Nacional
Dia nacional do livro: ONG Doutores da Amazônia conta em livro a jornada que leva saúde de ponta para os povos da floresta

Foto- Assessoria
Mobilizar corações, mentes e esforços para a construção de uma realidade com mais justiça social é o que norteia ONG Doutores da Amazônia, que percorre aldeias e comunidades ribeirinhas para levar o direito à saúde pública aos povos da floresta. Essa jornada é contada no livro “Levante e lute”, que será lançado em outubro.
Em quase uma década de atuação, a ONG possui quatro bases em Mato Grosso e já realizou mais de 60 missões, ultrapassando 600 voluntários envolvidos em atendimentos a mais de 60 povos da Amazônia, levando alta tecnologia médica a territórios isolados – um marco mundial no voluntariado da saúde.
Presente no Mato Grosso na Aldeia Kuikuro, Aldeia Meninako, Aldeia Kamayurá e no Posto Leonardo Vilas Boas, a ONG promove atendimentos médicos gratuitos nas áreas de oftalmologia, clínicos gerais, radiologistas, pediatras, intensivistas, medicina da família, ginecologistas e obstetrícia, infectologistas, dermatologistas, exames de ultrassom, eletrocardiograma, confecção e distribuição de óculos de grau, testes rápidos, assistência farmacêutica e de enfermagem, além de biomedicina.
Na área odontológica, realiza confecção de elementos dentários com o sistema cerec cad cam, um fluxo 100% digital. Próteses, Exames de RX digital, extrações simples e complexas, restaurações simples e complexas, implantes dentários, próteses sobre implantes, atendimento infantil, enxertos ósseos, distribuição de kits de escovação, palestra de prevenção e confecção de elementos dentários, com pino de fibra de vidros.
“Milagres possibilitaram tudo isso. Nossa meta era levar o melhor padrão de atendimento de saúde a quem quase não tinha acesso. Nos movemos pela crença do ‘não deixe para depois. Levante e lute!'”, diz Caio Machado, dentista, ativista e diretor da ONG.
O lema intitula o livro que relata a história do surgimento da Doutores da Amazônia e sua atuação, desde 2015. Escrita por Caio Machado, em parceria com a jornalista Ana Augusta Rocha e fotografias de Cassandra Cury, a publicação traça um panorama do trabalho dos profissionais de saúde e celebra o encontro entre diferentes culturas, que integram seus saberes em nome do bem comum.
Doutores e pajés, médicos e raizeiros, o objetivo de todos é o mesmo: melhorar a vida, o bem-estar e buscar a felicidade dos povos da floresta. As fotos estabelecem, ao longo das 160 páginas, um rico diálogo com o texto, um depoimento de Caio sobre as experiências destes anos à frente do projeto, e cuja história de vida está em simbiose com a da ONG.
Despertar de sonhos intranquilos
O início dessa caminhada coletiva se deu de forma solitária. Caio conta que, aos 26 anos, era um jovem que havia abandonado os estudos e não tinha perspectivas. “Até então, eu só havia conseguido terminar o ginásio e ostentava um currículo extenso em confusões e perdas de tempo”, relata. Foi quando recebeu um chamado que foi o chacoalhão que mudaria sua vida. “Acordei e ainda nem era dia. A vida passava como um filme pela minha cabeça. ‘Levante, levante’, uma voz me disse. Bastou um chamado e um despertar espiritual para eu ter forças e mudar”.
Em seis meses, Caio estava formado no Ensino Médio e já prestando vestibular. Escolheu seguir os passos do pai, um cirurgião-dentista renomado. No curso de Odontologia, logo foi chamado para atuar em um projeto de atendimento a comunidades da Amazônia, na região do Baixo Madeira, Rondônia. Seria a primeira vez que aquele rapaz cosmopolita, nascido e criado em São Paulo, iria vivenciar o Brasil profundo.
“Eu entendi, naquela viagem, a potência da floresta — ao longo dos dias, a paisagem entrava em mim e as pessoas me tocavam profundamente com sua simplicidade. Gestos singelos, olhares sinceros: humanidade”.
Nasce a ONG
Na passagem de 2013 para 2014, Caio faz sua segunda missão em Rondônia. Desta vez, o cenário era outro: a cheia do Rio Madeira, a maior em séculos, submergiu diversas casas, e invadiu o posto de saúde da comunidade, onde ele atuaria como voluntário naquela missão.
