Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Mato Grosso

Judiciário e PRE discutem ações para combater a violência contra mulher no polo de Rondonópolis

Publicado

A juíza da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, de Rondonópolis, Maria Mazarelo Farias Pinto, e a superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF), representada pelo policial Francisco Élcio Lima Lucena, ex-superintendente da corporação, realizaram nesta quarta-feira (09.08) reunião para discutir a criação de um grupo ou fórum permanente para fomentar campanhas de conscientização contra a violência doméstica e familiar no município e região. Todos concordam que a prevenção é, realmente, o melhor remédio.
 
A proposta é juntar as expertises, informações e projetos desenvolvidos por cada participante numa ajuda mútua e sistemática de disseminação de informações sobre a violência doméstica, que afeta não apenas a mulher, mas toda a família, inclusive o agressor. A próxima reunião será no dia 31 de agosto, na sede da transportadora TransOeste, quando será realizado o encerramento da campanha do mês Agosto Lilás.
 
Participaram, além de Mazarelo, a desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, que está à frente da Coordenadoria Estadual da Mulher em situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT) e representantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar, Polícia Civil, UFMT, Faculdade Anhanguera, empresa de transportes, sindicato de Transportes, entre outros.
 
De acordo com a Maria Mazarelo, a violência doméstica quando chega ao juiz já passou por diversas esferas. “Precisamos unificar a rede em Rondonópolis. Tem muita gente trabalhando solto, o que um faz o outro não sabe”, disse ela.
 
A magistrada apontou que existe na cidade uma Delegacia da Mulher, mas que não atende 24h. “À noite e nos fins de semana quem atende é o Cisc (Centro Integrado de Segurança e Cidadania). Precisamos de uma delegacia 24h em Rondonópolis. Queremos sair do grande encontro do dia 31 com uma carta de intenções para que a delegacia estenda seu horário de funcionamento para 24 horas e criação de vara específica contra crimes sexuais contra crianças e adolescentes.”
 
O policial Lucena disse que os números de crimes contra a mulher na cidade são alarmantes e é necessária a junção de forças para lidar com o problema. “A proposta inicial é usar as transportadoras que têm grande capilaridade para divulgar a campanha, não só no estado, mas em todo o Brasil. Precisamos criar uma consciência coletiva de paz, harmonia para que possamos encontrar um equilíbrio de convivência harmoniosa nas nossas relações sociais.”
 
A juíza titular da Comarca de Guiratinga, Grasiele Beatriz, falou que a violência dentro da família desencadeia uma série de problemas para a sociedade. “Temos audiências de segunda a quinta e todos os dias a gente se surpreende com um caso mais abjeto que o outro. Agressões gravíssimas. Precisamos agir de forma preventiva e ter várias frentes de atuação porque quando chega no Judiciário já é o fim da linha. A questão do aumento dos números de crimes me incomoda. Precisamos trabalhar a prevenção. O município é grande, vamos começar em escolas e envolver todo o pessoal da rede”, disse ela.
 
O delegado da Polícia Civil, Fernando Fleury da Mota, afirmou que o aumento dos indicadores de crimes, já é fruto do trabalho de conscientização que estão sendo realizadas individualmente por cada segmento. Ele disse que o número de inquéritos de crimes de violência doméstica dobrou em 2022, em relação ao ano de 2021.
 
“Acredito que as mulheres têm mais garantia de segurança para denunciar e combater as diversas situações de violência. Cada um por si só não pode resolver o problema, mas em grupo, com trabalho de prevenção, podemos. O trabalho preventivo, integrado, precisa continuar.”
 
O professor do Instituto de Ciências Agrárias e Tecnológicas da Universidade Federal de Mato Grosso, (UFMT), Heinsten Frederich Leal dos Santos, disse que a universidade tem o compromisso de trabalhar com a sociedade, estar atenta às demandas pontuais, porque os pontos formam o todo. “São demandas extremamente relevantes para construir e fortalecer o seio familiar. De dentro da academia não conseguimos ver o quão cruel é a situação. Estamos indo atrás das demandas”.
 
