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Frederico d’Avila faz duras críticas a leis que colocam em risco o agronegócio

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O agronegócio é esponsável por cerca de 20% da atividade econômica do país e empregando 19 milhões de trabalhadores. Enquanto sua estimativa de crescimento para 2018 é de 3,4% (Cepea/Esalq – USP), o PIB brasileiro não deve passar dos 1,5% (Focus- Bacen). “Algumas autoridades não entendem isso e apoiam leis que colocam em risco este setor”, diz Frederico d’Avila, diretor da Sociedade Rural Brasileira.

Na entrevista abaixo,  Frederico d’Avila
 comenta de forma franca e direta as leis paulistas de proibição da caça ao javaporco e de exportação de animais vivos, assim como os projetos de lei para extinguir a aviação agrícola e impedir o confinamento de animais, que segundo ele, são um atraso e representam um risco real para nossa economia, afetando empregos, abastecimento interno e exportação.


Javaporco, ou Porco Feral, é uma espécie invasora, não natural do Brasil. Com postura muito agressiva,  causa grandes prejuízos ao produtor rural ao destruir plantações e ser um vetor de doenças
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Javaporco, ou Porco Feral, é uma espécie invasora, não natural do Brasil. Com postura muito agressiva, causa grandes prejuízos ao produtor rural ao destruir plantações e ser um vetor de doenças

No que consiste a polêmica do javaporco?

O javaporco
é um suíno hibrido e exótico desenvolvido na Europa, resultado do cruzamento artificial do porco doméstico como javali africano selvagem, com objetivo de produzir carne de melhor qualidade, com ciclos de reprodução mais rápidos, para comercialização. O resultado genético foi um animal enorme, que pode pesar até 250kg e que, em função do seu comportamento bastante agressivo, também é conhecido como “porco feral”. O javaporco foi introduzido no Uruguai e Argentina para a caça esportiva, mas nos anos 90 eles cruzaram a fronteira do Brasil e invadiram no nosso ecossistema. O efeito foi devastador.

Por que?

O javaporco é uma espécie invasora, não é natural do Brasil. Com três meses de vida, uma fêmea já pode reproduzir, gerando de 14 a 16 filhotes, repetindo este processo até 4 vezes ao ano. Com exceção da onça, ele não possui predadores naturais, o que significa que seu crescimento populacional é fora de controle. Como sua dieta é baseada em vegetais, frutas, sementes, e até animais de pequeno porte como aves, bezerros e filhotes de cavalos, nossas fazendas e terras cultivadas são o alvo perfeito deste animal.

Mas existem outros animais selvagens que também passam por fazendas

Com o javaporco é completamente diferente. Em função do seu comportamento agressivo, e por andar em bandos de até 60 animais, ao revirarem o solo cultivado e se alimentar, eles destroem plantações inteiras, mananciais, nascentes e matas nativas, causando enormes prejuízos para os produtores rurais e para o meio ambiente. Como nossas culturas são anuais, uma vez que o javaporco destrói uma plantação, o prejuízo é certo: aquele produto só estará disponível na próxima safra. Para piorar, esses animais são vetores de transmissão de várias doenças, como febre aftosa, raiva e leptospirose. Esse comportamento destrutivo já é conhecido e combatido em vários países, como nos Estados Unidos, Canada, Inglaterra e Austrália. Após invadirem o sul do nosso país, eles rumaram em direção norte e alcançaram São Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia. Dezesseis estados no Brasil estão enfrentando esse problema.

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Rastro de destruição deixado por um grupo de japorcos em uma plantação
Divulgação

Rastro de destruição deixado por um grupo de japorcos em uma plantação

As autoridades brasileiras ficaram alheias a este problema?

Sim e não. O IBAMA, órgão do governo federal, percebeu a ameaça que o porco feral representa para nosso ecossistema e economia, e permite que ele seja abatido de forma controlada e mediante autorização, uma prática conhecida como “manejo”. Infelizmente São Paulo ignorou a lei federal e proibiu qualquer tipo de abate do javaporco
. Quero enfatizar que a reinvidicação dos produtores rurais não é de obtenção de licença para caça esportiva indiscriminada. O problema que envolve este animal é de natureza economica e sanitária. São Paulo deveria ter entendido isso e tratado o javaporco de forma diferenciada, como na lei federal. Pessoalmente não tenho nada contra leis que proíbem a caça esportiva.

