Mato Grosso
Liga das Nações trouxe o melhor do vôlei mundial para Cuiabá
A torcida no ginásio Aecim Tocantins vibrou com as jogadas proporcionadas nos três dias de disputa da Liga das Nações de Vôlei em Cuiabá. De 21 a 23 de junho, as seleções masculinas do Brasil, Bulgária, Alemanha e Rússia disputaram mais uma fase da etapa classificatória da competição internacional, oferecendo ao público o que há de melhor do esporte no mundo.
Jogando em casa, a seleção brasileira contou com a animação da torcida, que fez uma performance à parte nas cadeiras e arquibancadas. Torcedores de Cuiabá e de outras cidades do Estado e do país garantiam a vibração, com palmas sincronizadas, show de luzes com celulares e gritos.
Nesse domingo (23.06), a equipe verde e amarela bateu a Rússia por 3 sets a 0 (25/17, 25/21 e 28/26), chegando a 11 vitórias em 12 partidas até agora no campeonato. A equipe também venceu os outros dois jogos disputados em Cuiabá, contra a Bulgária na sexta-feira (21) e Alemanha no sábado (22).
A realização da etapa brasileira da Liga das Nações na capital mato-grossense contou com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), com recursos oriundos do Fundo de Desenvolvimento Desportivo do Estado, ligado à receita da loteria esportiva e com a disponibilização do ginásio Aecim Tocantins. O equipamento esportivo passou por uma série de serviços e reparos para atender as exigências de uma competição de nível internacional, viabilizando condições da parte funcional que ficarão como legado à sociedade.
“Estamos felizes com a realização da etapa da Liga das Nações em Mato Grosso. A torcida veio prestigiar de forma contagiante, não aconteceu nenhum fato que pudesse tirar o brilho do evento. Encerramos essa etapa com toda segurança possível, com bombeiros, equipes de segurança da polícia civil e militar, batedores para as delegações, e mais do que isso deixamos o ginásio apto para grandes jogos, um legado do Governo do Estado já em seu início. E também conseguimos aplicar uma pesquisa inédita para aferir os resultados turísticos e econômicos da vinda da competição à Cuiabá”, celebra o secretário da Secel, Allan Kardec.
Governador Mauro Mendes marcou presença no ginásio – Foto por: Marcos Vergueiro/Secom-MT
O governador Mauro Mendes, que esteve no ginásio no último dia de jogos, também falou sobre a importância da realização da Liga das Nações em Cuiabá.
“É um grande evento que coloca Mato Grosso e nossa capital no cenário nacional e mundial, com transmissão para mais de 60 países. O investimento acabou sendo muito pequeno perto do retorno que o Estado teve, com mídia mundial falando daqui e a vinda de milhares de pessoas de outros locais, isso motiva e cria um astral muito positivo na nossa capital. E ainda é uma oportunidade de aproveitamento de espaços construídos com dinheiro público. Uma das prioridades da nossa gestão é justamente aproveitar esses locais para que a população possa ter acesso a lazer e entretenimento”.
Para o superintendente da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), Renato D’Ávila, a estrutura do ginásio, o atendimento e apoio do pessoal local envolvido no evento e o público presente foram os destaques da competição em Mato Grosso.
“Foi tudo muito bom, fomos muito bem recebidos, tivemos importantes auxílios para fazer o evento acontecer, o ginásio possui uma estrutura muito boa, e apesar da presença de público ter sido menor do que imaginávamos, talvez pelo feriado prolongado, teve um ótimo público que assegurou o fechamento com chave de ouro na disputa entre Brasil e Rússia”, enaltece o representante da CBV .
Homenagem a pioneiros do esporte em Mato Grosso
Secretário Allan Kardec com homenageados do voleibol mato-grossense Foto por: Ahmad Jarrad/Secel-MT
No intervalo de um dos sets da partida entre Alemanha e Bulgária neste domingo (23), sete representantes do vôlei mato-grossense foram homenageados pela Secel e Federação Mato-grossense de Voleibol (FMTV).
O objetivo foi agraciar nomes que ajudaram a fomentar e profissionalizar o esporte, fazendo história no Estado, conforme explicou o secretário Allan Kardec.
“Tivemos a ideia de homenagear aqueles que vieram antes de nós e que tornaram possível a profissionalização do setor no Estado. São os pioneiros que possibilitaram que hoje existam gestores como o Jeffersson Carvalho, nosso secretário adjunto, o Nicanor, presidente da Federação de voleibol, profissionais de educação física, que assim como eu, fazem agora a gestão do esporte no Estado. Essa singela homenagem é para demonstrar e relembrar o grandioso trabalho que fizeram pelo esporte mato-grossense”.
Dentre os homenageados estavam o professor Kenji Kido, que ao chegar em Mato Grosso na década de 70 implementou projetos de massificação de práticas esportivas nas escolas, como o Manhã de Recreio, e de estímulo à criação das federações mato-grossenses de esporte. Outro agraciado foi Valtemir Chocolate, treinador de equipes de vôlei feminino que se formou na área estagiando com o técnico brasileiro José Roberto Guimarães, no clube Colgate/Pão de Açúcar. E também o cacerense Adilson Reis, ex-capitão da seleção mato-grossense de vôlei nos anos 70 e que se tornou técnico do time estadual que disputou os jogos estudantis na década de 80. Nesse período, um dos estudantes que integravam a equipe treinada por Adilson foi o atual treinador de futebol e ex-goleiro, Rogério Ceni.
Ainda foram homenageados os ex-atletas e treinadores Delma Borges, Paulo Afonso Moreira, Ugo da Conceição Padilha e Sabino Albertão Filho.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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