Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Mato Grosso

Investimentos do Governo de MT fortalecem rede de saúde e ampliam atendimentos em Cuiabá

Publicado

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) tem investido nas unidades de saúde em Cuiabá para melhorar o atendimento à população cuiabana, que comemora nesta quarta-feira (8.4) os 307 anos do município.

No Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso, inaugurado no Centro Político Administrativo em dezembro de 2025, após a construção ficar inacabada por 34 anos, o Governo de Mato Grosso investiu R$ 295 milhões em obras e R$ 246 milhões em equipamentos.

A estrutura conta com tudo que existe de mais moderno em tecnologia para atender a população de todo o Estado, gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A meta é que a unidade realize 5.400 cirurgias, 31 mil consultas e 52 mil exames por ano.

“A atual gestão do Governo de Mato Grosso tem feito grandes progressos na área da Saúde, com a entrega do Hospital Central no fim do ano passado e a modernização de diversas unidades, para tornar a assistência à população melhor e mais eficiente”, destacou o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Juliano Melo.

Filha de um casal haitiano, a cuiabana Asmedjine Withnelda St Juste, de seis anos, foi a primeira paciente a ser operada no Hospital Central, em 11 de fevereiro. Ela foi diagnosticada com hérnia umbilical no Hospital Estadual Santa Casa e, após duas consultas no Hospital Central, passou pela intervenção cirúrgica que também reconstituiu seu umbigo, o que devolveu qualidade de vida com o fim das dores na barriga e a restauração da anatomia natural.

O haitiano Arsène St Juste, pai de Asmedjine, que chegou a Cuiabá em 2016 e trabalha com serviços gerais, elogiou o atendimento recebido no Hospital Central e considerou que a cirurgia foi feita de forma rápida. “Fomos muito bem recebidos pela equipe do hospital e tudo deu certo. Agora, minha filha está bem, levando uma vida normal, com qualidade”.

Localizado no Centro Político Administrativo, ao lado do Hospital Central, o Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa (Cridac) está sendo modernizado, com um investimento total previsto de R$ 17 milhões.

Veja Mais:  Novo Mundo cumpre repasses legais e contas recebem parecer favorável

A unidade é referência em reabilitação à pessoa com deficiência em Mato Grosso e oferece serviços nas especialidades física, auditiva e intelectual. Com a modernização, vai melhorar o atendimento para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e deficiências múltiplas.

Além disso, o Cridac é responsável pela concessão de tecnologias assistivas (órtese, prótese, meio auxiliar e aparelho auditivo).

Nascida na cidade de Tesouro, a aposentada Josélia Maria Tibaldi, 61 anos, mora em Cuiabá desde os 10 anos. Ela teve poliomielite na infância, hoje tem fibriomiagia e Síndrome Pós-Poliomielite (SPP) e já recebeu três cadeiras de rodas motorizadas do Cridac.

“Minha vida com a cadeira é tudo de bom. É uma liberdade que eu tenho de ir e vir. Vou para todos os lados, todos os cantos. Eu tenho dificuldade porque não só Cuiabá, mas quase todas as cidades não têm nem acessibilidade para cadeirante, então essa é a minha queixa maior, mas eu procuro sim, ando sim, não tenho nada que me atrapalhe a andar com a minha cadeira, em qualquer lugarzinho que cabe ela eu estou junto dela”, contou.

Josélia também faz duas sessões de hidroterapia por semana no Cridac, o que considera que ajuda bastante para o fortalecimento da musculatura e para aliviar as dores.

“Já fiz fisio e hoje eu faço hidro. Estou há oito anos no Cridac novo, uma estrutura maravilhosa, num espaço maravilhoso. Só tenho a agradecer ao Governo do Estado de Mato Grosso por ter criado esse espaço voltado à pessoa com deficiência. Eu costumo dizer que o Cridac é a casa do deficiente”, afirmou.

Além do Cridac, o Estado já investiu cerca de R$ 68 milhões para adequações e reformas do Hospital Estadual Santa Casa. O imóvel da Santa Casa está sob requisição administrativa do Estado desde 2019.

Patrícia Nascimento, 40 anos, está com a filha Ana Beatriz, de sete meses, internada na Santa Casa há seis meses, com o diagnóstico de Sequência de Pierre Robin, uma malformação congênita rara, com o uso de sonda para alimentação, e considera o atendimento da unidade bom.

Veja Mais:  Abastecimento de água será interrompido no próximo sábado (12) para obras em Complexo Leblon

“Minha filha começou a ser atendida desde quando ela tinha um mês, ela passou por três cirurgias, duas de hérnia inguinal e uma de hérnia no umbigo no dia 11 de outubro de 2025”, contou.


