Mato Grosso
Intubada em UPA com Covid, cozinheira de 46 anos de Primavera do Leste é transferida para UTI após ação da Defensoria Pública

Após ação da Defensoria Pública de Mato Grosso, Edite Cardoso Almeida, 46 anos, cozinheira, mãe de quatro filhos, diagnosticada com Covid-19, foi transferida de uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Primavera do Leste (237 km de Cuiabá) para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no Hospital São Lucas, na última quarta-feira (17 de março).
A família procurou o Núcleo de Primavera do Leste da Defensoria Pública na segunda-feira passada (15), que ingressou com um pedido de obrigação de fazer com pedido de tutela de urgência antecipada na terça-feira (16). No dia seguinte (17), o Juízo da 1ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande deferiu o pedido e Edite foi imediatamente transferida para uma UTI.
De acordo com o laudo médico, o quadro de saúde de Edite é gravíssimo, com risco iminente de morte. Ela foi intubada quando ainda estava na UPA e segue inconsciente na UTI. A filha de Edite, Jessica Almeida dos Santos, e a nora dela, Patrícia Batista da Rocha, procuraram a 6ª Defensoria de Primavera do Leste no plantão, diante da falta de perspectiva da transferência dela para uma UTI.
“Ela não tem nenhuma comorbidade. Não fuma, não bebe. Estava se cuidando. Tudo aconteceu de repente. Já teve comprometimento dos pulmões. Ontem à tarde (21) ela deu uma melhorada. Hoje eles não conseguiriam controlar a pressão dela”, relatou Patrícia, que está grávida de 7 meses.
O defensor público Nelson Gonçalves de Souza Júnior, autor da ação, celebrou a garantia do tratamento por meio da disponibilização da UTI Covid adulto. “Que venha a trazer uma satisfação especial, tendo em vista o colapso de natureza catastrófica que estamos vivenciando em razão dos altos índices de contaminação e necessidade do acesso à rede pública de saúde, pois sabemos que, infelizmente, há um ambiente de escolhas trágicas e, não obstante esse ambiente, temos a celebração da disponibilidade do tratamento”, declarou.
Segundo a família, apesar de ainda estar entubada e inconsciente, a equipe médica comunicou que o quadro de Edite é estável. “O médico disse que amanhã vão tentar diminuir o sedativo dela e o oxigênio para ver como ela reage”, informou a nora, que elogiou o atendimento da Defensoria Pública. “Foi tudo muito rápido! Todo o atendimento foi feito via WhatsApp. Somos muito gratas”, declarou.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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