Policial
Polícia Civil de MT prende maníaco que roubou idosos após tomarem medicamento para cura de doenças
Cabelos grisalhos, estatura mediana, branco, cicatriz na barriga, aparentando idade entre 50 e 60 anos, que se apresentava como tenente militar aposentado. Estas são características descritas por mais de 25 vítimas do maníaco Francisco Djalma Francioni, 67 anos, que abordava idosos, preferencialmente, na porta de hospitais e rodoviárias de cidades das regiões Centro Oeste, Sul e Sudeste do Brasil, oferecendo um medicamento para cura de doenças diversas (reumatismo, diabetes, próstata, câncer)
Após ingerirem a substância, as vítimas desmaiavam e tinham todos os pertences roubados (documentos pessoais, dinheiro, aparelho celular e cartões de bancos). Todas as vítimas ficaram internadas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) depois que tomaram o suposto remédio. Três delas faleceram, sendo duas em Cuiabá (MT) e uma na cidade de Anápolis (GO).
O criminoso que ao longo de mais de um ano era investigado pela Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, até então sem qualificação, foi preso no dia 19 de setembro, no Estado de Goiás, pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Cuiabá (Derf), e recambiado para Cuiabá no dia 22 de setembro.
“Ele ganhava a confiança das vítimas dizendo que era militar aposentado e que tinha um medicamento muito bom para a doença que a vítima tinha (antes ele questionava sobre problemas de saúde). Em seguida, colocava uma substância em um copo e entregava para a vítima beber, dizendo que ela já se sentiria melhor rapidamente. Após ingerir a substância, as vítimas desmaiavam. Ele subtraia todo o patrimônio delas, como celular, carteira, cartões de banco etc”, explicou o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Eduardo Rizzotto de Carvalho.
Conforme o delegado, as vítimas tiveram seus nomes usados para prática de estelionatos diversos, saques em contas bancárias e empréstimos. A substância ingerida pelas vítimas ainda não foi identificada pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
De acordo com Rizzotto, por estarem sem documentos, em alguns casos, as vítimas deram entrada em hospitais como se fossem “andarilhos” ou “moradores de rua”. A escolha também por vítimas idosas, no caso de falecimento, tinha a intenção de dar aparência de morte natural, como ocorreu em uma das vítimas de Cuiabá (Vanderlei Marcos Missau), que não chegou a ser encaminhada ao Instituto de Medicinal Legal (IML).Na certidão de óbito consta como “causa mortis” apenas falência múltipla dos órgãos/falência vascular cerebral.
A prisão do criminoso ocorreu na cidade de Alvorada do Norte (GO), quando o suspeito foi visitar sua namorada. Ele vai responder por roubos combinados com dois homicídios qualificados e três tentativas de homicídio pelos crimes cometidos em Cuiabá. O suspeito também praticou o mesmo crime em Rondonópolis.
Todos os crimes em Mato Grosso ocorreram no ano de 2017. Até o momento foram identificadas uma vítima em Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá) e cinco vítimas em Cuiabá, sendo que duas delas morreram (Odílio Rodrigues dos Santos, 63 anos, (fato:18/04/1017), e Vanderlei Marcos Missau, 69 anos, (fato 08/11/2017), além de uma vítima fatal em Anápolis (GO) e outras vítimas que sobreviveram em municípios do interior de São Paulo, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O ponto de partida da descoberta da identidade do suspeito, classificado até então por “Maníaco da Garrafada” (por oferecer composto de ervas com fins medicinais feito por índios), ocorreu depois da identificação do aparelho de celular de um idoso do município de Rondonópolis, que foi vítima em 26 de junho de 2017.
Em seguida uma denúncia no Centro de Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), via 197, sobre roubos mediante ingestão de uma droga pelas vítimas, cometidos por um homem com as mesmas características, reforçou o trabalho dos investigadores.
A partir daí, os policiais descobriram o paradeiro do criminoso identificando sua localização na cidade de Alvorada do Norte (GO), local onde recebeu voz de prisão de uma equipe da Derf Cuiabá, em cumprimento de mandado de prisão, requisitado no inquérito policial presidido pelo delegado Eduardo Rizzotto de Carvalho.
Ao ser preso, o suspeito se apresentou como José Augusto Fernandes. No entanto, os policiais apuraram que seu nome verdadeiro é Francisco Djalma Francioni, de 67 anos, natural do Distrito de Treze de Maio, município de Tubarão, em Santa Catarina.
Com vasta ficha criminal, possui 6 indiciamentos no Estado do Rio Grande do Sul, 14 no Paraná, 6 em Santa Catarina 1 em Goiás, além dos roubos, homicídios e tentativa de homicídios que passará a responder em Cuiabá e Rondonópolis, referente a seis vítimas.
Os indiciamentos referem-se a crimes de roubos desde o início da década de 70. Ao ser interrogado, contou que viveu vida inteira cometendo crimes, a maioria foi roubos contra bancos. Já ficou mais de 20 anos preso.
