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Mato Grosso

Egresso do sistema prisional conquista emprego e vaga na UFMT com apoio do Escritório Social

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Promover a ressocialização por meio do incentivo ao estudo e ao trabalho, possibilitando uma mudança de vida para pessoas em conflito com a lei é um dos papéis do Escritório Social, que em Cuiabá já ajudou 12 egressos do sistema prisional a ingressarem em cursos de graduação na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), somente do ano passado para cá. Em deles é Edelson Rodrigues, que ingressou neste ano no curso de Serviço Social, após ser aprovado na segunda chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu 2023).
 
Edelson é acompanhado pelo Escritório Social e pela Fundação Nova Chance há quatro anos, sendo apoiado a concluir o ensino médio, fazer cursos profissionalizantes que lhe possibilitaram conseguir um emprego na Arena Pantanal e conquistar a vaga na faculdade. “Eu voltei aos estudos porque era uma maneira de ocupar minha cabeça lá dentro. Além de estar na igreja, onde o próprio pastor me incentivou a terminar meus estudos. Eu terminei meu segundo grau, que contava também para remição. Logo depois de concluir meu ensino médio, eu fiz o Enem, consegui uma bolsa para Logística, mas como estava dentro do sistema, não pude fazer. Depois de alguns anos, não teria como eu continuar meus estudos lá porque era só até o ensino médio, foi quando a Fundação Nova Chance proporcionou vários cursos para eu fazer, como pedreiro, pintor, azulejista, mecânico de ar condicionado, pedreiro, encanador hidráulico. Depois de sair, fiz o Enem de novo e consegui bolsa para a UFMT e agora estou fazendo Serviço Social”, conta.
 
O universitário escolheu o curso com o intuito de ajudar outras pessoas que, como ele, passaram pelo sistema prisional, mas querem mudar de vida. “Eu vi no curso de Serviço Social a possibilidade de ajudar outras pessoas que passaram pela mesma situação e até situações mais difíceis porque, às vezes, não somos nós que passamos, mas a família. Então quero poder ajudar outras pessoas que passaram por onde eu passei, prestar alguma utilidade pública para o meu semelhante”, explica.
 
De acordo com a responsável pedagógica do Escritório Social de Cuiabá, Delaide Moraes, todos os egressos do sistema penitenciário que procuram o local recebem assistência em seu retorno aos estudos, com a viabilização de documentação e matrícula em escolas públicas, ou por meio dos chamados provões, que são realizados tanto pelo governo estadual quanto federal. O acompanhamento segue até a certificação e prossegue, caso a pessoa queira seguir para o nível superior e para o mercado de trabalho.
 
“É um trabalho puxado, de muita dedicação e, muitas vezes, de frustração porque a gente não consegue alcançar o resultado imediato, é a médio e longo prazo. O caso do funcionário da Arena Pantanal a gente conhece toda a história de vida dele e são quatro anos acompanhando esse crescimento para chegar neste momento. Então, precisa de dedicação, precisa ter esperança e acreditar e precisa de mais apoio do Estado, das empresas para que a gente consiga possibilitar muito mais oportunidades de qualificação e de trabalho”, avalia Delaide.
 
Além da escolarização e qualificação profissional, o Escritório Social fomenta a inserção dos pré-egressos e egressos do sistema penitenciário ao mercado de trabalho. Foi o que aconteceu com Edelson Rodrigues. “No começo tudo é difícil. Preconceito sempre vai ter, infelizmente. Sofri preconceito no começo porque as pessoas ficam olhando a gente por estar dentro do sistema. Quando eu era presidiário e saía para trabalhar, a noite regressava para a unidade e tinha esse preconceito, mas Deus foi quebrando as barreiras. Graças a Deus, aquele velho homem não existe mais em mim. Agora é uma vida nova que estou tendo, com a carteira assinada pela empresa. É uma mudança de 100% em minha vida, me tornei espelho para minha filha e para muitas pessoas que me viam como eu era e como sou hoje em dia”, afirma.
 
Segundo Edelson, sua busca pela mudança de vida mostrou às pessoas que poderiam confiar nele. “Eu quis mudar de vida. Foi quando eu busquei mostrar para as pessoas que era só confiar que eles nunca iriam se decepcionar comigo e hoje sabem que podem ter confiança na minha pessoa e em outros reeducandos porque realmente existe mudança em nós que queremos. Se estamos correndo atrás de estudo e de emprego, é porque realmente queremos a mudança”, assevera.
 
