Agro News
Impulsionados pelo “tarifaço”, países fortalecem o BRICS e firmam nova agenda agrícola
O grupo de países emergentes conhecido como BRICS — formado atualmente por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia — encerrou nesta quinta-feira (17.04) a reunião do Grupo de Trabalho da Agricultura com uma nova agenda conjunta voltada à sustentabilidade, inovação e segurança alimentar. O Brasil, que coordenou os trabalhos, defendeu um papel estratégico do bloco no combate à fome e na promoção de uma agricultura mais justa, inovadora e ambientalmente responsável.
O BRICS é uma aliança internacional que reúne algumas das maiores economias em desenvolvimento do planeta. No campo agrícola, os números impressionam: juntos, os países do bloco representam cerca de 70% da produção aquícola mundial, 30% da pesca extrativa, 30% das terras agrícolas do planeta e quase metade da população global. Isso significa que decisões tomadas dentro do BRICS impactam diretamente a segurança alimentar internacional e abrem portas para o agronegócio brasileiro em mercados altamente relevantes.
Durante o encontro, realizado sob liderança do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os ministros da área firmaram uma nova Declaração Ministerial de Agricultura, com compromissos voltados à agricultura familiar, recuperação de áreas degradadas, comércio agrícola sustentável, certificação eletrônica de produtos, inovação tecnológica e ampliação da participação de mulheres e jovens no campo. A agenda aprovada também prevê ações de adaptação climática e fortalecimento da resiliência produtiva frente às mudanças no clima, com destaque para o financiamento à agricultura de base familiar — setor responsável por cerca de 80% da produção mundial de alimentos, mas que recebe apenas 1% dos recursos internacionais voltados à mitigação climática.
Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o BRICS tem papel central na construção de um novo modelo agrícola global. “O futuro da agricultura está diretamente ligado à capacidade de nossos países de inovar com equidade, produzir com responsabilidade e cooperar com confiança”, afirmou. Segundo ele, o bloco já lidera a produção mundial de grãos, carnes, fertilizantes e fibras — áreas em que o Brasil é protagonista.
A crescente aproximação entre os países do BRICS também ganha importância diante da atual guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Questionado sobre as tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil e outros parceiros comerciais, Fávaro foi direto: “A afronta, neste momento, por parte do governo norte-americano — um protecionismo sem precedentes que cria barreiras tarifárias —, certamente nos induz ao fortalecimento do bloco. Buscamos, nisso, oportunidades. Cada país membro traz à mesa suas potencialidades, e discutimos juntos a ampliação das relações comerciais”.
Nesse cenário, a união entre os países do BRICS representa um contraponto às medidas unilaterais de restrição comercial adotadas por potências como os Estados Unidos. Com o crescimento da demanda mundial por alimentos e a necessidade de práticas sustentáveis, o Brasil surge como um dos poucos países capazes de expandir significativamente sua área produtiva sem abrir novas fronteiras agrícolas. “Temos pelo menos 40 milhões de hectares de áreas degradadas que podem ser incorporadas ao sistema produtivo com alta tecnologia. E como temos duas safras por ano, esse número pode dobrar”, destacou o ministro.
Fávaro também abordou a relação com a China, após notícias de que 28 frigoríficos brasileiros indicados para exportar carne bovina estariam enfrentando entraves para liberação. Segundo ele, não houve rejeição oficial por parte do governo chinês. “Eles estão avaliando. Se fosse um problema específico, seria uma ou outra planta. Como foram todas, é sinal de que querem apenas desacelerar temporariamente as compras de carne bovina, talvez para ampliar a de suínos e frangos, o que já sinalizaram para 2025”, explicou.
Com a China reduzindo cerca de 60% das compras de carne bovina dos Estados Unidos, o ministro vê uma oportunidade para o Brasil avançar. “Temos plenas condições de suprir essa demanda com qualidade e segurança sanitária. E estamos ‘na iminência’ de abrir também o mercado de pescados para a China”, afirmou, ao confirmar que representantes da Alfândega Chinesa visitarão o Brasil na próxima terça-feira (22) para discutir a ampliação do comércio bilateral.
Entre os principais avanços da reunião do GT da Agricultura do BRICS está a criação de uma parceria para restaurar terras degradadas. A iniciativa vai incentivar pesquisas sobre o uso do solo, técnicas de recuperação e alternativas de financiamento por meio de bancos de desenvolvimento e do setor privado. Também ficou definido o apoio à adoção de normas de certificação eletrônica, alinhadas às diretrizes da ONU, com objetivo de agilizar o comércio agrícola internacional, tornando o processo mais seguro e transparente. A ideia é conectar as plataformas digitais dos países membros para facilitar o fluxo de certificados fitossanitários e veterinários, reduzindo burocracias.