Ele contou que está trabalhando no projeto de um aplicativo que poderá ajudar na coleta de informações para que gestores possam decidir no que precisam focar a atenção das campanhas, por exemplo. O usuário poderá interagir por inteligência artificial, mensagem ou e-mail. “Temos em Rondonópolis 480 agentes de saúde e 118 mil moradias. As agentes se comunicam diariamente com a população. A universidade pode capacitar as agentes para identificar casos de violência nas famílias, porque eles têm aplicativos e podemos acrescentar qualquer pergunta no programa dele”, explicou o professor.
 
A diretora da Faculdade Anhanguera Rondonópolis, Ana Paula Lucena, colocou os cursos de Psicologia, Fonoaudiologia e Nutrição à disposição da rede a ser criada.
 
O defensor público, Ricardo Morari Pereira, afirmou que o número de quem reincide na violência doméstica e descumpre medidas protetivas é baixo, mas o número de novos processos é alto. “A atuação repreensiva funciona muito bem, mas a prevenção para evitar novos casos não é. Então, a educação é importante para modificar o panorama. Vamos falar nas empresas, estender essa ação aos ambientes tipicamente masculinos, fazer combinados com sindicatos patronais para expor a violência doméstica, apresentar a comunicação não violenta enfim, tentar continuar levando educação para quem ainda não ingressou nos sistema.”
O tenente-coronel da PM-MT, Handersen, falou que somente este ano, a Polícia Militar já atendeu 425 vítimas em Rondonópolis
 
Ele contou que em Jaciara, existe uma parceria entre a Polícia Militar e a prefeitura e explicou a dinâmica do atendimento. “A equipe se depara com o crime, a Patrulha Maria da Paz faz visita à vitima, faz o relatório e encaminha para a Vara Especializada. A PM faz visita ao agressor, que é encaminhado para a assistência social da prefeitura, assim como as vítimas, principalmente as crianças que ficam com traumas.
 
Os policiais militares fazem palestras nas fazendas e empresas, com ambiente tipicamente masculino. Atuamos na repreensão e na prevenção. Além disso, quando a vítima decide romper com o agressor, mas por motivos econômicos não tem como voltar para sua cidade, ou estado de origem, a prefeitura de Jaciara paga a passagem para que o ciclo de violência acabe.
 
O tenente-coronel contou também que cerca de 80% das ocorrências de violência doméstica envolvem consumo de bebida. Outro fator é o ciúme. “As vítimas contam que a convivência é normal, mas quando bebem se transformam e ficam violentos.”
 
O professor pesquisador George Moraes de Luiz, do curso de Psicologia da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), estuda sobre a masculinidade. “Estudando a masculinidade, percebemos a importância de falar sobre o tema com os homens. Temos um grupo reflexivo com 14 módulos e tratamos de temas drogas, alcoolismo, esposa gestante, paternidade, comunicação não-violenta, projeto de vida entre outros, possibilitado a reflexão desses homens sobre sua própria vida e de sua família. O maior desafio é ampliar o serviço, porque temos muitos homens e a capacidade do curso é reduzido”, explicou ele.
 
A gestora de Recursos Humanos da transportadora TransOeste, Kamila Nascimento Santos Pinho, conta que dos 800 funcionários da empresa, 700 são homens. Por isso, semanalmente, uma psicológa, vai até a empresa conversar com os colaboradores. “Oferecemos esse auxílio porque não sabemos o que acontece dentro de casa. Não sabemos se a pessoa está passando por uma separação e não sabe lidar com isso, aí nasce a violência. E isso afeta a produtividade, afeta o relacionamento com os colegas, acarreta numa série de problemas”, explica a gestora.
 
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Rondonópolis e Região (SETCARR), Afonso Aragão, contou que conheceu o evento “Elas do Campo” e quis fazer o “Elas do Transporte”. No dia 12 de agosto será nosso primeiro encontro do Elas no Transporte, sobre a conscientização e combate à violência contra a mulher, na sede do sindicato”.
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem. Print de tela mostrando os participantes da reunião virutal. 
 
