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Empreendedora do Pará desenvolve sistema produtivo com fruto amazônico
Empreender com produtos da biodiversidade da floresta amazônica foi o desafio escolhido por Hortência Osaqui, 53 anos. Filha de pai japonês com mãe paraense, Hortência viveu grande parte de sua vida na zona rural, nos arredores de Augusto Corrêa, município situado no nordeste do Pará, na área da Amazônia Atlântica.
A cidade tem cerca de 45 mil habitantes e sobrevive basicamente da agricultura de subsistência, principalmente do plantio de mandioca e da pesca artesanal. A região tem um dos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos do país.
Como não havia universidade no município, Hortência foi para a capital para estudar. Formada em engenharia florestal, ela decidiu voltar para o campo e assumir a fazenda da família depois que o pai morreu. Hortência percebeu o potencial da propriedade e desenvolveu um novo arranjo econômico aliado à preservação da biodiversidade.
A fazenda leva o nome de um fruto tradicional da região amazônica: bacuri. De casca dura e polpa saborosa, o bacuri se revelou como uma rentável surpresa na região. Antes, suas árvores eram aproveitadas na fazenda apenas para extração de madeira, reconhecida como nobre e resistente, mas Hortência decidiu verticalizar a produção e investir nos frutos e derivados.
A Fazenda Bacuri hoje tem uma agroindústria que produz derivados do fruto, que é rico em potássio, fósforo e cálcio e pode ser utilizado na produção de doces, geleias, licores, sorvetes, sucos, entre outros produtos. Da semente do fruto também é possível extrair um óleo usado pela indústria de cosméticos e pela medicina popular como anti-inflamatório e cicatrizante.
A produção é toda agroecológica e tem certificação orgânica nacional e internacional. “Ninguém acreditava no Bacuri, diziam que eu era louca, que não iria conseguir. Eu tinha que fazer dinheiro da propriedade. Aí que eu fui buscar mercado para vender os frutos”, conta.

Hortência Osaqui apresenta os produtos da Fazenda Bacuri – Foto: arquivo pessoal
Além do ceticismo, Hortência enfrentou o preconceito por ser mulher. “É um trabalho árduo para a mulher, porque é um mercado machista, a gente tem que fazer diferente, porém, eu tive uma grande resiliência. Graças a Deus a gente começou a trabalhar a questão do mercado, buscar espaço”, relata.
Muito mais do que uma agroindústria
Hortência diz não ter preço ver o impacto positivo na comunidade por meio da venda dos produtos de bacuri. A fazenda emprega pelo menos 15 famílias no período da safra e vende para diferentes regiões do país.
“É muito mais do que uma agroindústria. É a oportunidade de fazer economia com a floresta em pé. Ninguém acreditava que poderia ter uma agroindústria em um município nestas condições. Antes, ninguém conhecia Augusto Corrêa e a gente consegue entender hoje que não precisa ser grande para gerar emprego e renda”, completa.
Como se situa na área turística da Amazônia Atlântica, a propriedade também abriu espaço para atividades de turismo rural. A iniciativa tem impulsionado o movimento de turistas, estudantes e pesquisadores que buscam a oportunidade de visitar a floresta de bacurizais e conhecer o processo de manejo das árvores.

Agroindústria na Fazenda Bacuri – Foto: arquivo pessoal
Uma das visitas rendeu a avaliação positiva de pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). Emocionada, Hortência conta que outra conquista foi ter sido selecionada este ano como finalista do Prêmio Novo Agro Santander na área de empreendedorismo.
“Isso já é um prêmio. Para mim, é muito forte, porque eu estou no caminho certo. É através da floresta, da bioeconomia que a gente pode desenvolver o município”, declara.
Campanha 2019 #MulheresRurais, Mulheres com Direitos
De 1º a 15 de outubro, a Campanha #Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos promove 15 dias de mobilização para valorizar a contribuição das trabalhadoras do campo ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável relacionados à igualdade de gênero e ao fim da pobreza rural. O tema norteador da quinzena ativista é “O futuro é junto com as mulheres rurais”, com a hashtag #JuntoComAsMulheresRurais.
O principal objetivo da campanha é destacar o trabalho promovido por pescadoras, agricultoras, extrativistas, indígenas e afrodescendentes. A campanha no Brasil é coordenada pela Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com a FAO, a ONU Mulheres, a Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (REAF) e a Direção-Geral do Desenvolvimento Rural do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai.
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“A Carne do Futuro” será tema de simpósio nas principais cidades de Mato Grosso
Evento reunirá mais de 2 mil produtores, pesquisadores e especialistas em Cuiabá e Rondonópolis