Juíza de Execução Penal de Tangará da Serra e membro do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), Ederli Coutinho, defende as ações de ressocialização promovidas pelo Poder Judiciário em parceria com o Poder Executivo estadual, municipal, setor privado e toda a sociedade. “Eu acredito muito na ressocialização! É difícil recomeçar, mas é possível. E a gente viu isso na vida do Edelson, uma história linda, uma história de vitória. E essa chance que ele teve nós precisamos proporcionar para os outros presos que querem uma mudança de vida. Em Tangará da Serra, atualmente, temos 100 presos trabalhando em vários locais, na Prefeitura, em empresas privadas, na Polícia Militar, ajudando os bombeiros… Então eu já presenciei essas mudanças. Sou juíza de Execução Penal há quase 13 anos e digo: nós nunca tivemos uma fuga porque quando você oportuniza, eles agarram com vontade”.
 
A magistrada explica que esse tipo de mão-de-obra é seguro porque o juiz autoriza a saída para trabalho somente àqueles recuperandos que apresentam bom comportamento e que, ao dar uma oportunidade de trabalho para um pré-egresso ou egresso do sistema prisional, todos saem ganhando. No caso do empresário, ele fica livre de encargos trabalhistas, o que gera economia de cerca de 30% com a mão-de-obra. No caso do Poder Público, é prevista a dispensa de licitação para esse tipo de contratação. Os funcionários recebem apenas os dias trabalhados e esse tempo conta para remissão de suas penas. “O ser humano, principalmente o privado de liberdade, só muda se ele recuperar o valor do trabalho, se ele recuperar a dignidade, entender que a nossa vida é movida pelo trabalho honesto. Então eu conclamo os locais que ainda não têm esse projeto, tanto para os trabalhadores que estão presos quanto para os egressos, que abracem essa causa e façam essa contratação, que é bem simples”.
 
A juíza Ederli Coutinho pontua ainda o ganho para a sociedade com a diminuição da criminalidade. “Todos nós lucramos com isso. Lucra o preso a quem é oportunizada uma chance de mudança de vida, lucra o Poder Público, lucra o empresário com uma redução imensa de despesa e lucra a sociedade porque cada vez que nós conseguimos recuperar os valores principais da vida naquela pessoa, nós podemos ter certeza de que vai ser uma pessoa a menos que pode prejudicar a nossa vida, a nossa família”, comenta.
 
A responsável pedagógica do Escritório Social de Cuiabá, Delaide Moraes, reforça a tese de que é preciso oferecer ferramentas, como educação e trabalho, para que o reeducando vislumbre seguir por um novo caminho. “Com o passar do tempo, eles vão percebendo a importância da educação e da qualificação para a vida deles e aí é que começa o processo de transformação do ser, que é o que nós queremos”.
 
Escritório Social – Criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2016, é um serviço compartilhado entre o Poder Judiciário e o Executivo. A expansão do Escritório Social faz parte do programa Justiça Presente, parceria entre CNJ, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), com apoio de diversos órgãos públicos e privados.
 
Em Mato Grosso, existem quatro unidades. O primeiro Escritório Social foi instalado em novembro de 2020, em Cuiabá. A segunda unidade foi instalada em Jaciara, em agosto de 2022; em setembro daquele mesmo ano, o GMF inaugurou mais um Escritório Social em Mirassol D’Oeste e, no mês passado, mais uma filial foi aberta no município de Sinop.
 
#Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Edelson Rodrigues em pé, enquanto fala e gesticula. Ele é um homem pardo, de cabelo liso, curto e preto e olhos castanhos. Usa uma camiseta verde com a logo da empresa em que trabalha estampada no peito e luvas de látex amarelas. Atrás dele, é possível ver o gramado, um telão e as arquibancadas da Arena Pantanal, onde ele trabalha. Segunda imagem: Delaide Moraes em pé, sorrindo. Ela é uma mulher negra, de cabelo preto, curto e cacheado. Usa um vestido no modelo tubinho azul marinho, brinco dourado quadrado e está com uma maquiagem leve. Atrás dela, aparece um banner do Escritório Social, nas cores azul e branca. Terceira imagem: Juíza Ederli Coutinho em pé, com um semblante compenetrado. Ela é uma mulher branca, de cabelo loiro, comprido e levemente ondulado e olhos castanhos. Usa blusa e paletó pretos, um colar de argola e brincos dourados, está levemente maquiada. Ao fundo, é possível ver um jardim florido e um saguão do Tribunal de Justiça.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mato Grosso

Circuito do Varejo promove capacitação sobre atendimento e vendas digitais em Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa

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Empresários e equipes do comércio poderão participar de palestras práticas voltadas à experiência do cliente e estratégias de conversão
O Circuito do Varejo segue ampliando sua agenda de capacitações em Mato Grosso e desembarca, no mês de junho, nos municípios de Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa. A iniciativa reúne empresários, gestores e equipes do comércio para uma programação voltada à melhoria do atendimento e ao fortalecimento das vendas presenciais e digitais.
Realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial em Mato Grosso (Senac-MT), em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae-MT), o projeto percorre diferentes regiões do estado levando conteúdos estratégicos sobre comportamento do consumidor, experiência de compra e relacionamento com clientes.
A primeira parada será em Lucas do Rio Verde, no dia 3 de junho. Depois, o circuito segue para Alta Floresta, em 9 de junho, Colíder, no dia 11, e encerra a programação do mês em Água Boa, no dia 23. Em todas as cidades, a recepção ao público começa às 18h.
A partir das 19h30, o especialista em experiência do cliente Manoel Carlos Junior ministra a palestra “Atendimento que vende: como encantar o cliente dentro da loja”. O conteúdo apresenta estratégias para transformar o atendimento em diferencial competitivo, criando conexões com o consumidor e aumentando as oportunidades de fidelização e vendas.
Manoel Carlos Junior é curador e especialista em Customer Experience, além de autor dos livros “Experiencialize: os sete passos para transformar produtos e serviços em experiências” e “Experiencializando o Mundo: 40 histórias reais baseadas no método experiencialize”.
Na sequência, às 20h15, a empresária e business coach Uliana Ferreira conduz a palestra “Do direct ao Whatsapp: como atender e vender nos canais digitais”. A apresentação aborda técnicas para estruturar o atendimento online, fortalecer a comunicação digital e converter interações em vendas por meio das redes sociais e aplicativos de mensagens.
Uliana Ferreira é CEO do Grupo Dona, fundador do Instituto A Dona do Negócio e autora do livro best-seller “A Dona do Negócio”. A especialista atua com consultoria e aceleração de resultados para empresas e projetos de empreendedorismo feminino.
As inscrições são limitadas e podem ser feitas pela internet, na plataforma Sympla. Para participar, os interessados devem doar 5 quilos de alimentos não perecíveis no dia do evento. As arrecadações serão destinadas ao programa Sesc Mesa Brasil.
Serviço:
 
Evento Circuito do Varejo 2026
 
Inscrições: Ingresso solidário de 5 kg de alimentos não perecíveis
Lucas do Rio Verde
Data: 3 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório Sebrae em Lucas do Rio Verde, Avenida Pará, 484-s –
Alvorada, Lucas do Rio Verde
Inscrições:  via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-lucas-do-rioverde/3412816)
Alta Floresta
Data: 9 de junho, a partir das 18h
Local: Teatro Agostinho Bizinotto – Centro Cultural, Travessa C-A, Alta Floresta
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-altafloresta/3405873)
Colíder
Data: 11 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório Amazonia ACIC – R. Luiz Aldori Neves Fernandes, 745 – Centro, Colíder
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicaocolIder/3405768)
Água Boa
Data: 23 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório da Associação Comercial de Água Boa (Aceab) – R. Nove, 338 – Centro, Água Boa
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-aguaboa/3405939)
O Sistema S do Comércio é presidido pelo empresário José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.
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Mato Grosso

Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

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Foto- Assessoria

Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.

Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.

As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.

Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.

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Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.

Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.

Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.

Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.

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A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.

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Mato Grosso

Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres

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A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.

A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.

Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.

De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.

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As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.

“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.

Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.

Foto: Reprodução. 

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