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Veja Mais:  PM prende dois homens por porte ilegal de arma em Lucas do Rio Verde

Mato Grosso

Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

Publicado

A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

Veja Mais:  PM prende dois homens por porte ilegal de arma em Lucas do Rio Verde

Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Veja Mais:  Governo de MT lança pacote com mais R$ 385 milhões para Rondonópolis; Anel Viário será duplicado

Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

Veja Mais:  Detran-MT monitora serviços prestados pelas empresas credenciadas para garantir transparência e segurança

Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

Continue lendo

Mato Grosso

Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano

Publicado

Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.

A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.

“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.

Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.

Veja Mais:  PM prende dois homens por porte ilegal de arma em Lucas do Rio Verde

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.

Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.

Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.

Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.

“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.

Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.

Veja Mais:  Governador cita investimento de R$ 1,2 bilhão e anuncia novas obras

“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.

A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.

Continue lendo

Mato Grosso

Empresa do agronegócio genuinamente do agronegócio brasileira nacional lança de três novos produtos

Publicado

O evento reuniu representantes de 39 cooperativas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo

O 4º. Encontro de Cooperativas Nortox realizado recentemente em Foz do Iguaçu (PR), foi marcado pelo lançamento de três produtos: duas misturas exclusivas (os inseticidas Typhoon e Tempus) e um herbicida exclusivo, o Raker Top. “A Nortox, que já vem marcando história em lançamentos de misturas exclusivas, agora marca uma nova era de misturas de genéricos com moléculas sob patente. Isso demonstra mais uma vez que a empresa tem sua estratégia bem definida. O lançamento desses produtos foi o ponto alto do 4º. Encontro de Cooperativas”, afirma o diretor comercial da Nortox, João Marcos Ferrari.

Os inseticidas Tempus e Typhoon chamaram muita atenção dos participantes. O Tempus, com ação prolongada e alta eficiência contra lagartas, oferece proteção duradoura em diferentes culturas, combinando o efeito choque do clorpirifós à persistência do clorantraniliprole. O Typhoon, com uma ação forte contra a cigarrinha-do-milho e a lagarta-do-cartucho, é uma mistura exclusiva da Nortox, com amplo espectro de proteção contra as pragas do milho e efeito de choque imediato. Os princípios ativos são Clorantraniliprole e Metomil – OD.

Já o Raker Top, grande destaque, é um herbicida seletivo e sistêmico de pós-emergência, formulado com os princípios ativos Nicossulfuron e Tolpiralate. Ele é indicado especificamente para o controle de plantas daninhas na cultura do milho. Além disso, conta com a segurança de dois safeners para um manejo de pós-emergência sem causar fitotoxicidade.

Veja Mais:  Escola de Governo oferta curso online de Noções de Administração do Trabalho

O evento reuniu representantes de 39 cooperativas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A programação teve início na quarta-feira (29), com a recepção das equipes, e prosseguiu ao longo de toda a quinta-feira (30), reunindo palestras e apresentações técnicas voltadas às principais tendências do agronegócio e às soluções desenvolvidas pela Nortox para o campo.

Na abertura, o diretor-presidente da Nortox, Romeu Stanguerlin, apresentou a trajetória da empresa, seus resultados e as perspectivas de crescimento previstas no planejamento estratégico até 2030. Em seguida, João Marcos Ferrari destacou a evolução do portfólio da companhia, abordando investimentos em pesquisa, inovação, desenvolvimento de produtos, nutrição vegetal e sementes.

Ao longo do encontro, também foram apresentados programas voltados às cooperativas, novas estratégias de manejo em fungicidas, soluções para pastagens, avanços na área de herbicidas, além de debates técnicos que promoveram a troca de experiências entre especialistas da Nortox e representantes das cooperativas. A programação contou ainda com palestras de convidados externos, como o economista Igor Barreto, do Itaú BBA, que apresentou uma análise do cenário econômico e das perspectivas para o agronegócio, e do pesquisador Aroldo Marochi, que abordou os desafios relacionados às doenças nas lavouras e ao manejo com fungicidas.

Continue lendo

ALMT Segurança nas Escolas

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana