Mato Grosso
MTI e CGE iniciam trabalho de comissão para implantar e adequar empresa à LGPD
Representantes da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI) e da Controladoria Geral do Estado (CGE) realizaram a primeira reunião da comissão criada para a implantação da Lei nº 13.709/2018, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), no âmbito da MTI.
A lei entrará em vigor a partir agosto de 2020 em todo o país e busca assegurar mais transparência na coleta, processamento e compartilhamento dos dados, a fim de possibilitar ao cidadão maior controle sobre o uso das suas informações pessoais.
A comissão conjunta entre MTI e CGE foi criada para coordenar as atividades na MTI de identificação dos dados pessoais, o armazenamento, o ciclo de vida, os acessos, os processos e as tecnologias, além de propor os ajustes necessários. Isto porque a MTI é a detentora do armazenamento e processamento de grande parte dos dados sob a guarda do Governo de Mato Grosso.
De acordo com o diretor-presidente interino da MTI, Kleber Geraldino, é imprescindível a implementação da cultura de dados na empresa antes mesmo de iniciar a adequação à lei, a fim de facilitar todo o processo, que não é simples.
“Vamos ter que identificar como fazer isso tecnologicamente. Nosso banco de dados, servidor de arquivos, estabelecer processos, alterar rotina, identificar que tecnologia vamos ter que usar baseados nas determinações da LGPD. É uma preocupação, pois teremos que adquirir ferramentas para apoiar o que a legislação está pedindo e mapear o que teremos que fazer”, disse.
Na MTI, o processo de implantação da lei está sendo coordenado pela Unidade de Conformidade, Riscos, Segurança da Informação e Controle Interno (UNICRC) – e envolve outros setores também. Entre os dados pessoais que terão o tratamento protegido estão aqueles relativos ao nome, CPF, endereço, telefone, renda, dependentes e margem de consignação, por exemplo.

Comissão reúne servidores de vários setores da MTI, além da CGE.
De acordo com o gerente da unidade, Luis Lobo, a lei é complexa no que tange à parte de sistemas, bem como no que diz respeito captura de dados pessoais. Por essa razão, a comissão já iniciou contato com outras empresas de tecnologia para identificar de que forma elas estão se adequando.
“A aplicação da lei não é linear, é sistêmica, vai abranger a tecnologia e conscientização. (…) Na comissão dos trabalhos vamos intensificar essas interações para ir esclarecendo e formando nosso modelo no Estado”, afirmou.
Segundo o ouvidor-geral do Estado, Vilson Pedro Nery, o trabalho conjunto com a MTI busca construir um arcabouço normativo – leis, regulamentos, normas – para fazer essa adequação e, em seguida, a conscientização do conjunto de servidores do Estado.
“Nós da Controladoria já iniciamos algumas discussões sobre essa questão de normatização, de adequações e, para nós, foi excepcional fazer esse trabalho junto com a MTI, que é a grande guardiã de informações e a empresa com autoridade em Mato Grosso”, disse.
Ainda segundo Vilson Nery, é necessário que a MTI seja reconhecida como uma autoridade de proteção de dados, para que Mato Grosso avance nas discussões sobre a LGPD. “É importante ver que a MTI tem essa preocupação e percebo que ela está na vanguarda, porque ainda que a LGPD e toda essa dinâmica de proteção de dados sejam o assunto que todos precisam discutir, os governos ainda não estão muito atentos a essa situação”, encerrou.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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