Mato Grosso
"Para nós que sempre lutamos pela sobrevivência, comemoramos nossas próprias vidas"
O dia 9 de agosto fixa o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Diferente do Dia do Índio (19 de abril), a data internacional marca uma conquista para os povos indígenas de todo o mundo. A agenda foi criada em 1995 pelas Nações Unidas e busca garantir a liberdade de escolha e os direitos humanos de quase cinco mil grupos em mais de 70 países.
O Dia Internacional dos Povos Indígenas dá voz a cidadãos em constante luta pelo reconhecimento de suas tradições, identidade e cultura. De acordo com o Censo IBGE 2010, só no Brasil existem mais de 240 povos indígenas remanescentes, dos quais 43 estão no estado de Mato Grosso, mais de 42 mil índios.
Em entrevista, Soilo Urupe Chue, uma das lideranças do povo chiquitano, falou com exclusividade sobre questões indígenas que discutem demarcação de terras, políticas públicas e sobre respeito aos povos tradicionais.
Soilo é formado em psicologia pela Universidade Federal de Mato Grosso, atuou como liderança jovem e professor. Foi presidente da Comissão Representativa dos Estudantes Indígenas de Mato Grosso e assessor da Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Estado. Atualmente é superintendente de Assuntos Indígenas na Casa Civil de Mato Grosso. Confira a entrevista.
Secom/MT – Neste Dia Internacional dos Povos Indígenas, o que os povos tradicionais têm a comemorar?
Soilo – Na atual conjuntura, se existe algo a se comemorar, para nós que sempre lutamos pela sobrevivência, comemoramos nossas próprias vidas. Hoje, 519 anos depois da chegada dos portugueses, nossas lideranças continuam sendo assassinadas. Da mesma forma que tivemos algumas conquistas ao longo do tempo, em pleno século 21, percebemos que ainda não acabou o período de perseguição aos nossos direitos.
Secom/MT – Mais de 30 anos após a aprovação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, o que mudou na prática para os povos tradicionais?
Soilo – A partir da constituição de 1988, nos foi garantido o direito de viver conforme nossas tradições, línguas, crenças e nossas práticas ritualísticas. Mas temos um direito que vem antes da constituição, que é o direito à vida. Os acordos internacionais garantem o direito de sermos respeitados como pessoas. Estamos lutando todos os dias por esse direito, lutamos pela sobrevivência e enfrentamos todo tipo de violência. Temos um direito originário que vem muito antes da própria democracia. E é por esse direito originário que lutamos desde sempre. As outras questões são marcos históricos para assegurar esses direitos, como a própria convenção 169.
Secom/MT – A constituição também garante a demarcação das terras indígenas. Como lidar com essa questão que se arrasta por gerações?
Soilo –Tivermos um período para realizar as demarcações das terras indígenas, outra garantia da constituição de 1988, mas isso nunca ocorreu na integralidade. E algumas pessoas dizem que o período para isso já passou. Mas eu pergunto, como já passou se nunca fomos contemplados? As terras nunca foram demarcadas de fato e a necessidade continua, ano após ano. Hoje é ainda mais importante, porque estamos limitados. O território é muito mais que uma demarcação de terras, entende?
Secom/MT – Fale mais sobre isso…
Soilo – Para nós, povos indígenas, o território é a nossa casa, não apenas a oca em que vivemos. Todo o território é nosso lar. Quando não temos territórios demarcados, ficamos expostos, sujeitos a violações de todo tipo, como tem ocorrido nesses últimos anos. Nossos direitos estão sendo violados por gerações.
Secom/MT – E quais são os maiores desafios dessa luta?
Soilo – Talvez, nosso maior desafio hoje seja garantir o respeito, todo o resto é consequência disso. Superar o preconceito, descriminação e a violações dos nossos direitos… E a própria luta pela demarcação dos territórios indígenas, claro. Outro grande desafio é conseguir manter nossa própria cultura, nossa forma de ser, fazer e viver, dentro desse contexto. Os povos indígenas precisam ser mais respeitados, na sua integralidade dentro do processo histórico.
Secom/MT – Então a luta maior é por respeito, certo?
Soilo – Sim, respeito. O respeito é a base de tudo. Com respeito conseguiremos todos os avanços sociais e políticos. É preciso ainda, respeitar a cronologia de contato. No Brasil existem povos com muito tempo de contato com o não índio, povos de recente contato e os povos isolados. Todos os povos indígenas estão na luta pela sobrevivência. Alguns com iniciativas de produção sustentável, povos que tiveram contato com produção mecanizada e industrial e existem povos que ainda vivem de maneira bem tradicional. A luta é por sobrevivência, para manter o que somos e fazemos, sem discriminação. Sempre digo que enquanto existir um índio vivo, manteremos viva nossa cultura.
Secom/MT – E como atua a Superintendência de Assuntos Indígenas do Estado na construção de políticas públicas?
