Mato Grosso
Empaer realiza mutirão para atender 200 agricultores familiares em Acorizal
Começou no mês de agosto o mutirão para emissão de Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) para os 200 agricultores familiares dos Assentamentos Rurais Águia, Vale da Serra, Perdiz e Beira Rio, localizados no município de Acorizal (62 km ao Norte de Cuiabá). O atendimento está sendo feito pelos técnicos da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) no escritório da empresa. A declaração dá direito ao agricultor a acessar o crédito rural no valor de até R$ 26,5 mil.
O técnico agropecuário da Empaer, Carlos Henrique Reis, fala que já foram realizados 52 atendimentos e emitidas apenas sete declarações. Ele explica que alguns agricultores possuem pendências junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e que estão buscando informações para tentar regularizar e ter direito ao crédito rural. “Existem fatores limitantes, o bloqueio no Incra ou a falta de documentação como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), Autorização Provisória de Funcionamento (APF) e outros”, esclarece.
Reis comenta que a DAP é o instrumento de identificação do agricultor para acessar o crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) do Grupo A, com taxa de juros de 0,5% ao ano e que pode ser utilizada para investimento em atividades agropecuárias e outras. O crédito oferece baixas taxas de juros e acesso a políticas públicas, tais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o de Alimentação Escolar (PNAE), além da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e outros. Os agricultores estão esperando há mais de dois anos pela emissão da DAP. O mutirão é uma parceria com a Prefeitura Municipal, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Câmara Municipal.
A DAP é a comprovação de enquadramento do produtor como agricultor familiar, e só consegue crédito rural e participa das políticas públicas do governo federal quem tiver a declaração. No início de 2019 foi assinada uma portaria alterando o prazo de validade da DAP, que passa de um para dois anos. Segundo Carlos, os agricultores ocupam uma área total de dois mil hectares e pretendem investir em suas propriedades. “O mutirão está sendo positivo e acredito que até o final de setembro tenhamos emitido as 200 declarações”, enfatiza.
A Empaer emite por mês aproximadamente 800 DAPs. Somente este ano já foram emitidas 5.988 declarações em todo o Estado de Mato Grosso.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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