Mato Grosso
Governador busca financiamento do BNDES para acelerar obras de duplicação da BR-163
O pedido foi feito em Brasília nesta quarta-feira (08.05) em reunião, que contou com a participação de parlamentares e representantes do Executivo Estadual. No projeto inicial já constava a busca pelo financiamento para finalização da obra, e já aportou R$ 1,2 bilhão de um total de R$ 1,6 bilhão disponibilizandos de recursos próprios.
Para o governador, o encontro sinaliza o bom relacionamento desenvolvido entre a gestão estadual e a instituição, que apoiou a iniciativa e se mostrou confiante com os investimentos na rodovia.
“A BR-163 é uma das vias mais importantes para o nosso estado, e as obras, que seguem em ritmo acelerado, deverão ter o cronograma adiantado caso a parceria com o BNDES ocorra efetivamente. Esse encontro representa a condução ética e rápida de uma parceria que deverá representar um grande passo para o avanço das obras de uma estrada que há anos sofria com graves problemas e não recebia os investimentos necessários” declarou.
O Governo de Mato Grosso assumiu a concessão do trecho estadual da BR-163 em 2023, quando formalizou a transferência do controle acionário da Rota do Oeste.
A busca pelo financiamento já estava prevista no cronograma após a assinatura da frente de serviço no trecho entre o km 593 e o km 681 da BR-163, contemplando o município de Nova Mutum e Lucas do Rio Verde.
Recentemente o governador assinou uma ordem de serviço para duplicar mais 88 km, entre Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, totalizando mais de 200 km da rodovia em obras.
Mauro ressaltou que a obra representa uma evolução uma das principais rotas de escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste, e tem sua entrega projetada para 2028.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que irá analisar o pedido e destacou que a orientação do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva é de apoiar as obras estruturantes dos estados.
“A BR-163 é a espinha dorsal da agricultura brasileira e da economia no estado. Ela precisa de uma estrutura que forneça uma logística adequada e de qualidade através de investimentos, que a longo prazo deverão contribuir para o trânsito, segurança e produtividade, gerando mais negócios e mais empregos na região”, pontuou.
Também participaram da reunião a ex-deputada federal Rosa Neide, o secretário de Estado de Fazenda, Rogério Luiz Gallo e o presidente do Conselho de Administração, Cidinho Santos e demais representantes do conselho.
Próxima etapa
O pedido de financiamento segue para análise técnica e adaptações realizadas pelo BNDES até final deste mês. As adaptações deverão abranger o novo modelo de investimentos fundamentado do Governo Federal.
Segundo Mercadante, nos próximos três anos novas parcerias de investimentos deverão ser firmadas entre o banco e o Governo do Estado para fortalecer a infraestrutura viária e contribuir para o desenvolvimento econômico em Mato Grosso.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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