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Mato Grosso

Marinha do Brasil comemora 154 anos da Batalha Naval do Riachuelo

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Desde a idade antiga, as guerras fazem parte da história da humanidade. Algumas tão terríveis que seria melhor esquecê-las. Entretanto, lembrá-las é uma maneira de evitá-las… ou deveria ser. Há 154 anos, uma batalha específica, travada num dos afluentes do rio Paraguai, na bacia do Prata, marcou a história do povo brasileiro e envolveu diretamente o Estado de Mato Grosso. No Dia da Marinha Brasileira, comemorado em 11 de junho, este texto fará uma incursão apenas pela Batalha do Riachuelo, um pequeno, porém decisivo episódio da Guerra do Paraguai.

A famosa Batalha Naval do Riachuelo, ou simplesmente Batalha do Riachuelo, foi travada no dia 11 de junho de 1865 e é considerada uma das mais decisivas da Guerra do Paraguai. Uma das muitas batalhas dessa guerra que persistiu de 1864 a 1870. 

Para o historiador Maurim Rodrigues Costa – professor há mais de 35 anos – existem algumas versões para as motivações da mais sangrenta guerra da América do Sul. Além da versão revelada pelos militares, que ganhou força com a proclamação da república, existem outras duas vertentes famosas sobre a Guerra do Paraguai, de acordo com o professor Maurim.

“O ponto de vista do historiador Júlio José Chiavenato, revelado em seu livro – A Guerra do Paraguai, de 1960 – apresenta uma visão economicista. A teoria elege a Inglaterra como a grande vilã da guerra, responsável por financiar a Tríplice Aliança por interesses econômicos”, resume.

Outra teoria é a do professor da Universidade de Brasília, Francisco Doratioto, impressa no livro “Maldita Guerra”, lançado em 2002. “Uma crítica às versões anteriores.  Mais do que batalhas e personagens, as pesquisas de Doratioto trazem o lado humano, social e político do conflito. O livro dele virou referência no assunto, especialmente no que se convencionou chamar de ‘Nova História da Guerra do Paraguai’”, revela.

Diante de tantas linhas de pensamento, vamos nos ater a simplificar a Guerra do Paraguai baseada na versão dita oficial ou mais publicada pela historiografia brasileira.

A origem do conflito

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado ocorrido na América do Sul. E a Batalha do Riachuelo foi decisiva para as resoluções da guerra. Mas antes de chegarmos ao mais influente combate desse conflito, precisamos compreender os motivos que levaram Paraguai, Brasil, Uruguai e Argentina a derramarem sangue por mais de meia década.     

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Em 1862, após a morte do ditador paraguaio Carlos Antônio Lopez, assumiu o poder seu filho, Francisco Solano Lopez. Ele iniciou amplas reformas no país, modernizando suas indústrias e, principalmente, as forças armadas. Entretanto, o Paraguai não possuía uma saída para o mar. Então, Solano Lopez iniciou uma parceria com Atanasio Cruz Aguirre, que liderava um governo provisório no Uruguai. Lopez pretendia, com essa parceria, obter livre trânsito fluvial até o Atlântico, podendo estabelecer assim, contato comercial com a Europa.

No entanto, em 1864, graças a uma intervenção brasileira, Atanasio Aguirre foi deposto no Uruguai, prejudicando assim os planos paraguaios. Como represália, Solano Lopez aprisionou o vapor brasileiro Marquês de Olinda.  O navio brasileiro navegava rumo a província de Mato Grosso, transportando Frederico Carneiro de Campos, o novo presidente da região, que morreria vítima de maus tratos.

Nomeado presidente de Mato Grosso em 1864, Frederico Carneiro de Campos viajava para tomar posse, capturado por Solano Lopez, um dos fatos que dariam início à guerra contra o Paraguai

Algumas semanas depois, no início de dezembro de 1864, antes mesmo de declarar guerra, Solano Lopez invadiu a província de Mato Grosso, dando início a Guerra do Paraguai. “Nessa época, o Paraguai tinha forças militares muito bem armadas e organizadas, superiores as forças argentinas e brasileiras. Alcançando assim grandes e importantes vitórias nos primeiros meses da guerra. Naquele tempo, praticamente não haviam estradas e as notícias, que iam a cavalo, demoravam a chegar para o imperador Dom Pedro II”, explica o professor Maurim.  

