Mato Grosso
Há 46 anos, Cuiabá se ligou ao restante do país por rodovias
Embora o agronegócio mato-grossense ainda encontre problema no escoamento de sua safra, o Estado conta com uma malha rodoviária de quase 7 mil km asfaltados, dos quais cerca de 5 mil precisa de manutenção, há pouco menos de cinco décadas, a situação era infinitamente pior.
Até poucos anos de sua divisão, em 1977, a parte norte do Estado, que se transformaria em Mato Grosso, era praticamente isolada do restante do país. Apenas no final de 1973 foram inaugurados os 788 km da rodovia 364, ligando Jataí (Goiás) a Cuiabá, passando por Rondonópolis.
Nesta época, o hoje engenheiro da Sinfra-MT (Secretaria estadual de Infraestrutura e Logística), Zenildo Pinto de Castro Filho, então graduando em Engenharia, estagiou no antigo Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), atual DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).
Este é o mapa usado pela Sinfra, em 2015, para mostrar à população como seria a duplicação da BR 163/364 que liga Cuiabá a Rondonópolis, importante rodovia que conecta norte e sul
“Naquele tempo, só existia asfalto entre Cuiabá e São Vicente. Mas, era complicado, porque em período de chuvas, próximo ao rio Aricá, a água passava por cima da ponte e ficava tudo parado, gerando grande dificuldade para entrar ou sair de Cuiabá”.
Segundo ele, a maior meio de transporte para quem chegava ou saía de Cuiabá era o rio Cuiabá, até então de grande calado (profundidade em que cada embarcação está submersa na água), reduzido após a construção da barragem da Usina do Manso. “Era tão profundo que construíram o terminal do Porto para receber as balsas, que vinham de Corumbá trazendo cimento e outras mercadorias”, diz.
Zenildo Pinto, que se formou em 1974 e ingressou no então Dermat (Departamento de Estradas e Rodagens de Mato Grosso), em 1975, estagiou na então Construtora Brasil, responsável pela BR 163, que em Rondonópolis se bifurca com a BR 364.
O prolongamento das BR 364 e 163 até Cuiabá foi resultado do Prodoeste (Programa de Desenvolvimento do Centro-Oeste), criado pelo Decreto-lei 1192, de novembro de 1971. “Depois que o asfalto chegou a Cuiabá, a sua continuidade para o norte do Estado foi apenas uma consequência. Mas, até então, o Nortão continuava isolado”.
O prolongamento das rodovias 364/163 até Cuiabá foi essencial para o desenvolvimento chegar ao norte de MT, isso na década de 1970. Pela BR 364 trafegam mais de 11 mil veículos diariamente e é por onde escoa a produção agrícola do Estado
Tanto que em 1980, o Banco Mundial analisou um pedido de empréstimo, “feito pelo então governador Frederico Campos para pavimentar todas as rodovias tronco de Mato Grosso, especialmente as BR 163, até Sinop, e a 070, até Barra do Garças”.
Segundo ele, o dinheiro só saiu no Governo de Júlio Campos, que assumiu em março de 1983. “Como o DNER não tinha dinheiro para estas obras, foi feito um acordo com o governo federal para o Estado pavimentar essas rodovias, que 10 anos depois voltariam à responsabilidade do Governo Federal, que ressarciria Mato Grosso”.
Zenildo Pinto lembra que também neste período foi lançado o Programa Integração, de construção de pontes de concreto em locais isolados, já prevendo uma futura pavimentação.
Período que coincide com a expansão da soja não só em Mato Grosso, como na região acima de Cuiabá. “Nesta época, eu era coordenador do trecho até Sinop. Lembro que onde hoje é o município de Nova Mutum era um local escuro, coberto de mato. Lucas do Rio Verde, então um projeto de assentamento de 203 famílias vindas do interior do Rio Grande do Sul, eram apenas casas de madeira. E só havia uma ponte de madeira, para atravessa do Rio Verde”.
“Portanto”, conclui Zenildo Pinto, “considero o Prodoeste o início que proporcionou a Mato Grosso a produção de toda a sua riqueza. “Para dar continuidade à expansão desta riqueza, está na hora de se pensar em outro modal e um deles é a ferrovia”.
Sinfra: mais de sete décadas de história
Com quase 73 anos de história, a atual Sinfra/MT (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística) sempre esteve presente no desenvolvimento de Mato Grosso, construindo, pavimentando e fazendo a manutenção das estradas que cortam o território mato-grossense.