O Estado pode fazer o abate do porco feral?

Sim, mas para isso o ruralista deve notificar as autoridades através de documentação incluindo fotos, contagem e identificação individual dos javaporcos e aguardar que o Estado envie uma equipe de abate. São Paulo não possui nenhum órgão especializado na caça de animais. Não há pessoas nem equipamentos. E mesmo que houvesse, quando a burocracia de mexesse e a equipe de caçadores estaduais chegasse ao local, os javaporcos já teriam se multiplicado várias vezes e ido embora há muito tempo. Essa lei foi desenhada para não funcionar, ela permite apenas que ruralista capture o javaporco.

Situação Kafkiana

Se um produtor rural capturar 60 javaporcos, o que ele vai fazer com esses animais?

Não sei. Mas a tutela ilógica do Estado não termina aqui. Existe um projeto de lei estadual que proíbe o confinamento de animais. Veja a situação: de um lado o governo estadual impede o abate do animal, permitindo apenas sua captura, mas de outro proíbe o confinamento. É uma situação kafkiana, você captura mas não pode confinar. Volto a dizer, sou contra a caça indiscriminada, não sou a favor que pessoas saiam por aí matando bichos, mas no caso do javaporco, isso é uma questão de saúde e econômica.


O Javaporco se desloca em bandos de até 60 animais. Com três meses de vida, uma fêmea já pode reproduzir, gerando de 14 a 16 filhotes, repetindo este processo até 4 vezes ao ano
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O Javaporco se desloca em bandos de até 60 animais. Com três meses de vida, uma fêmea já pode reproduzir, gerando de 14 a 16 filhotes, repetindo este processo até 4 vezes ao ano

A destruição causada pelo javaporco é completa
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A destruição causada pelo javaporco é completa

O que é essa lei paulista sobre confinamento de animais?

Existe um projeto de lei na Assembleia Legislativa que visa proibir toda forma confinamento de animais no Estado de São Paulo. Veja bem, não se trata apenas de gado bovino, é para qualquer tipo de animal, como suínos, aves e peixes.

Peixe também?

Sim, por incrível que pareça, no que depender deste projeto de lei, peixes não poderão mais ser criados em tanques.

Mas a pessoa que elabora este projeto de lei, quando vai ao mercado comprar frango, carne moída, uma truta, presunto, queijo ou ovos, imagina que esses produtos vêm de onde?

Pois é… Devem pensar que ovos e leite são fabricados numa máquina. Ou então imaginam que ao invés de confinar, o correto seria criar o gado e aves soltos, e diariamente o fazendeiro enviar equipes de caçadores armados com rifles para os pastos e florestas, a procura de bois, porcos e frangos. Curiosamente, estes grupos que são contra o confinamento, são os mesmos que desejam proibir a caça! Como eles imagnam que o gado sai do pasto e chega nas prateleiras do mercado para alimentar a população? É uma situação estapafúrdia, que não faz nenhum sentido. Esse projeto do confinamento não atinge apenas os alimentos. A indústria farmacêutica usa ovos para fazer vacinas, o setor de vestuário usa couro para fazer roupas e sapatos, e até produtos de higiene usam subprodutos de animais, como shampoos. Sem o confinamento, toda essa cadeia econômica é diretamente atingida com redução de oferta e aumento de custos.

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O que está por trás disso?

A única coisa que posso responder é que sem o sistema de confinamento não há como produzir alimentos, carnes, e ovos para 210 milhões de brasileiros, e também manter nossa vigorosa indústria de exportação que traz divisas para o país. Se projetos como esses são aprovados, quebramos nosso agronegócio e passaremos de país exportador para importador. Curiosamente, iremos importar carne de países que confinam seu gado…

Cesta básica x Free range

O que é “free range”

É um sistema de criação de animais de forma livre, eles ficam soltos no campo ao invés de confinados. Isso pode funcionar em pequena escala, para situações muito pontuais, mas não para a enorme demanda de comida que temos no Brasil. Como os animais ficam soltos, é muito difícil e custoso controlar o tipo de alimentação que eles ingerem, e sua exposição a doenças e predadores é muito maior. A logística também é complexa, imagine centenas de galinhas colocando ovos num campo aberto, em qualquer lugar. Ou ter que agrupar centenas de vacas no campo para tirar seu leite. É possível? Sim, mas a produtividade vai despencar, os custos vão subir e como disse antes, passaremos de país exportador de alimentos para importador.