Nesse meio tempo, as forças paraguaias contaram com passagens, praticamente livres, pela região, invadindo Corrientes, na Argentina, a partir de onde pretendiam invadir o Rio Grande do Sul e o Uruguai.

Na primeira fase da guerra, entre 1864 e 1865, o Paraguai avançou imparável pela Argentina e pelo Brasil, conquistando amplas regiões. “Um primeiro passo importante para Solano Lopez, que sonhava com o “Grande Paraguai”, um país que se estenderia até o oceano Atlântico, passando pelo norte da Argentina e por todo o sul do Brasil, abrangendo também o Uruguai”.

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A Tríplice Aliança

Para fazer frente aos planos de Solano Lopez, no primeiro dia de maio de 1865, o Brasil, a Argentina e o Uruguai assinaram, em Buenos Aires, o Tratado da Tríplice Aliança contra o Governo do Paraguai.

Algumas pesquisas indicam que, mesmo as forças combinadas desses três países (totalizando 40 mil soldados), no início da guerra, eram inferiores aos 80 mil soldados do Paraguai. “Mas o Brasil tinha uma vantagem enorme, sua marinha de guerra era composta por 42 navios, mais de 200 bocas de fogo e 4 mil homens bem treinados. Os aliados sabiam que a única forma de vencerem as forças paraguaias era por meio de ações navais na bacia do Prata, com o objetivo de isolar as várias unidas terrestres paraguaias espalhadas pela Argentina e Brasil”, analisa o professor. 

A batalha naval

Sem estradas, era pela bacia do Prata que os exércitos se comunicavam, transportando ordens, munições e suprimentos. Assim, quem dominasse os rios, estaria um passo à frente do adversário. “Solano Lopez sabia disso e assim planejou um ataque surpresa contra a esquadra brasileira, ancorada ao longo do arroio Riachuelo, um dos afluentes do rio Paraguai, na província argentina de Corrientes”.

O plano era atacar os navios brasileiros nas primeiras horas da madrugada do dia 11 de junho de 1865, mas algumas embarcações paraguaias tiveram problemas. Com o atraso, o fator surpresa foi por água a baixo. A esquadra brasileira liderada pelo então almirante Francisco Manuel Barroso da Silva foi alertada às 9h da manhã, sobre a aproximação dos navios paraguaios. Rapidamente entrou em formação de batalha.

A força paraguaia era formada por oito navios com 38 bocas de fogo, 1200 atiradores do exército e alguns canhões estrategicamente posicionados nas barrancas da foz do Riachuelo. O ataque começou com a frota paraguaia descendo o rio e atacando a frota brasileira. Com a troca de tiros, algumas embarcações de ambos os lados foram danificadas.

Próximo das 11h, tem início a segunda carga, dessa vez é a frota brasileira que toma iniciativa e segue em direção ao inimigo. Os canhões paraguaios posicionados nas encostas abrem fogo e danificam seriamente a Corveta Belmonte (navio de guerra que serviu a Armada Imperial Brasileira). Por volta do meio dia, a situação da frota brasileira é crítica, com dois navios encalhados e a Corveta Parnaíba correndo risco de ser capturada.

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“A Vitória da Armada Imperial na Batalha Naval do Riachuelo” pintura de Eduardo de Martino, 1875.

“Mas quando tudo parecia perdido, por volta das 13h, duas embarcações brasileiras chegaram para socorrer a Corveta Parnaíba, obrigando os paraguaios a abandonarem a abordagem. A bandeira brasileira foi novamente hasteada. Às 14h, a batalha estava indefinida, com muitas baixas de ambos os lados”, detalha.

A Fragata a vapor Amazonas, da frota brasileira, avançou águas a cima lançando-se contra o Vapor Jejuy (navio de guerra da Armada Paraguaia), que naufragou. Em seguida, a Fragata Amazonas de Barroso atacou várias outras embarcações, desmontando a frota paraguaia que se viu tragicamente reduzida a cinco navios, batendo em retirada às 17h30.

