Mato Grosso
Professor Manoel Fonseca: treinador de gerações do basquete mato-grossense
Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, 12 de outubro também é a data em que se comemora no Brasil o ‘Dia do Basquete’. Uma das modalidades esportivas olímpicas, o basquete chegou ao país em 1896, apenas quatro anos após ter sido inventado nos Estados Unidos.
A modalidade já revelou talentos em Mato Grosso, mas, acima de tudo, motivou a prática esportiva e proporcionou momentos inesquecíveis à muita gente. Seja nas partidas recreativas em quadras de faculdades, escolas e nos bairros, ou em competições, o basquete faz parte da trajetória dos apaixonados pelo esporte.
Uma das pessoas mais conhecidas por aqueles que viveram ou vivem o basquete mato-grossense é o professor Manoel Fonseca. Para celebrar o Dia Nacional do Basquete é que contamos um pouco da história desse treinador de várias gerações de esportistas no Estado.
Professor Manoel Fonseca
“Não, não, não. Vamos fazer tudo de novo, tudo de novo”. Quem treinou com Manoel Fonseca, ou Mané para muitos, não se esquece da expressão que marcou o técnico em suas aulas de basquete.
Professor dedicado e comprometido, Manoel orientou e ajudou a desenvolver habilidades técnicas de jovens atletas em escolinhas de iniciação ao basquete da Prefeitura de Cuiabá, na Escola Técnica Federal de Mato Grosso (atual IFMT) e na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), dentre outras tradicionais escolas e faculdades da capital.
“Aos doze anos passei a acompanhar meu irmão mais velho no basquetebol, e sem saber ou perceber, estava começando aquela que seria a minha caminhada nesta que é a mais valiosa e compensadora de todas as práticas e profissões – o ensinar”, relata.
Admirador da pedagogia de Rubens Alves, ele acredita que a aprendizagem se dá pela beleza do que se vê nas práticas cotidianas – dedicação e prática, numa educação ligada com a vida. “Treinamentos e competições, vitórias e derrotas, lances e situações de jogo que nos jogavam para o alto e que ficarão registrados em nossas memórias para sempre”.
Manoel praticou basquete regularmente e competiu dos doze aos dezenove anos. Fez parte das seleções cuiabana escolar e universitária, tendo como treinadores e instrutores técnicos dois outros conhecidos nomes do basquete mato-grossense: Luis Antônio Gomes (Tonteta) e Sabino Albertão. “Hoje, grandes amigos meus”, reitera.
Ainda atleta, foi convidado a fazer parte do projeto municipal de escolinhas de basquete. Sua primeira atuação foi no Centro Esportivo do Araés. Depois de passar por outros locais, desenvolveu seu trabalho no Centro Esportivo Dom Aquino, onde teve a oportunidade de atuar com três diferentes gerações, fazendo despontar muitas revelações do basquete.
Também ajudou a criar a primeira Associação Atlética Escolar de Mato Grosso em uma das escolas pela qual já passou, o Colégio Notre Dame de Lourdes, conquistando muitos títulos municipais e estaduais e alguns títulos nacionais.
Graduado pela UFMT em Educação Física e especialista em Educação Física Escolar, o treinador também buscou conhecimentos nos grandes centros do basquetebol, São Paulo e Paraná, onde chegou a estagiar nos clubes Corinthians, Monte Líbano e São Bernardo. Em dezembro de 1991, realizou a Clínica da NBA World nas comemorações dos 100 anos de basquetebol no mundo.
O conhecimento adquirido se juntou ao amor pelo basquete e pela educação, e hoje, aos 58 anos de idade, com 46 anos de quadra, Manoel tem orgulho em dizer que é professor e treinador. O basquete e o ensino suscitaram aprendizados que carrega em outras esferas de sua vida, como na de gestor e técnico do setor público, atividade que também desempenha há mais de 30 anos. Atualmente, Manoel é servidor da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).
“É muito mais que basquetebol. É uma grande mistura de um encontro consigo mesmo em seus limites e superações com os limites dos outros, da individualidade fundamentada na coletividade”.
Manoel orienta seus alunos do projeto Mãos Amigas – Foto por: João Felipe
Para ele, ensinar é aprender a todo instante. E se emociona ao contar uma passagem de sua trajetória como educador e treinador. Na ocasião, uma senhora veio lhe pedir para que seu filho pudesse praticar basquete nas aulas oferecidas na UFMT. Na semana seguinte, quando a mãe foi levar o filho ao ginásio, é que ele soube que o menino tinha deficiência intelectual.
“Não neguei isso, mas pedi mais uma semana para preparar os outros alunos. Conversei bastante com eles e acolhemos o filho dela com muito carinho. O garoto ficou conosco quase três anos, não faltava treinamento, os pais ficaram encantados e revelaram que antes dos treinos ele havia perdido a vontade de viver. Aprendemos muito com esse menino. Mais do que descobrir talentos, a oportunidade de fazer as pessoas se sentirem bem é o mais gratificante”.
Situações parecidas apareceram novamente em sua vida, mostrando outras recompensas de ser treinador. Seu projeto mais recente é o “Mãos Amigas”, ação que desenvolve gratuitamente visando descobrir novos talentos para o basquete e para a vida. A iniciativa esportiva é mantida com colaboração de ex-jogadores de basquete e por uma faculdade particular e oferece treinamento a meninos entre os 14 e 17 anos de idade na escola estadual José de Mesquita, em Cuiabá.
“Experiências assim que fazem a gente gostar ainda mais de ser treinador. A gente consegue desenvolver talentos e também a ajudar pessoas a se encantarem pela vida. Ao relembrar de tanta gente que orientei no basquete, que se tornaram grandes homens e grandes mulheres, não só como atletas mas como pessoas, vejo que tudo valeu a pena”, finaliza.
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Mato Grosso
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A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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