Como é essa questão do confinamento e do free range em outros países?

Existem os dois métodos, mas não há uma lei que obrigue um ou outro. Em países com inverno rigoroso, como Uruguai, Argentina, Estados Unidos, Russia e na Europa, se não houver o confinamento esses animais morrem, não só pela temperatura baixa, mas também pela falta de alimento no pasto aberto. Em países com população grande e com alta demanda de alimentação, o confinamento é uma prática normal. Cabe ao consumidor decidir se prefere pagar “X” por uma dúzia de ovos ou “10X” pela mesma dúzia de ovos produzidos em sistema free range. Mesmo em países ricos, onde a população não passa fome, poucos consumidores estão dispostos a pagar mais caro pelos alimentos free range, imagine no Brasil. Como ficaria o preço da nossa cesta básica que possui macarrão, leite e manteiga? O povo brasileiro consegue pagar essa conta? Esse tipo de lei destrói nosso agronegócio, empobrece o país, prejudica o povo e não oferece nenhuma alternativa viável.

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Faixa de plantação destruida pela passagem de um bando de javaporcos
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Faixa de plantação destruida pela passagem de um bando de javaporcos

Alguns dizem que essas leis protegem os animais do maltrato

Nenhum produtor é a favor do maltrato aos animais. O que acontece é que esse assunto muitas vezes é colocado de forma simplista e binária: se você não concorda com os grupos que querem proibir a caça e o confinamento, você é automaticamente a favor de maltratar os animais. Não se trata disso, o entendimento dessa situação não deve ser conduzido de forma tão elementar. O resultado dessa visão primaria estimula o surgimento de aberrações como outra lei que impede a exportação de animais vivos, e do projeto de lei que impede a pulverização agrícola aérea.

Novamente em São Paulo?

Sim. A lei da exportação de animais vivos é absurda. Países de crença muçulmana e judaica importam apenas animais abatidos de acordo com suas normas religiosas, o Halal e o Kosher. Como no Brasil não existe uma quantidade suficiente de abatedouros certificados por essas duas religiões, pois isso aumenta muito o custo, os animais são exportados vivos para serem abatidos no destino. Em janeiro, um grande carregamento de animais para a Turquia foi bloqueado no porto de Santos, e só saiu com uma liminar emitida pela justiça. Novamente, não sou a favor de que se trate esses animais de forma desumana, mas esse assunto precisa ser tratado de forma responsável. No caso do projeto de proibição da pulverização aérea e extinção da aviação agrícola, se essa lei passar, a bananicultura do Vale do Ribeira está liquidada.

Por que?

Tratores não conseguem pulverizar um bananal por causa da altura das árvores e também pela irregularidade do solo onde estão plantadas, como barrancos e encostas de morros. Não tem jeito de se pulverizar bananais, em escala industrial, sem ser por avião. Se essa lei entra em vigor, você condena uma cultura inteira de imediato. Para pulverizar 200 hectares de cana de açúcar, um trator demora dois dias, um avião faz isso em uma manhã, e com pessoas isso é impossível. A cultura de mamão é outro exemplo, não há outra opção de pulverização que não seja por avião. Veja bem, não estou falando de pequenos produtores, me refiro a plantações em grande escala que abastecem os mercados de todo Brasil.

Qual o impacto que essas leis e projetos de lei podem causar?

São Paulo é responsável pela maior fatia do PIB do agronegócio brasileiro, são 14 bilhões de reais por ano. Escolha qualquer número: 20% de queda? 35%? 60%? Qualquer opção será um tremendo choque. Estamos falando de um impacto direto na produção, abastecimento interno e exportação de alimentos. Quem propõe esse tipo de lei não vive e não conhece o problema. O respeito ao meio ambiente e aos animais são parte integral do agronegócio, sempre podem e devem ser aperfeiçoados com legislação, mas isso que estamos vendo em São Paulo são ações irresponsáveis que trazem muito mais danos do que soluções para a sociedade, diz  Frederico d’Avila


Frederico d'Avila, diretor da Sociedade Rural Brasileira
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Frederico d’Avila, diretor da Sociedade Rural Brasileira

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Eleições 2026: regras do TSE sobre IA impactam as campanhas de 2026

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Resolução em vigor permite ao tribunal punir manipulação digital e amplia vigilância sobre campanhas e redes sociais

 


Enquanto a regulamentação geral da inteligência artificial segue represada no Congresso Nacional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assume o protagonismo ao fechar o cerco jurídico sobre o uso da tecnologia nas eleições de 2026. Amparada pela Resolução nº 23.732, em vigor desde 2024, a Justiça Eleitoral já dispõe de instrumentos normativos para banir deepfakes, exigir a identificação de materiais sintéticos e enquadrar estratégias digitais de partidos e candidatos.

