Nacional
MEC tem plano de expandir ensino a distância em universidades públicas
Secretário de Educação Superior disse que plano está em fase final de elaboração; especialista destaca o alto grau de desistência no EAD

O secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Wagner Vilas Boas de Souza, anunciou, em debate na Câmara dos Deputados, que o MEC vai formular plano para expansão do ensino a distância (EAD) nas universidades públicas. Para concretizar o planejamento, será preciso aprovar um novo marco regulatório. Ele participou de audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (23).
Segundo o secretário, esse plano está em fase final de elaboração e no dia 30 de agosto será discutido com o grupo de trabalho e com o Comitê de Orientação Estratégica, criados em outubro do ano passado pelo ministério para tratar do tema. O objetivo é cumprir a meta 12 do Plano Nacional de Educação (PNE).
“A Secretaria de Educação Superior está trabalhando num plano para a expansão da educação a distância nas universidades federais, porque nós temos a meta 12 do PNE, que nos impõe a obrigação de expandir a educação superior para 50% dos alunos com idade de 18 a 24 anos”, disse.
A taxa atual é de 37,4%, de acordo com dados do Censo Nacional da Educação Superior de 2019. O secretário ressaltou que o número de matriculados no ensino médio está caindo, assim como o número de estudantes que participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) desde 2016 – dificultando o cumprimento da meta.
Privado e a distância
Ele chamou a atenção ainda para a concentração de estudantes no ensino superior privado, sendo que a meta do PNE prevê que, pelo menos, 40% das novas matrículas no ensino superior ocorram no segmento público.
Das cerca de 8,6 milhões de matrículas no ensino superior hoje, 6,5 milhões estão no setor privado e apenas cerca de 2 milhões são em universidades públicas.
Ainda conforme o secretário, “desde 2014, o número de ingressos no presencial está diminuindo, e desde 2016, o número de ingressos na educação a distância está aumentando”. Em 2019, no ensino superior privado, 44% dos ingressos foram no EAD; já no setor público 5,8% dos ingressos foram no ensino a distância.
Os números do censo da educação superior de 2019 são anteriores à pandemia de Covid-19 e, para Wagner Vilas Boas, revelam uma tendência no ensino, e o MEC tem que se adaptar às mudanças.
O secretário informou que no ano passado o MEC encomendou três estudos, que em breve serão disponibilizados para a sociedade: um sobre o cenário internacional; um panorama do EAD no País; e um com os desafios para a expansão do ensino a distância no Brasil.

Qualidade dos cursos
A presidente da comissão, deputada Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), disse que o EAD é uma oportunidade de quebrar paradigmas, mas que o MEC precisa garantir o acompanhamento e monitoramento dos cursos credenciados, para que não haja perda de qualidade, como é visto em muitos casos.
Diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), Diego Carlos ressaltou que já é permitida a oferta de disciplinas de forma virtual e muitas foram precarizadas no processo, com superlotação de turmas e demissão de professores em massa.
“Por muito tempo o ensino a distância foi utilizado e ainda é por algumas instituições como forma aumentar o lucro em cima do processo educacional sem oferecer qualidade de ensino”, disse. “As tecnologias devem servir para ampliar o acesso à educação, mas não se pode dar pelo sucateamento das universidades”, completou, defendendo atividades continuadas nos laboratórios, bibliotecas e outros espaços de convivência.
“O ensino a distância possui um caráter peculiar, que é o acesso à internet, que muitos estudantes não possuem”, acrescentou Diego Carlos. Para ele, durante a pandemia, o acesso desigual foi evidente.

