia caminhos para poder colocar pessoas próximas, indicadas de aliados em postos estratégicos, para poder devastar o erário, orquestrar as famosas “rachadinhas” e dilapidar o patrimônio. Agora imagine se o loteamento de cargos for amplificado.

Sem os concursos públicos, o famoso apadrinhamento político tomará conta do “processo seletivo” nos órgãos e pastas das esferas municipais, estaduais e federal. Serão milhares de cargos que deveriam atender a demanda de serviços prestados à população, e que passarão a ser por pessoas sem qualificação, que conquistaram a vaga devido a influência política, filosófica ou religiosa.

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E o que esperar do resultado desse panorama catastrófico? Será o fim da escola pública, do Sistema Único de Saúde (SUS), elevação dos níveis de desmatamento. Mas porque, o que uma coisa tem a ver com a outra? Esses são serviços executados por prestadores públicos, que conseguem manter idoneidade justamente por não estarem vinculados a interesses particulares, lutando apenas pela melhoria do país.

E é por tudo isso que dizemos que a PEC 32 é esse Cavalo de Troia. Mas a história já nos mostrou como não cair nesse conto. Por enquanto, ela está ainda em tramitação, foi proposta em setembro de 2020 e está avançando na Câmara dos Deputados, que fez uma série de alterações no texto. Ainda não foi pautada pelo plenário daquela casa, mas só porque ainda não obteve votos suficientes entre a maioria dos deputados.

No âmbito federal tem-se trabalhando a todo vapor para tentar angariar esses apoios e, por isso, o nosso clamor para tentar mostrar à sociedade a realidade dos fatos e conquistar adesão no combate a essa alteração. É indiscutível que, de fato, a administração pública brasileira precisa ganhar mais eficiência, racionalidade e controle. Porém, a PEC 32 vai justamente contra tudo isso.

Ela ataca os pilares que desde a Constituição de 1988 têm sido decisivos para elevar a qualidade dos serviços públicos. Isso somente levará mais concentração de poderes e de uma forma descomunal, para agentes políticos, abrindo margem para loteamento ideológico em cargos públicos, ajudando a transformar a administração em propriedade privada de deputados, governadores e tantos outros.

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O que precisamos é da construção de medidas que ajudem a coibir práticas de devastação do patrimônio público e que garantam a melhoria na prestação dos serviços que devem ser ofertados à sociedade. É dessa forma que teremos mais eficiência na engrenagem da máquina e, consequentemente, com isso, acaba sobrando mais investimentos para serem aplicados em saúde e educação, por exemplo.

É necessário garantir mais efetividade na máquina pública, é um fato. Mas devemos fazer isso de maneira clara e sem atender a interesses escusos. Qualquer medida de reforma deve ser aplicada somente com a realização de um bom diagnóstico sobre o que o ponto estratégico que ela está tentando mudar, o que não foi feito até agora. Por isso pedimos que a sociedade se junte a nós e também diga não à PEC 32.

* Manoel de Jesus Sombra Teixeira é presidente do Sindicato dos Agentes de Administração Fazendária da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso (Saafemt).

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Os desafios do ensino e o papel do professor na era digital

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Novo educador deve avaliar se o processo de aprendizagem está gerando resultados e identificar em que estágio da jornada de conhecimento está o aluno, na análise de Claudia Costin

Foto Ilustrativa

“Ninguém vai ensinar a pensar se o professor é um mero fornecedor de aulas expositivas”, a reflexão é de Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais, da FGV, e ex-diretora de educação do Banco Mundial, no último encontro da Trilha A+ de Conhecimento, série de lives sobre educação e tecnologia promovida pela Plataforma A+ .

No encontro virtual, mediado por Thais Bento e Roberta Bento, da SOS Educação, a especialista debateu a aprendizagem baseada em dados, ao lado do CEO da Plataforma A+, Alexandre Sayão, e destacou que o novo papel do professor deve atuar como um assegurador de aprendizagem, ou seja, reunir informações sobre o impacto da sua atividade. “Ele tem que avaliar se o seu processo de ensino está gerando os resultados desejados e precisa identificar em que estágio da jornada de aprendizagem está o aluno”, defende Claudia.

A educadora explicou ainda que é fundamental analisar criteriosamente os diferentes níveis de aprendizagem das turmas, para que não retrocedam os que estão em estágios mais avançados, e entender como promover evolução igualitária ao longo do processo.

Ainda durante o encontro, Alexandre Sayão reforçou que o desafio é gigante, em especial, neste período pós pandemia. De acordo com o CEO, é preciso definir o propósito da educação, que é educar e garantir a aprendizagem, e entender que caminhos trilhas e como atingir os objetivos. “Os dados indicam se você está na rota certa, ajudam a fazer planejamento mais assertivo, e priorizar a prática pedagógica a partir de evidências concretas e não de achismos, e em um processo contínuo”, afirmou.

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A boa notícia, segundo os especialistas, é que, assim como no varejo, na indústria, e no setor financeiro, o uso de dados na educação avança a passos largos, embora ainda exista um longo caminho pela frente. A tecnologia tem sido grande aliada no processo de captação de dados, otimização e análise de cenários. Em colégios grandes, com 30, 40 alunos, é possível identificar a lacuna de aprendizagem de cada um e intervir de forma eficiente na prática pedagógica.

Claudia Costim reforça que é evidente o trabalho colaborativo entre professores e escola e destaca que mesmo instituições que não possuem tecnologia de ponta, é possível identificar em que etapa cada aluno está, só que é muito mais trabalhoso.

