Mato Grosso
Indea fiscalizará 309 propriedades na fronteira com a Bolívia durante etapa de vacinação
De 29 de outubro a 1º de dezembro, 15 equipes compostas por médicos veterinários e agentes fiscais do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea/MT), estarão fiscalizando a vacinação contra a febre aftosa em propriedades localizadas na faixa de 15 km de fronteira seca com a Bolívia. A reunião de alinhamento da estratégia foi realizada em Cáceres, nesta segunda-feira (29.10).
Na região de fronteira com a Bolívia existem cerca de mil estabelecimentos rurais, dos quais serão fiscalizadas 309 propriedades, com um rebanho de aproximadamente 294 mil cabeças. A seleção das propriedades é baseada na análise de risco gerada a partir do relatório de vigilância veterinária, atividade que vem sendo realizada na região desde setembro de 2017.
O diretor técnico do Indea, Thiago Augusto Tunes, destaca a importância da atividade para a defesa agropecuária. “Tamanha é a importância dessa atividade e o desprendimento de força que é feito para a campanha de vacinação. Sabemos que essa é uma área de risco onde temos a responsabilidade de salvaguardar a sanidade do rebanho mato-grossense, garantindo segurança alimentar e fortalecimento da econômia”.
As propriedades localizadas nos municípios de Cáceres, Porto Espiridião, Pontes e Lacerda, e Vila Bela da Santíssima Trindade, são selecionadas de acordo com o grau de risco identificado, em médio e alto. Estas propriedades receberão a visita das equipes do Indea para notificação e agendamento da vacinação, que poderá ser assistida ou fiscalizada.
De acordo com o coordenador de Defesa Sanitária Animal do Indea, João Marcelo Brandini Néspoli, as ações se concentram na fronteira por ser considerada uma área de maior vulnerabilidade. “É um trabalho estratégico, de inteligência com foco em áreas que podem oferecer risco à pecuária mato-grossense”.
Alguns critérios são usados para determinar o grau de risco como a movimentação de rede, que mostram quais são as propriedades com maiores movimentações dentro da faixa de fronteira; o fácil acesso à Bolívia; e a comercialização de animais com outras propriedades.
Para a realização da atividade o Indea conta com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do setor produtivo por meio do Fundo Emergencial de Saúde Animal do Estado de Mato Grosso (Fesa-MT).
Vigilância contínua
O Indea implantou o programa de vigilância veterinária e fiscalização na faixa de 15 km denominada “Área de Vigilância da Fronteira com a República da Bolívia”, em setembro de 2017. A atividade abrange os municípios de Cáceres, Pontes e Lacerda, Porto Esperidião e Vila Bela da Santíssima Trindade, e tem o objetivo de reduzir o risco de introdução e/ou instalação de doenças exóticas e pragas quarentenárias já erradicadas no território mato-grossense.
As equipes do Indea realizam diariamente fiscalizações volantes de trânsito, e acompanham embarques e desembarques de bovinos das propriedades alvo. A atividade foi desenvolvida em consonância com Ministério da Agricultura, alicerçado pela Guia Técnica de Trabalho para a última etapa do Programa Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa (Phefa).
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Servidora do Estado tem aposentadoria negada mesmo amparada por decisão por diferenciação de gênero do STF
Policial Penal feminina atende requisitos de contribuição e idade para pleitear aplicação dos 36 meses de abatimento determinados pelo Supremo

Foto- Divulgação
Uma servidora pública estadual policial penal recorreu administrativamente de uma decisão da Mato Grosso Previdência (MTPREV), que negou seu pedido de aposentadoria voluntária na carreira policial. Em despacho emitido no último dia 9 de junho, o órgão previdenciário estadual concluiu que a servidora ainda não preenche os requisitos para a inativação, projetando o direito ao benefício apenas para 4 de setembro de 2027.
Conforme o advogado responsável pelo jurídico do Sindicato dos Policiais Penais do Estado de Mato Grosso, Fábio Moreira Pereira, que faz a defesa da servidora, houve um equívoco jurídico fundamental na análise da autarquia. O recurso hierárquico protocolado argumenta que a simulação realizada pela MTPREV desconsiderou a jurisprudência vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) que garante critérios diferenciados de gênero para a aposentadoria de mulheres policiais. “Sim, surgiu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF questionando que as mulheres teriam menos 3 anos de contribuição para aposentar, no caso, as mulheres policiais. E essa decisão foi favorável a uma policial civil: o STF acatou a ADI e reduziu menos 3 anos para a aposentadoria. Porém o Estado não acata de plano a decisão do STF. No caso, a gente entra com recurso administrativo pedindo para aplicar a ADI, mas a MTPREV não vem aplicando. Nesse caminho, nós ingressamos com a ação judicial para que sejam acatados esses menos 3 anos para a servidora aposentar”, explicou.
A negação do pedido pela MTPREV baseou-se estritamente nas regras da Emenda Constitucional nº 103/2019 (Reforma da Previdência), que igualou os critérios de idade e tempo de contribuição entre homens e mulheres nas carreiras policiais.
Contudo, o recurso destaca que essa equiparação foi considerada inconstitucional pelo STF no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7727/DF. Na decisão, relatada pelo ministro Flávio Dino, a Suprema Corte reconheceu que a ausência de um redutor para mulheres policiais viola o princípio da isonomia e a proteção ao trabalho feminino em condições de risco.
O STF determinou a aplicação provisória de um redutor de 3 anos tanto na idade mínima quanto no tempo de contribuição para as mulheres policiais, por simetria ao regime geral, até que uma nova lei complementar discipline a matéria.
A defesa da policial penal sustenta que a aplicação dos 36 meses de abatimento determinados pelo STF é imperativa e de eficácia imediata para a Administração Pública.
Com o recurso, a servidora pede a aplicação compulsória do entendimento do STF e a consequente retificação dos cálculos da MTPREV. Segundo a argumentação, a revisão demonstrará que os requisitos para o repouso remunerado já foram atingidos ou estão em vias imediatas de cumprimento, o que viabilizaria a concessão imediata da aposentadoria.
CONSTRANGIMENTO
Além disso, a servidora que terá sua identidade preservada para não sofrer algum tipo de perseguição, ainda sofreu um constrangimento psicólogo, ao receber um e-mail dos canais da MTPREV agendando a assinatura na sede do Mato Grosso Previdência. Onde na sequência, a policial penal realizou alguns procedimentos técnicos, como o processo descautela (devolução) de sua arma, entrega de farda e coletes, mas em menos de 24 horas recebeu um outro e-mail vindo de um funcionário da MTPREV, pedindo para desconsiderar a primeira mensagem oficial do órgão e destacando que seu pedido de aposentadoria tinha sido indeferido.
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