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Demissão por recusa à vacina: entenda as interpretações sobre a nova polêmica nas relações trabalhistas

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A pandemia fez com que o trabalho remoto se tornasse realidade em todo o mundo. No Brasil não foi diferente. Em muitos casos, as empresas aderiram ao home office por tempo indeterminado. Outras optaram pelo retorno, aos poucos, ao regime presencial. E é justamente aí que surgem questões que precisam ser observadas, principalmente diante do momento excepcional de crise sanitária. A mais polêmica de todas, sem dúvidas, é a obrigatoriedade da vacinação contra a COVID-19. Os empregadores, nesse caso, poderiam exigir dos colaboradores o comprovante de imunização sob o risco de eles serem demitidos?

De acordo com o guia técnico emitido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), a orientação é para que as empresas invistam na conscientização, mas o entendimento é o mesmo ratificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da compulsoriedade na vacinação e indiretamente que a recusa injustificada à vacina pode até acarretar desligamento por justa causa, uma vez que ninguém teria a prerrogativa de colocar em risco a saúde dos demais colaboradores.

Quando o direito coletivo se sobrepõe ao individual

Mas, o que diz a Constituição sobre direitos fundamentais, sejam eles individuais ou coletivos? E como eles são aplicados quando, aparentemente, há contradição? A resposta para essa questão é: não há direito absoluto. Em certas situações os direitos individuais de liberdade, vida privada e intimidade podem ser limitados em prol do bem-estar coletivo, assim como o inverso, sendo obrigatório dizer que nas condições normais o direito coletivo de proteção à saúde e bem estar da coletividade deve se sobrepor aos direitos individuais mencionados.

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Afinal, de nada servirão os avanços da medicina na pesquisa e o desenvolvimento de novas vacinas se não houver uma adesão da sociedade às campanhas de vacinação. Ou seja, quando um trabalhador se recusa a ser imunizado para retornar ao regime presencial, está colocando em risco todo o ambiente de trabalho. E isso é o que vem sendo entendido pela Justiça, como afirma o advogado João Pacheco Galvão de França Filho, especialista em Direito Trabalhista, do escritório SFCB Advogados.

“Em condições normais, pelo respeito à solidariedade, objetivo da República inscrito no artigo 3º da Constituição Federal, e da proteção da saúde da coletividade, aplica-se a compulsoriedade na vacinação, sendo que a recusa injustificada poderá até acarretar em dispensa por justa causa. Os tribunais já se posicionaram neste sentido, sobretudo quando os empregadores conscientizam os colaboradores e, mesmo assim, permanece a recusa na vacinação.”

Ainda, de acordo com o advogado, a orientação é de que as demissões ocorram apenas como última alternativa depois de reiteradas tentativas de convencimento por parte do empregador da importância da imunização em massa:

“É de extrema importância o papel do empregador, pois este deve conscientizar os colaboradores da importância da vacinação e do impacto deste ato no ambiente de trabalho e na sociedade. Após esta campanha preventiva, se ainda assim algum colaborador recusar-se à vacinação, há espaço para aplicação de medidas sancionatórias graves, desde que não haja justificativa plausível do empregado”.

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A obrigatoriedade da imunização mesmo no trabalho remoto

E quando o colaborador permanece em trabalho remoto, a empresa pode tornar a vacinação compulsória? Apesar de ser uma questão bem mais complexa, a solução mais conservadora seria a não exigência da vacinação por não lesar diretamente o ambiente de trabalho.

Apesar de tal posição, João Pacheco Galvão de França Filho afirma que a Justiça pode entender que o tomador de serviços pode sofrer danos indiretos com a recusa do colaborador.

“Em breve teremos discussões sobre a obrigatoriedade da vacinação da COVID-19 também aos colaboradores em teletrabalho, isso porque ainda que não haja lesão direta ao ambiente de trabalho, pode haver riscos indiretos relacionados, como, por exemplo, a sinistralidade dos planos de saúde, o pagamento dos primeiros quinze dias de afastamento do empregado e o prejuízo com sua ausência nos dias posteriores”.