Para a educadora, todas os professores, de escolas ricas e pobres, podem e devem aprender a trabalhar com dados. “Professores de escolas públicas reais, de estados e municípios pobres, como Sobral e Mucambo, no Ceará, se destacaram no IDEB de seus municípios e estados porque aprenderam a trabalhar com dados. Todo educador aprende a trabalhar com dados. É uma questão de formá-lo para isso, de criar um clima favorável para o trabalho colaborativo com base em dados. A partir daí, podemos construir um novo papel para o professor que, certamente, será muito mais valorizado”, avalia.
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Mulheres no comando: pandemia de Covid-19 mostrou importância de lideranças femininas

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Pesquisas apontam que a performance de toda a equipe melhora com mulheres no comando em tempos de crise

Natasha de Caiado Castro

Uma das muitas lições que a pandemia da Covid-19 nos trouxe é a confirmação de que, em tempos de crise, ter líderes mulheres no comando é fundamental. Um estudo realizado pela revista americana “Harvard Business Review” aponta que o sexo feminino demonstra maior eficiência na solução de problemas.

A pesquisa foi realizada em 2020, durante os primeiros períodos da pandemia do novo coronavírus, e afirma que as mulheres mostraram melhor classificação em 13 das 19 competências de liderança consideradas no estudo, com maior destaque no uso das habilidades interpessoais, como colaboração e motivação, para alcançar melhores resultados e contribuir com o engajamento da equipe.

Aqui no Brasil, uma pesquisa feita na FGV, pela mestranda Monique Cardoso, somente com empresas brasileiras, confirma a mesma tendência: a liderança feminina melhora, e muito, o desempenho das companhias. Em geral, das empresas com mulheres líderes, 52% apresentam notas elevadas nos critérios usados pela pesquisadora. Esse percentual cai para 48% entre as empresas totalmente masculinas. Quando a liderança feminina já chegou ao nível de conselho, a diferença é ainda maior: 72% a 24%.

Apesar de um mundo ainda muito desigual em termos de remuneração e de presença feminina em cargos de liderança em todo o mundo, quem trabalha em ambientes liderados por mulheres já percebe que, em momentos de instabilidade, são elas que “seguram as pontas”. A capacidade de gerir muitas atividades ao mesmo tempo, junto com a inteligência emocional, fazem com que consigamos manejar as emoções do time para atravessar tempos difíceis como esse que vivemos nos últimos meses.

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A pandemia da Covid-19 transformou o planeta em muitos aspectos. A ciência avançou como nunca, soluções inovadoras precisaram ser criadas pelo comércio e pelo turismo e, apesar da queda econômica e a crise na saúde, lições importantes também foram aprendidas por todos nós. Uma delas é uma verdade que já sabíamos, mas agora ficou ainda mais evidente: não existem razões que justifiquem a existência dessa disparidade entre homens e mulheres em cargo de chefia.

Chama a mulherada!

Natasha de Caiado Castro é fundadora e CEO da Wish International, especialista em inteligência de mercado, Content Wizard e Investor. Board member da United Nations e do Woman Silicon Valley Chapter

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O que fazer quando não posso promover o meu melhor colaborador?

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Wagner Siqueira

Esta é uma questão decisiva para a construção de um cotidiano motivador na equipe de trabalho. O que fazer quando você tem um subordinado de desempenho excelente, competente, naturalmente ambicioso e, de alguma forma, impaciente em alcançar de imediato posições superiores, mas não há espaços na organização para promoções a curto prazo? A resposta é: desenvolva seu potencial. Aproveite as potencialidades especiais do colaborador para torná-lo especialista de sua equipe em algum aspecto significativo do negócio da organização. Exponha-o às diferentes formas de treinamento em assuntos organizacionalmente relevantes e que ainda não lhe sejam de inteiro domínio. Invista nele, certamente ele vai responder com resultados ainda melhores. Em suma, enriqueça o trabalho dele até que se abram novas oportunidades para promoção. Veja algumas maneiras de fazer isso.

Reduza a supervisão

Libere o colaborador para ampliar crescentemente o controle que exerce sobre as suas atividades e atribuições, por meio da escolha feita por ele próprio da programação e dos métodos de trabalho.

Designe-o gerente de projetos

Caso o colaborador tenha habilidade para tanto, permita que ele supervisione, se necessário sob sua orientação, alguma operação ou um importante programa de responsabilidade do departamento, deixando-o assumir as obrigações gerenciais que normalmente lhe são afetas.

Transforme-o em instrutor

Utilize as suas comprovadas habilidades e competências para promover a orientação e o treinamento de novos funcionários. Talvez ele até possa ensinar os funcionários mais velhos a adquirirem novas capacitações e habilidades.

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No exercício dessas atribuições, o empregado de desempenho excelente também adquire conhecimentos, experiências e habilidades gerenciais que lhe serão de grande valor por ocasião de uma futura promoção.

 Utilize-o como consultor/coach/mentor

Estimule-o a exercer, sob a forma de trabalho complementar eventual, cumulativamente às suas próprias atribuições, a função de apoio em outros departamentos da organização, desde que você perceba que essa forma de colaboração lhes será útil. Peça-lhe ainda que lidere algum projeto ou se empenhe na resolução de algum problema para o qual você não tem encontrado tempo para cuidar.

*Wagner Siqueira é consultor de organização, diretor geral da UCAdm – Universidade Corporativa do Administrador e conselheiro federal junto ao CFA.

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ALMT – Campanha Fake News II

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