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Mato Grosso

Governo de MT entrega primeira escola técnica estadual de Cuiabá: mais um investimento para a Capital

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O governador Mauro Mendes entregou, nesta terça-feira (29.03), a primeira Escola Técnica Estadual de Cuiabá. Com investimento de R$ 15 milhões, a unidade faz parte de um pacote de oito unidades, cujas obras estavam paralisadas por mais de 10 anos e foram retomadas pelo Governo de Mato Grosso em 2019.

“Estamos inaugurando esta importante obra para a área de ciência e tecnologia. Uma obra que encontramos paralisada em 2019, com outras sete, e determinamos a retomada de todas. Fico muito feliz que nesses três anos e três meses que estamos a frente do governo, centenas de obras foram retomadas, muitas delas já foram finalizadas e tantas outras se encontram em execução ou em fase de projetos. Essa escola vai servir para formação e qualificação técnica, agregar valor ao profissional, para que ele possa utilizar esse conhecimento como instrumento para se inserir no mercado de trabalho”, destacou o governador.

O secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, disse que vivenciou um momento histórico em seu último dia no Governo, que foi a entrega das duas escolas técnicas, uma em Cáceres e outra em Cuiabá, ambas há mais de 10 anos com as obras paradas. Ele reforçou ainda o empenho do governador Mauro Mendes em entregar uma obra de qualidade e que não deixa a desejar para nenhuma instituição particular.

“Quando visitamos o espaço pela primeira vez foi uma decepção total de como tudo estava sendo conduzido, o patrimônio e também o recurso público, uma falta de respeito com a sociedade cuiabana e mato-grossense. Então, naquele momento, o governador, que é engenheiro e avalia todos os projetos de todas as obras do Estado, tomou uma decisão: ele estava decidido a fazer a melhor escola, com tudo que há de melhor na construção civil, em qualidade e acabamento, e é neste padrão que estamos tocando todas as obras”, afirmou ele.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Nilton Borgato, explicou que foi firmada uma parceria com a Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), que terá uma área na escola para instalação do núcleo Pedagógico de Cuiabá para atendimento dos cursos de Engenharia de Produção Agroindustrial, Gestão de Negócios e Inovação e Gestão Pública.

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“Hoje é um dia muito especial, uma belíssima obra entregue para a sociedade da Baixada Cuiabana. E tudo isso só pôde acontecer com o apoio do nosso governador, que colocou o estado nos trilhos. O convênio dessa obra é de 2009. Iniciou com R$ 5 milhões e encerrou com mais de R$ 15 milhões, mas só foi possível graças a gestão e o compromisso que o governador tem com o Estado”, declarou Borgato.

A unidade de ensino é uma das oito escolas padrão, lançadas pelo Governo Federal, em parceria com o Governo de Mato Grosso, em 2010. O Governo também investiu para a retomada das escolas técnicas localizadas nos municípios de Água Boa, Campo Verde, Juara, Matupá, Primavera do Leste, Sorriso e Cáceres, que também foi entregue nesta terça-feira (29.03). Cada unidade possui capacidade para 1,5 mil alunos, nos turnos matutino, vespertino e noturno.

A previsão é de que as aulas comecem no segundo semestre deste ano, e os cursos ofertados serão de acordo com a demanda da população cuiabana.

A diretora da escola técnica, Simey Adriany Alcalá Souza, descreveu a inauguração da obra como a realização de um sonho que vai impactar diretamente a vida de milhares de pais e mães de famílias, que poderão se profissionalizar para conquistar melhores oportunidades de emprego e renda, além de potencializar o futuro dos jovens mato-grossenses. Ela reforçou que o espaço é amplo, arejado, bem equipado e está pronto para atender o aluno.

“Ter uma profissão é tudo na vida, é o sonho de qualquer pessoa, portanto, agradeço o empenho do governador, do secretário e de toda a equipe da Seciteci por persistir nesse desafio, pois a obra ficou parada mais de uma década para que hoje pudesse, finalmente, se tornar realidade. Já estamos com os planos dos cursos prontos e em breve a escola estará funcionando a todo vapor, em uma casa nova muito bonita, com excelente estrutura que foi pensada e planejada para ser referência no ensino em Mato Grosso”, destacou Simey.

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Também participaram da cerimônia de entrega o senador Fabio Garcia, os secretários de Estado Mauro Carvalho (Casa Civil), Beto Dois a Um (Cultura, Esporte e Lazer) e Laice Souza (Comunicação), o reitor da Unemat, Rodrigo Bruno Zanin, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), Marcos de Sá Fernandes da Silva, o diretor-geral da Politec, Rubens Sadao Okada, e a vereadora Michelly Alencar.