De acordo com Renato Opice Blum, advogado, economista e professor de direito digital na ESPM, FAAP e Insper, as diretrizes do tribunal suprem uma lacuna crucial deixada pela lentidão do Legislativo na votação do Marco Legal da IA (PL 2338/2023). “O TSE exerce o poder de polícia, o que permite regulamentar e fiscalizar condutas no processo eleitoral de forma ágil. Na prática, mesmo com a tramitação da lei geral em curso, o pleito deste ano já conta com uma normatização plenamente válida e com eficácia de lei”, destaca o especialista.

Na avaliação do jurista, o arcabouço consegue delimitar a fronteira entre o uso legítimo da ferramenta nas campanhas, como a edição técnica de materiais e a automação de processos, e a criação de peças manipuladas para induzir o eleitor ao erro. A norma prevê sanções severas nos casos em que a irregularidade for comprovada.

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Um dos pontos centrais da norma é a exigência de rotulagem, onde todo material produzido por IA precisa trazer um sinal visual ou sonoro explícito, como marca d’água. O ônus de provar eventual falsificação, no entanto, cabe ao denunciante, cabendo à Justiça analisar cada representação individualmente, sob os critérios de contexto, finalidade e impacto do dano.

As resoluções também elevam o cerco sobre as plataformas digitais, exigindo credenciamento formal, transparência quanto aos financiadores de impulsionamentos e filtros rígidos para a promoção de anúncios. Em situações específicas, as próprias redes sociais poderão ser responsabilizadas pelo material pago que veiculam.

Para consolidar as diretrizes do pleito, a Justiça Eleitoral optou por atualizar mecanismos de remoção ágil de publicações nocivas sem alterar o texto-base de IA aprovado em 2024. A decisão sinaliza que a prioridade do TSE em 2026 não é expandir a regulamentação sobre as ferramentas, mas focar na fiscalização e na responsabilização prática dos infratores.

Apesar do rigor, Opice Blum pondera que o principal desafio dos magistrados será coibir a manipulação digital sem comprometer o debate público. “Não há uma solução binária. A avaliação será sempre contextual, ponderando se a manifestação está protegida pela liberdade de expressão ou se houve propósito ilícito”, conclui.

Sobre o Opice Blum

Opice Blum Advogados é sinônimo de inovação digital. Desde 1997, o escritório é parceiro de seus clientes, redefinindo os limites do possível e trazendo novas estratégias para novas necessidades. Com um time de advogados especialistas, o escritório está onde a transformação acontece e se destaca pela excelência em áreas capazes de impactar positivamente os setores em que atua, como Proteção de Dados, Segurança da Informação, Contencioso Digital e Legal Innovation, entre outras.

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Novo Caged: Brasil registra saldo de 145,1 mil empregos formais em junho

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Levantamento mensal apresenta informações sobre o mercado de trabalho no país

Cuiabá liderou a geração de empregos com 848 novos postos, seguida por Várzea Grande, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Cocalinho – Foto por: Secom/MT

O Ministério do Trabalho e Emprego apresentou nesta quarta-feira (29/7) os dados do Novo Caged relativos a junho de 2026. De acordo com o levantamento, o mercado formal de trabalho registrou, no mês passado, saldo de 145.161 postos de trabalho, resultado de 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos.

No acumulado do ano, de janeiro a junho de 2026, o saldo registrado é de 921.645 vagas formais. Nos últimos 12 meses, entre julho de 2025 e junho de 2026, o saldo foi de 963.921 empregos com carteira assinada.

GRUPOS ECONÔMICOS – Os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas tiveram saldos positivos em junho. O setor de Serviços registrou 74.514 novos postos de trabalho. O resultado decorreu, principalmente, das atividades Administrativas e Serviços Complementares (26.634); Saúde Humana e Serviços Sociais (20.436); e Transporte, Armazenagem e Correio (16.217).

