Mato Grosso
Incentivos serão revisados em força-tarefa
Uma portaria publicada nesta quarta-feira (20.02) no Diário Oficial do Estado estabelece a formação de uma força-tarefa para sanear os 365 processos do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) que estão tramitando na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Na análise, os técnicos se certificarão da parte documental, certidões e ainda se a concessão ou pedido está em conformidade com a lei 10.741 de 2018.
Conforme o titular da pasta, César Miranda, a ação vem para atender o setor empresarial, que solicita este monitoramento há muito tempo. “É uma forma de garantir a segurança jurídica do ambiente de negócios, dar transparência aos processos e ainda corrigir distorções”.
Miranda esclarece que a celeridade e eficiência serão marcas registradas na nova gestão e com isto, espera-se atrair novos investimentos, principalmente em áreas consideradas estratégicas pelo governo estadual.
Entre os processos estão pedidos de renovação, enquadramento, inclusão de produtos, convalidação, manutenção, prorrogação, reativação, revisão de percentual e ainda casos de suspensão e desenquadramento.
A coordenadora dos trabalhos será a advogada e servidora efetiva da Sedec, Linacis Roberta da Silva. Ela terá uma equipe de 38 servidores, parte convocada exclusivamente para o trabalho.
Todos integrantes vão passar por capacitação e para padronizar, será estabelecido um check-list que precisa ser atendido no ato da análise. Quando forem encontradas irregularidades ou incoerências, as empresas serão notificadas para prestar esclarecimento. “Nenhuma medida será tomada sem garantir o direito de ampla-defesa e contraditório”.
Prodeic
O programa foi criado em 2003, reeditado em dezembro do ano passado e tem o objetivo de ofertar incentivos a indústria de transformação desde que a empresa contribua para a expansão de setores prioritários, invista em pesquisa e tecnologia, gere emprego e renda e instale-se e locais estratégicos para contribuir com a redução das desigualdades regionais.
O percentual de incentivo recai por produtos específicos, que é beneficiado com a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Vale lembrar que todos os estados do Brasil têm uma política diferenciada de incentivos, que são considerados pelos investidores no momento de escolher o local de instalação dos empreendimentos.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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