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Mato Grosso

Governo de MT entrega primeira escola técnica estadual de Cuiabá: mais um investimento para a Capital

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O governador Mauro Mendes entregou, nesta terça-feira (29.03), a primeira Escola Técnica Estadual de Cuiabá. Com investimento de R$ 15 milhões, a unidade faz parte de um pacote de oito unidades, cujas obras estavam paralisadas por mais de 10 anos e foram retomadas pelo Governo de Mato Grosso em 2019.

“Estamos inaugurando esta importante obra para a área de ciência e tecnologia. Uma obra que encontramos paralisada em 2019, com outras sete, e determinamos a retomada de todas. Fico muito feliz que nesses três anos e três meses que estamos a frente do governo, centenas de obras foram retomadas, muitas delas já foram finalizadas e tantas outras se encontram em execução ou em fase de projetos. Essa escola vai servir para formação e qualificação técnica, agregar valor ao profissional, para que ele possa utilizar esse conhecimento como instrumento para se inserir no mercado de trabalho”, destacou o governador.

O secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, disse que vivenciou um momento histórico em seu último dia no Governo, que foi a entrega das duas escolas técnicas, uma em Cáceres e outra em Cuiabá, ambas há mais de 10 anos com as obras paradas. Ele reforçou ainda o empenho do governador Mauro Mendes em entregar uma obra de qualidade e que não deixa a desejar para nenhuma instituição particular.

“Quando visitamos o espaço pela primeira vez foi uma decepção total de como tudo estava sendo conduzido, o patrimônio e também o recurso público, uma falta de respeito com a sociedade cuiabana e mato-grossense. Então, naquele momento, o governador, que é engenheiro e avalia todos os projetos de todas as obras do Estado, tomou uma decisão: ele estava decidido a fazer a melhor escola, com tudo que há de melhor na construção civil, em qualidade e acabamento, e é neste padrão que estamos tocando todas as obras”, afirmou ele.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Nilton Borgato, explicou que foi firmada uma parceria com a Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), que terá uma área na escola para instalação do núcleo Pedagógico de Cuiabá para atendimento dos cursos de Engenharia de Produção Agroindustrial, Gestão de Negócios e Inovação e Gestão Pública.

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“Hoje é um dia muito especial, uma belíssima obra entregue para a sociedade da Baixada Cuiabana. E tudo isso só pôde acontecer com o apoio do nosso governador, que colocou o estado nos trilhos. O convênio dessa obra é de 2009. Iniciou com R$ 5 milhões e encerrou com mais de R$ 15 milhões, mas só foi possível graças a gestão e o compromisso que o governador tem com o Estado”, declarou Borgato.

A unidade de ensino é uma das oito escolas padrão, lançadas pelo Governo Federal, em parceria com o Governo de Mato Grosso, em 2010. O Governo também investiu para a retomada das escolas técnicas localizadas nos municípios de Água Boa, Campo Verde, Juara, Matupá, Primavera do Leste, Sorriso e Cáceres, que também foi entregue nesta terça-feira (29.03). Cada unidade possui capacidade para 1,5 mil alunos, nos turnos matutino, vespertino e noturno.

A previsão é de que as aulas comecem no segundo semestre deste ano, e os cursos ofertados serão de acordo com a demanda da população cuiabana.

A diretora da escola técnica, Simey Adriany Alcalá Souza, descreveu a inauguração da obra como a realização de um sonho que vai impactar diretamente a vida de milhares de pais e mães de famílias, que poderão se profissionalizar para conquistar melhores oportunidades de emprego e renda, além de potencializar o futuro dos jovens mato-grossenses. Ela reforçou que o espaço é amplo, arejado, bem equipado e está pronto para atender o aluno.

“Ter uma profissão é tudo na vida, é o sonho de qualquer pessoa, portanto, agradeço o empenho do governador, do secretário e de toda a equipe da Seciteci por persistir nesse desafio, pois a obra ficou parada mais de uma década para que hoje pudesse, finalmente, se tornar realidade. Já estamos com os planos dos cursos prontos e em breve a escola estará funcionando a todo vapor, em uma casa nova muito bonita, com excelente estrutura que foi pensada e planejada para ser referência no ensino em Mato Grosso”, destacou Simey.