Foto- Assessoria
Com o tema “A Carne do Futuro”, o 12º Simpósio Nutripura, um dos mais importantes encontros da pecuária brasileira, acontecerá entre os dias 19 e 21 de março de 2026, com um dia de campo no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Rondonópolis, e outros dois dias de palestras e painéis em Cuiabá, no Buffet Leila Malouf, espaço referência em eventos no estado.
O simpósio reunirá mais de 2 mil participantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores e empresas do agronegócio, em uma programação voltada à inovação, sustentabilidade e tendências nos principais mercados globais da carne brasileira.
Entre os nomes confirmados estão José Luiz Tejon, referência em marketing agro e comportamento do consumidor, Alexandre Mendonça de Barros, economista e especialista em cenários agropecuários, além de Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, professores da Esalq/USP reconhecidos por suas contribuições em nutrição, manejo e produção animal.
O Dia de Campo abrirá a programação com demonstrações práticas de tecnologias aplicadas à nutrição, manejo e bem-estar animal. Já os painéis técnicos e debates em Cuiabá contarão com especialistas para discutir os avanços da pecuária brasileira em inovação, sustentabilidade e rastreabilidade. O encerramento contará com o tradicional churrasco oferecido pela Nutripura, momento de networking e celebração da cultura da carne.
As inscrições já estão disponíveis no site www.nutripura.com.br/simposio.
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Exportação de carne suína de Mato Grosso bate recorde histórico em 2024

Foto- Assessoria
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Dia do Agricultor (28/7): produção de grãos deverá atingir 330 milhões de toneladas na próxima década
Ministério da Agricultura prevê crescimento de 27% no setor até 2031; soja, milho, algodão e trigo puxam a evolução do setor

Foto: Assessoria
Enquanto outros setores produtivos mostraram dificuldades para crescer durante a pandemia, o agronegócio brasileiro “puxou para cima” o PIB nacional em 2020 – e deve continuar o bom desempenho também na próxima década. Segundo o estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2020/21 a 2030/31, realizado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, a produção de grãos no Brasil deverá atingir mais de 330 milhões de toneladas nos próximos dez anos, uma evolução de 27%, a uma taxa anual de 2,4%. Soja, milho, algodão e trigo deverão se manter como os grandes protagonistas no campo.
O levantamento concluiu ainda que o consumo do mercado interno, o crescimento das exportações e os ganhos de produtividade, aliados às novas tecnologias, deverão ser os principais fatores de expansão do agronegócio brasileiro, que representou, no ano passado, mais de 26% de todo o produto interno bruto do país.
Na contramão
O setor de farinha de trigo, por exemplo, foi fortemente impactado pelo aumento no consumo de pães e massas no mercado interno durante a pandemia, e teve um crescimento de 9% no faturamento do ano passado, segundo estudo da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados).
E a tendência seguiu assim no primeiro trimestre de 2021. A Herança Holandesa – linha de farinhas de trigo da Unium, marca institucional das indústrias das cooperativas paranaenses Frísia, Castrolanda e Capal – registrou no período, uma produção de 36,6 mil toneladas de farinha de trigo, e um faturamento que ultrapassou os R$ 67 milhões, números robustos para o setor no estado. “Os primeiros meses do ano foram muito positivos para o moinho da Unium. Nossa estimativa de produção para 2021 é de 140 mil toneladas, mesmo com um segundo semestre mais desafiador, com o preço do dólar influenciando no custo da matéria-prima”, explica o coordenador de negócios do moinho de trigo da Unium, Cleonir Ongaratto.
Dividida entre farinha e farelo de trigo, a produção da Unium não foi interrompida durante o período mais crítico do isolamento social, e a companhia conseguiu ainda investir R$ 756 mil em seus produtos em 2020. Ongaratto afirma que o principal objetivo foi garantir que todos os clientes fossem atendidos e que os supermercados estivessem abastecidos. “E a tendência é que continuemos dessa forma. Temos um estudo para uma duplicação da moagem no moinho da Herança Holandesa, que deve ser aprovado pela diretoria da Unium ainda este ano, pois acreditamos que o setor continuará crescendo no futuro”, finaliza o coordenador.
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