Mato Grosso
Reeducandos celebram união civil e religiosa durante casamento coletivo
O Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC) foi o cenário para a concretização de um sonho de 24 reeducandos. Eles e as suas respectivas companheiras celebraram nesta quarta-feira (12.12) a união civil e religiosa durante um casamento coletivo na unidade prisional.
Os noivos são reclusos do CRC e uma das noivas é custodiada da Penitenciária Ana Maria do Couto May, da capital. Os casais tiveram o compromisso selado por um pastor e um representante do serviço notarial.
A cerimônia foi organizada pela direção do Centro de Custódia, associação dos servidores do CRC, penitenciária feminina e igrejas. Apoiaram o evento: grupo musical Louvor e Aliança; grupo de apoio aos familiares dos detentos (Gafar) que auxiliou as noivas com roupas e maquiagem; empresa Flores e Folhas Floricultura, que fez a doação dos doces, bolos, arranjos e decoração e a Defensoria Pública do Estado, que conseguiu junto ao cartório a gratuidade da taxa da união civil.

O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Fausto Freitas, e os diretores do CRC e penitenciária feminina, Winkler de Freitas Teles e Maria Giselma Ferreira, respectivamente, receberam os noivos e seus familiares durante a cerimônia.
“Esse momento é importante para os recuperandos e seus familiares. A partir de agora eles teram um vida compartilhada e isso pode contribuir para o processo de ressocialização”, acredita Fausto. Este é o segundo casamento coletivo de grande porte ocorrido neste ano. O primeiro foi em agosto na PCE onde 27 casais oficializaram a união.
Segundo o diretor do CRC, Winkler, a ideia da celebração surgiu dos próprios internos que já possuíam união estável e desejavam oficializar a relação. “Nós abraçamos essa ideia e com a equipe de assistência social da unidade e psicóloga fomos atrás das documentações necessárias e dos documentos daqueles presos que não possuíam”, conta.
Participaram do casamento a promotora de Justiça, Josane de Fátima Guariente; juiz da 2° Vara Criminal da Capital, Geraldo Fidelis; secretário adjunto de Administração Penitenciária, Emanoel Alves Flores; superintendente João Fernando Feitoza; diretora adjunta da penitenciária feminina, Devanete Silva; presidente do Conselho Estadual de Atenção a Diversidade Sexual, Valdomiro Arruda e representantes do Gafar.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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