Mais investimentos em Cuiabá

Além da escola técnica estadual, o Governo de Mato Grosso já investiu R$ 1,5 bilhão em obras e ações em Cuiabá.

Somente na educação, foram investidos recursos para construção da nova Escola Mário de Castro, com R$ 7,8 milhões, e a reforma de outras quatro escolas, com R$ 10,9 milhões. Também está em fase de licitação a construção de outras quatro escolas, totalizando investimento de R$ 28,2 milhões.

Confira outros investimentos:

35 principais obras e ações do Governo de Mato Grosso para o município de Cuiabá

Obra

Valor

Situação

1-BRT

R$ 468    MI

         LICITAÇÃO NA               FASE FINAL

2-Construção do Hospital Universitário Júlio

Muller

R$ 219,1 MI

EM ANDAMENTO

3. Rodoanel

R$ 204,9 MI

EM ANDAMENTO

4-Construção do Hospital Central

R$   96,5 MI

EM ANDAMENTO

5-Construção de 6 novos raios na PCE

R$   70,9 MI

EM ANDAMENTO

6-Construção do Centro Logístico de

Abastecimento e Distribuição

R$   45,9 MI

EM ANDAMENTO

7- Ponte sobre o Rio Cuiabá entre o Parque

Atalaia e Parque do Lago em Várzea Grande

R$   40    MI

EM ANDAMENTO

8-Restauração da Avenida 8 de Abril e recuperação do canal

R$   33,1 MI

EM ANDAMENTO

9-Construção de 4 escolas nova em Cuiabá (Santos Dumont, Salim Felício e duas novas unidades nos bairros CPA IV e Ilza Terezinha) 

R$   28,2 MI

EM LICITAÇÃO

10-Restauração do trevo de Manso a Chapada

R$   27,1 MI

EM ANDAMENTO

11 – 3,29km de asfalto novo do acesso a ponte do Atalaia

R$   23,8 MI

EM LICITAÇÃO

12-Asfalto novo no Bairro Distrito Industrial

R$   20,8 MI

EM ANDAMENTO

13-Reforma e ampliação do CERMAC e

Hemocentro

R$   19,2 MI

EM ANDAMENTO 

14-Construção de ramais de distribuição de gás natural no Distrito Industrial

R$   17,5 MI

EM ANDAMENTO

15-Restauração da Estrada de Chapada entre a Fundação Bradesco e trevo de Manso

R$   15,6 MI

CONCLUÍDA

16-Reforma do Adauto Botelho

R$   15,2 MI

EM ANDAMENTO

17-Construção da Escola Técnica Estadual  

R$   15    MI

CONCLUÍDA

18-Restauração e recuperação da Trincheira

Jurumirim na Av Miguel Sutil

R$   14,7 MI

EM ANDAMENTO

19-Construção do Raio de Segurança Máxima

R$   14,3 MI

EM ANDAMENTO

20-Complementação de 680m da Avenida

Parque do Barbado

R$   12,6 MI

EM LICITAÇÃO

21–Reforma e ampliação do Lacen

R$   11,8 MI

EM ANDAMENTO

22–Entrega de 130 mil Cesta Básicas

R$   10,9 MI

CONCLUÍDO

23-Asfalto ligando a estrada de Chapada ao

Coxipó do Ouro

R$   10,5 MI

CONCLUÍDO

24-Construção de 430 vagas na PCE – Raio 6

R$     9,7 MI

CONCLUÍDA

25-Compra de 2.420 computadores para professores

R$     8,4 MI

CONCLUÍDO

26-Construção da nova Escola Mário de Castro

R$     7,8 MI

CONCLUÍDO

27-Crédito para empresas na pandemia

R$     6,3 MI

CONCLUÍDA

28-Ser Família Emergencial (6.051 famílias atendidas)

R$    5,7 MI

CONCLUÍDO

29-Ampliação da Rede de Frio

R$    5    MI

CONCLUÍDO

30-Abertura do Hospital Estadual Santa Casa

R$    3,4 MI

CONCLUÍDA

31-Reforma da Escola Padre Firmo

            R$    3,1 MI

EM ANDAMENTO

32-Reforma geral do Lar Doce Lar

R$    3    MI

CONCLUÍDA

33-Reforma da Escola Clêinia Rosalina

R$    2,8 MI

CONCLUÍDA

34-Reforma geral Escola Hermelinda de

Figueiredo

R$    2    MI

CONCLUÍDA

35-Implantação do Centro de Triagem

R$    1,2 MI

CONCLUÍDA

TOTAL                                                 R$ 1.494 BI

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Fonte: GOV MT

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Entrega dos kits da Corrida Marajá – Edição Infinity Energy Drink começam nesta quinta-feira (20/08)

