Mato Grosso
Formação em mediação e circulação de literaturas infanto-juvenis promove reflexões sobre diversidade em obras

De 13 a 18 de abril, o projeto Residência Literária Aya narrativas promove a formação de mediadores de leitura com foco na circulação de obras entre crianças e jovens, a partir de reflexões sobre a diversidade de infâncias e juventudes em seus contextos histórico-culturais. A iniciativa conta com investimento de R$ 80 mil do edital Literatura em Cena, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), executado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT).
O projeto convida à investigação, à escuta e à experimentação de práticas de leitura voltadas para crianças e jovens. A proposta envolve três movimentos complementares, formação, planejamento e circulação de livros em escolas públicas e instituições de Cuiabá.
“Temos muitos autores que dedicam suas obras ao público infanto-juvenil, mas pouco espaço de reflexão sobre os livros que estão chegando e as temáticas que envolvem. É importante ressaltar a diversidade dos livros, já que há diversas infâncias. A criança que cresce numa periferia tem uma infância diferente daquela que cresce em um condomínio, num bairro nobre, há diferença entre a que estuda em uma escola pública e outra em escola particular. Uma criança de Cuiabá tem diferença em relação à de São Paulo na forma como vai se colocar no território. Se existe esta diversidade, tem que haver, também, diversidade de literatura para cada uma delas”, ressalta a autora Paty Wolff.
A maioria dos inscritos é formada por professores, jornalistas, psicólogos e escritores. “É importante o mediador refletir sobre a necessidade de diversificar os livros. Temos a literatura negra, indígena, cabocla, ribeirinha, entre outras. O projeto fortalece a formação de autores. Estamos focados nos autores da nossa região”, frisa Paty.
Entre 13 e 18 de abril, será realizado o percurso formativo em mediação de leitura conduzido pela autora e pelas educadoras Denise Col e Luce Diogo, integrantes da coletiva Aya narrativas. A primeira aula será aberta ao público e acontecerá no Auditório M, do Instituto de Linguagens da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com o Programa de Pós-graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO/UFMT). A partir do dia 14 até 18/4, acontecem os encontros no Centro Cultural Casa Cuiabana, na avenida General Valle, 181, região central de Cuiabá.
O projeto vai discutir a leitura a partir de uma abordagem sócio-histórico-cultural, sob uma perspectiva decolonial, que valoriza culturas locais e identidades diversas, destacando a literatura e as diferentes relações entre autores e mediadores de leitura.
Participantes que concluírem a formação, com direito a certificado, poderão acompanhar a mentoria conduzida por Denise Col em quatro encontros quinzenais, online, para a elaboração da Semana Literária em Cuiabá, planejada para o segundo semestre.
“Nesta etapa, sairemos da formação para percorrer lugares em que os alunos terão que refletir antes de mediar obras literárias”, explica Paty.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelo Instagram @ayanarrativas.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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