“Chegamos em Porto Velho e fomos pegos de surpresa: não era o mesmo lugar que eu conhecia. Assolada por uma grande chuva, a cidade tinha virado um rio por inteiro. Quase não havia terra à vista. Seria impossível chegar ao nosso destino com todos os equipamentos médicos”, relembra.
A elevação do Rio Madeira inundou a área portuária de Porto Velho e interditou a BR-364, isolando as localidades de Guajará-Mirim, Nova Mamoré e Abun. Num esforço, o grupo de voluntários retirou os equipamentos odontológicos do posto de saúde, que estava quase destruído pelas águas, e improvisou um centro de atendimento que, durante 15 dias, funcionou dentro de um bar chamado Hollywood, onde centenas de pessoas foram consultadas.
“Terminada a viagem, uma percepção me veio à cabeça: Holly (sagrada) wood (floresta). A mensagem estava dada. Assim, em meio a um local realmente sagrado para o Brasil e para o mundo, consagramos a ONG que nascia: a Doutores da Amazónia”, conta Caio.
A ONG é fundada em 2015 e, no mesmo ano, mobiliza uma grande equipe de voluntários com médicos, psicólogos e enfermeiros. Em 2016, a ação está ainda maior e realiza centenas de procedimentos em duas comunidades: no distrito de Nazaré e na Reserva Extrativista do Lago do Cuniã.
Neste momento, mais um chamado se anuncia a Caio. A indigenista Ivaneide Bandeira, conhecida como Neidinha Suruí, ativista histórica na luta indígena e fundadora da ONG de Defesa Etnoambiental Kanindé, o convida a atuar junto ao povo Paiter-Suruí, dos estados de Rondônia e Mato Grosso.
Marco mundial
A parceria junto à ONG Kanindé se concretiza em 2017, e se torna um marco histórico mundial na atuação do voluntariado médico. “Resolvi sonhar um pouco mais alto e levar equipamentos de alta tecnologia para comunidades e aldeias”, relata Caio.
O equipamento em questão chama-se Cerec Cad/Cam, um scanner intraoral com uma fresadora 3D que proporciona a confecção de um elemento dentário em um curto espaço de tempo, de alta qualidade e acabamento estético de ponta. Através desse scanner digital, desenha-se a arcada dentária na tela; depois, os elementos dentários são confeccionados.
“Fomos a primeira organização do mundo a aplicar essa tecnologia em missões de voluntariado. Desde 2017, percorremos mais de 60 aldeias levando tecnologia ultra especializada, inclusive a povos isolados, e provando para o poder público, em pleno século XXI, que podemos realizar na floresta os mesmos atendimentos dos grandes centros”.
Em seguida, a equipe ruma à aldeia de Lapetanha, na Terra Indígena Sete de Setembro, e dos povos Paiter-Suruí e Uru-Eu-Wau-Wau. Ali, se estabelece uma profunda relação entre Caio e o povo Suruí. O dentista é batizado pela etnia, recebendo o nome de Gamebey.
“O encontro com toda aquela gente me emocionou profundamente, desde os primeiros instantes. Se durante mais de dez anos a minha experiência amazônica se concentrará mais nas populações ribeirinhas, agora, com os indígenas Suruí, eu tinha uma certeza absoluta: além de ter voltado para casa, tinha reencontrado minha família”, relata Caio.
Saúde para todos
A jornada da ONG Doutores da Amazônia de levar atendimento médico de qualidade para o coração da floresta amazônica é um sonho que virou realidade e já impactou a vida de dezenas de milhares de pessoas. Afinal, sem saúde aos povos da floresta, não há floresta em pé.
“A saúde tem que chegar na ponta, tem que chegar para todo mundo. Não é justo que atendimentos especializados e de qualidade beneficiem somente uma parte da população”, destaca Caio.
O projeto “Levanta e Lute” tem, portanto, a missão de semear a mensagem sobre a importância de iniciativas em prol de populações em situação de vulnerabilidade. Parte da tiragem de 2 mil exemplares será destinada a apoiadores que fizerem contribuições para a ONG e o restante será distribuído em escolas, instituições do terceiro setor e para formadores de opinião, voltados ao fortalecimento à causa indígena e a da saúde.
Além do lançamento do livro, o projeto também é composto por um projeto pedagógico com jovens do povo Kalapalos, no Xingu, que teve início em junho deste ano.
