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Mato Grosso

Saldo final de impugnações pelo MP Eleitoral em Mato Grosso é de 68 ações

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Sessenta e oito candidaturas aos cargos de deputados federal e estadual, e suplente de Senador, foram impugnadas pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da Procuradoria da República Eleitoral em Mato Grosso. O número é recorde se comparado com os dois pleitos anteriores. Em 2014 foram 41 impugnações e em 2010, o número de ações de contestações chegou a 32.

As últimas contestações protocoladas junto a Justiça Eleitoral totalizaram 18 ações, sendo uma de suplente a Senado, quatro a deputado federal e 13 para deputado estadual. Destes, sete foram impugnados por ausência de escolha em convenção, sete por ausência de desincompatibilização, e quatro por ausência de quitação eleitoral, ou seja, não pagou a multa por propaganda eleitoral irregular em pleito anterior, como é o caso do vereador por Cuiabá, Mário Antônio Moyses Nadaf.

Confira o nome dos últimos impugnados. Clique nos nomes para ter acesso a íntegra da ação de impugnação.

1º Suplente de Senador: George André Silva Ribeiro;

Deputado Federal: Andrea Bezerra VieiraLedevino da ConceiçãoLeonice de Souza Lotufo e Marildes Ferreira.

Deputado Estadual: Ana Virginea Aschar de OliveiraBenedita Adrelina de ArrudaEurípedes Paulo da SilvaFrancivaldo Afonso VieiraJosé Roberto BolonheisJunior Cesar Leite da SilvaLayr Mota da SilvaLeandro Fábio Momente, Maraí Gonçalves de CarvalhoMario Antônio Moyses NadafNadia Rafaela da Silva e Ricardo Bertolini.

PROCESSO DE IMPUGNAÇÃO – Desde o dia 16 de agosto, após o esgotamento do prazo para que os pré-candidatos, partidos e coligações registrassem as candidaturas, o MP Eleitoral vem trabalhando na análise documental dos candidatos, assim como nos documentos fornecidos tanto pelo Tribunal de Contas da União (TCU) quanto pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), e também Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

As impugnações protocoladas até o dia 22 de agosto dizem respeito aos editais de pedidos coletivos de registro dos partidos políticos. Caso houver pedidos individuais de registro de candidaturas, um novo edital será publicado e um novo prazo de impugnação (5 dias), destes registros, terá início, conforme previsto no Art. 33, parágrafo 2º, inciso II, da Resolução nº 26.405, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A partir de agora, os relatores do Tribunal Regional Eleitoral em Mato Grosso (TRE/MT) de cada candidatura irão analisar as impugnações protocoladas, e posteriormente será aberto prazo para que os candidatos possam apresentar a defesa, apresentando documentação, e então será encaminhado ao pleno para decisão.

Mesmo estando com o registro sub judice, o candidato poderá realizar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio, na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição.

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Confira a lista completa das impugnações protocoladas pelo MP Eleitoral em Mato Grosso.

