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Mato Grosso

“Nosso trabalho é para que o agricultor familiar plante, adote uma cadeia produtiva e saiba onde será seu mercado consumidor”, destaca secretária

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O Governo de Mato Grosso tem atuado para ampliar ainda mais para fortalecer o agricultor familiar, oferecendo a ele ferramentas para que ele dê continuidade ao trabalho após os incentivos do Estado, ampliando a produção por todo o território mato-grossense, para outras localidades no Brasil e até mesmo fora do país. A informação é da secretária de Estado de Agricultura Familiar, Teté Bezerra, que destaca a importância de levar ao agricultor familiar o conhecimento e os caminhos para viabilizar a consolidação do setor em Mato Grosso.

“Nós estamos trabalhando com foco na eficiência da agricultura familiar, estimulando que o agricultor plante, que adote uma cadeia produtiva e que ele tenha muito claro onde será o mercado consumidor que vai absorver sua produção”, ressalta a secretária.

Para isso, conta Teté Bezerra, o Governo tem apoiado todo o ciclo de atuação do produtor, com entrega de tecnologia, de insumos para produções que tenham qualidade, certificação, conhecimento, ambientes de qualidade para comercialização dos produtos, regularização ambiental, entre outros.

1) Secretária, a agricultura familiar é uma das prioridades da gestão do governador Mauro Mendes, com investimentos recordes sendo feitos desde 2019. Somente nos primeiros quatro anos da gestão, foram mais de R$ 300 milhões em investimentos, com entrega de máquinas e equipamentos, doação de mudas de café, cacau, banana, sêmen bovino, calcário, entre outros. Nesse sentido, o que o agricultor familiar pode esperar para os próximos anos?

A Secretaria de Agricultura Familiar, no Estado de Mato Grosso, passa por um período transformador. Com os investimentos que o governador Mauro Mendes tem encaminhado para a secretaria, nós temos a oportunidade de trabalhar de forma planejada e com eficiência pelo desenvolvimento da agricultura familiar no Estado. Em Mato Grosso nós temos mais de 100 mil famílias em todo o Estado, com produção por todo o território. Além dos recursos investidos e as políticas públicas, o governador tem atuado para que as ações sejam direcionadas. Nós tivemos esse período com investimentos muito fortes em máquinas e implementos agrícolas, para que o pequeno produtor tenha acesso a novas tecnologias e mecanização. Estamos potencializando as cadeias produtivas, identificando as regiões onde há grande vocação para cada cultura. Nós também estamos trabalhando para que o produtor consiga ampliar o mercado consumidor do produto com certificação. Essa é uma orientação e uma política pública que nós temos defendido. E nós queremos ampliar ainda mais, para que ele possa conduzir essa produção para o restante do Estado e até quem sabe para fora de Mato Grosso. Nós estamos trabalhando com foco na eficiência da agricultura familiar, estimulando que o agricultor plante, que adote uma cadeia produtiva e que ele tenha muito claro onde será o mercado consumidor que vai absorver sua produção.

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2) No caso da entrega de máquinas e equipamentos, o Governo faz a doação para as prefeituras e consórcios intermunicipais. Qual o retorno dessa parceria? Ela de fato tem sido efetiva para fomentar a agricultura familiar?

A entrega destas máquinas com certeza é efetiva. Temos um percentual muito baixo de agricultores que têm acesso à tecnologia. Nós queremos continuar com esse programa e existe, inclusive, uma proposta do governo de que nós tenhamos uma linha de crédito, que seja criado um fundo onde o governo irá subsidiar a aquisição desses equipamentos e desses implementos. O que nós defendemos é que não só os veículos são importantes, mas também a aquisição de implementos . Quando você tem um trator e um arado, você já presta um serviço. Mas quando você tem o trator e mais implementos que possam plantar, que possam colher, a máquina se torna muito mais útil. Então, temos tido essa discussão e o governador está disposto a seguir com essa proposta da criação de um fundo para que esta tecnologia possa ser adquirida pelos produtores. Isso porque, muito já fizemos, mas ainda temos muito o que fazer.

3) Uma das frentes de trabalho da Seaf é o MT Produtivo Leite para o melhoramento genético do rebanho leiteiro do Estado. Quais os investimentos feitos na área e quantos produtores já foram contemplados? É possível perceber aumento no rebanho leiteiro de qualidade e na produção de leite?

