Mato Grosso
Durante fiscalização no Parque Estadual Serra de Santa Bárbara, Sema aplica R$ 300 mil em multas
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) lavrou oito autos de infração e aplicou multa de R$ 300 mil durante operação de fiscalização no Parque Estadual Serra de Santa Bárbara, no oeste do estado.
A ação na Unidade de Conservação começou na segunda-feira (22.10) e foi um trabalho conjunto da Sema com Batalhão de Emergências Ambientais do Corpo de Bombeiros (BEA), Polícia Ambiental e Grupamento Especial de Fronteira (Gefron).
A equipe, que também fez o monitoramento dos focos de queimadas, constatou irregularidades no interior do parque que são enquadradas como crimes ambientais. Foram apreendidos instrumentos utilizados para desmate, como motosserras e correntes, além de marcas de tratores do tipo esteira utilizados para facilitar a derrubada de árvores.
Durante a operação algumas pessoas flagradas cometendo crime ambiental fugiram. Laerte Marques, gerente do Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, que deu apoio na operação, assegurou que a equipe vai buscar encontrar os indivíduos que abandonaram o local para a devida autuação, pois sendo uma unidade de conservação, as atividades constatadas são irregulares e devem ser combatidas.
“Um parque não pode ter o que foi encontrado no Santa Bárbara, é uma unidade de conservação. Quem tem a gerência das unidades de conservação em Mato Grosso é a Sema. Agora as pessoas que praticam o crime irão saber que a secretaria está presente na unidade, não está esquecido”, reforça Laerte.
UNIDADE DE CONSERVAÇÃO
O Parque Estadual Serra de Santa Bárbara é uma unidade de conservação (UC) localizada entre os municípios de Pontes e Lacerda e Porto Espiridião, criado pelo Decreto 1.797 de 1999. Sua área é de 120 mil hectares e sua extensão compreende o bioma amazônico.
Esta UC é de proteção integral, ou seja, sua área é reservada para preservação. O uso dos recursos naturais deve ser de modo indireto, como a recreação, turismo ecológico, pesquisa científica, educação ambiental, dentre outros. A extração, coleta, consumo ou danos dos recursos naturais são proibidos.
O estado de Mato Grosso abriga 46 unidades de conservação estaduais, totalizando uma área em torno de 2,8 milhões de hectares. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente cuida das UCs por meio da Coordenadoria de Unidades de Conservação (Cuco), que faz parte da Superintendência de Mudanças Climáticas e Biodiversidade, (Subio).
Dentre as unidades de conservação mais conhecidas, estão o Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, em Vila Bela da Santíssima Trindade, o Parque Estadual Gruta da Lagoa Azul, em Nobres, e o Parque Estadual Mãe Bonifácia, que é um parque urbano, localizado dentro da capital mato-grossense.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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