Artigos
O que muda para as empresas com a atualização da NR 01

Por Edilene Bocchi *
A Norma Regulamentadora nº 01 (NR 01) estabelece disposições relativas à Segurança e Saúde no Trabalho. Ela já contemplava riscos físicos, biológicos, químicos e ergonômicos. E agora, a partir de 25 de maio de 2025, com a nova atualização, acrescentou-se a obrigação de identificar, medir e prevenir os riscos psicossociais, aqueles ligados à saúde mental dos trabalhadores.
O principal motivo da atualização é o aumento do número de afastamentos causados por transtornos mentais. De 2022 para 2023 o aumento foi de 38%. Já em 2024 mais de 250 mil pessoas foram afastadas por transtornos de ansiedade e depressão, um aumento de 67% em relação ao ano anterior.
Apesar de serem riscos mais subjetivos, eles podem ser identificados quando falamos em assédio moral e sexual, conflitos interpessoais, competitividade excessiva, pressão por metas inatingíveis, falta de suporte social, jornadas exaustivas, excesso de carga de trabalho, entre outras.
Para evitar sanções as empresas devem identificar, avaliar, prevenir e mitigar os riscos psicossociais, implementando no Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR) medidas que ofereçam tais tratativas. Na prática, isso quer dizer que as organizações precisarão criar uma Cultura Organizacional mais humanizada, que garanta um ambiente mais saudável, onde os relacionamentos são baseados na confiança.
Essa mudança não deve ser apenas em colocar na parede um quadro com a missão, visão e valores humanizados e sim em como as coisas acontecem naquele ambiente e como são de fato as relações entre as pessoas.
Para se tornarem mais atrativas e se adequarem às novas regras da NR 01, as organizações terão que escutar suas equipes, dar tratativas para os casos em desacordo, treinar e desenvolver as pessoas para melhorar a forma como elas se comunicam, conduzem conflitos, tomam decisões quanto aos colegas de trabalho, entre outros.
De forma resumida isso implica dizer que as pessoas precisam estar no centro dos negócios, que as pautas de desenvolvimento e cuidado com as pessoas precisam ser prioridade, isso inclui desde o empresário, seus gestores e todos da equipe. Afinal, um ambiente mais saudável se constrói por cada pessoa que faz parte dele.
A organização tem a obrigação de criar os programas e fazer o controle das ações, porém da mesma forma que os EPIs devem ser usados por todos, abertura para mudar comportamentos prejudiciais é dever de todos, já que os ganhos também são coletivos.
*Edilene Bocchi é administradora e CEO da Vesi Consulting, empresa que atua na gestão de pessoas, coaching para lideranças e equipes, sucessão familiar e carreira – siga @vesiconsulting.
Artigos
Agro em ano eleitoral: até onde podem ir os incentivos e benefícios fiscais?
Artigos
63 anos não se constroem por acaso: a liderança por trás da longevidade empresarial

Por Ulana Bruehmueller
O brasileiro tem uma reconhecida vontade de empreender. Muitas empresas nascem pequenas, de um sonho, de uma oportunidade ou da necessidade de construir um futuro melhor. Começam com poucos recursos, muito trabalho e a esperança de crescer ano após ano.
Mas começar uma empresa é apenas o primeiro desafio. Fazê-la permanecer, atravessar gerações e continuar relevante é uma conquista muito maior.
No Brasil, poucas empresas alcançam mais de seis décadas de atividade. Ao longo do caminho, enfrentam obstáculos que vão do acesso ao crédito aos elevados custos de insumos, energia e produção, além da carga tributária, da insegurança jurídica e de uma logística ainda cara e ineficiente.
É nesse contexto que celebramos os 63 anos da Refrigerantes Marajá.
Mais do que uma data no calendário, este aniversário nos convida a uma reflexão: o que faz uma organização atravessar tantas transformações e permanecer relevante ao longo das gerações?
A qualidade dos produtos e a confiança dos consumidores são fundamentais. Mas longevidade também se constrói com liderança forte, propósito definido, valores consistentes e pessoas alinhadas em torno de uma mesma direção.
Ao longo de mais de seis décadas, a Marajá precisou se transformar inúmeras vezes. Cresceu, ampliou mercados, modernizou sua estrutura industrial, incorporou tecnologias, profissionalizou processos, fortaleceu sua governança e desenvolveu novas marcas e produtos.
Ao mesmo tempo, avançou em uma agenda de ESG cada vez mais consistente, compreendendo que responsabilidade ambiental e social, ética e boa governança não devem existir apenas no discurso. Precisam estar incorporadas à maneira como uma organização toma decisões e pensa no seu futuro.
Essa capacidade de evoluir sem perder a essência talvez seja uma das principais explicações para a longevidade de uma empresa.
E nenhuma transformação acontece sem pessoas.
Ao longo da minha carreira, aprendi que podemos definir estratégias, estabelecer metas, investir em tecnologia e modernizar processos, mas são as pessoas que transformam o planejamento em resultado. Por isso, o alinhamento da liderança e o comprometimento do time são fatores concretos de competitividade.
Estratégias mudam. Mercados mudam. Tecnologias evoluem. Gerações chegam com novas expectativas. Os valores, entretanto, permanecem como uma bússola, permitindo que a empresa se transforme sem perder sua identidade.
Tenho muito orgulho de ter dedicado mais de 30 anos da minha vida profissional à Marajá e de ter crescido junto com esta empresa. Foram décadas de desafios, crises, decisões, expansão, transformação e, acima de tudo, aprendizado.
Por isso, celebrar estes 63 anos é também agradecer.
Aos fundadores que tiveram a disposição de empreender. Aos acionistas, diretores e líderes que assumiram a responsabilidade de conduzir a empresa ao longo do tempo. Aos profissionais que passaram por aqui e deixaram sua contribuição. E aos que hoje continuam escrevendo esta história e preparando a Marajá para o futuro.
Depois de tantos anos na indústria, compreendo que uma das maiores responsabilidades de uma liderança não é apenas entregar os resultados do presente. É criar condições para que a organização continue crescendo e gerando valor para as próximas gerações.
Longevidade empresarial não é simplesmente resistir ao tempo. É atravessar gerações evoluindo sempre. Continuar olhando para frente e assumindo responsabilidade pelo futuro!
Ulana Maria Bruehmueller é CEO da Refrigerantes Marajá
Artigos
A cidade começa na calçada

