Mato Grosso
Polícia Civil prende mais um integrante de quadrilha especializada em furto de gado
O sexto integrante de uma quadrilha de furto de gado cometido no município de Barra do Garças (509 km a Leste de Cuiabá), foi preso na tarde de quarta-feira (20.11), no estado de Goiás, em continuidade da operação “Boi Bandido 2”, deflagrada no início desta semana.
Conforme mandado de prisão preventiva que estava em aberto, P.A.S. de 19 anos, é acusado de abigeato e associação criminosa. O foragido foi localizado na cidade de Abadia de Goiás (GO), após trabalho da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso com apoio da Polícia Civil goiana.
O suspeito foi identificado nas investigações da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Barra do Garças como um dos envolvidos no crime praticado em uma propriedade agrícola na zona rural do município, no dia 21 de outubro.
A ação para prisão do jovem foi deflagrada pelos policiais civis do Denarc de Goiás, após informações repassadas pela Derf.
Conforme o delegado que conduz as investigações, Nelder Pereira Martins, com a prisão de P.A.S. são seis os presos responsáveis pelo furto apurado.“O inquérito deverá ser concluído em dez dias, porém as diligências continuam para identificar e prender outros possíveis participantes do grupo criminoso”, destacou o delegado.
Investigações
As provas colhidas durante a investigação trouxeram evidências de que os suspeitos compunham uma quadrilha de furto de gado, com crimes reiterados e modus operandi similar na prática criminal. Dentre os suspeitos identificados, está um funcionário da propriedade. O delegado Nelder Martins representou pelos pedidos de prisões dos envolvidos, inclusive dos que foram detidos em flagrante na ocasião do furto.
Os mandados de buscas e apreensões foram cumpridos na segunda-feira (18.11) em uma fazenda onde foram localizadas as reses e em comércios suspeitos da venda de gado abatido clandestinamente. Foram apreendidos também veículos dos suspeitos do crime, sendo duas caminhonetes e dois veículos de passeio.
Nas residências dos suspeitos, os policiais apreenderam outros materiais como duas armas de fogo (um revólver e uma espingarda calibres 38); R$ 14 mil em espécie, não declarados e sem comprovação da origem; mais de R$ 20 mil em cheques e documentos diversos.
Em 21 de outubro, 41 cabeças de gado bovino foram furtadas da Agropecuária de Barra do Garças S.A. e recuperadas pela Polícia Civil com apoio da Polícia Militar, poucas horas após o crime. Na ocasião, os autores usaram um veículo tipo caminhão para o transporte dos animais.
O rebanho confinado foi localizado na Fazenda Jatobá.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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