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Produtores rurais buscam bioinsumos para reduzir custo da produção e aumentar rentabilidade
É crescente no Brasil a adesão de produtores rurais a práticas de agricultura sustentável e econômica, que utilizam mais bioinsumos e organismos biológicos. Para melhorar a fertilidade das plantas e reduzir os custos de produção, milhares de agricultores do país passaram a usar os chamados remineralizadores de solo em diferentes tipos de plantios.
Especialistas apontam que este movimento tem possibilitado a busca por fontes naturais de nutrientes, como rochas e pedras, que contêm minerais com o potencial de recuperar solos em regiões mais áridas.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estima-se que a área plantada no Brasil com os agrominerais já ultrapasse dois milhões de hectares. Só em Goiás, estado pioneiro no uso dos novos insumos, há registro de pelo menos 250 mil hectares plantados com adubação mineral ou biológica.
O objetivo dos produtores, principalmente pequenos e médios, é reduzir a dependência de insumos químicos de preço elevado e garantir a rentabilidade da lavoura. No entanto, a principal queixa deles é a baixa oferta de insumos nacionais eficientes no mercado. Cerca de 95% do cloreto de potássio, por exemplo, um dos fertilizantes mais utilizados no Brasil, são importados.
“A gente quer praticar uma agricultura que seja feita com insumos regionais, para que o dinheiro fique na região. Então, trabalhamos com pó de rocha, fosfato natural, plantas de cobertura da nossa natureza, algumas exóticas, que coloquem fertilidade no solo, e com os bioinsumos, que são bactérias, fungos, microorganismos eficientes para recolonizar o solo”, explica Rogério Vian, produtor rural de Mineiros, município do sudoeste de Goiás.
Produtores rurais vêm buscando bioinsumos para reduzir custos e aumentar produtividade. Foto: Antônio Araújo/Mapa
Vian preside o Grupo de Agricultura Sustentável, conhecido como GAS, que foi criado com o objetivo de mudar os paradigmas de produção agrícola e defender a liberdade dos produtores na escolha dos insumos considerando o contexto regional das propriedades.
Em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), o grupo já mobiliza mais de 2.300 agricultores de todo o país que praticam diferentes métodos de adubação, manejos e buscam novos tipos de insumos de origem biológica.
Um dos remineralizadores ou agrominerais regionais que os produtores de Goiás têm priorizado é o pó de rocha, que pode ser aplicado diretamente no solo ou junto com fertilizantes solúveis convencionais.
“A gente recoloniza o solo e coloca biologia, que está sendo perdida com o alto uso de insumos. O pó de rocha reconstrói o solo, porque todo o solo foi formado por rocha, mas com o intemperismo de milhões de anos, o solo foi empobrecendo”, explica Vian.
Em Goiás, produtores usam pó de rocha para revitalizar o solo . Foto: Antônio Araújo/Mapa
Levantamento do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária em Goiás (Ifag) aponta que fertilizantes e defensivos compõem praticamente metade dos custos de produção da soja convencional, por exemplo. Nas últimas estimativas da instituição, a rentabilidade dos produtores de soja tem sido negativa, fato que tem gerado endividamento dos agricultores, segundo integrantes do setor.
“Os produtores não têm prazer em usar agrotóxicos. Então, a ideia do grupo de agricultura sustentável é levar uma ferramenta nova para o produtor para que ele possa produzir com um custo menor e no final produzir um alimento mais saudável”, destaca.
Sustentabilidade econômica e socioambiental
Um dos principais pesquisadores do tema, o agrogeólogo Eder Martins, que atua na Embrapa Cerrados, ressalta que o sistema alternativo de plantio traz efeitos diretos e indiretos para as plantações e representa uma solução viável para devolver a rentabilidade da agricultura.
“Todo esse movimento está ligado à sustentabilidade da atividade. A viabilidade da agricultura é uma questão crucial hoje. Na realidade, a agricultura sempre foi biológica, mas, ao longo do tempo foi sendo dada ênfase para os insumos químicos. Porém, existe exaustão tecnológica, e quando essa exaustão bate no bolso e não fecha as contas, significa que o modelo não está sendo viável”, ressalta.
Martins alerta que a agricultura baseada em insumos naturais pressupõe uso de fontes minerais de nutrientes, organismos biológicos para controle das pragas e plantas de cobertura para proteger e nutrir o solo, mas não substitui nem elimina os insumos convencionais, como fertilizantes ou defensivos químicos.
“Esse novo modelo é um tipo de agricultura biológica que não é incompatível com o modelo anterior, nem tem preconceito com os insumos tradicionais. Mas não é possível ter solução apenas por um aspecto, é preciso ter associação dos insumos. A gente ainda precisa dos agrotóxicos como uma das ferramentas. E a gente vai continuar utilizando fertilizantes, a diferença é que seremos mais econômicos”, explica Martins.
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O especialista destaca que nas áreas onde há verticalização do processo produtivo de aves, por exemplo, os resíduos das agroindústrias, que são muito ricos em nutrientes e microorganismos benéficos para o solo, podem ser melhor aproveitados para fazer compostagem com os minerais de rochas.
“É a busca de sustentabilidade econômica e, neste processo, você vai encontrar também a sustentabilidade ambiental e social, porque vai se estimular o desenvolvimento de novas cadeias produtivas regionais e possibilitar que os recursos circulem nas próprias regiões agrícolas”, afirma.
De acordo com o especialista, os fertilizantes convencionais solúveis, geralmente feitos à base de nitrogênio, fósforo e potássio, têm eficiência baixa se não forem bem aplicados, e a composição com os minerais têm a vantagem de melhor aproveitamento dos nutrientes.
“Quando o processo é bem feito, a gente consegue utilizar efetivamente apenas 50% desses elementos. Temos resultados recentes mostrando que é possível ter aumento de produtividade quando você combina a fertilização solúvel com esses novos agrominerais” .
Experiências em campo
Um dos pioneiros no uso de remineralizadores de solo em Goiás foi Giberto Yuki, que produz cereais na região de Cristalina, a cerca de 100 km de Brasília. Em uma área aproximada de 1.200 hectares, Yuki planta soja, feijão, milho e trigo, com adubação à base de pó de rocha.
Natural do interior do Paraná e de origem japonesa, Yuki chegou em Cristalina em 1988 atraído pela segunda etapa do Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), criado na década de 70 para impulsionar a agricultura na região central do país.
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O programa foi desenvolvido pelo governo federal em parceria com a Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA) e previa a oferta de assentamentos e maquinários a colonos selecionados por cooperativas credenciadas para estimular a produção agrícola sem desmatamento de grandes áreas e com baixo impacto ambiental.
Seguindo as premissas do programa, Yuki ainda produz em duas áreas de assentamento e em outras que adquiriu ao longo dos anos. Em 2015, o produtor começou a testar os insumos minerais e, desde 2016, utiliza pó de rocha e fosfato natural em toda a extensão plantada.
O produtor também faz rotação de culturas e, para proteger o solo entre as safras, formou áreas de plantio de braquiária com um mix de plantas de cobertura do solo, como milheto, nabo, trigo mourisco e capim sudão, tudo plantado com pó de rocha. Ele explica que a cobertura fornece biodiversidade, traz um quantidade grande de palha e forma raízes de mais de dois metros e meio que atraem substâncias orgânicas e boas espécies de microorganismos.
Os resultados foram percebidos já nos primeiros três anos. Segundo Yuki, só com a redução do uso de fertilizantes convencionais, os custos de produção caíram de 25% a 30%. “Tem estabilizado a produtividade média boa, na faixa entre 61, 65 sacos, com um custo menor. Atingimos uma produtividade média com uma lucratividade maior, com menor custo”, disse.
Desde 2015, o produtor Giberto Yuki utiliza insumos minerais nas lavouras. Foto: Antônio Araújo/Mapa
Yuki também percebeu que as plantas estão mais resistentes às pragas e doenças e, com isso, conseguiu reduzir pela metade o uso de defensivos químicos. Ele conta que, no caso do milho por exemplo, no qual eram feitas de três a quatro aplicações de fungicida por ano, na safra do ano passado foi necessária apenas uma aplicação e meia. E em um dos talhões que serão colhidos este ano o controle foi feito apenas com organismos biológicos.
