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Pesquisadores da Ceplac buscam parcerias internacionais para proteger cacaueiros da monilíase

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Desenvolver cacaueiros mais resistentes às doenças e mais produtivos, sem deixar de lado a qualidade do fruto, é uma das missões cumpridas há mais de cinco décadas pela equipe do Centro de Pesquisa do Cacau (Cepec), um dos pilares da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Depois de se destacar na produção de variedades de clones tolerantes à vassoura-de bruxa, doença causada por um fungo que apodrece o fruto do cacau e que devastou a região cacaueira da Bahia no final da década de 80, o centro de pesquisa intensificou o trabalho de melhoramento genético preventivo para combater uma nova enfermidade: a monilíase.

Nos últimos 7 anos, devido ao crescimento da ameaça da entrada monilíase no Brasil, o Cepec tem concentrado os esforços na identificação de genes que sejam resistentes ao fungo Moniliophthora roreri, causador da doença.

A praga já ocorre em vários países da América Central e do Sul, incluindo os que fazem fronteira com a Região Norte do Brasil. O temor dos produtores brasileiros aumentou quando a doença foi identificada em 2012 na Bolívia, que faz fronteira com Acre, Mato Grosso e Rondônia, que atualmente é o terceiro maior produtor de cacau no Brasil.

A teoria mais recente é de que monilíase é originária da Colômbia e demorou cerca de 100 anos para dar o primeiro salto para outro país, o Equador. Mas esse tempo de deslocamento de um país para outro está reduzindo a cada ano. 

“Quando a monilíase chegou no México, em 2005, e na Bolívia, em 2012, acendeu o sinal de alerta no Brasil muito forte. Nós estamos extremamente preocupados”, diz Uilson Lopes, pesquisador em Genética Quantitativa e Melhoramento de Cacaueiro do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), na Superintendência da Ceplac em Ilhéus, na Bahia.

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Pesquisador Uilson Lopes fala sobre ameaça da monilíase para os cacaueiros

A monilíase ataca os frutos do cacaueiro em qualquer fase do desenvolvimento. A doença produz um pó branco com bilhões de esporos no entorno do fruto. Estes esporos podem ser levados de uma planta para outra por meio do vento, da chuva, insetos, animais silvestres e também pelo homem.

A preocupação aumentou depois que análises preliminares dos geneticistas constataram que os clones de cacaueiro mais plantados na Bahia são tolerantes à vassoura-de-bruxa, mas não estão entre os que têm genomas mais resistentes à monilíase.

“A monilíase causou problemas sérios nos países onde ela chegou. Eu visitei a região da Costa Rica que foi afetada por essa doença e lá a lavoura foi totalmente dizimada. A doença é tão grave, produz tantos esporos, que eles cortaram o cacau e hoje não tem nada”, completa o pesquisador.

Em outros países, como o Equador, a monilíase provocou perdas de até 90% dos frutos. No Peru, a doença afetou de 40% a 50% da produção; na Colômbia, o impacto foi um pouco menor, de 30% a 40%.

Intercâmbio científico

Como a doença não existe no Brasil, os pesquisadores brasileiros têm estreitado o contato com estudiosos de países vizinhos para garantir o andamento da pesquisa e fazer os experimentos locais.

A equipe da Ceplac trouxe clones tolerantes à monilíase que já apresentaram bons resultados em outros países e começou a introduzir as fontes de resistência à praga para formar populações-base de flores de cacau. Cerca de 200 clones resistentes à monilíase estão sendo testados em sete fazendas brasileiras (seis na Bahia e uma no Espírito Santo).

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Também há mudas plantadas na área de campo da Ceplac, em Ilhéus. Os pesquisadores ainda pretendem identificar se os melhores clones brasileiros, já resistentes à vassoura-de-bruxa, também são tolerantes à monilíase. 

“Nós fizemos um trabalho forte com outros países aqui para evitar que a doença chegue aqui. Nós temos dois estudantes do México fazendo doutorado aqui conosco justamente para gente aprender sobre a doença. Eles estão fazendo treinamento aqui e ao mesmo tempo estamos nos preparando”, diz Lopes.

A Ceplac enviou este ano outro estudante do Equador para o Peru para estudar como é a infecção e transmissão do fungo. E para selecionar os melhores clones também tem feito parceria com instituições da Costa Rica, da Austrália e da Europa, como o Cirad, organismo francês de pesquisa agronômica e cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável das regiões tropicais e mediterrâneas.

