Saúde
É possível uma gestação segura para portadores de HIV?
Apesar de ainda não ter cura, o HIV tem tratamento e os avanços da medicina permitem que filhos de soropositivos nasçam sem o vírus no organismo

Red knowledge ribbon and family cut paper, HIV awareness, World AIDS Day and World Sexual Health Day.
A infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é uma doença crônica, tratável, mas ainda sem cura. Os avanços científicos têm permitido que o desenvolvimento da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) esteja cada vez menos presente nos portadores de HIV. Além disso, eles têm permitido também uma gestação segura para soropositivos.
O mês de dezembro é dedicado à conscientização e luta contra a doença. Dados do Ministério da Saúde (MS) mostram que, atualmente, mais de 900 mil pessoas no Brasil são portadoras de HIV, com maior número de casos em jovens entre 25 e 39 anos, de ambos os sexos. “Essa faixa etária coincide com a idade fértil feminina e a alta taxa de sobrevivência dessas pessoas permite o desejo e a possibilidade de uma maternidade segura”, comenta a especialista em Reprodução Assistida, Cláudia Navarro.
Reprodução Assistida
Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva – ASRM, um terço das mulheres em idade fértil diagnosticadas com HIV possuem desejo de ser mães. Entretanto, segundo Cláudia, quando um ou ambos os parceiros possuem o vírus do HIV, isso se torna uma preocupação. “Tanto pelo medo da infertilidade quanto pelo receio da transmissão vertical do vírus, ou seja, de mãe para filho dentro do útero”, comenta.
Entretanto, graças aos avanços da Medicina, é possível que um casal soropositivo (quando os dois parceiros são portadores do vírus) ou sorodiscordante (apenas um parceiro possui o vírus) tenha filhos por meio da Reprodução Assistida (RA). E, principalmente, que o bebê nasça sem a presença do HIV.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA, o primeiro passo é ter a liberação da equipe médica que acompanha o paciente (infectologista, ginecologista, urologista e especialista em RA), confirmando que ele está com a carga viral indetectável ou muito baixa.
Técnicas de RA
“A técnica realizada vai depender de qual parceiro é portador”, diz a especialista. Quando apenas a paciente é portadora, a inseminação intra uterina (IIU) é a principal. Como o parceiro não possui o vírus, a introdução do sêmen no organismo feminino impede que ele seja contaminado. “E, como esses casais geralmente não são inférteis, a chance de gravidez é alta”, afirma.
Quando ambos têm a infecção, a IIU impede que diferentes sorotipos do vírus sejam transferidos entre os parceiros. Quando a qualidade do sêmen não for adequada, a mais indicada é a Fertilização In Vitro (FIV).
Quando apenas o homem é infectado ou os dois parceiros possuem o vírus, classicamente se realiza a FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides). Ou a própria IIU, mas após a “lavagem” seminal. Ou seja, a parte plasmática, onde se encontram os leucócitos ou células de defesa e as partículas virais, é separada em laboratório durante o processamento do sêmen.
“Isso diminui as chances de encontrar o vírus na amostra e, consequentemente, também o risco de transmissão entre parceiros e de mãe para filho”, explica a médica. “O ideal é que, depois da ‘lavagem’, seja feita uma pesquisa no sêmen para confirmar se o material realmente está livre do vírus”, pondera.
Existem estudos sugerindo que quando apenas a paciente é portadora, faz uso de antirretroviral e tem carga viral baixa, o risco de transmissão para a criança é muito baixo. “O uso profilático de antirretrovirais pela parceira nesses casos parece proteger a ela e ao seu concepto em casos específicos”, diz Cláudia Navarro.
E a médica alerta: “nenhum desses métodos deve ser utilizado sem um rígido acompanhamento e orientação médica!”
Gestação
Por fim, após conseguir a gravidez, o próximo passo será o acompanhamento de especialistas e o uso de medicamento antirretroviral específico para a gestante. E, depois, também para o recém-nascido. Para reduzir ainda mais as chances de transmissão vertical, o parto deverá ser via cesariana e a amamentação materna, infelizmente, desconsiderada. “Com todos esses cuidados, as chances de transmissão vertical caem para menos de 2%”, afirma a especialista.
Sobre Cláudia Navarro
Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida, diretora clínica da Life Search e membro das Sociedades Americana de Medicina Reprodutiva – ASRM e Europeia de Reprodução Humana e Embriologia – ESHRE. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em medicina (obstetrícia e ginecologia) pela mesma instituição federal e hoje é membro do Corpo Clínico do Laboratório de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas, vinculado à mesma instituição.
Saúde
Mesmo com sinais de Alzheimer, a alimentação ainda pode proteger o cérebro…..
Estudo mostra que uma dieta de melhor qualidade, especialmente com menor potencial inflamatório, está associada a menor risco de demência até entre pessoas que já apresentam alterações biológicas relacionadas à doença.
O cérebro não envelhece sozinho
O que é uma alimentação com menor potencial inflamatório?
Até 45% dos casos podem ser prevenidos ou adiados
A ciência exige equilíbrio
Como proteger o cérebro na prática?
- manter pressão arterial, glicemia e colesterol controlados;
- praticar exercícios aeróbicos e musculação;
- priorizar alimentos naturais ou minimamente processados;
- garantir ingestão adequada de proteínas;
- cuidar da qualidade do sono e investigar apneia;
- evitar tabagismo e excesso de álcool;
- tratar perdas auditivas e visuais;
- preservar vínculos sociais;
- manter leitura, aprendizado e outros estímulos intelectuais;
- procurar avaliação médica diante de esquecimentos persistentes ou mudanças de comportamento.
Risco não é destino
Saúde
Reta final das férias: uso prolongado de telas pode aumentar dores na coluna de crianças e adolescentes
Especialista do INTO orienta sobre postura correta e destaca pequenas mudanças de hábito que ajudam a proteger a coluna