Em janeiro, a bebê realizou o procedimento de distração osteogênica mandibular, cirurgia inédita pelo Estado para aumentar o espaço das vias aéreas e ajudá-la a mastigar: um dispositivo (distrator) foi fixado no rosto da criança para alongar a mandíbula de forma gradual. Quando a paciente não tiver mais dificuldade mastigatória e houver a consolidação óssea, o dispositivo será removido.

“Ela já respirava normal, graças a Deus, e ela está começando a deglutir. E é uma bebezinha, que estava acostumada com sonda. Agora que ela tá começando a sucção dela, né? Mas a recuperação foi ótima, graças a Deus. A minha filha foi diagnosticada com microcefalia também, por isso, às vezes, a deglutição dela demora”, acrescentou.

Entregas realizadas em Cuiabá

Além do Hospital Central, o novo Centro Logístico de Abastecimento e Distribuição (Celad) foi inaugurado em março de 2026, no bairro Carumbé, com 20 mil m2 de área construída e um investimento de R$ 93 milhões em obras. O Celad é composto por nove galpões, três geridos pela SES e seis pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MT).

A unidade englobará a Superintendência de Assistência Farmacêutica, para armazenamento e distribuição de medicamentos, garantindo que todo o processo esteja em conformidade com as normas, e que os insumos sejam mantidos e distribuídos com segurança para a população.

Com um investimento de R$ 32 milhões, a Escola de Saúde Pública (ESP-MT) foi totalmente reformada e ampliada. A estrutura poderá realizar até 1.800 capacitações por mês, em diversas modalidades, totalizando até 21.600 capacitações por ano.

A SES também investiu R$ 34,3 milhões em obras na nova sede do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Mato Grosso (Lacen-MT), inaugurada em 2025 em uma área construída de 2.254 m². A estrutura possui equipamentos exclusivos na América Latina para ofertar exames de sorologia, biologia molecular, micobacteriologia e microbiologia clínica aos 142 municípios via SUS.

Veja Mais:  Operação resulta em sete pessoas presas por direção sob influência de álcool e drogas

O Estado ainda investiu mais de R$ 51 milhões na ampliação e modernização da sede da Secretaria de Estado de Saúde. A reforma mostra a importância da valorização do ambiente para os servidores públicos, com o objetivo de também melhorar o atendimento à população.

Já foram concluídas a reforma da sede da Superintendência de Vigilância em Saúde em Cuiabá, a modernização do Lar Doce Lar, a reforma do Complexo Regulador em Cuiabá, a ampliação da Rede de Frio Central da SES em Cuiabá e a reforma do Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) em Cuiabá.

Também foi realizada a implementação do Ambulatório de Atenção à Transexualidade no Cermac, a reforma da Farmácia de Alto Custo, a reforma do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III – masculino em Cuiabá, a modernização da Superintendência de Vigilância Sanitária em Cuiabá e a reforma do Centro Estadual de Odontologia para Pacientes Especiais.

Obras em andamento

Está em andamento a reforma do Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho, com investimento previsto de R$ 42,9 milhões. Já a reforma do Centro Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac) e do MT Hemocentro, único banco de sangue público de Mato Grosso, está avançando, com previsão de custo de R$ 38,5 milhões.

Ainda está em implantação a Central de Conciliação da Saúde, com valor previsto de R$ 16 milhões em obras, o Centro Ambulatorial do Hospital Central de Alta Complexidade, com previsão de R$ 20 milhões em obras, a construção do Escritório Regional de Saúde (ERS) da Baixada Cuiabana e do CAPS AD, por R$ 18 milhões.

Repasses

Desde 2019, a SES-MT transferiu R$ 955 milhões em repasses obrigatórios e extraordinários ao município de Cuiabá. Recentemente, a Secretaria também anunciou que vai repassar R$ 3,5 milhões para a reforma e aquisição de equipamentos do Pronto Socorro Municipal de Cuiabá.

Fonte: Governo MT – MT

Mato Grosso

Entrega dos kits da Corrida Marajá – Edição Infinity Energy Drink começam nesta quinta-feira (20/08)

Publicado

No ato da retirada do kit o participante deverá doar um quilo de alimento não-perecível (exceto sal)

O clima de expectativa já tomou conta dos 2 mil atletas inscritos na Corrida Marajá – Edição Infinity Energy Drink e antes de encarar o percurso no domingo (23/08), os participantes terão o compromisso nesta quinta-feira (20/08), com o início da entrega dos kits de prova em um espaço exclusivo do evento no Atacadão do Porto, em Cuiabá.