A média nacional da produção do leite por animal é 6,06 litros por dia, que é um índice muito baixo. Em Mato Grosso, em 2019, antes da gestão do governador Mauro Mendes adotar os programas de melhoramento genético que estão sendo aplicados, essa média era de 4,02 litros/dia por animal. Conforme dados do IBGE de 2021, a média por animal em Mato Grosso passou para 4,41 litros, isso antes do início da modalidade do MT Produtivo Leite de entrega de novilhas prenhas, que começou recentemente a ter resultados. Em três anos do projeto de melhoramento genético do Programa Mato Grosso Produtivo Leite, mais de mil bezerras de alta produção de leite com qualidade passaram a integrar o rebanho leiteiro no Estado, com investimentos na ordem de R$ 5.552.863,27. No município de Campinápolis, por exemplo, o projeto deu tão certo, que a cooperativa que participou da modalidade transferência de embriões, a Campileite, contratou uma empresa para dar continuidade ao trabalho com uma nova etapa, agora, por eles mesmos. Já em Novo Horizonte, onde foi feita a primeira entrega de novilhas Girolando Meio-sangue, os resultados começam também a aparecer. Lá, em dezembro de 2022, por exemplo, a produção das novilhas entregues por meio do programa para a associação de produtores chegou a uma média diária de aproximadamente 14 litros por cabeça. Nós acreditamos que no ano que vem nós já teremos a possibilidade de ter um novo cenário, quando fizermos a aferição dos animais entregues pelo Governo.

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4) A Seaf também tem realizado ações para incentivar o agricultor familiar a dar continuidade nas melhorias sem ficar tão dependente do poder público. De que forma esse trabalho está sendo feito? A senhora acha que essas ações valorizam o pequeno produtor?

Nós temos que pensar na emancipação do agricultor. Nós não podemos pensar que, eternamente, eles vão ficar dependentes das políticas públicas. O governo é muito importante, mas ele tem que ter também o acesso a crédito. Um dos passos para isso é a questão de regularização ambiental, e nesse sentido a Seaf tem feito um trabalho importante com a Sema, para que o produtor tenha acesso ao crédito. Porque se ele não tiver acesso a crédito, ele fica mais dependente ainda das políticas públicas do governo. A Seaf, em parceria com a Empaer, também tem feito um trabalho de capacitação com esses agricultores familiares. Entregas como de ordenhadeiras e resfriadores de leite são realizadas e depois os beneficiados recebem orientação e qualificação para saber como melhorar a produção, como instalar e trabalhar melhor com esse equipamento. Porque se ele não tiver essa orientação, no primeiro problema técnico que ele tiver com utilização daquele equipamento, ele vai simplesmente encostá-lo e nós não queremos isso. Ali foram investidos recursos públicos, ali é investido todo um trabalho e nós queremos que tenha continuidade.

5) Secretária, então a Seaf atua com foco na eficiência no uso do recurso público nessas ações também?

Com certeza. A eficiência da prestação de serviço e na utilização desses equipamentos que nós estamos direcionando para a agricultura familiar e para os agricultores. O agricultor é o grande beneficiário desse trabalho que o governo tem feito de investir quando ele envia equipamentos, quando ele possibilita que esse agricultor tenha acesso a novas tecnologias. Nós temos que qualificar, nós temos que preparar. Quando nós pedimos aqui que o município faça análise do solo para receber o calcário, é porque é necessário se dar de acordo com cada terreno, com cada propriedade, com cada quantidade de hectares que esse produtor irá aplicar esse calcário. Ele tem que saber a quantidade específica e como está o seu solo. A Seaf atua com um planejamento com foco no produtor e com foco na eficiência no uso dos recursos públicos.

6) O Governo de Mato Grosso entregou a Feira da Agricultura Familiar de Lucas de Rio Verde e lançou a primeira etapa da Feira do Produtor de Chapada dos Guimarães. Além disso, também tem feito entregas de tendas para feiras livres. Qual a importância dessa entrega para o agricultor familiar e para a população?

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Nós temos que pensar que as feiras dos produtores, assim como as mais de mil barracas que também foram entregues para a agricultura familiar de diversos municípios, são a vitrine do agricultor. Esses espaços trazem não só a oportunidade para expor e comercializar o que produz, como também para que o consumidor tenha acesso a esses produtos de qualidade com mais conforto para todos. Então, esse é o nosso objetivo.

Chapada dos Guimarães, por exemplo, é uma cidade onde o turismo é a principal economia, mas nós não podemos esquecer que o município tem uma zona rural muito extensa, nós temos muitas famílias morando ali. Lá nós temos um programa específico onde nós selecionamos determinadas cadeias produtivas para fomentar a produção de determinadas cadeias produtivas. Quando as famílias participantes estiverem em plena produção, elas vão precisar do nosso apoio com relação à certificação dessa produção e para se ter um plano de negócios para saber onde vai comercializar, e aí e Feira do Produtor vai ser um grande canal para expor esse produto e para comercializar essa produção, que está sendo muito estimulada e incentivada.