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Também participaram da cerimônia de entrega o senador Fabio Garcia, os secretários de Estado Mauro Carvalho (Casa Civil), Beto Dois a Um (Cultura, Esporte e Lazer) e Laice Souza (Comunicação), o reitor da Unemat, Rodrigo Bruno Zanin, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), Marcos de Sá Fernandes da Silva, o diretor-geral da Politec, Rubens Sadao Okada, e a vereadora Michelly Alencar.

Mais investimentos em Cuiabá

Além da escola técnica estadual, o Governo de Mato Grosso já investiu R$ 1,5 bilhão em obras e ações em Cuiabá.

Somente na educação, foram investidos recursos para construção da nova Escola Mário de Castro, com R$ 7,8 milhões, e a reforma de outras quatro escolas, com R$ 10,9 milhões. Também está em fase de licitação a construção de outras quatro escolas, totalizando investimento de R$ 28,2 milhões.

Confira outros investimentos:

35 principais obras e ações do Governo de Mato Grosso para o município de Cuiabá

Obra

Valor

Situação

1-BRT

R$ 468    MI

         LICITAÇÃO NA               FASE FINAL

2-Construção do Hospital Universitário Júlio

Muller

R$ 219,1 MI

EM ANDAMENTO

3. Rodoanel

R$ 204,9 MI

EM ANDAMENTO

4-Construção do Hospital Central

R$   96,5 MI

EM ANDAMENTO

5-Construção de 6 novos raios na PCE

R$   70,9 MI

EM ANDAMENTO

6-Construção do Centro Logístico de

Abastecimento e Distribuição

R$   45,9 MI

EM ANDAMENTO

7- Ponte sobre o Rio Cuiabá entre o Parque

Atalaia e Parque do Lago em Várzea Grande

R$   40    MI

EM ANDAMENTO

8-Restauração da Avenida 8 de Abril e recuperação do canal

R$   33,1 MI

EM ANDAMENTO

9-Construção de 4 escolas nova em Cuiabá (Santos Dumont, Salim Felício e duas novas unidades nos bairros CPA IV e Ilza Terezinha) 

R$   28,2 MI

EM LICITAÇÃO

10-Restauração do trevo de Manso a Chapada

R$   27,1 MI

EM ANDAMENTO

11 – 3,29km de asfalto novo do acesso a ponte do Atalaia

R$   23,8 MI

EM LICITAÇÃO

12-Asfalto novo no Bairro Distrito Industrial

R$   20,8 MI

EM ANDAMENTO

13-Reforma e ampliação do CERMAC e

Hemocentro

R$   19,2 MI

EM ANDAMENTO 

14-Construção de ramais de distribuição de gás natural no Distrito Industrial

R$   17,5 MI

EM ANDAMENTO

15-Restauração da Estrada de Chapada entre a Fundação Bradesco e trevo de Manso

R$   15,6 MI

CONCLUÍDA

16-Reforma do Adauto Botelho

R$   15,2 MI

EM ANDAMENTO

17-Construção da Escola Técnica Estadual  

R$   15    MI

CONCLUÍDA

18-Restauração e recuperação da Trincheira

Jurumirim na Av Miguel Sutil

R$   14,7 MI

EM ANDAMENTO

19-Construção do Raio de Segurança Máxima

R$   14,3 MI

EM ANDAMENTO

20-Complementação de 680m da Avenida

Parque do Barbado

R$   12,6 MI

EM LICITAÇÃO

21–Reforma e ampliação do Lacen

R$   11,8 MI

EM ANDAMENTO

22–Entrega de 130 mil Cesta Básicas

R$   10,9 MI

CONCLUÍDO

23-Asfalto ligando a estrada de Chapada ao

Coxipó do Ouro

R$   10,5 MI

CONCLUÍDO

24-Construção de 430 vagas na PCE – Raio 6

R$     9,7 MI

CONCLUÍDA

25-Compra de 2.420 computadores para professores

R$     8,4 MI

CONCLUÍDO

26-Construção da nova Escola Mário de Castro

R$     7,8 MI

CONCLUÍDO

27-Crédito para empresas na pandemia

R$     6,3 MI

CONCLUÍDA

28-Ser Família Emergencial (6.051 famílias atendidas)