Com a vitória brasileira, o Paraguai perdeu grande parte da sua força naval, dando à Tríplice Aliança, o controle sobre bacia do Prata, resultando no isolamento das várias unidades terrestres paraguaias que combatiam na Argentina e no Brasil. Apesar do Paraguai ainda possuir uma força terrestre superior, sem o controle da bacia Platina, as tropas de Solano Lopez foram obrigadas a recuar, iniciando uma longa e desgastante guerra defensiva.

Consequências

A Batalha Naval do Riachuelo impôs uma séria derrota ao Paraguai. Embora a guerra tenha se prolongado até 1870, a vitória nessa batalha foi determinante para o avanço dos aliados, contribuindo para a derrota paraguaia.

Quando o assunto é Guerra do Paraguai, existem muitas pesquisas que divergem em alguns pontos, números e motivações. Entretanto, é certo que todos os pontos de vista consolidam o entendimento de que, à época, quem dominava os rios dominava a guerra.  

“Uma legitima e intrigante batalha naval nos rios do Prata. Foi travada nos espaços reduzidos dos rios, com bancos de areia que tornavam as manobras difíceis, exigindo daqueles que desconheciam a região, maior agilidade e capacidade de decisão”, atribui o professor Maurim.

Mato Grosso

Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

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A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

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Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

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Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

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Mato Grosso

Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano

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Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.

A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.

“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.

Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.

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Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.

Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.

Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.

Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.

“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.

Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.

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“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.

A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.

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Mato Grosso

Empresa do agronegócio genuinamente do agronegócio brasileira nacional lança de três novos produtos

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O evento reuniu representantes de 39 cooperativas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo

O 4º. Encontro de Cooperativas Nortox realizado recentemente em Foz do Iguaçu (PR), foi marcado pelo lançamento de três produtos: duas misturas exclusivas (os inseticidas Typhoon e Tempus) e um herbicida exclusivo, o Raker Top. “A Nortox, que já vem marcando história em lançamentos de misturas exclusivas, agora marca uma nova era de misturas de genéricos com moléculas sob patente. Isso demonstra mais uma vez que a empresa tem sua estratégia bem definida. O lançamento desses produtos foi o ponto alto do 4º. Encontro de Cooperativas”, afirma o diretor comercial da Nortox, João Marcos Ferrari.

Os inseticidas Tempus e Typhoon chamaram muita atenção dos participantes. O Tempus, com ação prolongada e alta eficiência contra lagartas, oferece proteção duradoura em diferentes culturas, combinando o efeito choque do clorpirifós à persistência do clorantraniliprole. O Typhoon, com uma ação forte contra a cigarrinha-do-milho e a lagarta-do-cartucho, é uma mistura exclusiva da Nortox, com amplo espectro de proteção contra as pragas do milho e efeito de choque imediato. Os princípios ativos são Clorantraniliprole e Metomil – OD.

Já o Raker Top, grande destaque, é um herbicida seletivo e sistêmico de pós-emergência, formulado com os princípios ativos Nicossulfuron e Tolpiralate. Ele é indicado especificamente para o controle de plantas daninhas na cultura do milho. Além disso, conta com a segurança de dois safeners para um manejo de pós-emergência sem causar fitotoxicidade.

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O evento reuniu representantes de 39 cooperativas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A programação teve início na quarta-feira (29), com a recepção das equipes, e prosseguiu ao longo de toda a quinta-feira (30), reunindo palestras e apresentações técnicas voltadas às principais tendências do agronegócio e às soluções desenvolvidas pela Nortox para o campo.

Na abertura, o diretor-presidente da Nortox, Romeu Stanguerlin, apresentou a trajetória da empresa, seus resultados e as perspectivas de crescimento previstas no planejamento estratégico até 2030. Em seguida, João Marcos Ferrari destacou a evolução do portfólio da companhia, abordando investimentos em pesquisa, inovação, desenvolvimento de produtos, nutrição vegetal e sementes.

Ao longo do encontro, também foram apresentados programas voltados às cooperativas, novas estratégias de manejo em fungicidas, soluções para pastagens, avanços na área de herbicidas, além de debates técnicos que promoveram a troca de experiências entre especialistas da Nortox e representantes das cooperativas. A programação contou ainda com palestras de convidados externos, como o economista Igor Barreto, do Itaú BBA, que apresentou uma análise do cenário econômico e das perspectivas para o agronegócio, e do pesquisador Aroldo Marochi, que abordou os desafios relacionados às doenças nas lavouras e ao manejo com fungicidas.

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