Mato Grosso
Demitido por ser aprovado em concurso fora da idade PM reverte exoneração

O soldado J.A.C. conseguiu reverter na Justiça sua demissão da Polícia Militar, mesmo tendo feito concurso com idade superior à permitida por lei – de 25 anos, no máximo, para homens. Ele havia sido exonerado em março deste ano. Poucos dias após ter sido excluído da corporação, ele foi preso na Operação Simulacrum, que investigou a execução de 24 pessoas na Grande Cuiabá.
Ele conseguiu participar do concurso público com um mandado de segurança, usando como base uma lei estadual que permitia a participação até os 25 anos de idade. Porém, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou essa lei, o que possibilitou que ele fosse exonerado.
No entanto, ele recorreu da decisão e obteve vitória junto ao Juizado Especial de Fazenda Pública, que concedeu o pedido de tutela de urgência. A Polícia Militar foi comunicada da decisão em 31 de agosto e determinou a reintegração do soldado em 14 de setembro.
J.A.C. foi um dos 60 policiais envolvidos em um esquema de extermínio que matou, pelo menos, 24 pessoas. A quadrilha foi revelada em março deste ano, na Operação Simulacrum. Segundo as investigações, para ocultar a ação criminosa, os policiais simulavam confrontos com as vítimas, como justificativa para reagir à “injusta agressão” como constava nos boletins de ocorrência registrados.
As execuções eram realizadas para “promover” o nome dos policiais envolvidos e também dos batalhões a que eles pertenciam como o da Ronda Tático Ostensiva Móvel (Rotam) e Batalhão de Operações Especiais (Bope).
Eles usavam informantes como “iscas” para atrair as vítimas – algumas delas com passagens criminais – para as emboscadas. Inicialmente o propósito era prender os jovens, mas, depois eles passaram a executar as vítimas, que não tinham chances de defesa.
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Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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