A posição mais conservadora

Além da discussão sobre a vacina, vale destacar que o empregador, ao exigir o retorno ao trabalho presencial, também deve cumprir alguns requisitos, previstos no artigo 75 – C, §2º da CLT, como o registro de um aditivo contratual, a concessão de 15 dias para que o colaborador se adapte à nova rotina, bem como garantir a ele que a mudança não vá lesar a sua saúde.

Como toda regra, há exceções

Mas há ressalvas em que o direito individual da liberdade em não vacinar prevalece, como em relação a grávidas ou portadores de doenças que impossibilitem a imunização em determinado momento. Nesses casos, o diálogo e o bom senso precisam ser levados ainda mais em conta.

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“Em condições em que a vacinação possa lesar o colaborador, como, por exemplo, na existência de doença que a vacina possa agravar, a compulsoriedade na vacinação deve ser mitigada pelo bom senso e razoabilidade, sempre lembrando que as particularidades de cada caso devem ser levadas em conta na decisão de cobrança pela imunização”, explica o advogado Humberto Henrique de Souza e Silva Hansen, também sócio do escritório SFCB.
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O que será de nós quando as impressoras acabarem? 

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Vander Muniz*

Imagine um condutor de charretes em 1886. Não tenho números exatos, mas provavelmente havia um volume significativo. Pois, bem! Para o setor automotivo, 1886 é o marco histórico, surge o primeiro carro. No início, ninguém acreditava que daria muito certo. Alguns anos depois, os veículos dominavam as ruas. Hordas de cocheiros especulavam qual seria o futuro do seu trabalho. Como e o que fariam nos próximos anos? Que profissão deixariam para seus filhos? Seu legado sumiria. O trabalho representava quem eles eram.

Cerca de setenta mil anos passamos pela revolução mais significativa da história: a revolução cognitiva. Humanos ancestrais criaram formas de pensar e se comunicar. Aprendemos a falar, criamos aquilo que costumo chamar de cola social. Demos origem à fofoca.

Por milênios, mudanças demoravam escalas temporais enormes para alterar o trabalho de alguém. A sua prole levaria, com um grau grande de certeza, o ofício familiar adiante. Famílias inteiras eram identificadas pelas suas profissões. Hunter (caçadores), Ferrari (ferreiro), Müller (moleiro), Schneider (alfaiate) e Schumacher (sapateiro). Todos são exemplos dessa tradição.

Bem, todas as gerações criam seus avanços tecnológicos e impactam as atividades laborais. Estes avanços, por vez, geram especulações, medos, desconfianças e incertezas sobre como será o futuro do trabalho. Não diferiria agora, justo quando passamos por uma das mais marcantes mudanças da história. Comportamentos sociais, atividades laborais, relações interpessoais, geração de riqueza, construção de pensamento. Tudo. Absolutamente tudo muda. O agora está sendo intrinsecamente reconstruído pela incorporação de tecnologias disruptivas no cotidiano.

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Poucos momentos da história viveram esse turbilhão de alterações. Poucos avanços tecnológicos ao longo da nossa existência mudaram tanto nossa forma de viver e trabalhar.

Todo esse impacto altera a forma de vermos como será o futuro do trabalho. Inteligência artificial, robôs humanoides, assistentes virtuais, realidade aumentada, transumanismo. Tantas outras tecnologias. Todas já estão mudando a forma de trabalharmos. Nunca na história a geração de riqueza abandonou a produção material.

Todo ciclo era centrado em algo tangível. Valorado por seu peso, medida, amplitude ou qualquer métrica física tradicional. Agora, nossos ativos são invisíveis e estão na nuvem. Trabalhamos para criar ativos intangíveis, moedas digitais. Já não sabemos se aprender Bhaskara é para encontrarmos raízes de equações de segundo grau ou produzirmos memes.

