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Oscar rechaça Netflix, mas se rende a Cuarón em edição de tendências opostas
Mais diversa, mais jovem e mais inernacional, mas ainda aferrada a certas tradições e manias. Esse é o retrato que emerge da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas após a realização da 91ª edição do Oscar, que consagrou “Green Book: O Guia”, como o grande filme do ano.

“Green Book” era o candidato do consenso. Além de não polarizar como produções como “Infiltrado na Klan” e “A Favorita”, o longa de Peter Farrelley era fácil de se gostar e filmes com essa característica e com mensagem de tolerância têm prevalecido no Oscar
nos últimos anos.
Sua vitória é o denominador comum de um colegiado com cerca de oito mil votantes. Filmes que provocam algum tipo resistência podem até entrar na seleção, mas dificilmente saem vencedores. Pode-se criticar a Academia, mas é uma questão de lógica e matemática.
Isso posto, a edição de 2019 é reveladora da transformação gradual que a instituição atravessa. O fato de pela quinta vez na década haver separação da estatueta de Direção e Filme é um sintoma de uma organização menos coesa na forma de pensar do que há 20 anos.
É uma Academia mais aberta à diversidade como demonstram alguns dos prêmios da noite – e as vitórias de “Pantera Negra” nas categorias de Direção de Arte e Figurino não só são eloquentes disso, como sinalizam uma mentalidade mais progressista na aferição dos vencedores. Em outros tempos seria loucura imaginar que uma produção de super-herói pudesse derrotar um filme de época nessas duas categorias.
Assim como imaginar que um diretor mexicano pudesse ganhar o Oscar de direção por um filme mexicano quatro anos depois de já ter ganho o prêmio por um filme americano e de estúdio. A disposição de não fazer concessões e premiar o melhor trabalho, dentro do que a maioria votante assim avalia, também se fez presente na opção por Olivia Colman (“A Favorita”) em detrimento de Glenn Close (“A Esposa”).
Mahershala Ali, por exemplo, venceu seu segundo Oscar em um espaço de três anos. Tornou-se o segundo ator negro a fazê-lo. Denzel Washington levou 12 anos para atingir esse feito. Para além do feito histórico de Ali no contexto étnico/racial, seu feito é ainda mais notável porque a Academia costumava ser refratária a laurear um mesmo ator em tão pouco tempo.
Fator Netflix

Importante observar que a Academia deu três Oscars para uma produção da Netflix. Não foi a vitória consagradora que muitos previam, mas foi significativa. O triunfo da Netflix virá em seu tempo. “Roma” foi mais laureado do que “Nasce uma Estrela”, por exemplo, um típico produto hollywoodiano. Todavia, conquistou menos estatuetas do que “Bohemian Rhapsody”, que liderou no número geral de prêmios com quatro.
O amplo apreço da Academia por “Bohemian Rhapsody” é onde é possível ver as digitais dos tradicionalistas. O triunfo em Mixagem de Som e Edição de Som remonta à máxima de que uma produção musical tem um trabalho de sonorização mais rebuscado. Nem sempre! A vitória de Malek como Ator insinua que a Academia ainda se deixa impressionar por imitações de figuras de grande apelo popular. Já o triunfo em Montagem prescinde de qualquer elaboração. Foi um erro que beira a grosseria.
A vitória de “Green Book: O Guia”
vai ser muito problematizada justamente por trazer a perspectiva de um homem branco para o racismo. O Oscar será acusado de racismo e elitismo e isso faz parte do show. Apesar de ostentar sua edição mais diversa da História, o prêmio principal não foi para um filme feito por um negro sobre a questão. E tinham dois na categoria.
A premiação sempre será polêmica. Não importa o resultado. É imperioso, todavia, saber ler as entrelinhas. E elas se ajustam desde as indicações. Os ventos da mudança sopram sobre o Oscar
e a pulverização dos prêmios, com suas bem-vindas supresas e também com seus erros clamorosos, são frutos desse foco de atrito intensificado nesta década, mas que enseja otimismo para o futuro.
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Fonte: TOP FAMOSOS
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