Mato Grosso
Homicídios caem 6%; latrocínio 36%; roubos e furtos reduzem 16%
Dados da Coordenadoria de Estatísticas e Análise Criminal da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), com base nos dados consolidados pela Polícia Judiciária Civil (PJC), mostram que de janeiro a outubro houve uma redução de 16% das ocorrências de roubo e furto em Mato Grosso, na comparação com o mesmo período em 2017.
Também houve queda nos homicídios (6%) e nos latrocínios (36%), com destaque para os municípios de Sinop, Cáceres, Tangará da Serra e Alta Floresta, que reduziram em 100% esse tipo de crime e não registraram nenhum roubo seguido de morte. As informações foram apresentadas durante reunião do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) Pleno, com todos os dirigentes das forças de segurança pública.
Na comparação dos 10 primeiros meses de 2017 e 2018, também houve queda nos homicídios, de 812 para 780, o que representa 4%. Alta Floresta e Cáceres tiveram redução de 54% cada, seguidos por Primavera do Leste (46%) e Juína (36%). Na comparação de janeiro a outubro de 2014 com o mesmo período em 2018, a diminuição foi de 23% (de 1.018 para 780).
Os roubos seguidos de morte, apresentaram queda de 36% no estado, de 39 casos para 25. Quatro municípios zeraram os latrocínios – Sinop, Cáceres, Tangará da Serra e Alta Floresta –, Primavera do Leste reduziu em 75% (de 4 para 1 latrocínio), Várzea Grande 60% (de 5 para 2) e Cuiabá 30% (de 10 para 7).
Em 2017, de janeiro a outubro, foram registrados 18.427 roubos no estado, contra 15.531 neste ano. As maiores reduções nesse tipo de crime ocorreram nos municípios de Alta Floresta (-43%), Várzea Grande (-34%), Tangará da Serra (-33%) e Cuiabá (-28%). Já os casos de furto saíram de 46.305 em 2017 para 38.803 este ano, com maior redução em Cuiabá (-39%), Tangará da Serra (-33%), Nova Mutum (-26%) e Alta Floresta (-22%).
O secretário de Estado de Segurança Pública, Gustavo Garcia, credita os resultados ao empenho dos servidores, planejamento estratégico executado de forma qualificada. “O crime tem reduzido no Estado com as políticas de segurança adotadas e a criminalidade violenta tem caído em todo Estado nos roubos, latrocínio e homicídios”.
Para o comandante da Polícia Militar, coronel Marcos Vieira da Cunha, o resultado foi decorrente do planejamento tático operacional de todas as instituições feito de forma integrada para atingir esses índices históricos. “A gente percebe o engajamento dos profissionais da segurança pública. A integração para mim é um caminho sem volta e um legado que será deixado para as gerações futuras e é um caminho adotado em nível federal”.
A delegada-geral adjunta da PJC, Sílvia Pauluzzi, também credita à integração policial aos resultados da redução da criminalidade. “Acredito que nesses dois últimos anos fizemos um bom trabalho com as outras forças de segurança. Essa integração foi fundamental para os resultados obtidos e esperamos que os próximos dirigentes deem continuidade para que os índices se mantenham em queda”.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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