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No ato da retirada do kit o participante deverá doar um quilo de alimento não-perecível (exceto sal)

O clima de expectativa já tomou conta dos 2 mil atletas inscritos na Corrida Marajá – Edição Infinity Energy Drink e antes de encarar o percurso no domingo (23/08), os participantes terão o compromisso nesta quinta-feira (20/08), com o início da entrega dos kits de prova em um espaço exclusivo do evento no Atacadão do Porto, em Cuiabá.

A organização preparou um cronograma especial em três dias para garantir comodidade e agilidade aos participantes: nos dias 20 e 21 de agosto (quinta e sexta-feira), das 9h às 19h e 22 de agosto (sábado), das 9h às 13 horas.

O kit oficial do atleta é para lá de completo, onde inclui a camiseta oficial da prova, sacochila, número de peito com chip de cronometragem, copo exclusivo colecionável, uma unidade do Infinity Energy Drink Sem Açúcar e brindes oferecidos pelos patrocinadores do evento.

Com o número no peito e chip de cronometragem garantidos, o foco total será para o dia do desafio de 6 quilômetros no domingo. A largada pontual está marcada para às 06h30, em frente à sede da fábrica de Refrigerantes Marajá, em Várzea Grande, que também servirá como ponto de chegada. O evento é alusivo ao aniversário de 63 anos de fundação da empresa.

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A recomendação da organização é que os corredores cheguem com antecedência para o aquecimento inicial e hidratação.

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Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina

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Foto-Assessoria

Na tarde desta quinta-feira (13/08), um grupo de empresários associados ao Sindicato das Indústrias da Construção da Região Sul do Estado de Mato Grosso (Sinduscon Sul MT) realizou uma visita técnica e de imersão no recém-inaugurado Sesi Experience – Centro Avançado de Segurança do Trabalho, localizado em anexo às dependências da sede do Serviço Social da Indústria de Rondonópolis.

Antes do tour técnico, os associados participaram de uma breve palestra sobre os detalhes e o potencial de aprendizado do CT, que recebeu um investimento total de 12 milhões de reais. Na sequência, eles seguiram para o centro, onde passaram por experiências que simulam situações reais de acidentes de trabalho e momentos críticos.

Para o gestor regional de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi Mato Grosso, Márcio Alves, este foi o primeiro grupo de empresários a realizar a imersão no centro avançado. “Eles puderam presenciar toda a tecnologia voltada para a segurança do trabalho. Os equipamentos proporcionam uma imersão do trabalhador ao utilizar de forma correta tanto os equipamentos de proteção coletiva quanto os de proteção individual”, explicou.

Ainda segundo Márcio Alves, esses cenários e equipamentos fazem com que se mude o formato e a abordagem do trabalhador quanto à importância de prevenir a sua saúde e a sua segurança. “Aqui o foco é trazer essa experiência, onde o trabalhador vai poder fazer a utilização de forma correta do equipamento de segurança individual e voltar para sua rotina, na qual ele vai conseguir utilizar da melhor forma possível esse equipamento, fazendo uma imersão nesse ambiente saudável e seguro”, finalizou.

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O engenheiro civil e proprietário da empresa Plano Sul, Rafael Francisco Lopes Machado, foi um dos associados que fizeram a visita técnica ao Sesi Experience. “Foi uma experiência incrível, acredito que fora do normal. Nunca vi algo parecido, porque existe de fato uma imersão e é possível vivenciar situações em que sentimos estar passando pelo risco e aprendemos como não passar por eles na vida cotidiana e na operação da obra”, destacou.

Sesi Experience — O maior centro de treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho da América Latina e o primeiro do Brasil, o Sesi Experience, fica em Rondonópolis. O complexo tem a missão de transformar a forma como as empresas capacitam seus trabalhadores, reunindo treinamentos que vão desde instalações elétricas e espaços confinados até o trabalho em altura. Para isso, utiliza tecnologia coreana imersiva para reproduzir situações reais de risco sem expor os participantes ao perigo. Idealizado pelo Sesi MT, a estrutura permite que o colaborador vivencie cenários críticos, aprenda a identificar riscos e adote os procedimentos corretos de segurança em um ambiente totalmente controlado.

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Mato Grosso

Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

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A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

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Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

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Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

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