Mato Grosso
Mais escolas estaduais serão atendidas com programa de implantação de hortas
A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) se prepara para dar continuidade ao Programa MT Produtivo – Hortas Escolares, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc). A iniciativa prevê o cultivo de hortas em escolas da zona rural, inseridas no contexto escolar como ferramentas didático-pedagógicas, que assumem o papel de facilitador no processo de aprendizagem e interação escolar.
Segundo o engenheiro agrônomo e coordenador do programa, Luiz Henrique Carvalho, já estão em fase de conclusão o levantamento de custo e diagnóstico que irão definir as escolas a serem atendidas neste ano. A expectativa é de que sejam investidos cerca de R$ 170 mil para a manutenção das hortas já existentes e a implantação de novas unidades. Toda a produção das hortas será voltada ao reforço da merenda escolar.
Em 2018, o programa beneficiou 42 escolas em 21 municípios, sendo eles, Acorizal, Água Boa, Alto Paraguai, Barão de Melgaço, Barra do Bugres, Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Jangada, Mirassol D’Oeste, Nobres, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Porto dos Gaúchos, Poxoréu, Primavera do Leste, Rondonópolis, Rosário Oeste, Santo Antônio do Leverger, Sinop, Tangará da Serra e Várzea Grande. A ação envolveu mais de 17 mil pessoas entre alunos, professores, funcionários das unidades escolares e demais membros da comunidade.
Na parceria, a Seaf assume a responsabilidade pela orientação e suporte técnico para a produção das mudas e formação das hortas. Também cabe à Agricultura o fornecimento de sementes, adubos, ferramentas, sombrites para a cobertura dos canteiros, irrigação das hortas e demais insumos.
Além de trabalhar a conscientização dos alunos para a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis, as secretarias também trabalham para ofertar um ambiente de aprendizado diversificado, com a inserção de temas ligados à agricultura, ao aproveitamento de resíduos, ao consumo consciente da água, e o incentivo ao espírito de cooperativismo e participação.
“É um programa de baixo custo para o Estado e de grande impacto social. Além do reforço à alimentação escolar, as hortas educam as crianças para as boas práticas da produção sustentável e permitem a interação com a comunidade, dentro de um ambiente seguro. O nível de envolvimento da equipe escolar e da comunidade, e o histórico de ações de engajamento dessas escolas em ações e participações sociais são levados em consideração no momento de definir a inclusão da unidade no programa”, salientou Luiz Henrique.
As hortas escolares cumprem ainda o papel social de amparo às famílias carentes, beneficiadas com a doação dos alimentos excedentes produzidos. As tarefas em grupo também são oportunidades para aprimorar o relacionamento interpessoal entre os alunos, incentivando inclusive, o espírito de cooperativismo e participação. Valores como o envolvimento social e a capacidade de compartilhar dos alunos também são exercitados.
O Programa MT Produtivo – Hortas Escolares conta com a parceria das prefeituras municipais, Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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Mato Grosso
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