R$    5,7 MI

CONCLUÍDO

29-Ampliação da Rede de Frio

R$    5    MI

CONCLUÍDO

30-Abertura do Hospital Estadual Santa Casa

R$    3,4 MI

CONCLUÍDA

31-Reforma da Escola Padre Firmo

            R$    3,1 MI

EM ANDAMENTO

32-Reforma geral do Lar Doce Lar

R$    3    MI

CONCLUÍDA

33-Reforma da Escola Clêinia Rosalina

R$    2,8 MI

CONCLUÍDA

34-Reforma geral Escola Hermelinda de

Figueiredo

R$    2    MI

CONCLUÍDA

35-Implantação do Centro de Triagem

R$    1,2 MI

CONCLUÍDA

TOTAL                                                 R$ 1.494 BI

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Fonte: GOV MT

Mato Grosso

Serra de São Vicente será parcialmente interditada para manutenção e implantação de iluminação

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Alteração no tráfego ocorrerá entre terça e quarta-feira, das 8h30 às 17h

Foto- Assessoria

A Nova Rota do Oeste alerta aos motoristas para uma alteração temporária no tráfego da Serra de São Vicente na terça e quarta-feira (30/06 e 01/07), das 8h30 às 17h, no sentido Rondonópolis/Cuiabá. A mudança pretende permitir que as equipes da Concessionária realizem obras de implantação de sistema de iluminação, além de serviços de limpeza da vegetação às margens da pista, manutenção dos sistemas de drenagem e obras no pavimento da rodovia.

Em caso de condições climáticas inadequadas para a execução dos trabalhos, como a formação de neblina, os serviços poderão ser cancelados e reprogramados. A implantação do sistema de iluminação, as melhorias na pista e na drenagem, integram as ações voltadas ao reforço da segurança viária e à melhoria das condições de trafegabilidade na região.

A alteração no tráfego visa garantir a segurança dos profissionais envolvidos nos serviços, bem como dos motoristas que trafegarão pela rodovia durante as obras. A orientação da Nova Rota é que os condutores reduzam a velocidade e respeitem as orientações e sinalizações empregadas no local.

Cronograma:

8h30 — Interdição total para implantação da sinalização da obra

09h — Liberação do tráfego em meia pista

16h30 — Interdição total para retirada da sinalização da obra

17h00 – Liberação total do tráfego

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Se precisar, chame a Nova Rota – Para obter informações em tempo real sobre condições de tráfego, intervenções na rodovia, condições climáticas, entre outras situações no trecho sob concessão da BR-163, entre em contato com a Concessionária Nova Rota do Oeste pelo 0800 065 0163, que também funciona no WhatsApp. A central de atendimento funciona 24 horas. Neste canal de comunicação, também podem ser acionados todos os serviços oferecidos pela Nova Rota aos motoristas que estão na rodovia, como atendimento operacional, socorro médico e mecânico.

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Mato Grosso

Pedido de julgamento do Cota Zero chega ao STF após conclusão de ineficácia da Lei em Mato Grosso

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Petição protocolada pelo Formad apresenta baixa cobertura a pescadores e graves impactos econômicos no estado

Parado no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da inconstitucionalidade do Cota Zero ganha novos argumentos em defesa da derrubada da Lei. Uma petição protocolada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), junto a outras organizações da sociedade civil, conclui que não há evidências técnico-científicas que demonstrem a recuperação dos estoques pesqueiros com a vigência do Cota Zero (Lei 12.434/24 e Lei 12.197/23). Também não houve comprovação por parte do Estado de Mato Grosso quanto à eficácia e melhoria das condições socioambientais nas regiões afetadas.

A petição é protocolada em uma data simbólica, 29 de junho – Dia Nacional do Pescador, e o documento chama a atenção para os severos impactos não só nas comunidades ribeirinhas em Mato Grosso, como em toda uma cadeia econômica e social que depende direta ou indiretamente da pesca artesanal. O pedido das organizações signatárias é que o relator das ações de inconstitucionalidade no STF, ministro André Mendonça, prossiga com a inclusão na pauta de julgamento do Plenário.