Também relatou aos policiais, que há algum tempo vinha cometendo os crimes por meio de violência imprópria, se valendo da questão da vítima ser idosa para ganhar sua confiança.
Integração
Contatos com policiais de unidades de outros estados corroboraram no rol de informações que justificavam a necessidade de cessar a ação criminosa do suspeito, que vinha agindo em diversas localidades do País. Em Mato Grosso, as investigações estavam mais avançadas, próximas a identificação do maníaco, que utilizava vários nomes falsos e não ficava mais que dois dias em uma única cidade.
O suspeito era procurado por Polícias Civis de outros estados e tinha mandado de prisão aberto no Paraná e em Goiás.
“Sempre viajando para dificultar que a polícia o capturasse. Ele escolhia suas vítimas, na maioria pessoas idosas e moradoras da zona rural, o que dificultava suas oitivas, sobretudo, por ficarem inconsciente e por muito tempo internadas em estado grave em UTIs”, observou o delegado, Eduardo Rizzotto.
Policial
Polícia Civil deflagra Operação Replay contra núcleo financeiro de facção criminosa que atuava em diversos Estados
Investigação alcança estrutura de comando, operadores externos e patrimônio estimado em mais de R$ 17 milhões, além de bloqueio financeiro de até R$ 15,324 milhões

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (29.7), a Operação Replay para cumprimento de 10 mandados de prisão preventiva, mandados de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais e de quebra de sigilo, contra 14 integrantes e colaboradores de uma estrutura criminosa investigada por organização criminosa e lavagem de capitais. Conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), operação foi desencadeada nas cidades de Cuiabá (MT), Várzea Grande (MT), Balneário Camburiú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ).
A ação é um desdobramento de uma investigação continuada que já havia resultado nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. A nova fase foi estruturada a partir da análise dados telemáticos. O material deu origem a relatórios técnicos que revelaram a continuidade da atuação da estrutura criminosa, com divisão de tarefas, núcleo financeiro próprio, operadores externos, utilização de contas de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível.
A decisão judicial autorizou prisões preventivas, buscas pessoais, domiciliares e veiculares, afastamento de sigilo de dispositivos eletrônicos, compartilhamento de provas, sequestro e indisponibilidade de imóveis e veículos e bloqueio de ativos financeiros vinculados aos investigados. As medidas têm como finalidade interromper a continuidade das atividades, preservar provas, impedir a dissipação patrimonial e atingir a base econômica que sustentava a atuação do grupo.
A dimensão da operação pode ser medida pelo patrimônio identificado. Os imóveis e veículos alcançados pelas medidas foram estimados em aproximadamente R$ 17.287.600,00. Entre os bens estão apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos. Separadamente, foi pleiteado bloqueio financeiro de até R$ 15.324.000,00, valor relacionado à contabilidade encontrada durante a investigação. Esses montantes não devem ser somados como se fossem recuperação efetiva, pois representam categorias distintas de constrição patrimonial.
Somente os imóveis foram estimados em cerca de R$ 16,68 milhões. A investigação relacionou um apartamento de luxo em Itapema, estimado em R$ 3 milhões; um apartamento de alto padrão em Balneário Camboriú, estimado em R$ 6 milhões; uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú, estimada em R$ 6 milhões; uma residência de alto padrão em Cuiabá, estimada em R$ 1,5 milhão; e três terrenos avaliados, em conjunto, em aproximadamente R$ 180 mil.
Os veículos submetidos às medidas foram estimados em aproximadamente R$ 607,6 mil, incluindo automóveis e motocicleta registrados em nome de investigados ou terceiros ligados ao núcleo. A estratégia de descapitalização busca impedir que bens adquiridos com recursos de origem ilícita sejam vendidos, transferidos, ocultados ou reutilizados para financiar a reorganização da estrutura.
Além das grades
Outro eixo central da investigação constatou que uma liderança, mesmo custodiada em setor de segurança máxima do sistema estadual, continuava exercendo funções de comando financeiro e disciplinar. As comunicações analisadas registraram cobranças de fechamentos, determinações de recolhimento, direcionamento de valores, correção de planilhas e orientação de operadores que atuavam em liberdade.
Em uma das planilhas encontradas, havia referência a R$ 14.093.000,00 como valor total congelado e a R$ 1.231.000,00 como total relacionado ao período analisado. O montante de R$ 15.324.000,00 serviu de parâmetro para o pedido de bloqueio financeiro. Os registros também continham referências a prestações de contas, movimentação de grandes quantidades de entorpecentes e distribuição de recursos entre diferentes núcleos.
A investigação identificou ainda que o mesmo chip atribuído à liderança foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. A alternância dos terminais indica método de adaptação destinado a contornar apreensões e controles penitenciários, permitindo a continuidade das comunicações clandestinas.