Nacional
Enem 2026: prazo de inscrições termina nesta sexta-feira

O prazo prorrogado de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 termina às 23 horas e 59 minutos desta sexta-feira (12), no horário de Brasília.

Os interessados em participar do exame devem fazer a inscrição exclusivamente na internet no link da Página do Participante no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O prazo vale para todos os participantes. Os candidatos isentos da taxa de inscrição também devem se inscrever no exame.
Concluintes em 2026
Para os concluintes do ensino médio de escolas públicas, a inscrição é automática, pela primeira vez. Nesse caso, o estudante precisará apenas confirmar sua participação no sistema de inscrição, fazer a opção de prova de língua estrangeira (inglês ou espanhol) e indicar, se for o caso, a necessidade de recursos de acessibilidade ou se quer ser tratado pelo nome social.
Inclusão e acessibilidade
A solicitação de tratamento pelo nome social em todas as fases do exame também teve o prazo alterado, podendo ser feita até esta sexta-feira (12).
A opção é destinada às pessoas trans, que se identificam e querem ser reconhecidos socialmente pela sua identidade de gênero. A sinalização deve ser marcada no momento da inscrição.
O prazo de 12 de junho vale também para os candidatos que necessitam de atendimento especializado.
Neste ano do Enem 2026 novas condições de pessoas com fibromialgia e transtornos mentais, como ansiedade, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), estão entre as situações possíveis para solicitar atendimento especializado.
Entre outras condições específicas para pedir o atendimento especializado estão: baixa visão, cegueira, deficiência física, auditiva, intelectual, dislexia, transtorno do espectro autista (TEA), gestantes, lactantes, diabéticos, idosos e estudantes em classe hospitalar, entre outras condições.
A resposta preliminar à solicitação de atendimento especializado e ao tratamento pelo nome social sairá em 26 de junho.
Taxa de inscrição
Após a inscrição, o sistema do Enem vai gerar a GRU Cobrança no valor de R$ 85.
O pagamento da taxa de inscrição no exame deve ser feito entre 25 de maio e 17 de junho.
A opções de pagamento são via Pix, cartão de crédito, débito ou boleto. A quitação poderá ser feita em qualquer banco, casa lotérica ou aplicativos bancários.
A inscrição somente será confirmada após o processamento do pagamento desta taxa.
Mais locais de provas
Em 2026, a aplicação das provas do Enem está agenda para os domingos 8 e 15 de novembro.
Nesta edição, o Inep quer ampliar o número de locais de aplicação do exame para cerca de 10 mil, em todo o país.
De acordo com estimativas do Inep, aproximadamente 80% dos concluintes da rede pública devem fazer as provas dos dois dias do Enem na própria escola em que estudam. A medida tem o objetivo de facilitar o acesso ao exame e reduzir deslocamentos.
Para os estudantes que precisarem realizar a prova em outro município, o MEC divulgou que também estuda alternativas de apoio logístico para transporte entre os municípios.
Enem
O Exame Nacional do Ensino Médio, que avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica, é considerado a principal forma de entrada na educação superior no Brasil, por meio de programas federais como Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (Prouni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados das provas para selecionar os estudantes.
Desde a edição de 2025, o Enem voltou a certificar a conclusão dessa etapa de ensino para os candidatos com 18 anos de idade completos e que também alcancem a pontuação mínima em cada área do conhecimento nas provas e na redação.
Os resultados individuais do exame também podem ser aproveitados em processos seletivos de instituições portuguesas que têm convênio com o Inep. Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal.
Nacional
Entenda os próximos passos do projeto para reduzir a maioridade penal



No entanto, a medida ainda passará por um longo processo, até que possa de fato se tornar lei. O projeto não segue de forma imediata para votação em plenário da Casa.
O próximo passo é a criação de uma Comissão Especial temporária por ato da Mesa Diretora da Câmara, que analisará o mérito da proposta. Nessa comissão, os parlamentares poderão realizar audiências públicas, sugerir modificações adicionais ao texto e votar o relatório final.
Caso seja aprovado pela Comissão Especial, o texto será encaminhado para deliberação no Plenário da Câmara dos Deputados. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a aprovação exige o apoio mínimo de três quintos dos deputados (308 dos 513 parlamentares), em dois turnos de votação. Se aprovada nessas etapas, a matéria segue para o Senado Federal, onde passará por rito semelhante.
