Mato Grosso
Governo nomina obras em homenagem a servidor, policial militar e advogado falecidos
O Governo de Mato Grosso informou, por meio de decretos que circulam na edição desta sexta-feira (28.12) do Diário Oficial, que três obras serão nominadas em homenagem a pessoas cujos falecimentos causaram comoção em todo o Estado.
O heliponto localizado no entroncamento das rodovias MT-251 e MT-010, inaugurado hoje pela administração estadual, levará o nome do policial militar Joel Pereira Machado, que faleceu em um acidente de helicóptero em 2005.
Naquele ano, o sargento PM Machado, o tenente PM Rodrigo Ribeiro e o cabo PM Júlio Márcio Jesus saíram para fazer o resgate de vítimas de um acidente na Serra de São Vicente, na BR-364, entre Cuiabá e Rondonópolis, a 218 km da capital, no período noturno, quando o helicóptero caiu.
Já o decreto nº 1.758, de 27 de dezembro de 2018, dispõe sobre a denominação da ciclofaixa compartilhada localizada na Rodovia Helder Cândia (MT-010). Ela recebe o nome do servidor e então presidente da Associação dos Funcionários da Fazenda de Mato Grosso (Affemat), Enéas Cardoso Filho, que faleceu em 2013, após ser atropelado por um adolescente de 14 anos enquanto fazia um passeio de bicicleta, por volta das 20h30, na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá.
Outro decreto publicado pelo Governo do Estado, o de nº 1.759, denominou a ciclofaixa compartilhada que fica na Rodovia Emanuel Pinheiro (MT- 251) em homenagem ao advogado José Eduardo Carvalho. Ele foi vítima fatal de um atropelamento, em 2014, quando pedalava junto a um grupo de ciclistas que foi atingido por um veículo, cujo condutor fugiu em seguida. O acidente aconteceu no mesmo local que hoje recebe seu nome.
Inauguração
O Governo de Mato Grosso inaugura nesta sexta-feira, às 14h, a trincheira de 365 metros, construída entre as rodovias Helder Cândia (Estrada da Guia / MT-010) e Emanuel Pinheiro (Estrada da Chapada / MT-251). A obra foi executada por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) e receberá o nome Engenheiro Roberto Flávio Abbott de Castro Pinto.
A nova trincheira tem 7.311 m² e vai desafogar o trânsito e melhorar o acesso a bairros como Ribeirão do Lipa, Jardim Ubirajara e Despraiado, em Cuiabá, além de facilitar o acesso às cidades de Acorizal, Jangada, Rosário Oeste, entre outras do Norte do Estado, bem como de Chapada dos Guimarães, Campo Verde e a região Sul.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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