Mato Grosso
Instituições firmam parceria por melhorias na educação estadual
Ao promover a articulação entre as instituições públicas e a sociedade civil, o Gabinete de Articulação para Efetividade das Políticas de Educação de Mato Grosso (Gaepe-MT) fará com que a tomada de decisões na área da educação seja mais célere e eficaz. A proposta foi oficialmente apresentada na manhã desta segunda-feira (24), em evento de instalação do Gabinete realizado no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT).
Na abertura do encontro, o presidente da Corte de Contas, conselheiro José Carlos Novelli, falou sobre os desafios históricos que o país enfrenta na área de educação e destacou a importância da ação para resolvê-los. “O trabalho envolve todos os órgãos da administração pública e vai possibilitar que os estudantes tenham acesso à educação de qualidade. Esse é o nosso principal objetivo e tenho certeza de que vamos atingir.”
À frente do Comitê Temático de Educação do TCE-MT, o conselheiro Antônio Joaquim lembrou que hoje, no Brasil, 62% das crianças com até 10 anos da rede pública não são capazes de ler e interpretar textos simples. “É uma situação grave sobre a qual todas as autoridades têm o dever de contribuir, seja em médio ou longo prazo. É uma missão de prioridade absoluta na gestão pública brasileira.”
“O Ministério Público de Mato Grosso vem discutindo estratégias de atuação na educação, buscando maior resolutividade. Precisamos atuar preventivamente, discutindo as políticas públicas, orientando os gestores. Não faz sentido se preocupar apenas em punir eventuais irregularidades, falhas de gestão. E esta parceria que está sendo firmada entre várias instituições caminha exatamente nesse sentido, de atuar preventivamente para atingirmos os resultados esperados pela sociedade”, afirmou José Antônio Borges Pereira.
Idealizada pelo Instituto Articule, a iniciativa é resultado de um acordo de cooperação com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e com o Instituto Rui Barbosa (IRB), por meio de seu Comitê Técnico da Educação.
Na ocasião, o diretor de Relações Jurídico-Institucionais da Atricon, Cláudio Terrão, chamou a atenção ainda para a participação social. “A proposta é justamente aproximar os atores envolvidos com esta política pública, que têm responsabilidade de execução e concretização. É de suma importância que este diálogo ocorra e que essa aproximação se dê de forma efetiva.”
Mato Grosso é o sétimo estado do Brasil a iniciar a implantação da proposta, que já está presente em Rondônia, Goiás, Mato Grosso do Sul e no Arquipélago do Marajó. Além deles foi criada uma governança de âmbito nacional, o Gaepe Brasil, e um Gaepe municipal em Mogi das Cruzes-SP.
Em Rondônia, primeiro estado a implantar o Gaepe, já se observa resultados expressivos, fruto da aproximação dos órgãos de controle e do aprofundamento da colaboração entre estado e municípios. Deste modo, a gestão estadual assumiu a coordenação em várias ações, como a Busca Ativa Escolar, por exemplo, e passou a canalizar mais recursos para os municípios estruturarem as unidades escolares.
Foi o que explicou o conselheiro do Tribunal de Contas de Rondônia (TCE-RO) e membro do Comitê Técnico de Educação do IRB, Paulo Curi Neto. “Foi realizada ainda avaliação das redes municipais a fim de distribuir o ICMS. A agenda educacional foi implementada de vez nos municípios, de modo que os gestores passaram a ter força para implementar as boas práticas que foram decididas no âmbito do Gabinete”, disse.
Para a presidente executiva do instituto, Alessandra Gotti, o dia de hoje foi histórico. “É um momento de aliança entre os Poderes, instituições independentes e sociedade civil em prol das crianças, adolescentes e jovens, que são o motivo pelo qual a governança foi criada. E essa aliança reúne todos em um ambiente horizontal, para que possamos pensar em como solucionar os desafios para garantir o acesso, permanência e qualidade da educação.”
Adesão – Na ocasião, o titular da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Alan Porto, explicou que hoje os principais obstáculos enfrentados no setor dizem respeito ao analfabetismo entre crianças e a taxa de abandono. Neste contexto, destacou o “Educação 10 Anos”, proposta que reúne 30 políticas públicas e mais de 135 projetos com foco na modernização da infraestrutura, tecnologias educacionais e modelo pedagógico.
“A pandemia aumentou a defasagem no ensino público, mas temos muitos projetos para recuperar a aprendizagem dos estudantes. Com a assinatura dessa adesão ganhamos força para promover uma educação de qualidade, com equidade e diminuindo as desigualdades sociais”, pontuou.
