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É preciso jogar luz nos incentivos fiscais

Publicado

Sérgio Paschoal

Em tempos de recursos escassos e despesas descontroladas, buscam-se os culpados para o colapso das finanças do Estado de Mato Grosso.

No lado das despesas, a bola da vez é a folha de pagamentos dos servidores públicos estaduais. Em relação à receita, o tema mais comentado é o incentivo fiscal. Sobre o badalado ponto da receita é que quero abordar algumas questões que considero importante esclarecer.

Até algum tempo atrás, pouco conhecido de grande parte da população, até mesmo de parte da imprensa (principalmente a não especializada em assuntos econômicos), e, surpreendentemente, pouco debatida na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (vide a evolução da previsão da renúncia fiscal nas leis orçamentárias), o incentivo fiscal passava desapercebido.

As concessões de incentivo fiscal eram ignoradas por quase todos; poucos se preocupavam com o volume de recursos que deixariam de ingressar aos cofres públicos, ou quais os critérios para seleção das empresas que alcançariam tamanha benesse, ou qual o percentual sobre o ICMS devido e por quanto tempo certas empresas seriam agraciadas. Na prática, os poucos que se interessavam sobre incentivo fiscal eram aqueles envolvidos na concessão: as empresas beneficiadas e os agentes públicos que participam do processo.

O maior programa de incentivo fiscal do Mato Grosso é o PRODEIC. Esse programa foi instituído pela lei nº 7.958, de 25/09/2003, como uma “evolução” ao programa PRODEI, o qual existia desde 1988. Com essa “evolução”, os benefícios foram generosamente ampliados: resumidamente, o que antes era a postergação de impostos, se tornou “perdão” de impostos.

Segundo dados do Portal da Indústria (http://perfildaindustria.portaldaindustria.com.br/estado/mt), a indústria é responsável por R$ 18,3 bilhões no PIB mato-grossense, emprega mais de 138 mil trabalhadores e arrecadou R$ 300 milhões de ICMS em 2017.

Não obstante a renúncia de mais de R$ 7 bilhões ao longo de 6 anos (2012-2017), considerando apenas as empresas ativas integralmente no PRODEIC em 2017 (total de 258 empresas), a participação da indústria no PIB mato-grossense encolheu 0,5%, entre 2006 e 2016, segundo dados do Portal da Indústria.

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Também os dados sobre a geração de empregos nas empresas incentivadas revelam que a política de incentivos fiscais merece ser revista: entre 2012 e 2017, 258 empresas aumentaram o seu quadro de funcionários em apenas 468 vagas, frente aos 7 bilhões que deixaram de pagar, segundo relatório da Controladoria Geral do Estado.

Problemas relacionados aos investimentos das empresas beneficiadas pelo PRODEIC também se tornaram conhecidos nesse relatório: avaliando apenas o ano de 2017, dos quase R$ 1,8 bilhão em investimentos prometidos pelos beneficiados, apenas 24% foram efetivamente realizados.

Quando da concessão de cada um desses incentivos, quais vantagens para o Estado de Mato Grosso foram apresentadas? Era conhecido o valor do ICMS que cada empresa deixaria de pagar? Era conhecido o valor que Mato Grosso iria ganhar concedendo o benefício? Onde está essa conta?

As estimativas apresentadas no estudo divulgado pela FIEMT, no qual o ganho para o Estado seria na proporção de 1 parar 1,25, demonstram-se otimistas demais. Afinal, com a geração de empregos esperados e a realização dos investimentos pactuados sendo tão aquém do previsto, como ainda assim alcançaria esse resultado tão expressivamente favorável ao Estado?

Mas, no afã de defender a concessão de incentivos, o representante da FIEMT cravou: são R$ 9 bilhões a mais. Não entendi. R$ 9 bilhões? Muita calma nessa hora. Ainda que essa proporção fosse verdadeira, o Estado teria ganhado aproximadamente R$ 2 bilhões, em 6 anos. Pois, se ganhou 9 e perdeu 7, sobraram 2, certo? E esse número ainda merece outras ressalvas. Analisemos.

Na apuração do provável retorno dos reais que o Estado abdica, é preciso que os multiplicadores ou índices aplicados no estudo estatístico sejam próprios para o local estudado, no caso Mato Grosso, ou seja, é necessário desenvolvê-los a partir da realidade daqui, considerando as características do mercado consumidor e economia local, e não na dos Estados Unidos ou da Europa.