O objetivo é que o conjunto de documentos, relatórios técnicos, pareceres e manifestações de órgãos envolvidos seja apreciado pelos demais ministros para que haja uma decisão sobre a suspensão da Lei. O Formad está entre as organizações aceitas como amicus curiae nas ações de inconstitucionalidade no STF, representando entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e pesquisadores.

A primeira ação pela derrubada do Cota Zero no Supremo é de outubro de 2023 sem qualquer manifestação do ministro. Em seu último despacho, em janeiro de 2026, determinou ao Estado de Mato Grosso que apresentasse informações sobre a eficácia e efetividade da lei; os relatórios emitidos pelo Observatório da Pesca; e a situação atual dos pescadores em relação ao pagamento de auxílio e a flexibilização das espécies proibidas.

As informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), além da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foram analisadas pela petição protocolada pelo Formad.

Segundo o documento, sob a ótica da eficácia e da efetividade, a suspensão da atividade pesqueira não apresenta fundamentos técnicos e científicos idôneos que justifiquem a medida. Da parte dos órgãos estaduais não há dados que justifiquem os presumidos benefícios da Lei. Pela ALMT, o Observatório da Pesca não resultou em encaminhamentos sobre os impactos, além de ter contribuído com a revitimização dos pescadores, conforme analisado pelo Formad (Uma vergonha chamada Observatório da Pesca) na conclusão dos trabalhos do grupo, em 2024. 

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Não há qualquer nexo de causalidade entre a proibição e a recuperação dos estoques pesqueiros (…) Em contrapartida, os dados revelam um severo desequilíbrio regulatório e patente desproporcionalidade, enquanto o Estado priorizou a estruturação do turismo de pesca, negligenciou por completo os direitos constitucionais e a subsistência dos pescadores artesanais, bem como negligenciou a proteção ambiental“, destaca o documento.

Veja o quadro comparativo adaptado que analisou as respostas dadas pelos órgãos estaduais:

Documento

Eficácia e Efetividade

Situação dos Pescadores

Principais Conclusões

PGE-MT (conjunto das informações apresentadas ao STF)

Não há aumento dos estoques pesqueiros nem melhoria ambiental. As metas não foram demonstradas.

Mais de 80% dos pescadores sem cobertura das medidas compensatórias. Mais de 70% do território estadual não foi atendido pelo auxílio.

Política considerada ineficaz para os objetivos ambientais e com fortes impactos sociais e econômicos sobre comunidades pesqueiras.

SEDEC

Comprovou resultados apenas na estruturação do turismo de pesca. Não demonstrou benefícios ambientais ou recuperação dos estoques.

Não apresentou informações sobre perdas econômicas dos pescadores e municípios dependentes da pesca artesanal.

Houve priorização do turismo de pesca, sem avaliação dos impactos socioeconômicos da restrição pesqueira.

SETASC (REPESCA)

Não demonstrou que as medidas compensatórias foram suficientes para mitigar os impactos da legislação.

Apenas 19 pescadores foram atendidos em 2024 e 2.172 em 2025. Mais de 80% da categoria permaneceu excluída. Cursos de capacitação alcançaram apenas 35 beneficiários entre cerca de 16 mil famílias.

Cenário de insuficiência da política pública, exclusão social e barreiras burocráticas para acesso aos benefícios.

SEMA

Não comprovou que a proibição da pesca contribuiu para a recuperação dos estoques ou melhoria ambiental.

Reconhece impactos sobre pescadores, mas concentra ações em fiscalização e repressão.

Apresenta dados de fiscalização, porém sem evidências dos resultados ambientais que justificariam a restrição.

Observatório da Pesca (ALMT)

Não apresentou base técnico-científica suficiente para validar as restrições impostas.

Participação limitada das comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Governança considerada assimétrica, com baixa representação direta dos grupos afetados.

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Avanço no turismo só atende setor econômico favorável ao Cota Zero

Um dos apontamentos levantados pelas organizações é o desequilíbrio entre os investimentos realizados pelo Estado. Conforme a devolutiva da SEDEC, via Secretaria Adjunta de Turismo, dos projetos de incentivo apenas o de Estruturação do Turismo de Pesca em Mato Grosso encontra-se efetivamente em execução. Já as iniciativas voltadas à conservação ambiental permanecem como propostas. Entre elas estão os projetos “Piraíba”, “Dourado” e “Dourado – Avaliação de Estoque”, ainda sem implementação prática, o que revela que “a justificativa de proteger o meio ambiente não é verídica, como tampouco foi prioridade desde o advento da mudança legislativa na política estadual da pesca“.