Soilo – A superintendência foi criada em 1986 como uma coordenadoria de políticas indígenas. De lá para cá, ocupa um espaço dentro do governo, independente do governador. Iniciou-se, desde então, um diálogo entre os povos indígenas e o governo do Estado. Estamos caminhando com muito esforço e ainda assim percebemos que as políticas que existem na pratica não chegam até a base, nos territórios. Entretanto, a superintendência procura fazer essa articulação junto aos povos indígenas, uma vez que fui indicado pela Federação que representa os 43 povos existentes em Mato Grosso. Nós, povos indígenas, estamos por todo o Estado de Mato Grosso.
Secom/MT – Conclua com um breve panorama sobre a atuação da Superintendência no primeiro semestre de 2019.
Soilo – Não medimos esforços para que esse diálogo seja mantido e para que as articulações garantam os direitos dos povos indígenas. Precisamos pensar dentro de um cenário geral, de sete regionais indígenas em Mato Grosso e também ver como de fato criar políticas públicas e fortalecer as que já existem. Enquanto superintendente, trabalho para que as delegações que vêm das regionais sejam atendidas, bem como suas demandas sejam ouvidas e contempladas. Num Estado como o nosso que tem muitos povos indígenas, cada povo tem sua especificidade que deve ser respeitada e não generalizada. Para além desse espaço no Governo, que garante o diálogo, queremos estar presentes e ativos nas construções das políticas públicas.
Mato Grosso
Feira Brasileira de Sementes contará com palestrantes renomados e temas atuais do agronegócio nacional e mundial
Com o tema “A Semente é o Elo”, o encontro conectará pesquisa, melhoramento genético, produção de sementes, tecnologia e mercado

A Feira Brasileira de Sementes (FEBRASEM), que ocorre em Rondonópolis (MT), nos dias 17 e 18 de junho, se consolidou como um dos principais eventos do setor de sementes do Brasil. O evento idealizado e promovido pela Associação dos Produtores de Sementes do Mato Grosso (APROSMAT), em sua quinta edição tem como tema “A Semente é o Elo”, já tem sua lista confirmada de palestrantes de renome no Agro e muito conhecimento a ser compartilhado com os participantes.
Segundo o presidente da APROSMAT, Nelson Croda, a proposta desta edição é integrar todos os pilares da cadeia produtiva. O foco está no entendimento de que a semente não é apenas o início do plantio, mas o elo que conecta o melhoramento genético, a tecnologia de ponta e a eficiência comercial. Em um cenário global cada vez mais exigente. “Ao longo dos dois dias, a programação reúne oito momentos estratégicos, entre palestras e painéis técnicos, abordando temas fundamentais para o fortalecimento do setor de sementes. Já estão confirmadas importantes lideranças da indústria de biotecnologia e germoplasma, além de doutores, especialistas em mercado e profissionais altamente qualificados”, destacou.
Um dos palestrantes convidados para a FEBRASEM será Marcos Jank, formado em Engenharia Agronômica pela ESALQ-USP, atualmente é professor sênior de agronegócio no Insper e coordenador do Centro Insper Agro Global. Na área de comunicação, atua como comentarista de agronegócio na CNN Brasil e colabora com diversos veículos nacionais e internacionais.
O evento foi desenhado para promover não apenas o conhecimento teórico, mas também a geração de negócios e o fortalecimento de parcerias. A estrutura contará com palestras estratégicas ofertando conteúdos voltados especificamente para os setores de sementes e grãos, exposição tecnológica e máquinas e networking qualificado, com ambientes planejados para conexões empresariais e um happy hour de integração ao final das atividades.
As inscrições para a FEBRASEM 2026, já estão no 2º lote, e para não ficar de fora de uma das maiores feiras do segmento sementeiro nacional, acesse o link abaixo:
https://www.sympla.com.br/evento/febrasem-2026/3320456?algoliaID=447c62ad747ae13407bb86812130ab58
Confira quem são os demais palestrantes da 5ª Edição da FEBRASEM:
Mauricio Schineider – CEO da StarSe Agro e cofundador da Solubio, uma das gigantes biotechs do agronegócio brasileiro.
Maria de Fátima Zorato – Bióloga, com mestrado em Fitopatologia e doutorado em Ciência e Tecnologia de Sementes.
Geri Meneghello – Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Ciência e Tecnologia de Sementes (UFPeL).
França Neto – Ph.D. em Fisiologia e Patologia de Sementes junto à Universidade da Flórida.
Eduardo Lourenço – Doutor e Mestre Direito Constitucional com especialização em Direito Empresarial e Contratos e possui L.L.M. (Master of Laws) em Direito Tributário.
Anderson Galvão – Engenheiro Agrônomo e Fundador e Diretor Céleres.
Fernando Wagner – Gerente executivo de Negócios Institucionais na GDM Seeds.
Janaína Martuscello – Zootecnista e professora titular da Universidade Federal de São João Del Rei (MG).
Jonas Pinto – Doutor em Ciência e Tecnologia de Sementes pela UFPel e atua há mais de 20 anos no setor sementes.
Marcelo Batistela – Vice-presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da Basf do Brasil.