São 73 anos de história da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística. Apesar dos avanços, gargalo ainda é uma realidade no Estado que é o terceiro maior do país e possui 750 km de fronteira seca com a Bolívia
O início foi em novembro de 1946, com a criação da Comissão Estadual de Estrada de Rodagem (CER-MT), durante a efêmera gestão de José Marcelo Moreira (19/08/1946 a 08/04/1947), nomeado interventor pelo então presidente, também mato-grossense, Eurico Gaspar Dutra.
Em julho de 1966, durante o regime militar, passou a se chamar Departamento Estadual de Estradas e Rodagem. Na época, governava Mato Grosso Pedro Pedrossian, eleito pelo voto direto.
Em janeiro de 1992, com o Estado sob o comando do atual senador Jaime Campos, passou a ter uma nova denominação: Departamento Estadual de Viação de Obras Públicas (DVOP).
Em 2001, o então governador Dante de Oliveira, já falecido, alterou a sigla mais uma vez, passando-a para Secretaria de Estado de Transporte (SEET).
O então governador Blairo Maggi resgatou a sigla Sinfra, em março de 2004, que depois virou a Setpu, mas, em 2015, voltou a ser chamada de Sinfra novamente
Durante a administração de Blairo Maggi, entre 2003 e 2010, a denominação do órgão sofreu duas alterações. A primeira, em março de 2004, quando passou a se chamar Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) e a segunda, em 2010, com o nome de Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana (Setpu). Em 2015, voltou a ser chamada de Sinfra, acrescentando a palavra Logística ao seu nome.
Mato Grosso
Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina

Foto-Assessoria
Na tarde desta quinta-feira (13/08), um grupo de empresários associados ao Sindicato das Indústrias da Construção da Região Sul do Estado de Mato Grosso (Sinduscon Sul MT) realizou uma visita técnica e de imersão no recém-inaugurado Sesi Experience – Centro Avançado de Segurança do Trabalho, localizado em anexo às dependências da sede do Serviço Social da Indústria de Rondonópolis.
Antes do tour técnico, os associados participaram de uma breve palestra sobre os detalhes e o potencial de aprendizado do CT, que recebeu um investimento total de 12 milhões de reais. Na sequência, eles seguiram para o centro, onde passaram por experiências que simulam situações reais de acidentes de trabalho e momentos críticos.
Para o gestor regional de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi Mato Grosso, Márcio Alves, este foi o primeiro grupo de empresários a realizar a imersão no centro avançado. “Eles puderam presenciar toda a tecnologia voltada para a segurança do trabalho. Os equipamentos proporcionam uma imersão do trabalhador ao utilizar de forma correta tanto os equipamentos de proteção coletiva quanto os de proteção individual”, explicou.
Ainda segundo Márcio Alves, esses cenários e equipamentos fazem com que se mude o formato e a abordagem do trabalhador quanto à importância de prevenir a sua saúde e a sua segurança. “Aqui o foco é trazer essa experiência, onde o trabalhador vai poder fazer a utilização de forma correta do equipamento de segurança individual e voltar para sua rotina, na qual ele vai conseguir utilizar da melhor forma possível esse equipamento, fazendo uma imersão nesse ambiente saudável e seguro”, finalizou.
O engenheiro civil e proprietário da empresa Plano Sul, Rafael Francisco Lopes Machado, foi um dos associados que fizeram a visita técnica ao Sesi Experience. “Foi uma experiência incrível, acredito que fora do normal. Nunca vi algo parecido, porque existe de fato uma imersão e é possível vivenciar situações em que sentimos estar passando pelo risco e aprendemos como não passar por eles na vida cotidiana e na operação da obra”, destacou.
Sesi Experience — O maior centro de treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho da América Latina e o primeiro do Brasil, o Sesi Experience, fica em Rondonópolis. O complexo tem a missão de transformar a forma como as empresas capacitam seus trabalhadores, reunindo treinamentos que vão desde instalações elétricas e espaços confinados até o trabalho em altura. Para isso, utiliza tecnologia coreana imersiva para reproduzir situações reais de risco sem expor os participantes ao perigo. Idealizado pelo Sesi MT, a estrutura permite que o colaborador vivencie cenários críticos, aprenda a identificar riscos e adote os procedimentos corretos de segurança em um ambiente totalmente controlado.
Mato Grosso
Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática
A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso
Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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