Além disso, para cálculo da apuração dessa proporcionalidade defendida pelo representante da FIEMT, o número de empregos gerados pelas empresas incentivadas, no ano de 2017, foi de 45.862, conforme estudo divulgado pela FIEMT. No entanto, demonstrou-se que a geração de empregos foi de pouco mais de 1% desse montante. Ainda assim a proporção de 1 para 1,25 se sustentaria?

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Mesmo que com certa precariedade, hoje, alguns desses dados são públicos. É o momento de se rediscutir a pertinência da maneira como os incentivos fiscais estão sendo concedidos.

Mas ainda há muito a se melhorar em relação à transparência. Hoje se publica uma lista com as empresas inseridas no PRODEIC. Porém, além de conhecer quem são os beneficiados, é preciso saber o porquê de eles serem beneficiados e qual o valor renunciado. Respostas a simples perguntas solucionariam esse problema: quais as vantagens que o Estado de Mato Grosso está auferindo? Qual o percentual sobre o ICMS devido a empresa será beneficiada? Qual é o impacto financeiro sobre as contas do Estado? Garantir a transparência desse processo é essencial para o seu sucesso.

Outro ponto merece ser destacado.

Segundos dados da Secretaria de Estado de Fazenda, pouco mais de 400 empresas estão incluídas no PRODEIC. Segundo dados do Portal da Indústria, existem 8.841 empresas industriais no Estado de Mato Grosso. A princípio, menos de 5% das indústrias estariam incentivadas.

Se o incentivo fiscal é tão benéfico para o Estado, por que apenas 5% (ou menos) das empresas detêm tal privilégio? Por que apenas algumas poucas privilegiadas são escolhidas? Como as outras 95% se mantêm ativas? Não seria mais coerente rever a carga tributária para todos? Ou para alguns setores?

O PRODEIC funciona com a concessão de incentivos de maneira individual, mas não por setor. E ao se incentivar apenas algumas empresas e outras não, cria-se uma anomalia no mercado. A incentivada tem menores custos relacionados com a carga tributária em comparação aos seus concorrentes, levando uma larga vantagem competitiva. Naquele cálculo do retorno sobre o valor renunciado, foi considerado o fato de que algumas empresas não incentivadas podem fechar?

É inegável que a indústria contribui como grande geradora de riquezas do país e em Mato Grosso. Mas, para tanto, é necessário que à frente das empresas desse importante setor existam gestores competentes e comprometidos, que as façam mais eficientes e competitivas. Ainda mais em tempos do mundo globalizado. Sob pena do valor renunciado ser exclusivamente destinado para engordar os lucros do proprietário, sem retorno para o Estado.

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É inegável, também, que Mato Grosso tem algumas desvantagens, principalmente relacionadas à logística e mão de obra, frente a alguns estados da nossa Federação, em especial àqueles mais desenvolvidos e localizados mais próximos do Atlântico. Questões como a distância dos grandes centros, a mão de obra escassa e com baixa capacitação, o custo da energia elétrica, a precária malha rodoviária que nos liga ao restante do país são recorrentes argumentos para justificar que o setor industrial merece um tratamento fiscal diferenciado. A maioria dessa lamúria realmente encontra sustentação. Mas até que nível? É preciso jogar luz nesse assunto que permanece obscuro há muitos anos.

Dizem que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. O incentivo fiscal pode ser um excelente artifício para o incremento de receitas tributárias do Estado de Mato Grosso, a promoção da geração de empregos e da distribuição de renda, o fomento do desenvolvimento de tecnologias, a oportunidade para a capacitação da mão de obra, enfim, alavancagem do crescimento econômico e social da sua região, a partir do investimento do particular.

Para tanto, a concessão do incentivo deve ser uma conta de ganha-ganha. Ou seja, o industrial ganha ao pagar um valor menor de tributos e viabilizar o seu negócio, e o Estado ganha com o aumento da sua arrecadação e com o aquecimento de sua economia e também com a melhoria da qualidade de vida e renda de sua população, mediante os empregos gerados e o investimento realizado.

Enfim, não demonizemos, nem endeusemos o incentivo fiscal. Façamos estudos técnicos e isentos de ideologias, partidarismo ou corporativismo para melhor entendermos e manejarmos esse mecanismo enquanto promotor de desenvolvimento, o utilizando com responsabilidade e, sempre, prevalecendo o interesse público.