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“Nós tivemos que mandar material para a Austrália para sequenciar o genoma e saber quais dessas plantas têm o gene de resistência à monilíase, porque nós não temos a doença e não podemos introduzir a doença aqui”, explica o pesquisador.

Como o cacaueiro é uma planta perene, os experimentos com os novos clones devem apresentar resultados mais consolidados sobre o nível de produtividade nos próximos três ou quatro anos. O pesquisador ressalta que a Ceplac fará a recomendação aos agricultores para produção em larga escala somente depois de confirmada a viabilidade e segurança das novas variedades clonais para a região.

Histórico

O programa de melhoramento genético de cacau começou na Ceplac em 1964, com a introdução de plantas de cacaueiros de áreas silvestres da Amazônia ou que se destacavam em outros países, como Costa Rica, Equador e Trinidad e Tobago, pela boa performance em produção de frutos, pela alta resistência a doenças ou por apresentar outras características, como qualidade das amêndoas.

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 “O foco desse programa ao longo dos anos é basicamente gerar plantas ou variedades, que, às vezes, chamamos de clones, ou de híbridos, de alta produção e resistentes a doenças”, explica Lopes.

O geneticista relata que as primeiras variedades híbridas foram liberadas pela Ceplac para o agricultor em 1966. A partir do final da década de 80, quando as lavouras de cacau da Bahia começaram a ser devastadas pela vassoura-de-bruxa, o centro de pesquisa passou a desenvolver variedades de clones para combater a nova enfermidade. 

“A Ceplac conseguiu subir a produção de cacau na Bahia de 100 mil toneladas por ano para cerca de 400 mil toneladas por ano. Essa região produzia 90% do cacau do Brasil, mas a vassoura chegou aqui e nós caímos para o mesmo nível de 35 anos atrás”, relata.

De 1995 a 2018, a Ceplac recomendou para plantio cerca de 50 clones, que passaram por ensaios nos laboratórios e nas fazendas de produtores de cacau da região. Os clones mais novos são o “Cepec 2176” e o “Cepec 2204”, que apresentaram resultados satisfatórios com relação à produtividade de frutos e resistência à vassoura-de-bruxa. Além do controle genético, a Ceplac também desenvolveu o fungicida biológico chamado Tricovab.

O biodefensivo é produzido a partir de um fungo que apresentou 97% de eficácia no controle da vassoura-de-bruxa. Para controlar a monilíase, a Ceplac já está analisando, em parceria com outros países, métodos de controle biológico para o combate ao novo fungo.

Mais informações à Imprensa:
Coordenação-geral de Comunicação Social
Débora Brito
[email protected]

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“A Carne do Futuro” será tema de simpósio nas principais cidades de Mato Grosso

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Evento reunirá mais de 2 mil produtores, pesquisadores e especialistas em Cuiabá e Rondonópolis

Foto- Assessoria

Com o tema “A Carne do Futuro”, o 12º Simpósio Nutripura, um dos mais importantes encontros da pecuária brasileira, acontecerá entre os dias 19 e 21 de março de 2026, com um dia de campo no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Rondonópolis, e outros dois dias de palestras e painéis em Cuiabá, no Buffet Leila Malouf, espaço referência em eventos no estado.

O simpósio reunirá mais de 2 mil participantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores e empresas do agronegócio, em uma programação voltada à inovação, sustentabilidade e tendências nos principais mercados globais da carne brasileira.
Entre os nomes confirmados estão José Luiz Tejon, referência em marketing agro e comportamento do consumidor, Alexandre Mendonça de Barros, economista e especialista em cenários agropecuários, além de Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, professores da Esalq/USP reconhecidos por suas contribuições em nutrição, manejo e produção animal.

O Dia de Campo abrirá a programação com demonstrações práticas de tecnologias aplicadas à nutrição, manejo e bem-estar animal. Já os painéis técnicos e debates em Cuiabá contarão com especialistas para discutir os avanços da pecuária brasileira em inovação, sustentabilidade e rastreabilidade. O encerramento contará com o tradicional churrasco oferecido pela Nutripura, momento de networking e celebração da cultura da carne.
As inscrições já estão disponíveis no site www.nutripura.com.br/simposio.