A organização preparou um cronograma especial em três dias para garantir comodidade e agilidade aos participantes: nos dias 20 e 21 de agosto (quinta e sexta-feira), das 9h às 19h e 22 de agosto (sábado), das 9h às 13 horas.

O kit oficial do atleta é para lá de completo, onde inclui a camiseta oficial da prova, sacochila, número de peito com chip de cronometragem, copo exclusivo colecionável, uma unidade do Infinity Energy Drink Sem Açúcar e brindes oferecidos pelos patrocinadores do evento.

Com o número no peito e chip de cronometragem garantidos, o foco total será para o dia do desafio de 6 quilômetros no domingo. A largada pontual está marcada para às 06h30, em frente à sede da fábrica de Refrigerantes Marajá, em Várzea Grande, que também servirá como ponto de chegada. O evento é alusivo ao aniversário de 63 anos de fundação da empresa.

Veja Mais:  Governo injeta R$ 155 milhões para a retomada do turismo em MT

A recomendação da organização é que os corredores cheguem com antecedência para o aquecimento inicial e hidratação.

Continue lendo

Mato Grosso

Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina

Publicado

Foto-Assessoria

Na tarde desta quinta-feira (13/08), um grupo de empresários associados ao Sindicato das Indústrias da Construção da Região Sul do Estado de Mato Grosso (Sinduscon Sul MT) realizou uma visita técnica e de imersão no recém-inaugurado Sesi Experience – Centro Avançado de Segurança do Trabalho, localizado em anexo às dependências da sede do Serviço Social da Indústria de Rondonópolis.

Antes do tour técnico, os associados participaram de uma breve palestra sobre os detalhes e o potencial de aprendizado do CT, que recebeu um investimento total de 12 milhões de reais. Na sequência, eles seguiram para o centro, onde passaram por experiências que simulam situações reais de acidentes de trabalho e momentos críticos.

Para o gestor regional de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi Mato Grosso, Márcio Alves, este foi o primeiro grupo de empresários a realizar a imersão no centro avançado. “Eles puderam presenciar toda a tecnologia voltada para a segurança do trabalho. Os equipamentos proporcionam uma imersão do trabalhador ao utilizar de forma correta tanto os equipamentos de proteção coletiva quanto os de proteção individual”, explicou.

Ainda segundo Márcio Alves, esses cenários e equipamentos fazem com que se mude o formato e a abordagem do trabalhador quanto à importância de prevenir a sua saúde e a sua segurança. “Aqui o foco é trazer essa experiência, onde o trabalhador vai poder fazer a utilização de forma correta do equipamento de segurança individual e voltar para sua rotina, na qual ele vai conseguir utilizar da melhor forma possível esse equipamento, fazendo uma imersão nesse ambiente saudável e seguro”, finalizou.

Veja Mais:  Operação resulta em sete pessoas presas por direção sob influência de álcool e drogas

O engenheiro civil e proprietário da empresa Plano Sul, Rafael Francisco Lopes Machado, foi um dos associados que fizeram a visita técnica ao Sesi Experience. “Foi uma experiência incrível, acredito que fora do normal. Nunca vi algo parecido, porque existe de fato uma imersão e é possível vivenciar situações em que sentimos estar passando pelo risco e aprendemos como não passar por eles na vida cotidiana e na operação da obra”, destacou.

Sesi Experience — O maior centro de treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho da América Latina e o primeiro do Brasil, o Sesi Experience, fica em Rondonópolis. O complexo tem a missão de transformar a forma como as empresas capacitam seus trabalhadores, reunindo treinamentos que vão desde instalações elétricas e espaços confinados até o trabalho em altura. Para isso, utiliza tecnologia coreana imersiva para reproduzir situações reais de risco sem expor os participantes ao perigo. Idealizado pelo Sesi MT, a estrutura permite que o colaborador vivencie cenários críticos, aprenda a identificar riscos e adote os procedimentos corretos de segurança em um ambiente totalmente controlado.

Continue lendo

Mato Grosso

Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

Publicado

A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

Veja Mais:  Abastecimento de água será interrompido no próximo sábado (12) para obras em Complexo Leblon

Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Veja Mais:  Operação termina com 42 autos de infração de trânsito aplicados e remoção de 21 veículos

Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

Veja Mais:  Operação resulta em sete pessoas presas por direção sob influência de álcool e drogas

Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

Continue lendo

ALMT Segurança nas Escolas

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana