Mato Grosso
Procon estadual leva palestras sobre direitos do consumidor à associação Legião da Boa Vontade

O Procon de Mato Grosso, vinculado à Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Setasc), realiza até sexta-feira (19.3) uma série de palestras sobre direitos do consumidor na associação filantrópica Legião da Boa Vontade (LBV), em Cuiabá. A ação irá beneficiar cerca de 150 idosos, adolescentes e crianças atendidas pela instituição e integra a programação desenvolvida pelo Procon Estadual em comemoração ao Dia Mundial do Consumidor, celebrado em 15 de março.
As palestras iniciaram na sexta-feira (13). Entre os temas abordados com as crianças e adolescentes estão consumo consciente, relação de consumo, garantia dos produtos, importância de ler as informações dos rótulos, observar as datas de validade e não consumir produtos vencidos, entre outros assuntos.
O servidor do Procon-MT que ministra as palestras na sexta-feira, Maurel Amorim, lembrou a importância de economizarmos energia elétrica e água e praticarmos o consumo consciente.
“Quando poupamos água e energia, além da economia no bolso, estamos cuidando do meio ambiente. Essa atitude deve fazer parte da nossa rotina, ser uma prática diária. Esses recursos estão ficando cada vez mais escassos no mundo. Por isso, temos de usar de forma consciente para que não acabe”, destacou Maurel.
Outro alerta do palestrante foi sobre o cuidado que se deve ter ao usar o celular e a internet e sobre a necessidade de os pais acompanharem as atividades dos filhos nas redes.
“Falem sempre para seus pais o que vocês estão fazendo na internet e não conversem com estranhos. Hoje, com a Inteligência Artificial, um adulto, um criminoso pode facilmente se passar por uma criança nas redes. Não passem informações como a sua idade, endereço, local onde estuda e ônibus que utiliza para ninguém. Fiquem sempre alertas. Mesmo vocês tendo conhecimento e ficando espertos, é muito fácil cair numa cilada”, disse Maurel Amorim.
Na palestra para os idosos, os focos foram os golpes e a importância de sempre ler com atenção os documentos, como contratos, notas fiscais, recebimento de produtos, antes de assinar.
“Atualmente, recebemos ofertas pelo celular o tempo todo. Não existe dinheiro fácil ou investimento milagroso. As ofertas só destacam as facilidades, mas se houver vantagem excessiva redobre a atenção. A chance de ser um golpe é grande”, explicou.
Para a educadora social da LBV, Caroline da Silva Sales, realizar palestras educativas e levar orientação para os atendidos pela instituição é essencial.
“Trabalho com as crianças e adolescentes e a gente percebe que hoje esse público usa muito o celular. Nas palestras, estão sendo repassadas informações que eles levam para casa e compartilham com amigos e familiares. A parceria entre Procon e LBV é de suma importância para fazer esses alertas como, por exemplo, os riscos ao usar celular”, salientou Caroline.
De acordo com a assistente social Elisene Santos, a LBV trabalha com a proteção social básica. No centro comunitário de assistência social da entidade são oferecidos dois programas: o Criança Futuro no Presente, que atende crianças e adolescentes de 6 a 15 anos, e o Vida Plena, para idosos a partir dos 60 anos.
“Esses momentos com o Procon são essenciais. As atividades desenvolvidas pela LBV são voltadas para o dia a dia, para as vivências. Por isso, trabalhar com os direitos do consumidor, os riscos e como se prevenir é importante, porque essas informações chegam até as famílias. A presença do Procon na LBV é relevante para todos os assistidos pela instituição”, pontuou Elisene.
Palestras
A programação de palestras continua na terça, quarta e quinta-feira (17, 18 e 19.3), para idosos atendidos no Vida Plena. A Legião da Boa Vontade está localizada no bairro Dom Aquino, em Cuiabá.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
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Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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