Nome da Operação
O nome Replay faz referência à repetição das condutas e à capacidade de reorganização identificada após as operações anteriores. A nova fase busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos, neutralizar o comando exercido de dentro do cárcere e retirar da estrutura os recursos financeiros e patrimoniais utilizados para manter suas atividades
Policial
Equipe do 4º BBM utilizou cerca de 2,5 mil litros de água para extinguir as chamas
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combateu, na madrugada desta quarta-feira (22.7), um incêndio em uma madeireira, em Sinop (a 480 km de Cuiabá)

A equipe do 4º Batalhão de Bombeiro Militar (4º BBM) foi acionada por volta das 2h para atender à ocorrência. No local, os bombeiros constataram que o incêndio atingia o corredor subterrâneo por onde passa a esteira responsável pelo transporte de pó de serra do interior da madeireira para a área externa. As chamas também alcançavam o acúmulo de pó de serra e algumas máquinas da serraria.
Para combater o incêndio, as equipes realizaram a abertura de acessos ao corredor subterrâneo, permitindo o combate direto às chamas e o resfriamento da estrutura afetada. A atuação dos bombeiros eliminou os focos de calor e impediu que o fogo se propagasse para outros setores da empresa.
Durante a operação, foram utilizados aproximadamente 2,5 mil litros de água no combate às chamas. Após a extinção do incêndio, os bombeiros realizaram o trabalho de rescaldo para eliminar possíveis focos remanescentes e evitar a reignição do fogo.
Não houve registro de vítimas.
Policial
Operação Adsumus tem Rondonópolis como foco e mira facção ligada a bingos ilegais
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta sexta-feira (10.7), a Operação Adsumus para cumprir 17 ordens judiciais no âmbito de uma investigação que apura a atuação de uma facção criminosa em Rondonópolis. O grupo utilizava jogos de azar e bingos para ocultar valores obtidos de forma ilícita.
Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão preventiva, além de medidas cautelares de suspensão de atividade comercial, bloqueio de contas bancárias e quebra de sigilo bancário contra alvos nos municípios de Rondonópolis, Cuiabá, Várzea Grande e Tangará da Serra.
As ordens judiciais foram decretadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Rondonópolis, com base nas investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis.
Os investigados respondem pelos crimes de integrar organização criminosa, lavagem de capitais, tráfico de drogas, associação para o tráfico, fraude processual, ingresso ou facilitação da entrada de aparelho telefônico em estabelecimento prisional, falsidade ideológica, extorsão e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Mandados judiciais
Entre as medidas cautelares determinadas pela Justiça está a suspensão das atividades de um estabelecimento comercial em Rondonópolis, onde eram realizados diversos eventos e shows.
O local funcionava como sede permanente para a realização de sorteios ilegais de bingo controlados pela facção criminosa investigada. As investigações também identificaram movimentações financeiras expressivas e incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos responsáveis pelo estabelecimento.
Diante dos elementos colhidos, que reforçam os indícios da prática de lavagem de capitais, foi determinada a suspensão das atividades econômicas e financeiras da empresa, a lacração do estabelecimento e a apreensão das máquinas de bingo, da máquina de urso e de outros equipamentos utilizados na exploração de jogos de azar.
Investigação
O inquérito instaurado pela Derf de Rondonópolis teve início após a apreensão de um aparelho celular utilizado por um dos autores de um roubo e incêndio, ocorrido em 18 de fevereiro de 2025, em uma padaria localizada no bairro São Sebastião, em Rondonópolis.
O crime foi praticado por dois homens armados, que anunciaram o roubo e, em seguida, incendiaram as dependências da padaria. No decorrer das investigações, os dois suspeitos foram identificados e tiveram as respectivas prisões preventivas decretadas pela Justiça.
Em maio de 2025, os dois foragidos foram abordados pela Polícia Rodoviária Federal portando documentos de identificação falsos. Ambos viajavam como passageiros de um ônibus interestadual que fazia o trajeto de Cuiabá (MT) para o Rio de Janeiro (RJ).
Na ocasião, a equipe da Polícia Rodoviária Federal apreendeu os aparelhos celulares que estavam com os suspeitos, e o material foi encaminhado à Derf de Rondonópolis para as providências cabíveis.
A partir da análise do conteúdo extraído dos celulares, os policiais identificaram a existência de uma célula de facção com atuação em diversos municípios de Mato Grosso.
Conforme apurado, trata-se de um grupo criminoso que atuava nos crimes de tráfico de drogas, extorsão, exploração de jogos de azar, fraude processual e falsidade ideológica.
Continuidade
As diligências prosseguem para a conclusão das investigações e finalização do inquérito policial, com o consequente indiciamento dos envolvidos.
Integração
Participaram da Operação Adsumus equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, com apoio da 1ª Delegacia de Polícia de Tangará da Serra, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
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