“O pó de rocha proporciona uniformidade da área e melhor resistência a algumas doenças e pragas. Não quer dizer que não precisa usar inseticida, mas dá uma certa redução no ataque”, diz Yuki.
Para fazer o controle biológico das pragas e doenças, o produtor utiliza biodefensivos comerciais e instalou há três anos uma biofábrica onde produz bactérias e outros microorganismos. Recentemente, Yuki também começou a utilizar medicamentos homeopáticos. “A homeopatia é mais para melhorar a força vital da planta e corrigir algum desequilíbrio”, afirma.
Aumento da qualidade e produtividade
Os remineralizadores têm sido usados especialmente nos cultivos de grãos, mas há experiências positivas com resultados de melhoria na qualidade da produção e aumento da resistência a pragas em plantios de cana-de-açúcar, eucalipto, seringueira e frutas.
Na propriedade vizinha a de Yuki, o pó de rocha também tem sido utilizado no plantio de alho, cebola e cenoura. Os sócios Guilherme Shiniti Koyama e Henrique Massakatsu Sakamoto, da G9 Agronegócios, decidiram usar pó de rocha depois do incentivo de outros produtores e perceberam mudança na qualidade dos produtos e até na produtividade.
“De um modo geral, as vantagens são qualidade e sanidade. Vi qualidade na pele do alho e no enraizamento. Tendo raiz com sanidade a produção também aumenta. E a cenoura aumentou peso, em média um quilo a mais por caixa”, relata Guilherme Koyama.
Após iniciar uso de pó de rocha, Guilherme Koyama percebeu melhora na qualidade dos produtos, como no alho. Foto: Antônio Araújo/Mapa
Desafios
Apesar dos benefícios já percebidos, os produtores alertam para a falta de consultores e técnicos agrícolas especializados neste tipo de bioinsumo. Os agricultores também esperam o aumento da disponibilidade de produtos no mercado certificados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
“Temos que assumir que falta pesquisa e respostas para essa demanda, porque todas as instituições agora que estão começando a perceber a importância do tema. O agricultor está utilizando e não sabe se a dosagem é correta, se este é o melhor custo benefício, ou seja, a parte agronômica ainda não está bem estudada. E as pesquisas são de longo prazo, então, é preciso criar programas de pesquisas”, sugere Martins.
Esses são temas que o Ministério está trabalhando. De acordo com a Lei 12.890, de 2013, o remineralizador é um material de origem mineral que altera os índices de fertilidade e atividade biológica do solo por meio da adição de nutrientes. O registro e fiscalização deste tipo de insumo foram regulados há três anos pelo Ministério por meio de instruções normativas.
“A gente tem visto uma preocupação com relação ao uso de produtos para manejo de pragas, mas a gente conhece o milagre da soja brasileira que é realizada em grande parte pela questão de insumos biológicos, que é o caso da fixação biológica, o caso do rizóbio. É com esse cenário que o Ministério está trabalhando à luz da necessidade de olhar para o setor com as particularidades que ele tem”, destaca Mariane Vidal, coordenadora do programa Bioinsumos, no Mapa.
Fórum Brasileiro Agricultura Sustentável
Entre 5 e 7 de agosto, a cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, sediará o 3º Fórum Brasileiro de Agricultura Sustentável. Com o tema “A Evolução Verde”, o evento reunirá produtores rurais, empresários, consultores, pesquisadores e profissionais do agronegócio de todo o Brasil e do exterior.
A programação conta com um minicurso sobre manejos iniciais em agricultura sustentável e palestras com especialistas renomados sobre vários temas, como fertilidade com agrominerais regionais, microbiologia aplicada ao manejo do solo e controle de pragas e doenças, melhoramento genético voltado para sustentabilidade, homeopatia na agricultura, entre outros.