Mato Grosso
Governador Otaviano Pivetta mantém cronograma e reforça avanço das escolas cívico-militares em Mato Grosso

O governador Otaviano Pivetta anunciou, nesta quinta-feira (9.4), a manutenção do cronograma de transformação de escolas regulares no modelo de gestão cívico-militar em Mato Grosso. Nesta última etapa prevista para 2026, 16 unidades da Rede Estadual passarão por consultas públicas, em um processo que busca ampliar ainda mais a presença de um formato de gestão que vem ganhando adesão e apoio das comunidades escolares em diferentes regiões do Estado.
Segundo o governador, o avanço do modelo reflete não apenas uma decisão administrativa do Estado, mas também uma demanda que tem partido das próprias famílias, estudantes e profissionais da educação, que reconhecem nas escolas cívico-militares um ambiente mais organizado, seguro e favorável à aprendizagem.
“Esse é um modelo que vem dando resultados, fortalecendo o ambiente escolar e atendendo a uma reivindicação legítima da comunidade. Em muitos municípios, são os próprios pais e profissionais da educação que pedem a transformação, porque reconhecem os ganhos na organização, na disciplina e no processo de ensino e aprendizagem”, explica Otaviano Pivetta.
As votações serão realizadas sempre das 7h às 19h. Nos dias 13 e 14 de abril, participarão da consulta as escolas estaduais Nilza de Oliveira Pipino, em Sinop; Nova União, em Nova Canaã do Norte; João Ribeiro Vilela, em Primavera do Leste; Osmair Pinheiro da Silva, em Nova Maringá; Rui Barbosa, em Nova Mutum; Prefeito Artur Ramos, em Jaciara; Doutor Estevão Alves Correa, em Cuiabá; 13 de Maio, em Tangará da Serra; e Professor Muralha de Miranda, em Nova Marilândia.
Já nos dias 15 e 16 de abril, novas consultas serão realizadas nas escolas estaduais Cândido Portinari, em Tapurah; Francisco Saldanha Neto, em Tabaporã; João Paulo II, em Itaúba; Mário Schabatt Souza, em Lucas do Rio Verde; Paulo Freire, em Marcelândia; André Antônio Maggi, em Colíder; e Jayme Veríssimo de Campos Júnior, em Alta Floresta.
Otaviano Pivetta destacou que o processo será conduzido com transparência e participação direta da comunidade escolar, que poderá votar entre as opções “Aprovo” e “Não aprovo”. A expectativa do governo é consolidar mais uma etapa importante da política educacional adotada no Estado.
“Nosso compromisso é cumprir o cronograma com transparência, responsabilidade e respeito à vontade da comunidade escolar. A consulta pública garante esse direito de participação e fortalece uma política que já mostrou resultados concretos em Mato Grosso”, completa o governador.
De acordo com ele, a meta inicial era alcançar 205 escolas no modelo cívico-militar, número que já foi superado, com 208 unidades. Com a realização das novas consultas públicas, a Rede poderá chegar a 224 escolas com esse formato de gestão, ampliando uma experiência que vem se consolidando em diversas regiões do Estado.
O modelo cívico-militar não altera o currículo escolar nem interfere na proposta pedagógica das unidades. A condução pedagógica permanece sob responsabilidade de diretores, coordenadores e professores da Rede Estadual, seguindo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular.
Segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), as mudanças concentram-se nas áreas administrativa e disciplinar, com a atuação de militares da reserva no apoio à organização do ambiente escolar, no controle de acesso, na promoção de atividades cívicas e no fortalecimento de valores como disciplina, respeito e hierarquia.
Para o governador, a expansão do modelo representa a continuidade de uma política pública que combina participação da comunidade, reforço na gestão e foco em resultados. A avaliação do governo é que a experiência bem-sucedida das unidades já convertidas tem impulsionado novas adesões e consolidado o formato como referência na educação pública estadual.
“Quando a comunidade percebe que a escola melhora o ambiente, fortalece a convivência e cria melhores condições para ensinar e aprender, ela passa a defender esse modelo. É isso que estamos vendo em Mato Grosso, com uma política que nasceu para fortalecer a educação e que hoje encontra respaldo crescente da população”, concluiu Otaviano Pivetta.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Corpo de Bombeiros combate incêndio em carro de passeio em via pública

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combateu, na manhã desta quinta-feira (9.4), um incêndio em um carro de passeio no bairro Bela Vista, no município de Poxoréu (a 263 km de Cuiabá).
A 6ª Companhia Independente Bombeiro Militar (6ª CIBM) foi acionada via 193 por volta das 07h15. Ao chegar, a equipe se deparou com uma picape em chamas na via pública.
De imediato, os bombeiros iniciaram a ação de combate ao fogo, sendo necessário o uso de cerca de 500 litros de água para conter o incêndio.
Após a extinção das chamas, a equipe da 6ª CIBM realizou o rescaldo para eliminar possíveis focos remanescentes. Não houve registro de vítimas.
Fonte: Governo MT – MT
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