Taxa de evasão
Membro do Conselho Nacional de Educação (CNE/MEC), Luiz Roberto Curi chamou atenção para o alto grau de desistência no EAD, que é de 63%, segundo o Censo de 2019. O dado é semelhante à evasão no ensino presencial, que é de 59%. Segundo ele, com um grau de evasão desses, o Brasil não vai atingir a meta do PNE.
Na opinião de Curi, a evasão ocorre sobretudo por conta do currículo. “A evasão diz respeito à necessidade de se articular o aprendizado e manter o interesse do estudante ao conteúdo aprendido, vinculado às suas competências de forma que ele preveja, que ele consiga vislumbrar na graduação seu futuro, seu espaço de atuação profissional”, afirmou.
Conforme o especialista, o ensino a distância não pode ser repetição ainda mais conservadora do ensino presencial, também excessivamente conteudista. “É importante que o EAD não seja o empacotamento em aulas convencionais fixadas em conteúdos”, enfatizou. Para ele, o EAD tem que inovar, trazendo perspectivas mais vivas e criativas, envolvendo a formulação de novas pedagogias ao aprendizado. Ainda segundo Curi, a educação a distância pode ampliar o papel do professor no ensino, e não reduzir.
De acordo com o representante do CNE, o aprendizado presencial também pode ser mediado por tecnologia, e deve haver distância cada vez menor entre os tipos de aprendizado (EAD e presencial). Segundo ele, a fragmentação entre ensino presencial e ensino a distância é estimulada pelo processo regulatório avaliativo, já que o EAD é avaliado em separado do presencial.
Técnicas de aprendizagem
Para o vice-reitor da PUC-Paraná, que representou na audiência o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, Vidal Martins, é possível proporcionar aprendizado de alta qualidade mediado por tecnologia, mas é preciso mudar as estratégias.
Também na visão dele, é necessário eliminar a separação entre EAD e presencial, e escolher estratégias e técnicas de aprendizagem de acordo com a competência que se deseja desenvolver no aluno.
Ele ressaltou que não há aprendizado se não há engajamento do estudante e que a tecnologia não limita esse engajamento e pode inclusive aumentá-lo, levando em conta o engajamento dos alunos em redes sociais. Para ele, a criação de comunidades de interação seria essencial nesse sentido. Ele defendeu ainda investimento na formação docente para desenvolver as habilidades do professor para o ensino mediado por tecnologia.

Cursos na área de saúde
A presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares, Elizabeth Guedes, destacou que, por enquanto, a entidade não apoia cursos 100% digitais em nenhuma área, mas defende atividades apoiadas em tecnologia inclusive na área da saúde – por exemplo, com uso de modelos anatômicos, em vez de cadáveres, por exemplo.
Ela frisou que, nesses cursos, são obrigatórias 10% de atividades de extensão presencial. “É importante que essa Casa apoie a modernização da educação no Brasil”, defendeu. Para ela, impedir o EAD e impedir que a tecnologia seja usada é desligar o ensino superior da realidade e condenar os alunos ao atraso. Ela lembrou ainda que muitos alunos trabalham e estudam ao mesmo tempo, e a educação a distância ajuda muito esses alunos.
Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior, Celso Niskier defende a possibilidade de aulas remotas até 2022 ou enquanto durarem as restrições decorrentes do enfrentamento da pandemia e, mesmo depois, a concessão de credenciamento temporário para as instituições de ensino superior que adaptaram sua oferta durante a pandemia, permitindo inclusive a abertura de novos polos de ensino a distância.
Reportagem – Lara Haje
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Nacional
Entenda os próximos passos do projeto para reduzir a maioridade penal