Rodrigo Arruda e Sá
Quando pensamos em desenvolvimento urbano, quase sempre imaginamos grandes avenidas, viadutos, pontes ou obras de infraestrutura. Tudo isso é importante, mas existe um elemento muito mais presente na vida das pessoas e que, muitas vezes, passa despercebido: a calçada. É nela que a cidade realmente começa, porque é por ela que todos nós caminhamos antes de entrar em um carro, em um ônibus, em um comércio ou em uma praça.
A qualidade de uma cidade pode ser medida pela forma como ela trata o pedestre. É pela calçada que uma criança vai à escola, um idoso chega à farmácia, uma mãe empurra o carrinho do filho e um trabalhador segue até o ponto de ônibus. Quando esse espaço está esburacado, desnivelado, ocupado irregularmente ou simplesmente não existe, a cidade transmite uma mensagem clara: as pessoas deixaram de ser prioridade.
Não é preciso olhar para a Europa para encontrar bons exemplos. Curitiba transformou o cuidado com as calçadas em uma política permanente de urbanismo e acessibilidade. Maringá tornou-se referência nacional pela arborização, pela conservação dos espaços públicos e pela qualidade de seus passeios. Joinville e Blumenau também demonstram como calçadas bem cuidadas, praças limpas, iluminadas e bem conservadas tornam a cidade mais acolhedora para moradores, turistas e comerciantes.
Essas cidades compreenderam que desenvolvimento urbano não se resume a grandes obras. A qualidade de vida nasce dos espaços que as pessoas utilizam diariamente. Calçadas acessíveis, arborização, praças bem cuidadas, iluminação eficiente e limpeza permanente estimulam a convivência, fortalecem o comércio de rua, aumentam a sensação de segurança e fazem com que os moradores sintam orgulho da cidade onde vivem.
Em Cuiabá, infelizmente, ainda convivemos com uma realidade distante desse padrão. Além das calçadas interrompidas, desniveladas ou sem acessibilidade, muitas praças apresentam sinais evidentes de abandono.
A Praça Ipiranga, um dos espaços mais tradicionais da capital, frequentemente convive com acúmulo de lixo e mau cheiro, enquanto a Praça Popular, um dos principais pontos de encontro da cidade, além de estar coberta de lixo, sofre com a iluminação deficiente e manutenção insuficiente. Em vez de convidarem as famílias ao convívio, ao esporte e ao lazer, esses espaços acabam transmitindo uma sensação de descuido incompatível com a importância que têm para a vida urbana.
Como contador e empresário, aprendi que cidades agradáveis também são cidades economicamente mais fortes. O comércio prospera quando as pessoas caminham pelas ruas com conforto e segurança, frequentam as praças, permanecem mais tempo nos espaços públicos e ocupam naturalmente os centros comerciais. Investir nesses ambientes não é apenas uma política de urbanismo; é também uma política de desenvolvimento econômico.
É evidente que Cuiabá precisa continuar investindo em mobilidade, infraestrutura e transporte coletivo. Mas nenhuma dessas políticas produzirá resultados completos se esquecermos que toda viagem começa e termina a pé.
Antes de sermos motoristas, passageiros ou ciclistas, todos nós somos pedestres, e uma cidade que não acolhe quem caminha dificilmente será acolhedora para qualquer outro meio de transporte.
Talvez esteja na hora de ampliarmos o conceito de desenvolvimento urbano. Em vez de avaliar uma administração apenas pelo número de quilômetros de asfalto entregues ou pelas grandes obras inauguradas, deveríamos observar também a qualidade das calçadas, das praças e dos espaços públicos onde a vida realmente acontece.
Cuidar desses pequenos detalhes não é uma questão estética, mas uma demonstração de respeito ao cidadão e de compromisso com a qualidade de vida. Afinal, uma cidade verdadeiramente humana não se mede apenas pelo tamanho de suas avenidas, mas pelo cuidado com os lugares onde seus moradores caminham, convivem e constroem diariamente a sua história.
*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.
-
Artigos13/08/2026 - 14:3863 anos não se constroem por acaso: a liderança por trás da longevidade empresarial
-
Rondonópolis14/08/2026 - 17:09Sindicato Rural esclarece destinação de R$ 6,9 milhões em recursos públicos para a 52ª Exposul
-
Saúde13/08/2026 - 14:53Mesmo com sinais de Alzheimer, a alimentação ainda pode proteger o cérebro…..
-
Artigos13/08/2026 - 14:42Agro em ano eleitoral: até onde podem ir os incentivos e benefícios fiscais?
-
Mato Grosso14/08/2026 - 14:44Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina
-
Rondonópolis17/08/2026 - 10:23Flashback Brothers: dois DJs, dois equipamentos e uma nova maneira de viver o flashback em Rondonópolis
-
Rondonópolis14/08/2026 - 14:51RGA da pandemia e perdas reais reacendem pressão dos servidores sobre a gestão municipal
-
Esportes17/08/2026 - 20:45Atleta de Rondonópolis é campeão pelo Grêmio na Copa Base Sub-9 em Teutônia