7) Um dos produtos que tem sido incentivado nessa gestão é turismo rural. Para fomentar essa cadeia produtiva, a Seaf tem realizado ações para apresentar esses produtos. O turismo é de fato um produto da agricultura familiar? Qual o potencial de Mato Grosso para essa atividade?

Para você ter uma ideia, dentro do Pronaf, que é o Programa Nacional da Agricultura Familiar, o turismo rural é um dos pilares, porque cada vez mais as pessoas que vivem na cidade têm um interesse de conhecer como é a experiência da vivência dentro da zona rural. E essa atividade pode se desenvolver, pois há inúmeros produtos dentro de uma propriedade rural, como a própria atividade da produção, a transformação nos doces caseiros que se faz no local, ou na transformação do leite, do queijo e dos seus derivados. Como citei aqui, a própria vivência de como que é o dia do agricultor, o que ele faz ao levantar, quais são as tarefas que ele desempenha, como que é a casa onde ele mora, onde ele faz a sua refeição, tudo interessa ao turista. Em um Estado com vários biomas, há um potencial grande do turismo ser um produto da agricultura familiar.

Fonte: Governo MT – MT

Mato Grosso

Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

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A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

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Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

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Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

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Mato Grosso

Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano

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Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.

A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.

“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.

Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.

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Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.

Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.

Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.

Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.

“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.

Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.

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“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.

A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.

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Mato Grosso

Empresa do agronegócio genuinamente do agronegócio brasileira nacional lança de três novos produtos

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O evento reuniu representantes de 39 cooperativas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo

O 4º. Encontro de Cooperativas Nortox realizado recentemente em Foz do Iguaçu (PR), foi marcado pelo lançamento de três produtos: duas misturas exclusivas (os inseticidas Typhoon e Tempus) e um herbicida exclusivo, o Raker Top. “A Nortox, que já vem marcando história em lançamentos de misturas exclusivas, agora marca uma nova era de misturas de genéricos com moléculas sob patente. Isso demonstra mais uma vez que a empresa tem sua estratégia bem definida. O lançamento desses produtos foi o ponto alto do 4º. Encontro de Cooperativas”, afirma o diretor comercial da Nortox, João Marcos Ferrari.

Os inseticidas Tempus e Typhoon chamaram muita atenção dos participantes. O Tempus, com ação prolongada e alta eficiência contra lagartas, oferece proteção duradoura em diferentes culturas, combinando o efeito choque do clorpirifós à persistência do clorantraniliprole. O Typhoon, com uma ação forte contra a cigarrinha-do-milho e a lagarta-do-cartucho, é uma mistura exclusiva da Nortox, com amplo espectro de proteção contra as pragas do milho e efeito de choque imediato. Os princípios ativos são Clorantraniliprole e Metomil – OD.

Já o Raker Top, grande destaque, é um herbicida seletivo e sistêmico de pós-emergência, formulado com os princípios ativos Nicossulfuron e Tolpiralate. Ele é indicado especificamente para o controle de plantas daninhas na cultura do milho. Além disso, conta com a segurança de dois safeners para um manejo de pós-emergência sem causar fitotoxicidade.

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O evento reuniu representantes de 39 cooperativas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A programação teve início na quarta-feira (29), com a recepção das equipes, e prosseguiu ao longo de toda a quinta-feira (30), reunindo palestras e apresentações técnicas voltadas às principais tendências do agronegócio e às soluções desenvolvidas pela Nortox para o campo.

Na abertura, o diretor-presidente da Nortox, Romeu Stanguerlin, apresentou a trajetória da empresa, seus resultados e as perspectivas de crescimento previstas no planejamento estratégico até 2030. Em seguida, João Marcos Ferrari destacou a evolução do portfólio da companhia, abordando investimentos em pesquisa, inovação, desenvolvimento de produtos, nutrição vegetal e sementes.

Ao longo do encontro, também foram apresentados programas voltados às cooperativas, novas estratégias de manejo em fungicidas, soluções para pastagens, avanços na área de herbicidas, além de debates técnicos que promoveram a troca de experiências entre especialistas da Nortox e representantes das cooperativas. A programação contou ainda com palestras de convidados externos, como o economista Igor Barreto, do Itaú BBA, que apresentou uma análise do cenário econômico e das perspectivas para o agronegócio, e do pesquisador Aroldo Marochi, que abordou os desafios relacionados às doenças nas lavouras e ao manejo com fungicidas.

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