Nossos celulares já ditam nossos caminhos no trânsito. Nossas escolhas cinéfilas são feitas por um algoritmo que conhece nosso gosto melhor que nós mesmos. Minha última decisão de compra de livro veio pela indicação de similaridade da resenha de outro livro lido três anos antes.

O trabalho do futuro parece estar depositado em duas grandes categorias profissionais. A primeira, os profissionais de TI. O pessoal que trocava o cartucho da impressora e configurava o celular da avó. Agora eles programam inteligências capazes de substituir um humano em atividades simples. Nesse mês de outubro, dia 19, se comemora o dia do profissional de TI. Antes relegado ao status de “cara estranho, que não gosta de pessoas”, desponta como o último bastião da força de trabalho humana. As novas gerações já começam a aprender a programar computadores no ensino fundamental. Finalmente, penso que agora o Excel acabará. Uma promessa que escuto há décadas. Todos já sairão da quinta série programando em Python (uma linguagem que só computadores entendem).

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Filas de profissionais de TI se formam e isso não deve diminuir nos próximos anos. O mercado está aquecido. Segundo a Softex até 2022, no Brasil, serão 408 mil postos de trabalho em TI sem alguém disponível para ocupá-los.

Com tudo isso, tenho uma certeza. O trabalho do futuro é tecnológico e o futuro do trabalho é desconhecido.
Ah! A segunda categoria são os artistas. Como eu não sei fazer poemas, pintar quadros, compor músicas nem cantar óperas. Nem sequer fazer miçanga para vender na Paulista. Resta-me torcer para dar tempo de estudar com o pessoal da quinta série. E viva a impressora!

*Vander Muniz é curioso, Executivo de Tecnologia, Empresário e Estudante. Por acidente foi trabalhar na área da Computação se especializando em Inteligência de Negócios baseado em Dados e em tecnologias como Inteligência Artificial e Big Data. Formado em Ciência da Computação, especializado em Neurociência, Bioinformática e Inovação. Hoje atua na área de desenvolvimento de soluções com tecnologias disruptivas em diversas empresas.

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Legislações que envolvem a política ambiental brasileira

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Foto: Assessoria

A política ambiental brasileira utiliza-se de uma série de decretos, leis e resoluções que estabelecem a conduta de cidadãos, empresas, instituições e do próprio governo visando preservar e minimizar danos causados ao meio ambiente. Aliado a isso, a legislação busca conciliar o desenvolvimento econômico-social e atender aos interesses da União, Estados, Distrito Federal e municípios.

A Constituição Federal instituiu grandes avanços à política ambiental do país, pois inovou na descentralização político-administrativa e distribuiu melhor as competências entre as esferas de poder.

O Art. 225 da CF estabelece que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” Dessa forma, podemos dizer que o meio ambiente tem caráter coletivo, já que a carta magna impõe que todos têm direito e obrigação de protegê-lo.

Entre inúmeras matérias, podemos destacar as seguintes legislações que tratam da questão ambiental no país: a Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998); a Lei 11.445/2007, que prevê a Política Nacional de Saneamento Básico, e a Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Dispomos, ainda, da Lei 6.938/1981, que implementou a Política e o Sistema Nacional do Meio Ambiente; Lei 9.433/1997, responsável por instituir a Política e o Sistema Nacional de Recursos Hídricos; Lei 9.985/2000, que definiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza; e Lei nº 11284/2006, que prevê a Gestão de Florestas Públicas.

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Em 2012, a Lei 12.651 revogou o Código Florestal Brasileiro do ano de 1965 e definiu, por meio do Novo Código Florestal, normas sobre a Proteção da Vegetação Nativa em geral, incluindo Áreas de Preservação Permanente (APP), de Reserva Legal (RL) e de Uso Restrito (UR); bem como a exploração florestal, o fornecimento de matéria-prima florestal, o controle da origem dos produtos florestais, o controle e prevenção dos incêndios florestais, entre outros.