Na última audiência pública em Cuiabá (MT) para debater os impactos do Cota Zero, representantes do setor turístico falaram abertamente sobre os lucros obtidos nos últimos anos com a legislação em vigência e o quanto vêm sendo beneficiados com a prática do “pesque e solte”, única atividade autorizada pelo Governo nos rios do estado.

Uma nota técnica do WWF Brasil, divulgada em abril deste ano, trouxe dados inéditos sobre a pesca na Bacia do Alto Paraguai, com destaque na ausência de comprovação a respeito da sobrepesca, conforme justificado pelo Executivo, autor do projeto proibitivo. O levantamento aponta que a atividade pesqueira movimenta cerca de R$889 milhões por ano, correspondente a 44% do PIB médio anual das cidades somente na região da BAP. Do total, a pesca profissional artesanal é responsável por R$102,7 milhões ao ano, sendo mais da metade (R$59 milhões) oriunda da venda do pescado. Enquanto o turismo de pesca, gera R$54,9 milhões por ano. O documento reforça a argumentação da petição do Formad e foi anexada ao processo. 

Paralelamente ao crescimento no turismo, a falta de cobertura das medidas compensatórias do Cota Zero é demonstrada com os dados apresentados pela Setasc, que com o REPESCA contabilizou o pagamento a pouco mais de 2,1 mil pescadores. Ao todo, Mato Grosso possui cerca de 16 mil. O que representa uma ausência de cobertura de mais de 80% dos pescadores artesanais.

Racismo ambiental e insegurança alimentar

Para além dos impactos econômicos, o Cota Zero é sinônimo de marginalização, insegurança alimentar e perda de direitos humanos. A petição inclui o debate sobre o conceito de racismo ambiental, ao argumentar que a Lei tem distribuído de forma desigual os custos de uma decisão política.

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Ao penalizar severamente a pesca artesanal e proibir o livre exercício de um modo de vida tradicional milenar, a política pública preserva e beneficia setores de maior poder econômico e menor vulnerabilidade social. Essa distorção revela um padrão de exclusão distributiva no qual a preservação ambiental é instrumentalizada à custa da identidade cultural, da liberdade de profissão e da dignidade humana de populações historicamente marginalizadas e que atuam reconhecidamente como guardiões do meio ambiente“, traz a petição.

E a exclusão social não para por aí, quando se analisa os dados fornecidos pela Setasc de que somente 35 pessoas foram beneficiadas com os cursos de capacitação oferecidos. Isto porque, acrescenta a petição, “a exigência de escolaridade mínima funcionou como a principal barreira burocrática para a ampliação do programa, ignorando a realidade sociocultural da categoria. A SETASC provou que excluiu aproximadamente 83% dos pescadores e exigiu escolaridade formal de quem é tradicional“.

O abandono compulsório da atividade pesqueira artesanal já é visto em algumas comunidades, descaracterizando populações historicamente presentes à beira dos rios de Mato Grosso e isso, aliado à notória insegurança alimentar vivenciada por milhares de famílias, compõe um cenário de exclusão social e altíssimo custo à dignidade humana.

Com o prazo concedido pelo STF já encerrado e sem apresentação de uma solução capaz de responder aos questionamentos levantados, a expectativa da sociedade civil é conquistar o andamento processual da pauta no Supremo. Um julgamento final do caso pode decidir mais do que a retomada de uma atividade profissional, mas por fim a um dos casos mais emblemáticos na disputa de interesses econômicos e privilégios a uma categoria já bastante beneficiada em Mato Grosso.

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Por Bruna Pinheiro / Formad

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Mato Grosso

Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

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A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.

Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.

No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.

Conforme o perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo, os exames não permitiram identificar o que pode ter provocado o fenômeno termoelétrico, que segundo a literatura pericial pode estar relacionado à sobrecarga elétrica, curto-circuito, ou descarga elétrica contínua.

“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.

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Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.

No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.

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