A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, também participou do encontro e ressaltou a importância de ampliar o acesso a financiamentos voltados à adaptação climática. “Embora responsável por grande parte da produção mundial de alimentos, a agricultura familiar recebe apenas uma fração mínima dos recursos para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. A Declaração Ministerial traz o compromisso de mudar essa realidade”, afirmou.
O encontro reforçou o papel central do Brasil no fornecimento de alimentos ao mundo e na construção de uma política agrícola global baseada na inovação e na cooperação entre países do Sul Global. Com a nova agenda conjunta aprovada, o BRICS amplia sua influência sobre as decisões que afetam a segurança alimentar internacional e cria oportunidades concretas para o agronegócio brasileiro crescer com sustentabilidade.
Fonte: Pensar Agro
Agro News
Carnes e soja fazem exportações do agro somar R$ 80 bilhões em maio

Impulsionado pelo avanço das exportações de soja e proteínas animais, o agronegócio brasileiro movimentou cerca de R$ 80 bilhões em maio de 2026, registrando o segundo maior faturamento da história para o mês. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, as vendas externas do setor alcançaram aproximadamente R$ 80 bilhões, resultado 8,2% superior ao registrado em maio do ano passado.
O desempenho reforça o papel do agronegócio como principal sustentáculo da balança comercial brasileira. Mesmo em um cenário de volatilidade nos mercados internacionais, o setor conseguiu compensar a retração observada no complexo sucroenergético com embarques robustos de grãos e proteínas, mantendo o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos.
A soja continuou liderando a pauta exportadora nacional. Em maio, os embarques do grão alcançaram 14,8 milhões de toneladas, alta de 5% em relação ao mesmo período de 2025. A receita gerada pelo produto somou aproximadamente R$ 31,5 bilhões, sustentada pela combinação entre grande oferta e preços internacionais mais favoráveis. O farelo de soja também apresentou crescimento expressivo, com exportações de 2,5 milhões de toneladas, enquanto o óleo de soja registrou uma das maiores altas do mês, avançando 34% em volume.
As proteínas animais também tiveram papel decisivo no resultado. As exportações de carne bovina in natura atingiram 262 mil toneladas em maio, crescimento de 20% sobre o mesmo mês do ano passado. O faturamento do segmento chegou a cerca de R$ 8,5 bilhões, beneficiado pela valorização dos preços internacionais e pela forte demanda dos mercados asiáticos.
A carne de frango apresentou um dos melhores desempenhos do período. Os embarques alcançaram 442 mil toneladas, alta de 32% na comparação anual. Já a carne suína manteve a trajetória positiva observada ao longo de 2026, com exportações de 111 mil toneladas, crescimento próximo de 5%.
Entre os demais produtos, o milho registrou a maior variação percentual. As exportações cresceram mais de 570% em relação a maio de 2025, embora os volumes ainda sejam considerados modestos devido ao início da colheita da segunda safra. O algodão também manteve forte ritmo de expansão, com avanço superior a 50% nos embarques, enquanto o suco de laranja apresentou crescimento de 17%, reforçando a liderança brasileira no mercado global da bebida.
Na contramão, o complexo sucroenergético enfrentou um cenário mais desafiador. As exportações de açúcar bruto recuaram 10%, pressionadas pela queda dos preços internacionais. O etanol sofreu retração ainda mais intensa, com redução de 79% nos embarques, refletindo a menor competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
Além das questões de mercado, o setor acompanha com atenção as discussões comerciais nos Estados Unidos. Propostas de novas tarifas sobre determinados produtos brasileiros estão em análise pelas autoridades norte-americanas, embora boa parte dos principais itens do agronegócio — como carnes, café, frutas, cereais e suco de laranja — tenha permanecido fora das listas de sobretaxação.
Apesar das incertezas geopolíticas e da oscilação dos preços internacionais, os resultados de maio demonstram a resiliência do agro brasileiro. Com uma safra recorde e demanda firme por alimentos, fibras e proteínas, o setor continua ampliando sua participação no comércio mundial e reforçando sua importância para a geração de divisas e para o crescimento da economia nacional.
Agro News
Fundação Mato Grosso anuncia novos eventos para algodão e milho
Para o segundo semestre deste ano serão realizados encontros técnicos abrangendo as culturas do algodão e milho, além de um dia de campo, em junho, voltado exclusivamente para o algodão

Após três dias de uma intensa programação e difusão de informação, o 26º Encontro Técnico de Soja da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), evento ocorrido em Cuiabá, se posiciona mais uma vez na vanguarda como o primeiro canal de validação para os produtores rurais e todo mercado, reunindo toda a cadeia produtiva de grãos, trazendo inovação em diferentes áreas de conhecimento e fortalecendo vínculos com o ecossistema da cadeia sojicultura.
Para o Head Corporativo e Comercial da Fundação Mato Grosso, Flávio Garcia, o 26º Encontro Técnico de Soja superou mais uma vez todas as expectativas de entrega ao público e na difusão de conhecimento por meio dos painéis e de networks aos produtores participantes e entre os principais players técnicos e gestores do agronegócio.