Histórico
Apresentada originalmente em maio de 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) e outros parlamentares, a PEC 32/2015 visava estabelecer a “plena maioridade civil e penal aos 16 anos de idade”. Desde a sua apresentação, a proposta permaneceu sob análise na CCJ para a verificação de sua constitucionalidade.
A PEC teve, pelo menos, três relatores diferentes nestes 11 anos e chegou a ser arquivada pela mesa diretora em 2019. O debate do texto foi intensificado nos últimos meses. No final de maio, o relator atual da proposta na comissão, deputado Coronel Assis (PL-MT), concluiu a leitura de seu parecer favorável à admissibilidade jurídica da matéria. A votação final na CCJ ocorreu após a rejeição de requerimentos de adiamento apresentados por parlamentares da oposição.
Mudanças no texto
Embora o projeto original propusesse uma maioridade plena (civil e penal), o relator apresentou um substitutivo que preserva as regras cíveis atuais.
Com isso, os direitos políticos e a maioridade civil dos jovens não são afetados. O alistamento eleitoral e o exercício do voto continuam facultativos aos 16 anos e obrigatórios somente a partir dos 18 anos de idade.
Durante a tramitação na CCJ, deputados favoráveis ao projeto argumentaram que a medida atende a demandas sociais por segurança pública e responsabilização penal. Por outro lado, parlamentares contrários sustentaram que a redução da maioridade penal viola direitos fundamentais previstos na Constituição e defenderam o foco em políticas públicas educacionais.
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O que é o PlanMob-Brasil e como ele pretende transformar a mobilidade urbana
Clique aqui para participar da consulta pública do PlanMob-Brasil.
Coordenado pela Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana (Semob), o plano será um instrumento estratégico para orientar ações e investimentos públicos e privados voltados à mobilidade urbana em todo o País, com foco em cidades mais acessíveis, sustentáveis, seguras e integradas.
A construção do PlanMob-Brasil está alinhada à Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), instituída em 2012, que estabeleceu diretrizes para integrar os diferentes modos de transporte e melhorar a acessibilidade nos municípios brasileiros. A política também reforçou a importância do planejamento urbano, priorização do transporte público coletivo e da mobilidade ativa, como caminhadas e bicicletas.
O plano evidencia os desafios enfrentados diariamente pela população brasileira, como congestionamentos, longos tempos de deslocamento, perda de qualidade do transporte público, desigualdades territoriais e aumento dos sinistros de trânsito e impactos ambientais causados pelo excesso de veículos individuais motorizados.
Segundo o secretário Nacional de Mobilidade Urbana, Marcos Daniel Souza dos Santos, o PlanMob Brasil é um instrumento essencial para o planejamento estratégico da mobilidade no país.
“O PlanMob Brasil é um importante instrumento de planejamento de longo prazo, que vai orientar as ações dos municípios, dos estados e, especialmente, do governo federal. Queremos avançar ainda mais, mas para isso precisamos ouvir a sociedade e construir soluções cada vez melhores. A mobilidade é um tema fundamental para o desenvolvimento do Brasil e exige uma visão integrada e de longo prazo. Precisamos nos organizar como país e não perder de vista o horizonte de investimentos que já vem sendo construído. É necessário consolidar a mobilidade e o transporte como prioridades na agenda nacional”, destacou.
Com um enfoque de equidade e acesso às oportunidades das cidades, e de sustentabilidade ambiental, PlanMob-Brasil também pretende abordar temas como mobilidade ativa e micromobilidade, transporte público coletivo, gestão do território, e desenvolvimento institucional e governança, considerando as diferentes realidades urbanas do país.
A proposta é fortalecer a atuação da União, de forma coordenada com estados e municípios, promovendo maior integração entre políticas públicas, planejamento urbano e ações e investimentos em mobilidade. O plano também dialoga com iniciativas já desenvolvidas e em desenvolvimento pelo Governo Federal, como o Novo PAC, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), o Novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo, o Programa Bicicleta Brasil, a Estratégia Nacional de Promoção da Mobilidade por Bicicleta (Enabici), o Plano Clima, o Pnatrans e a plataforma Viabiliza.
Com perspectiva de longo prazo e ampla participação social, o PlanMob-Brasil busca consolidar uma visão de futuro para a mobilidade.
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