  • Sérgio Antônio Ferreira Paschoal é servidor público.
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Saúde mental: urgência pública que exige ação e acolhimento

Publicado

*Irajá Lacerda

A saúde mental deixou de ser uma preocupação silenciosa e se consolidou como uma das grandes urgências públicas do Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu o impressionante número de 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais e comportamentais, o que representa uma alta de 15,66% em relação ao ano anterior. Transtornos ansiosos e episódios depressivos lideram os afastamentos, revelando um país emocionalmente adoecido.

O cenário nacional dialoga com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, divulgados no final 2025, que apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. A OMS também estima que depressão e ansiedade custem à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. Essa realidade ganhou ainda mais atenção no Brasil com a atualização da NR-1, que passou a incluir os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, reforçando que a pressão no ambiente de trabalho e o esgotamento profissional exigem prevenção, responsabilidade e acolhimento.

Esses números não são apenas estatísticas. Por trás de cada linha há uma mãe exausta, um trabalhador no limite ou um jovem sofrendo em isolamento. Dados oficiais do IBGE em 2026, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), revelam que cerca de três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos relataram sentir tristeza frequente, 18,5% disseram sentir que a vida “não vale a pena ser vivida” e 32%  afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito.

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O impacto vai além do ambiente escolar: estudos do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) apontam que o tratamento de jovens com transtornos mentais chega a comprometer metade da renda das famílias na busca por apoio. O cenário exige que família, escola, assistência social e saúde atuem de forma integrada para acolher crianças e jovens antes que a dor vire tragédia.

Em Mato Grosso, esse desafio também precisa ser encarado de frente. Em 2025, o estado registrou 5.556 afastamentos temporários por transtornos mentais e comportamentais, segundo a Previdência Social. Não adianta ostentarmos indicadores econômicos grandiosos se as nossas famílias sofrem desamparadas, sem acesso adequado a psicólogos, psiquiatras e tratamento contínuo. O desenvolvimento econômico perde o sentido se não vier acompanhado da dignidade humana.

Para mudar essa realidade no nosso estado, a ação precisa ser descentralizada. É urgente expandir os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para o interior, garantindo que o morador de qualquer município tenha o mesmo direito ao cuidado que quem vive na capital. Além disso, precisamos estruturar programas de apoio emocional permanentes dentro das escolas estaduais, capacitando professores para identificar os primeiros sinais de crise em crianças e adolescentes, e criar parcerias com o setor privado para aplicar a NR-1 de forma humana e acolhedora.

Cuidar de pessoas significa olhar para aquilo que as grandes obras e os discursos políticos tradicionais ignoram. É enxergar a dor de quem não consegue pedir socorro e garantir que o orçamento público priorize a vida. O Brasil e Mato Grosso precisam transformar a saúde mental em prioridade absoluta. Uma sociedade só é verdadeiramente rica e desenvolvida quando protege sua gente, oferecendo a cada cidadão a oportunidade e o amparo necessários para viver bem e com dignidade.

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*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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Governança jurídica: empresas fortes dependem de segurança institucional

Publicado

DAUTO PASSARE

Empresas não crescem apenas por eficiência operacional ou capacidade financeira. Crescem porque conseguem planejar — e o planejamento depende de estabilidade institucional, previsibilidade regulatória e segurança jurídica.

O desenvolvimento econômico está diretamente ligado à confiança que empresários e investidores possuem nas instituições. Quando as regras mudam constantemente, os contratos se tornam inseguros e o ambiente regulatório é instável, o impacto atinge toda a economia.

O Brasil ainda convive com elevada complexidade jurídica, excesso de judicialização e insegurança tributária. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o país mantém dezenas de milhões de processos em tramitação, refletindo um cenário de intensa litigiosidade.

Nesse contexto, a governança jurídica deixou de ser apenas uma função técnica e passou a ocupar posição estratégica dentro das empresas.

Empresas sólidas dependem de estruturas capazes de prevenir riscos, organizar relações societárias, garantir segurança contratual e antecipar conflitos regulatórios e tributários.

A advocacia contemporânea exerce justamente esse papel: não apenas atuar em crises já instaladas, mas contribuir para a construção de estabilidade e segurança dentro das organizações.

A ausência de segurança jurídica produz efeitos silenciosos, mas profundos: investimentos são adiados, projetos deixam de avançar e o custo operacional aumenta.

Por outro lado, ambientes institucionalmente estáveis favorecem crescimento sustentável, inovação e expansão econômica.