Já a desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Maria Erotildes Kneip, observou as questões estruturais das escolas. “O Tribunal de Justiça está realmente comprometido com esta articulação. Julgamos todos os dias ações que envolvem falta de vagas nas escolas públicas, nas creches e problemas estruturais. Queremos ver o estado sem filas de espera, então é muito importante este convite.”
Em nome da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a deputada Janaína Riva afirmou que a instituição, por meio de sua Comissão de Educação, enviará representantes para fortalecer o grupo. “É um assunto que a Assembleia tem afinidade, porque faz parte das bases de ação dos deputados. O TCE, mais uma vez, está na vanguarda, capitaneando grandes ações, importantes para que possamos efetivar políticas públicas.”
Neste sentido também se pronunciou o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, “A qualidade de ensino no estado ainda está aquém do que esperávamos. Então a instalação do gabinete vem em bom momento, reunindo instituições que se relacionam com o setor da educação. É a hora de trabalharmos juntos para recuperar o tempo que nossas crianças perderam.”
Além do TCE-MT, integram o Gaepe até agora o Ministério Público de Contas (MPC), Ministério Público do Estado (MPE), Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPE-MT), Secretaria de Estado da Educação (Seduc-MT), Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), União das Câmaras Municipais de Mato Grosso (UCMMAT), União dos Dirigentes Municipais de Educação de Mato Grosso (Undime), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Colegiado Estadual de Gestores Municipais de Assistência Social do Estado de Mato Grosso (Coegemas-MT), Conselho Estadual de Educação de Mato Grosso (CEE/MT), Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems/MT) e a União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação do Estado de Mato Grosso (UNCME-MT).
(Com Assessoria TCE/MT)
Fonte: MP MT
Mato Grosso
Via Brasil investe R$ 16 milhões para aumentar a segurança em trecho crítico da BR-163 no Mato Grosso
Obras de correção de traçado na Serra do Cachimbo já começaram

Foto- Assessoria
A Via Brasil BR-163, concessionária responsável pela administração de 1.009 quilômetros da BR-163/230, iniciou importantes obras de correção de traçado em três pontos estratégicos da Serra do Cachimbo, no município de Guarantã do Norte (MT).
Com investimento de aproximadamente R$ 16 milhões, as intervenções têm como principal objetivo aumentar a segurança viária, reduzir o número de acidentes e proporcionar melhores condições de tráfego em um dos trechos mais críticos da BR-163 no estado.
As obras de correção de traçado consistem em intervenções voltadas à modernização da infraestrutura e a adequação das curvas da pista, o que garantirá melhor visibilidade aos motoristas e reduzirá o risco de tombamentos.
Trecho crítico com histórico de acidentes
A Serra do Cachimbo é reconhecida como um dos pontos mais sensíveis da BR-163, com histórico de ocorrências, principalmente tombamentos de caminhões. Diante desse cenário, a Via Brasil BR-163 vem intensificando ações de segurança viária no segmento.
Como medida inicial, já foram implantados medidores de velocidade nos pontos considerados mais críticos. Agora, a concessionária avança com a correção de três curvas estratégicas, promovendo uma rodovia mais segura e confiável para todos os usuários.
Locais das intervenções
As obras de correção de traçado estão previstas para três pontos da BR-163, todos localizados no município de Guarantã do Norte:
- Primeira curva – Km 1102+447
- Segunda curva – Km 1103+387
- Terceira curva – Km 1109+334
A entrega ocorrerá em três etapas: a primeira curva tem conclusão prevista para maio, a segunda para junho e a terceira para agosto.
Sinalização e segurança durante as obras
Com foco na proteção de vidas e na segurança operacional, a Via Brasil BR-163 implantou sinalização provisória nas frentes de serviço. Seguindo as diretrizes do DNIT, placas de obras foram estrategicamente posicionadas para orientar os condutores com clareza.
Para reforçar a redução de velocidade e aumentar a percepção de risco nos trechos em obras, também foram instaladas lombadas provisórias. As medidas garantem um ambiente mais seguro tanto para os usuários da rodovia quanto para os colaboradores que atuam nas intervenções.
Ao término das obras, toda a sinalização provisória será retirada, com a plena normalização do tráfego e a entrega de um traçado mais seguro e adequado às características do trecho.
Mato Grosso
Falta de infraestrutura impede eletrificação total em MT, aponta presidente do Sindenergia

O tema será um dos principais pontos do Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, que acontece nos dias 12 e 13 de maio, em Cuiabá, no UNISENAI, promovido pelo Sindenergia-MT.