NOME DO CANDIDATO CARGO COLIGAÇÃO MOTIVAÇÃO
Adriano Aparecido da Silva Dep. Federal Pra Mudar Mato Grosso II –PDT, MDB, DEM, PMB e PSD
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
André Elias Cruz Antunes
Dep. Federal
Partido Causa Operária – PCO
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Donizete Cordeiro dos Santos Dep. Estadual Partido Social Liberal – PSL
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Elza Luiz de Queiroz Dep. Estadual A Força da União III – PTB e PV
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
José Bispo Barbosa
Dep. Federal
Força da União IV –PRB, PP, PT, PTB, PODE, PR, PMN e PROS
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Lyssa Gonçalves Costa Dep. Estadual Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Romes Ferreira de Amurim Dep. Estadual Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Valmir Luiz Moretto Dep. Estadual A Força da União I –PRB, PT, PR e PC do B
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
José Roberto Bolonheis Dep. Estadual Coligação Fé e Trabalho –DC, PRTB, AVANTE e Solidariedade, PRP e PATRI
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Leandro Fábio Momente Dep. Estadual Redefinindo Mato Grosso –REDE e PPL
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Ledevino da Conceição Dep. Estadual Fé e Trabalho II –PSL, PRP, PATRI e AVANTE
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Waldir Aparecido Taques Dep. Estadual Partido Social Liberal – PSL
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Ricardo Bertolini Dep. Estadual A Força da União III – PTB e PV
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Leonice de Souza Lotufo Dep. Estadual Pra Mudar Mato Grosso IV –DEM, PDT, PSD, PSC, MDB, PHS, PTC e PMB
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Marildes Ferreira
Dep. Federal
Segue em Frente Mato Grosso II –PPS, PSB, PSDB e Solidariedade
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
George André Silva Ribeiro 1º Suplente Senador Redefinindo Mato Grosso
AUSÊNCIA DE DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Maraí Gonçalves de Carvalho Dep. Estadual Fé e Trabalho –DC, PRTB, PRP, PATRI, AVANTE, SOLIDARIEDADE
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Euripedes Paulo da Silva Dep. Estadual Fé e Trabalho –DC, PRTB, PRP, PATRI, AVANTE, SOLIDARIEDADE
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Ana Virginea Aschar de Oliveira Dep. Estadual Pra Mudar Mato Grosso IV –DEM, PDT, PSD, PSC, MDB, PHS, PTC e PMB
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Nadia Rafaela da Silva Dep. Estadual Fé e Trabalho –DC, PRTB, PRP, PATRI, AVANTE, SOLIDARIEDADE
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
José Adeildo Alves do Nascimento
Dep. Federal
Fé e Trabalho II –PSL, PRP, PATRI e AVANTE
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
José Eugênio de Paiva Dep. Estadual Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Juliana Maria Silva Fortes Dep. Estadual Segue Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Patrícia Santana Bueno Dep. Estadual Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Paura Hartmann Atua
Dep. Federal
Segue em Frente Mato Grosso II –PPS, PSB, PSDB e Solidariedade
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Rozinete Maria Constantino de Jesus Dep. Estadual Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Eriana Valda da Silva Dep. Estadual PSDB
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Benedita Adrelina de Arruda Dep. Estadual PSDB
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Andrea Bezerra Vieira
Dep. Federal
Redefinindo Mato Grosso –REDE e PPL
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Sirley Aparecida da Silva Dep. Estadual Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Paula Hartmann Atua
Dep. Federal
Segue em Frente Mato Grosso II –PPS, PSB, PSDB e Solidariedade
AUSÊNCIA DE ESCOLHA EM CONVENÇÃO
Adrienne Marques Fontes
Dep. Federal
Segue em Frente Mato Grosso II –PPS, PSB, PSDB e Solidariedade
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Andressa Saldanha Marinho
Dep. Federal
Fé e Trabalho III
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Claudenir Coelho Marçal Dep. Estadual Força da União II –PP, PODE, PMN e PROS
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Cleyton Duarte da Silva Dep. Estadual Partido Trabalhista Cristão – PTC
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Eliane Borges Pereira dos Santos
Dep. Federal
Pra Mudar Mato Grosso III –PSC, PHS e PTC
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Hector Péricles de Castro Dep. Estadual Força da União II –PP, PODE, PMN e PROS
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Janaina das Dores Vieira Nascimento Dep. Estadual Força da União II –PP, PODE, PMN e PROS
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
José do Carmo de Moraes Arruda Dep. Estadual Partido da Mobilização Nacional
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Laila Graziela Oliveira Dutra Dep. Estadual Redefinindo Mato Grosso –Rede Sustentabilidade e PPL
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Maria Aparecida da Silva Santana Dep. Estadual Partido Trabalhista Cristão – PTC
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Mylene de Nazaré Furtado Lustosa da Silva
Dep. Federal
Pra Mudar Mato Grosso II –PDT, MDB, DEM, PMB e PSD
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Sebastião Francisco de Moraes Dep. Estadual Força da União II –PP, PODE, PMN e PROS
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Simone Aparecida de Souza Silva Dep. Federal Pra Mudar Mato Grosso III –PSC, PHS e PTC
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Vanderlei Luis Marques Dep. Estadual Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Viviani Sousa Barros Dep. Estadual Partido da Causa Operária –PCO
AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA
Mario Antônio Moyses Nadaf Dep. Estadual A Força da União III –PTB e PV
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Alan Rener Tavares Dep. Estadual Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Ana Rita Maciel Ribeiro
Dep. Federal
Pra Mudar Mato Grosso II –PDT, MDB, DEM, PMB e PSD
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Carlos Gomes Bezerra
Dep. Federal
Pra Mudar Mato Grosso II –PDT, MDB, DEM, PMB e PSD
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Carlos Naves de Resente
Dep. Federal
Mato Grosso ético e Sustentável –PV e PC do B
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Eder Rodrigues Ribeiro Dep. Estadual Força da União I –PT, PRB, PR e PC do B
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Gina Carlota Rocha Defanti
Dep. Federal
Fé e Trabalho II –PSL, PRP, PATRI e AVANTE
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Henrique Lopes do Nascimento Dep. Estadual Força da União I –PT, PRB, PR e PC do B
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
José Olímpio de Melo Dep. Estadual Força da União II –PP, PODE, PMN e PROS
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Max Joel Russi Dep. Estadual Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Samir Bosso Katumata
Dep. Federal
Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Sérgio Roberto da Luz Dep. Estadual Partido Social Liberal – PSL
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Layr Mota da Silva Dep. Estadual Pra Mudar Mato Grosso IV –DEM, PDT, PSD, PSC, MDB, PHS, PTC e PMB
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Junior Cesar Leite da Silva Dep. Estadual Redefinindo Mato Grosso –REDE e PPL
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Ueiner Neves de Freitas Dep. Estadual Fé e Trabalho –DC, PRTB, PRP, PATRI, AVANTE, SOLIDARIEDADE
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Francivaldo Afonso Vieira Dep. Estadual A Força da União III –PTB e PV
AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO ELEITORAL
Gilmar Donizete Fabris Dep. Estadual Pra Mudar Mato Grosso IV –DEM, PDT, PSD, PSC, MDB, PHS, PTC e PMB
CONDENAÇÃO CRIMINAL
Gherdeone do Carmo Neto Dep. Estadual Redefinindo Mato Grosso –REDE e PPL/PP
FILIAÇÃO PARTIDÁRIA A OUTRO PARTIDO
José Norberto de Sá Teixeira Dep. Estadual Força da União II – Partido PROS
REJEIÇÃO DE CONTAS PELO TCE
Miguel Moreira da Silva Dep. Estadual Segue em Frente Mato Grosso III –PSB e PPS
REJEIÇÃO DE CONTAS PELO TCE
Romoaldo Aloísio Boraczynski Junior Dep. Estadual Pra Mudar Mato Grosso IV –DEM, PDT, PSD, PSC, MDB, PHS, PTC e PMB
REJEIÇÃO DE CONTAS PELO TCU
Valdir Mendes Barranco Dep. Estadual A Força da União I –PRB, PT, PR e PC do B
REJEIÇÃO DE CONTAS PELO TCU