No agronegócio e no setor empresarial, especialmente, previsibilidade regulatória e segurança contratual tornaram-se elementos indispensáveis para o desenvolvimento dos negócios.

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Mais do que uma questão técnica, a segurança jurídica é hoje um ativo econômico.

Empresas fortes precisam de instituições fortes — e a advocacia estratégica tem papel fundamental na construção desse ambiente de estabilidade e confiança.

*é advogado, professor universitário e sócio-fundador do escritório Passare Advocacia em Cuiabá

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Pejotização da medicina: o lucro de poucos e a precarização da profissão médica

Publicado

Dr. Adeildo Lucena

A medicina brasileira atravessa uma das maiores transformações da sua história profissional. O que antes era uma carreira associada à estabilidade, autonomia técnica e valorização social vem sendo substituído por um modelo de contratação marcado pela precarização, insegurança jurídica e perda de direitos. O nome desse processo é pejotização.

Hospitais, clínicas, organizações sociais e grandes grupos privados de saúde passaram a substituir vínculos formais por contratos de pessoa jurídica (PJ), obrigando médicos a abrirem empresas para poder trabalhar. Na prática, muitos profissionais continuam submetidos à mesma rotina de um empregado comum — com escala fixa, subordinação, metas e plantões obrigatórios —, mas sem férias, sem 13º salário, sem FGTS, sem licença médica e sem aposentadoria adequada.

A chamada “flexibilização” virou, na realidade, um mecanismo de redução de custos para o sistema privado de saúde.

Dados recentes mostram a dimensão desse fenômeno. Estudo citado por pesquisadores da FGV aponta que a pejotização no Brasil já provocou perdas entre R$ 89 bilhões e R$ 144 bilhões aos cofres públicos desde a reforma trabalhista de 2017. A diferença ocorre porque trabalhadores contratados como PJ recolhem muito menos tributos e contribuições previdenciárias do que empregados regidos pela CLT.

O próprio  Conselho Federal de Medicina reconheceu que empresas utilizam a pejotização para economizar recursos, transferindo riscos aos profissionais e comprometendo as condições de trabalho. Durante debate nacional promovido pelo CFM, representantes da medicina do trabalho alertaram que médicos terceirizados vêm sendo colocados para exercer funções fora de suas atribuições e sem garantias mínimas de proteção profissional.

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Ao mesmo tempo, o Brasil vive uma explosão no número de profissionais. A pesquisa “Demografia Médica 2025”, conduzida pela Faculdade de Medicina da USP em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira, aponta que o país já ultrapassou a marca de 635 mil médicos ativos, com previsão de crescimento contínuo nos próximos anos.

Esse aumento da oferta de mão de obra, somado à expansão agressiva de grandes conglomerados privados da saúde, criou um ambiente de forte pressão econômica sobre os médicos, especialmente os mais jovens. Muitos recém-formados entram no mercado já obrigados a abrir CNPJ antes mesmo do primeiro plantão.

Sem direitos trabalhistas, milhares de médicos enfrentam jornadas exaustivas, insegurança previdenciária e ausência completa de estabilidade. Há profissionais trabalhando anos seguidos sem férias remuneradas, sem cobertura em caso de afastamento por doença e sem qualquer proteção em situações de maternidade ou incapacidade laboral.

O problema ultrapassa a questão corporativa. A pejotização também afeta diretamente a qualidade da assistência prestada à população.

A lógica empresarial da redução de custos transforma o médico em mera peça operacional dentro de uma cadeia financeira controlada por grupos econômicos. O profissional passa a viver sob pressão de produtividade, metas de atendimento e redução do tempo de consulta. A medicina perde seu caráter humanizado e se aproxima perigosamente de um modelo industrial.

Os grandes grupos econômicos lucram. Os planos de saúde ampliam faturamento. As organizações privadas reduzem encargos. Mas o médico perde segurança, perde autonomia e perde dignidade profissional.

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O mais grave é que esse modelo vem sendo naturalizado.

Criou-se uma falsa ideia de que direitos trabalhistas seriam privilégios ultrapassados. Não são. São garantias mínimas de proteção humana e profissional.

Defender relações de trabalho dignas não significa negar novas formas de contratação. Significa impedir abusos e preservar condições mínimas para o exercício ético da medicina.

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso entende que o debate sobre a pejotização precisa deixar os bastidores jurídicos e ganhar dimensão pública. A sociedade precisa compreender que precarizar o trabalho médico também significa fragilizar o atendimento à população.

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