Em seguida aparecem os setores de Agropecuária (22.898), Comércio (19.177), Indústria (14.438) e Construção (12.136).

UNIDADES DA FEDERAÇÃO – Em junho deste ano, 25 das 27 unidades da Federação registraram saldo positivo. Os maiores foram em São Paulo, com 34.981 novos empregos formais, Minas Gerais (20.805) e Rio de Janeiro (16.856). Em termos relativos, a maior variação percentual ocorreu no Amapá (1,04%), seguido pelo Acre, com alta de 0,88%, e Mato Grosso, com 0,85%.

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GRUPOS POPULACIONAIS – No recorte populacional, as mulheres foram responsáveis por um saldo de 72.592 vagas e os homens por 72.569 postos. A população de até 24 anos teve o maior saldo positivo, com 125.430 postos.

No recorte por escolaridade, pessoas com ensino médio completo tiveram saldo de 109.255, seguidos pelo nível médio incompleto, com 15.185. Na análise por raça, o saldo foi de 106.176 para pardos; 28.636 para brancos; 20.199 para pretos; e 776 para indígenas. O saldo foi negativo para amarelos (-66) e para vínculos sem informação de etnia e raça (-10.563).

SALÁRIOS – O salário médio real de admissão em junho foi de R$ 2.404,34. Para os trabalhadores considerados típicos, o salário real de admissão foi de R$ 2.446,27, enquanto para os trabalhadores não típicos foi de R$ 2.101,51.

EMPREGO NO ANO — De janeiro a junho de 2026, o saldo foi positivo em quatro dos cinco
grandes grupamentos de atividades econômicas. O destaque foi o setor de Serviços, que
gerou 571.926 postos formais no semestre (+2,5%), especialmente nas atividades de
administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais,
responsáveis por 208.737 empregos no primeiro semestre do ano.

A Construção gerou 168.962 postos de trabalho, crescimento de 5,73%, com maior expansão nas atividades de Obras de Infraestrutura (+64.793) e Construção de Edifícios (+60.552). A Indústria apresentou saldo de 143.442 postos (+1,6%) e a Agropecuária registrou saldo positivo de 40.853 novas vagas. O Comércio foi o único setor com saldo negativo, registrando redução de 3.514 postos de trabalho no acumulado do ano.

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Nas Unidades da Federação, os maiores saldos no acumulado de 2026 foram registrados em São Paulo (252.558), Minas Gerais (108.977) e Paraná (69.638). Em termos relativos, as maiores variações positivas ocorreram no Amapá (+4,25%), Acre (+3,38%) e Mato Grosso (+3,36%).

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Por que gritos e punições físicas não contribuem para o desenvolvimento emocional da criança

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Pesquisa mostra que 62% dos brasileiros já gritaram com crianças e quase metade admitiu ter recorrido ao castigo físico como forma de disciplina. Especialista explica por que essas práticas podem comprometer o desenvolvimento emocional infantil e quais caminhos são realmente eficazes para estabelecer limites

Portrait of mother and son happy cuddle together in the park. Family concept.

Atualmente, grande parte dos pais reconhece a importância do diálogo na educação de seus filhos, porém, muitos deles ainda recorrem aos gritos e às punições como método de solução de conflitos. Uma pesquisa do Instituto Futuro para a Infância (IFI), em parceria com a Quaest, revelou que 62% dos brasileiros já gritaram com crianças e quase metade admitiu ter utilizado punições físicas como forma de disciplina.

Para a pedagoga Andreia Dichelli, supervisora pedagógica da Rede Fadelito de Educação Infantil, os dados evidenciam um desafio comum na parentalidade: transformar o conhecimento sobre práticas educativas mais respeitosas em atitudes concretas no dia a dia.

De acordo com a especialista, mesmo que um grito possa interromper um comportamento momentaneamente, ele não ensina nem ajuda a criança a desenvolver habilidades  socioemocionais fundamentais, que são essenciais para  a vida.

“A infância é o período em que a criança aprende principalmente por meio do exemplo. Ela observa como os adultos resolvem conflitos, expressam emoções e se relacionam com as pessoas. Quando é educada por meio de gritos ou punições físicas, tende a compreender que essa é uma forma aceitável de lidar com as dificuldades”, comenta Andreia.