Mais informações à imprensa:
Coordenação-geral de Comunicação Social
Débora Brito
[email protected]
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“A Carne do Futuro” será tema de simpósio nas principais cidades de Mato Grosso
Evento reunirá mais de 2 mil produtores, pesquisadores e especialistas em Cuiabá e Rondonópolis

Foto- Assessoria
Com o tema “A Carne do Futuro”, o 12º Simpósio Nutripura, um dos mais importantes encontros da pecuária brasileira, acontecerá entre os dias 19 e 21 de março de 2026, com um dia de campo no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Rondonópolis, e outros dois dias de palestras e painéis em Cuiabá, no Buffet Leila Malouf, espaço referência em eventos no estado.
O simpósio reunirá mais de 2 mil participantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores e empresas do agronegócio, em uma programação voltada à inovação, sustentabilidade e tendências nos principais mercados globais da carne brasileira.
Entre os nomes confirmados estão José Luiz Tejon, referência em marketing agro e comportamento do consumidor, Alexandre Mendonça de Barros, economista e especialista em cenários agropecuários, além de Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, professores da Esalq/USP reconhecidos por suas contribuições em nutrição, manejo e produção animal.
O Dia de Campo abrirá a programação com demonstrações práticas de tecnologias aplicadas à nutrição, manejo e bem-estar animal. Já os painéis técnicos e debates em Cuiabá contarão com especialistas para discutir os avanços da pecuária brasileira em inovação, sustentabilidade e rastreabilidade. O encerramento contará com o tradicional churrasco oferecido pela Nutripura, momento de networking e celebração da cultura da carne.
As inscrições já estão disponíveis no site www.nutripura.com.br/simposio.
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Exportação de carne suína de Mato Grosso bate recorde histórico em 2024

Foto- Assessoria
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Dia do Agricultor (28/7): produção de grãos deverá atingir 330 milhões de toneladas na próxima década
Ministério da Agricultura prevê crescimento de 27% no setor até 2031; soja, milho, algodão e trigo puxam a evolução do setor

Foto: Assessoria
Enquanto outros setores produtivos mostraram dificuldades para crescer durante a pandemia, o agronegócio brasileiro “puxou para cima” o PIB nacional em 2020 – e deve continuar o bom desempenho também na próxima década. Segundo o estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2020/21 a 2030/31, realizado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, a produção de grãos no Brasil deverá atingir mais de 330 milhões de toneladas nos próximos dez anos, uma evolução de 27%, a uma taxa anual de 2,4%. Soja, milho, algodão e trigo deverão se manter como os grandes protagonistas no campo.
O levantamento concluiu ainda que o consumo do mercado interno, o crescimento das exportações e os ganhos de produtividade, aliados às novas tecnologias, deverão ser os principais fatores de expansão do agronegócio brasileiro, que representou, no ano passado, mais de 26% de todo o produto interno bruto do país.
Na contramão
O setor de farinha de trigo, por exemplo, foi fortemente impactado pelo aumento no consumo de pães e massas no mercado interno durante a pandemia, e teve um crescimento de 9% no faturamento do ano passado, segundo estudo da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados).
E a tendência seguiu assim no primeiro trimestre de 2021. A Herança Holandesa – linha de farinhas de trigo da Unium, marca institucional das indústrias das cooperativas paranaenses Frísia, Castrolanda e Capal – registrou no período, uma produção de 36,6 mil toneladas de farinha de trigo, e um faturamento que ultrapassou os R$ 67 milhões, números robustos para o setor no estado. “Os primeiros meses do ano foram muito positivos para o moinho da Unium. Nossa estimativa de produção para 2021 é de 140 mil toneladas, mesmo com um segundo semestre mais desafiador, com o preço do dólar influenciando no custo da matéria-prima”, explica o coordenador de negócios do moinho de trigo da Unium, Cleonir Ongaratto.
Dividida entre farinha e farelo de trigo, a produção da Unium não foi interrompida durante o período mais crítico do isolamento social, e a companhia conseguiu ainda investir R$ 756 mil em seus produtos em 2020. Ongaratto afirma que o principal objetivo foi garantir que todos os clientes fossem atendidos e que os supermercados estivessem abastecidos. “E a tendência é que continuemos dessa forma. Temos um estudo para uma duplicação da moagem no moinho da Herança Holandesa, que deve ser aprovado pela diretoria da Unium ainda este ano, pois acreditamos que o setor continuará crescendo no futuro”, finaliza o coordenador.
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