Mato Grosso
Reestruturação da área de fiscalização é uma conquista a ser comemorada, diz presidente do TCE-MT
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| Conselheiro presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Gonçalo Domingos de Campos Neto |
Uma conquista que precisa ser comemorada, especialmente pelos resultados e avanços visíveis e significativos. É dessa forma que o conselheiro presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Gonçalo Domingos de Campos Neto, está tratando o primeiro ano da reestruturação das unidades de fiscalização do TCE-MT, iniciada no mês de agosto de 2018. Com a reestruturação, foram criadas nove secretarias especializadas de controle externo, dentro das quais funcionam 24 supervisões temáticas. A especialização provocou uma ampla relocação de cerca de 240 auditores e técnicos, que antes atuavam nas extintas seis Secex vinculadas aos Gabinetes de Conselheiros. Essa etapa consolidou a forma de atuação do órgão, com a priorização do controle segundo critérios de materialidade, relevância e risco, bem como a concomitância na fiscalização dos atos de gestão.
A área técnica é responsável pela atividade de fiscalização e pela primeira etapa da instrução processual no âmbito dos Tribunais de Contas, ou seja, produção dos relatórios técnicos. Eles são a base de todos os processos de contas de gestão e de governo das unidades gestoras fiscalizadas, dos processos de atos de gestão em geral escolhidos para serem auditados e dos demais feitos que tramitam no TCE-MT. Para este exercício, o Plano Anual de Fiscalização (PAF) prevê cerca de 9 mil atos de fiscalização, além daqueles que surgem como consequência de representações de natureza externa e interna e denúncias recebidas pela Ouvidoria de Contas.
A reestruturação provocou, como primeira consequência prática e positiva, uma melhor seleção, planejamento e execução na atividade de fiscalização, disse o presidente Domingos Neto. Ele lembrou que as atividades de fiscalização passaram a ser distribuídas entre grupos de auditores e técnicos lotados nas Secretarias de Controle Externo de Administração Estadual, Administração Municipal, de Atos de Pessoal, de Contratações Públicas, de Saúde e Meio Ambiente, de Educação e Segurança, de Obras e Infraestrutura, de Previdência e a de Receita e Governo.
“Com a especialização, passamos a atuar em temas sensíveis e até então pouco explorados pelo TCE e a desenvolver cada vez mais trabalhos transformadores da realidade social, como auditorias em questões ambientais ou mais afetas diretamente à população, como a gestão e funcionamento de unidades de saúde. A atuação simultânea também está mais forte e estratégica, o que pode ser comprovado pelo número crescente de medidas cautelares expedidas neste período de um ano, pela emissão de inúmeros termos de alertas, e pelas notas de fiscalização e notificações”, ponderou o presidente. “Já temos, portanto, motivos para comemorar. Essa é uma conquista de todos do TCE, que se dedicaram e acreditaram que nossa instituição pode fazer mais e melhor”.
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| Secretário-geral de Controle Externo, auditor Volmar Bucco Junior |
O secretário-geral de Controle Externo, auditor Volmar Bucco Junior, que lidera a área técnica e coordenou a organização das novas secretarias de controle externo, afirma que a reestruturação inaugurou “um novo ciclo na história do TCE”. O auditor elenca os motivos: foi otimizada e dimensionada a força de trabalho; passou a se selecionar melhor os objetos de fiscalização; foi priorizada a atuação mediante o Plano Anual de Fiscalização; foi fortalecida a autonomia técnica das Secexs; houve investimento significativo em capacitação das equipes técnicas. O resultado, segundo Volmar, impactou em fiscalizações e julgamentos sobre temas mais relevantes e com maior qualidade.
O presidente Domingos Neto e o secretário Volmar Bucco entendem que, embora o TCE-MT deva comemorar o primeiro ano da etapa de reestruturação das unidades técnicas de fiscalização e mudança significativa na forma de atuação, o órgão de controle externo passa a ter outro desafio, ou seja, avaliar e refletir sobre o que pode ser aprimorado e melhorado, tanto para o futuro da instituição quanto para a realização de uma prestação de serviços que resulte em benefícios para o cidadão. “Esse é um processo de evolução contínua, para o qual contamos com o apoio dos membros e servidores do Tribunal”, disse o conselheiro presidente.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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