Segundo o presidente do sindicato, Carlos Garcia, a transição energética no estado precisa considerar a realidade da infraestrutura disponível e o custo dos investimentos.
“Eu não consigo eletrificar o estado de uma vez só, porque não tem infraestrutura elétrica para isso. Precisaria de muito investimento e isso iria para a tarifa e a população pagaria ainda mais caro. Então não conseguimos fazer”, afirmou.
A avaliação é de que a saída passa por um modelo híbrido, que combine energia elétrica com outras fontes, como biocombustíveis e biometano, aproveitando o potencial regional de cada área do estado.
“Todas as fontes são importantes e complementares. Nenhuma delas é capaz de atender toda a demanda sozinha”, disse.
A proposta defendida pelo setor é que o estado avance em um planejamento energético regional, levando em conta as características de cada região. Em áreas com maior infraestrutura elétrica, a eletrificação pode avançar. Já em regiões com menor capacidade, alternativas como geração a partir de resíduos e biomassa ganham espaço.
“Em locais onde não tem infraestrutura elétrica suficiente, a gente precisa trabalhar com o que tem ali. Se há potencial para biometano ou biomassa, é isso que deve ser explorado”, explicou.
O Encontro da Indústria do Setor Elétrico deve reunir representantes do setor produtivo, investidores e especialistas para discutir caminhos práticos para a transição energética em Mato Grosso, incluindo soluções que reduzam custos e evitem pressão sobre a tarifa de energia.
Além do debate técnico, o evento também busca aproximar empresas e soluções, com foco em geração de negócios e aplicação prática das tecnologias discutidas.
Mato Grosso
Fachin nomeia Rabaneda para laboratório que mira erros judiciais
Estrutura do Conselho Nacional de Justiça vai atuar na prevenção de falhas do sistema penal, com foco na qualificação de provas e na proteção de direitos fundamentais

Foto=- Assessoria
O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, nomeou o conselheiro Ulisses Rabanedapara a presidência do Laboratório Justiça Criminal, Reparação e Não Repetição, marcando um avanço no enfrentamento dos erros judiciais no país. Instituído pela Resolução nº 659/2025, o grupo técnico foi criado com a proposta de modernizar o sistema penal brasileiro, atuando na prevenção de falhas estruturais que resultam em violações de direitos e condenações injustas.
A estrutura funcionará como um centro de inteligência, responsável por formular diretrizes nacionais, qualificar a produção de provas e analisar casos emblemáticos julgados pelo Supremo Tribunal Federal, pelo Superior Tribunal de Justiça e por organismos internacionais de direitos humanos.
A iniciativa foi destacada pelo ministro do STJ, Sebastião Reis Júnior, como uma mudança de paradigma ao tratar o erro judicial como um problema estrutural. Em artigo, ele cita casos emblemáticos que evidenciam falhas graves no sistema, como o Caso Evandro, no qual o tribunal reconheceu condenações baseadas em confissões obtidas sob tortura e sem provas válidas produzidas sob o contraditório.
Outro exemplo mencionado é o caso da 113 Sul (Marlon), em que houve a anulação de uma condenação mantida por anos com base quase exclusiva em elementos colhidos na fase de investigação, sem respaldo suficiente na prova judicial. Para o ministro, episódios como esses demonstram o custo humano dos erros judiciais e a necessidade de mecanismos permanentes de prevenção.
À frente do laboratório, Rabaneda afirma que a prioridade será transformar falhas em aprendizado institucional. “Nosso objetivo é estruturar diretrizes que fortaleçam a produção de provas, protejam direitos fundamentais e reduzam o risco de condenações injustas”, disse.
Ele também destaca o caráter colaborativo da proposta, que prevê a participação de magistrados, especialistas e da sociedade civil na construção de soluções aplicáveis a todo o sistema de justiça.
Outro eixo da iniciativa é a reparação de danos causados por erros judiciais, com medidas que vão além da indenização financeira e incluem reconhecimento institucional e ações para evitar a repetição das falhas.
“Com atuação técnica e integrada, o laboratório deve consolidar uma política judiciária voltada à prevenção de erros e ao fortalecimento da confiança da sociedade na Justiça”, finaliza Rabaneda.
A proposta do laboratório também inclui a realização de oficinas, capacitações e estudos de caso, com o apoio da Rede de Inovação do Judiciário, buscando maior eficiência e padronização das práticas processuais.
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