Mato Grosso
Parceria entre a Câmara de Cuiabá e Hospital Geral vai garantir leite materno aos bebês da UTI
A Sala da Mulher da Câmara Municipal de Cuiabá firmou uma parceria com o banco de arrecadação de leite materno do Hospital Geral de Cuiabá, para incentivar o aumento das doações e abastecer os estoques do banco de leite da unidade de saúde. A campanha que será realizada no mês de junho irá beneficiar as crianças que estão em tratamento na UTI neonatal – espaço reservado para tratamento de prematuros e de bebês que apresentam algum tipo de problema ao nascer.
Acompanhado da primeira-dama do Legislativo Amabilla Camargo e a coordenadora da Sala da Mulher Jéssica Fernandes, o coordenador do banco de leite do Hospital Geral, Marcos Vinicius, esteve nesta segunda-feira (30.05), conhecendo a recém inaugurada Sala de Amamentação e a Sala da Mulher do Legislativo. O profissional destacou que a Casa de Leis de Cuiabá pode se tornar o primeiro espaço público a ter um ponto de coleta de leite materno.
“Fico feliz em ver um espaço tão bonito como esse que beneficia as mamães que passam por aqui. Essa parceria vai garantir litros de leite que vão salvar vidas de bebês prematuros. No mês de junho vamos renovar nosso estoque com essa campanha e se tudo der certo vamos deixar uma enfermeira fixa aqui no Legislativo para que a Casa de Leis se torne um ponto de arrecadação de leite materno permanente” comemorou o coordenador.
“Os bebês amamentados com leite humano têm mais chances de uma rápida recuperação, o que também representa uma economia para o Sistema Único de Saúde (SUS), pois o leite materno possui elementos essenciais para a imunidade do recém nascido, que possibilita um menor uso dos antibióticos”, complementou
A primeira-dama do Legislativo Municipal e voluntária na Sala da Mulher Amabilla Camargo comemora a parceria e destaca o trabalho em favor das mulheres. “Nosso compromisso é com as mulheres. Fizemos essa parceria pensando nas mamães que estão com os bebês na UTI. Temos muitas mulheres que passam por aqui todos os dias, se cada uma fizer um pouco vamos conseguir ajudar umas as outras”, disse Amabilla.
O encontro para arrecadar leite materno deve ocorrer no mês de junho na Sala de Amamentação da Câmara de Cuiabá. O evento será aberto ao público.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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