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A especialista explica que a obediência conquistada pelo medo costuma ser imediata, mas passageira porque raramente gera aprendizado. O grito pode até interromper uma atitude, porque assusta a criança, mas isso não significa que ela tenha compreendido porque aquele comportamento não era adequado. Na maioria das vezes, ela apenas reage ao medo.

Além disso, esse tipo de estratégia pode dificultar o desenvolvimento da autorregulação emocional e influenciar a forma como a criança passará a lidar com conflitos ao longo da vida.

“Quando a infância está voltada para um ambiente em que conflitos são resolvidos pela imposição ou pela elevação da voz, a criança pode reproduzir esse modelo em suas relações, acreditando que gritar é uma maneira eficaz de conseguir o que deseja. Em vez de desenvolver diálogo, empatia e autocontrole, ela aprende a reagir pela força ou pelo medo”, reflete a especialista.

Ela também ressalta que, a longo prazo, esse tipo de estratégia é prejudicial para o desenvolvimento da autorregulação emocional da criança e influencia a forma como ela irá se relacionar com outras pessoas.

“Quando a infância está voltada para um ambiente em que conflitos são resolvidos pela imposição ou pela elevação da voz, a criança pode reproduzir esse modelo em suas relações, acreditando que gritar é uma maneira eficaz de conseguir o que deseja. Em vez de desenvolver diálogo, empatia e autocontrole, ela aprende a reagir pela força ou pelo medo”, reflete a especialista.

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Limites sem violência

Para Andreia, estabelecer regras e dizer “não” continua sendo uma das principais responsabilidades da família. A diferença está na forma como esses limites são apresentados.

“Ser firme não significa ser agressivo. Uma atitude simples e muito eficaz é abaixar-se para ficar na altura da criança, estabelecer contato visual e falar com uma voz calma, mas segura. Depois, é importante procurar compreender o que aconteceu e ajudar a criança a reconhecer e nomear aquilo que está sentindo”, sugere Andreia.

Segundo ela, acolher emoções como tristeza, medo, frustração e raiva, sem abrir mão de regras claras e consistentes, ajuda a criança a desenvolver recursos para lidar com esses sentimentos de maneira saudável.

E quando o adulto perde a paciência?

Andreia lembra que nenhum cuidador é perfeito e que perder a paciência eventualmente faz parte da experiência de educar. Nesses casos, reparar a relação é tão importante quanto estabelecer limites.

“Quando o adulto reconhece o erro, explica o que aconteceu e pede desculpas quando necessário, a criança aprende algo importante: todo mundo erra, mas é possível assumir isso e reconstruir a relação através do diálogo”, aponta a supervisora pedagógica.

Para a especialista, reconhecer o erro fortalece a confiança entre adultos e crianças e transforma um momento difícil em uma oportunidade de aprendizado. Ao mostrar que é possível lidar com sentimentos como raiva, frustração e tristeza sem recorrer a gritos ou violência, os adultos ensinam, na prática, uma das habilidades mais importantes da infância: resolver conflitos com respeito, empatia e inteligência emocional.

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Sobre o Fadelito: Fundado há 27 anos, o Fadelito é uma rede pioneira dedicada exclusivamente à Educação Infantil, com atuação voltada à valorização da primeira infância como uma fase decisiva para o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e físico das crianças. Com 36 unidades distribuídas na capital paulista, Grande São Paulo e interior do Estado de São Paulo, a rede já contribuiu para a formação de mais de 35 mil crianças e conta atualmente com cerca de 1.600 colaboradores. Especializado no atendimento de crianças de 4 meses a 6 anos, o Fadelito possui metodologia própria, desenvolvida por um comitê pedagógico multidisciplinar e aprimorada continuamente a partir de estudos e novas descobertas da Educação Infantil. Entre seus diferenciais está o Baby Learning, programa multidisciplinar criado para bebês do berçário, que integra conhecimentos de Pediatria, Fisioterapia e Pedagogia para estimular, de forma planejada e respeitosa, o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social de cada criança, considerando as particularidades de cada fase da primeira infância. Mais do que uma rede de escolas, o Fadelito trabalha ativamente para fortalecer a compreensão de que investir nos primeiros anos de vida é investir no desenvolvimento humano e no futuro da sociedade.

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