“O tema ‘Cada grão importa’, resume bem a realidade atual em tempos de margens muito apertadas, onde o produtor precisa cada vez mais estar com todo o posicionamento técnico-científico em mãos para a melhor tomada de decisão. O que nós da Fundação Mato Grosso entregamos são dados validados por nossa área de pesquisa com referência, posicionamento, qualidade e inovações no que há de melhor no mercado e para que o produtor tenha todas essas ferramentas em mãos para aplicar, seja na área de entomologia, fitopatologia, nas escolhas de cultivares, na genética, como na questão dos nematóides, matologia , mecanização e na área de solos buscando sempre a maior eficiência e resultado. No ponto de vista estratégico, a Fundação Mato Grosso por meio do seu Conselho Curador, se reuniu com várias das maiores companhias agrícolas parceiras e desenvolvedoras de P & D em um Lounge Business, visando alinhamentos na busca da perenidade, confiança, credibilidade e imparcialidade na entrega e posicionamento para o produtor. Além do fortalecimento de relacionamento, para que nós da Fundação MT sempre estejamos em “primeira mão” apresentando essas soluções inovadoras ao mercado”, destacou Garcia.
Assim que ocorreu o fechamento do Encontro Técnico de Soja, que contou com a participação de 300 pessoas nos dois dias de evento e 150 participantes de forma on-line, a Fundação Mato Grosso já anunciou mais dois grandes encontros para o segundo semestre deste ano, desta vez abrangendo as culturas do algodão e milho, nos meses de agosto e novembro respectivamente. Além de um dia de campo, nos dias 10 e 11 de junho, voltado exclusivamente para o algodão, trará para os participantes uma prévia dos resultados em campo da estação da Fundação Mato Grosso, na Fazenda Tucunaré, do Grupo Amaggi, em Sapezal.
Para o gerente de Pesquisas Serviços e Operações da Fundação Mato Grosso, Luís Carlos de Oliveira, na área técnica-científica, a atual edição do Encontro Técnico de Soja, cumpriu o seu papel, com informação de qualidade e com a validação de muitas horas de pesquisas em painéis técnicos em paralelo estudos de campo, que trazem um cenário abrangente, em assunto sensíveis como o caruru e a mosca-branca, para que produtor possa tomar a melhor decisão no dia a dia de operação na fazenda. “Em resumo para nós, o encontro cumpriu o papel dele nestes 26 anos que é levar informação confiável para o produtor, então estamos cumprindo a nossa missão é a nossa satisfação maior é o legado que nós estamos deixando que foi o Encontro Técnico de Soja”, apontou o gerente.
Sobre a FMT:
A Fundação MT é uma instituição privada sem fins lucrativos, referência nacional em pesquisa e difusão de tecnologias para o agronegócio. Com foco em culturas como soja, milho e algodão, atua no desenvolvimento de soluções que aumentam a produtividade e a sustentabilidade no campo, promovendo a integração entre pesquisa científica e aplicação prática junto aos produtores rurais.
Conta ainda com cinco estações de pesquisa distribuídas estrategicamente pelo estado de Mato Grosso, ampliando sua capacidade de geração e validação de tecnologias em diferentes condições de cultivo. Entre seus pilares institucionais, destaca-se a imparcialidade, garantindo credibilidade e isenção na geração e disseminação de informações técnicas.
Agro News
Crédito travado expõe falhas em regra ambiental e causa insegurança jurídica
-
Rondonópolis10/06/2026 - 13:30Vereador Adonias Fernandes propõe concessão do Título de Cidadã Rondonopolitana a Secretária Rane Curto Nascimento Ferreira
-
Saúde08/06/2026 - 12:32Copa do Mundo: Combinação de estresse emocional e excessos acende alerta para a saúde cardiovascular e mental
-
Rondonópolis10/06/2026 - 11:08Torcedor poderá ganhar uma moto zero km e brindes nos jogos da Copa do Mundo
-
Rondonópolis09/06/2026 - 11:06Prefeito sanciona lei que inclui prevenção à violência contra a mulher na rede municipal de ensino
-
Rondonópolis09/06/2026 - 11:16Saúde de Rondonópolis recebe reforço de R$ 14,9 milhões por meio de emendas parlamentares
-
Rondonópolis09/06/2026 - 12:36Prefeitura destina R$ 100 mil para campanha “Nós Amamos Rondonópolis” por meio de parcerias com ACIR e CDL
-
Política MT09/06/2026 - 17:19Zé Medeiros quer proibir multas ambientais automáticas baseadas apenas em imagens de satélite
-
Artigos08/06/2026 - 14:30O fim da escala 6×1 e a inclusão de pessoas com deficiência e pessoas idosas

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), 