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Exportação de carne suína de Mato Grosso bate recorde histórico em 2024

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China, Vietnã e Angola são principais destinos da proteína suína produzida em MT

Foto- Assessoria

O bom ano da suinocultura mato-grossense refletiu também nas exportações da proteína suína. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) Mato Grosso bateu recorde histórico de exportação de carne suína em 2024, atingindo 1,306 mil toneladas exportadas. O número é 9% maior que o exportado em 2023, antigo recorde com 1,199 mil toneladas.
No cenário nacional o resultado de 2024 também foi positivo, a exportação brasileira de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) atingiu 1,352 milhão de toneladas, estabelecendo novo recorde para o setor. O número supera em 10% o total exportado em 2023 (com 1,229 milhão de toneladas), segundo levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Para o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, a expectativa de 2025 é positiva para o setor, principalmente pelo histórico dos últimos quatro meses.
“A expectativa é que 2025 seja um bom ano, visto o recorde de exportações nos últimos meses de 2024. A Acrismat vai continuar realizando o trabalho de manutenção sanitárias que promovem a qualidade da nossa carne, para manter nossas exportações e abrir novos mercados para nossos produtos”, pontuou.
Os principais destinos da carne suína de Mato Grosso foram Hong Kong, Vietnã, Angola e Uruguai. Dos produtos exportados, 80% foram In Natura, 18% miúdos e apenas 2% industrializados.
Na última semana o governo do Peru, por meio do Serviço Nacional de Sanidade Agrária (Senasa), autorizou que nove novas plantas frigoríficas no Brasil exportem produtos para o país.
Desde janeiro de 2023, o país vizinho importa carne suína do estado do Acre. Agora, com as novas habilitações, unidades em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo também poderão vender.
“A abertura do mercado peruano é mais uma boa oportunidade para a suinocultura de Mato Grosso, e reflete que o ano de 2025 para a atividade será de grandes oportunidades”, afirmou Frederico.
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Dia do Agricultor (28/7): produção de grãos deverá atingir 330 milhões de toneladas na próxima década

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Ministério da Agricultura prevê crescimento de 27% no setor até 2031; soja, milho, algodão e trigo puxam a evolução do setor

Foto: Assessoria

Enquanto outros setores produtivos mostraram dificuldades para crescer durante a pandemia, o agronegócio brasileiro “puxou para cima” o PIB nacional em 2020 – e deve continuar o bom desempenho também na próxima década. Segundo o estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2020/21 a 2030/31, realizado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, a produção de grãos no Brasil deverá atingir mais de 330 milhões de toneladas nos próximos dez anos, uma evolução de 27%, a uma taxa anual de 2,4%. Soja, milho, algodão e trigo deverão se manter como os grandes protagonistas no campo.

O levantamento concluiu ainda que o consumo do mercado interno, o crescimento das exportações e os ganhos de produtividade, aliados às novas tecnologias, deverão ser os principais fatores de expansão do agronegócio brasileiro, que representou, no ano passado, mais de 26% de todo o produto interno bruto do país.

Na contramão

O setor de farinha de trigo, por exemplo, foi fortemente impactado pelo aumento no consumo de pães e massas no mercado interno durante a pandemia, e teve um crescimento de 9% no faturamento do ano passado, segundo estudo da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados).

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E a tendência seguiu assim no primeiro trimestre de 2021. A Herança Holandesa – linha de farinhas de trigo da Unium, marca institucional das indústrias das cooperativas paranaenses Frísia, Castrolanda e Capal – registrou no período, uma produção de 36,6 mil toneladas de farinha de trigo, e um faturamento que ultrapassou os R$ 67 milhões, números robustos para o setor no estado. “Os primeiros meses do ano foram muito positivos para o moinho da Unium. Nossa estimativa de produção para 2021 é de 140 mil toneladas, mesmo com um segundo semestre mais desafiador, com o preço do dólar influenciando no custo da matéria-prima”, explica o coordenador de negócios do moinho de trigo da Unium, Cleonir Ongaratto.

Dividida entre farinha e farelo de trigo, a produção da Unium não foi interrompida durante o período mais crítico do isolamento social, e a companhia conseguiu ainda investir R$ 756 mil em seus produtos em 2020. Ongaratto afirma que o principal objetivo foi garantir que todos os clientes fossem atendidos e que os supermercados estivessem abastecidos. “E a tendência é que continuemos dessa  forma. Temos um estudo para uma duplicação da moagem no moinho da Herança Holandesa, que deve ser aprovado pela diretoria da Unium ainda este ano, pois acreditamos que o setor continuará crescendo no futuro”, finaliza o coordenador.

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