No entanto, a medida ainda passará por um longo processo, até que possa de fato se tornar lei. O projeto não segue de forma imediata para votação em plenário da Casa.
O próximo passo é a criação de uma Comissão Especial temporária por ato da Mesa Diretora da Câmara, que analisará o mérito da proposta. Nessa comissão, os parlamentares poderão realizar audiências públicas, sugerir modificações adicionais ao texto e votar o relatório final.
Caso seja aprovado pela Comissão Especial, o texto será encaminhado para deliberação no Plenário da Câmara dos Deputados. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a aprovação exige o apoio mínimo de três quintos dos deputados (308 dos 513 parlamentares), em dois turnos de votação. Se aprovada nessas etapas, a matéria segue para o Senado Federal, onde passará por rito semelhante.
Histórico
Apresentada originalmente em maio de 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) e outros parlamentares, a PEC 32/2015 visava estabelecer a “plena maioridade civil e penal aos 16 anos de idade”. Desde a sua apresentação, a proposta permaneceu sob análise na CCJ para a verificação de sua constitucionalidade.
A PEC teve, pelo menos, três relatores diferentes nestes 11 anos e chegou a ser arquivada pela mesa diretora em 2019. O debate do texto foi intensificado nos últimos meses. No final de maio, o relator atual da proposta na comissão, deputado Coronel Assis (PL-MT), concluiu a leitura de seu parecer favorável à admissibilidade jurídica da matéria. A votação final na CCJ ocorreu após a rejeição de requerimentos de adiamento apresentados por parlamentares da oposição.
Mudanças no texto
Embora o projeto original propusesse uma maioridade plena (civil e penal), o relator apresentou um substitutivo que preserva as regras cíveis atuais.
Com isso, os direitos políticos e a maioridade civil dos jovens não são afetados. O alistamento eleitoral e o exercício do voto continuam facultativos aos 16 anos e obrigatórios somente a partir dos 18 anos de idade.
Durante a tramitação na CCJ, deputados favoráveis ao projeto argumentaram que a medida atende a demandas sociais por segurança pública e responsabilização penal. Por outro lado, parlamentares contrários sustentaram que a redução da maioridade penal viola direitos fundamentais previstos na Constituição e defenderam o foco em políticas públicas educacionais.
Nacional
O que é o PlanMob-Brasil e como ele pretende transformar a mobilidade urbana
Clique aqui para participar da consulta pública do PlanMob-Brasil.
Coordenado pela Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana (Semob), o plano será um instrumento estratégico para orientar ações e investimentos públicos e privados voltados à mobilidade urbana em todo o País, com foco em cidades mais acessíveis, sustentáveis, seguras e integradas.
A construção do PlanMob-Brasil está alinhada à Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), instituída em 2012, que estabeleceu diretrizes para integrar os diferentes modos de transporte e melhorar a acessibilidade nos municípios brasileiros. A política também reforçou a importância do planejamento urbano, priorização do transporte público coletivo e da mobilidade ativa, como caminhadas e bicicletas.
O plano evidencia os desafios enfrentados diariamente pela população brasileira, como congestionamentos, longos tempos de deslocamento, perda de qualidade do transporte público, desigualdades territoriais e aumento dos sinistros de trânsito e impactos ambientais causados pelo excesso de veículos individuais motorizados.
Segundo o secretário Nacional de Mobilidade Urbana, Marcos Daniel Souza dos Santos, o PlanMob Brasil é um instrumento essencial para o planejamento estratégico da mobilidade no país.
“O PlanMob Brasil é um importante instrumento de planejamento de longo prazo, que vai orientar as ações dos municípios, dos estados e, especialmente, do governo federal. Queremos avançar ainda mais, mas para isso precisamos ouvir a sociedade e construir soluções cada vez melhores. A mobilidade é um tema fundamental para o desenvolvimento do Brasil e exige uma visão integrada e de longo prazo. Precisamos nos organizar como país e não perder de vista o horizonte de investimentos que já vem sendo construído. É necessário consolidar a mobilidade e o transporte como prioridades na agenda nacional”, destacou.
Com um enfoque de equidade e acesso às oportunidades das cidades, e de sustentabilidade ambiental, PlanMob-Brasil também pretende abordar temas como mobilidade ativa e micromobilidade, transporte público coletivo, gestão do território, e desenvolvimento institucional e governança, considerando as diferentes realidades urbanas do país.
A proposta é fortalecer a atuação da União, de forma coordenada com estados e municípios, promovendo maior integração entre políticas públicas, planejamento urbano e ações e investimentos em mobilidade. O plano também dialoga com iniciativas já desenvolvidas e em desenvolvimento pelo Governo Federal, como o Novo PAC, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), o Novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo, o Programa Bicicleta Brasil, a Estratégia Nacional de Promoção da Mobilidade por Bicicleta (Enabici), o Plano Clima, o Pnatrans e a plataforma Viabiliza.
Com perspectiva de longo prazo e ampla participação social, o PlanMob-Brasil busca consolidar uma visão de futuro para a mobilidade.
Nacional
Comissão aprova proposta para consórcios municipais de inovação

A Comissão de Ciência e Tecnologia e de Inovação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4076/25, do deputado José Medeiros (PL-MT), que autoriza municípios a celebrar convênios intermunicipais e contratar consórcios públicos para viabilizar projetos de tecnologia e inovação.
O texto altera a Lei de Inovação (Lei 10.973/04) para permitir que prefeituras se associem no desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores. A medida busca facilitar o acesso de municípios, principalmente os de menor porte, a soluções tecnológicas.
A Lei de Inovação já permite que entes da Federação formem alianças estratégicas para o desenvolvimento de inovações. Essas parcerias podem contemplar redes e projetos internacionais de pesquisa tecnológica, ações de empreendedorismo e criação de ambientes de inovação, como incubadoras e parques tecnológicos.
Medeiros afirmou que municípios de menor porte têm dificuldades para desenvolver projetos de inovação pela falta de recursos, escala e expertise. Segundo ele, é comum a contratação separada de empresas de consultoria, apesar de as carências serem compartilhadas por várias prefeituras. “Devido a essa falta de integração, há uma dificuldade muito grande para que essas unidades federativas possam identificar, contratar, desenvolver e incorporar serviços e produtos inovadores”, disse.
Aliança estratégica
O texto foi aprovado com alteração do relator, deputado Lucas Ramos (PSB-PE), para reforçar que os convênios e consórcios servem para viabilizar alianças estratégicas e desenvolvimento de projetos cooperativos. “A redação proposta reforça a segurança jurídica e a clareza do comando normativo, sem alterar o mérito da iniciativa, mas aprimorando sua aderência ao ordenamento vigente e sua aplicabilidade prática”, afirmou.
Para Ramos, a proposta dialoga diretamente com a necessidade de fortalecimento das capacidades institucionais locais, especialmente nos municípios de menor porte, por meio da atuação em rede e do compartilhamento de recursos, competências e infraestrutura.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada por Câmara e Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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