foto- Divulgação
Nos últimos dias das férias escolares, é comum que crianças e adolescentes passem mais tempo em casa utilizando celulares, tablets, computadores e videogames. O aumento do tempo em frente às telas, no entanto, pode trazer consequências para a saúde da coluna quando os dispositivos são usados de forma inadequada. Segundo o ortopedista e chefe do Centro de Doenças da Coluna do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), Luís Eduardo Carelli, o número de crianças e adolescentes com queixas relacionadas à má postura tem crescido nos consultórios.
“Percebemos um aumento significativo desse tipo de queixa. As dores mais frequentes são na região cervical, no pescoço, e na parte alta das costas, geralmente associadas ao hábito de permanecer muito tempo olhando para baixo durante o uso de celulares, tablets e outros dispositivos”, explica.
Entre as alterações mais comuns está a cervicalgia — dor na região do pescoço — e o aumento da cifose postural, caracterizada pela postura curvada para a frente. Segundo o especialista, estudos mostram que manter a cabeça inclinada por longos períodos aumenta o estresse biomecânico sobre a coluna cervical e torácica, isto é, faz com que a coluna do pescoço e da parte superior das costas suporte uma carga maior do que foi projetada, favorecendo o surgimento de dores e desconfortos.
Apesar de, na maioria dos casos, essas alterações serem reversíveis com a correção dos hábitos posturais e, quando necessário, tratamento fisioterapêutico, elas podem impactar a rotina das crianças.
“Normalmente, esses hábitos não provocam consequências permanentes na vida adulta, mas podem causar dores, desconforto e até reduzir a concentração durante os estudos, dificultando o aprendizado”, destaca o médico.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o principal fator de risco não é a fase de crescimento, mas sim a maneira como os dispositivos são utilizados.
Utilizar celulares e tablets com a coluna apoiada no encosto de uma cadeira ou sofá e manter a tela na altura dos olhos reduz significativamente a sobrecarga sobre a coluna. Já permanecer curvado, olhando para baixo, ou utilizar o aparelho apenas com uma das mãos aumenta o esforço sobre músculos, ligamentos e articulações.
Além das dores na coluna, a postura inadequada também pode provocar sobrecarga mecânica nos ombros, cotovelos e dedos.
Orientações para os pais
Pequenas mudanças na rotina ajudam a reduzir os impactos do uso prolongado das telas:
- manter celulares e tablets na altura dos olhos;
- apoiar os braços sobre uma mesa ou outra superfície durante o uso;
- sentar-se com as costas apoiadas no encosto da cadeira ou do sofá;
- fazer pausas frequentes para levantar, caminhar e mudar de posição;
- estimular atividades físicas e brincadeiras ao ar livre, reduzindo o tempo contínuo em frente às telas.
“Essa simples adaptação na forma de utilizar celulares, tablets e até videogames reduz o estresse mecânico sobre a coluna e diminui o risco de dores e desconfortos”, conclui o especialista.
Saúde
Campanha orienta sobre riscos das apostas online e informa como acessar atendimento em saúde mental do SUS
Iniciativa informa sobre prevenção, sinais de uso problemático e serviços de acolhimento e tratamento disponíveis para apostadores e familiares

Foto- Assessoria
Está no ar a Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online, do Ministério da Saúde. A iniciativa alerta a população sobre os riscos associados ao uso problemático das plataformas de apostas e divulga os serviços de saúde mental oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o acolhimento e o tratamento de apostadores e familiares afetados. A campanha está sendo veiculada na TV, rádio e redes sociais.
ATENDIMENTO EM SAÚDE MENTAL – O teleatendimento para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas é sigiloso e permite o acesso à assistência especializada a distância. Familiares de pessoas afetadas também podem utilizar o teleatendimento para receber acolhimento, orientação e acompanhamento.
COMO ACESSAR:
● Entre no Meu SUS Digital pelo aplicativo ou pela versão web.
● Faça login com a conta gov.br.
● Na página inicial, selecione “Miniapps”.
● Clique em “Problemas com jogos de apostas?”.
● Responda ao autoteste disponível na plataforma.
As perguntas ajudam a avaliar a relação com as apostas e a identifi car o cuidado mais adequado. Quando o resultado indica risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é feito automaticamente. Nos demais casos, o aplicativo apresenta orientações sobre os serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
O atendimento presencial pode começar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde apostadores e familiares recebem acolhimento, orientação e avaliação inicial. Quando houver necessidade de cuidado especializado em saúde mental, a equipe pode encaminhá-los a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferece acompanhamento multiprofissional.
PREVENÇÃO – Outra ferramenta disponível é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do Ministério da Fazenda. Por meio dela, o cidadão pode solicitar voluntariamente o bloqueio do acesso às plataformas de apostas autorizadas.
Para solicitar a autoexclusão, é necessário acessar a página da ferramenta e entrar com a conta gov.br.
A partir da solicitação, o sistema bloqueia, de uma só vez, as contas ativas nas plataformas autorizadas; impede a abertura de novas contas com o CPF cadastrado; e interrompe o envio de publicidade direcionada pelas empresas de apostas.
A plataforma também reúne conteúdos sobre jogo responsável, saúde mental e educação financeira, além de autotestes, cursos, materiais educativos e orientações sobre onde buscar atendimento no SUS.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
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