Tanto o governo federal, quanto estados e municípios podem editar suas próprias normas ambientais, porém, as diretrizes definidas em âmbito federal devem ser observadas pelos outros entes federados. Portanto, além de ser um tema complexo, o direito ambiental possui inúmeras particularidades, já que existem legislações específicas definidas por cada estado.

Diante desse cenário, é importante enfatizar que, para a tomada de decisões que envolvam questões ambientais, é imprescindível estar devidamente amparado por profissionais que tenham expertise nas áreas, pois o não cumprimento das normas pode ocasionar graves danos à imagem e prejuízos financeiros consideráveis.

*Irajá Lacerda é advogado, ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-Mato Grosso e da Câmara Setorial Temática de Regularização Fundiária da AL/MT. Atualmente ocupa o cargo de Chefe de Gabinete do Senador Carlos Fávaro. E-mail: irajá[email protected]

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Passaporte da vacina e a ética

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Eduardo Magalhães

O direito de ir e vir é garantido na Constituição Federal em seu art. 5º, XV, que prevê: “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”.
A própria Constituição da República prevê situações em que ele pode ser limitado, como: (I) prisão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de Juiz (II) prisão civil, administrativa ou especial para fins de deportação, nos casos cabíveis na legislação específica (III) durante vigência de estado de sítio, para determinar a permanência da população em determinada localidade, única situação na qual há permissão expressa de restrição generalizada deste direito.
A lei 13.979/20, regulamentada pelo decreto 10.282/20 e portaria 356/20 do Ministério da Saúde, previu que o isolamento consiste na “separação de pessoas sintomáticas ou assintomáticas, em investigação clínica e laboratorial, de maneira a evitar a propagação da infecção e transmissão local”.
Dito isso, vimos durante os últimos quase dois anos esse direito tolhido em função da pandemia, no qual governadores e prefeitos em sua razão, tentando barrar a propagação do vírus fecharam o comércio, criaram barreiras sanitárias e toques de recolher para desestimular a circulação de pessoas nas vias públicas e a consequente disseminação da Covid-19.
Vivíamos um verdadeiro “voo cego”, com autoridades de todos os níveis batendo cabeça sobre quais atitudes tomar em função da situação de calamidade pública.
Vimos agora surgir uma nova fórmula mágica para conter a disseminação da doença, o já famoso “passaporte da vacina”, cujo pessoas vacinadas têm acesso a locais onde os não vacinados não podem entrar.
Precisamos analisar do ponto de vista da ética que a implementação de um passaporte ou passe da vacinação pode funcionar como uma forma de dividir a sociedade e segregar um grupo teríamos assim uma divisão ainda maior da sociedade em um tempo já de tanta divisão.
Não podemos exigir um certificado dessa natureza, ainda mais quando não é assegurado ainda a todos o direito à vacinação, devemos ainda pensar nos que por algum tipo de comorbidade,  veem no seu direito de não tomar a vacina um verdadeiro atestado de exclusão da vida em sociedade.
Devemos repensar esse tipo de ação em um momento em que a economia já se encontra deteriorada, caso contrário estaremos criando barreiras de acesso a emprego e serviços às pessoas que não tiveram como se vacinar por falta de vacina.
A verdade é que o “passaporte da vacina” apareceu como por mágica e já foi implementado em vários municípios, quase dois anos depois do início desse tormento já temos exemplos de várias partes do mundo de tentativas de arrefecimento da pandemia que deram certo ou não, sua implementação gera dúvidas acerca de sua eficiência, além do seu conceito moral e ético que necessitaria de mais tempo para sua evolução, tempo esse que não temos, vejo que a sociedade precisa ser ouvida em termos, para que não implementamos mais essa ação discriminatória.
Por Eduardo Magalhães – vereador por Cuiabá e presidente do Republicanos na capital
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ALMT – Campanha Fake News II

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