 

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Fonte: MPF-MT

Mato Grosso

Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

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A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

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Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

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Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

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Mato Grosso

Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano

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Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.

A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.

“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.

Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.

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Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.

Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.

Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.

Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.

“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.

Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.

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“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.

A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.

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Mato Grosso

Empresa do agronegócio genuinamente do agronegócio brasileira nacional lança de três novos produtos

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O evento reuniu representantes de 39 cooperativas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo

O 4º. Encontro de Cooperativas Nortox realizado recentemente em Foz do Iguaçu (PR), foi marcado pelo lançamento de três produtos: duas misturas exclusivas (os inseticidas Typhoon e Tempus) e um herbicida exclusivo, o Raker Top. “A Nortox, que já vem marcando história em lançamentos de misturas exclusivas, agora marca uma nova era de misturas de genéricos com moléculas sob patente. Isso demonstra mais uma vez que a empresa tem sua estratégia bem definida. O lançamento desses produtos foi o ponto alto do 4º. Encontro de Cooperativas”, afirma o diretor comercial da Nortox, João Marcos Ferrari.

Os inseticidas Tempus e Typhoon chamaram muita atenção dos participantes. O Tempus, com ação prolongada e alta eficiência contra lagartas, oferece proteção duradoura em diferentes culturas, combinando o efeito choque do clorpirifós à persistência do clorantraniliprole. O Typhoon, com uma ação forte contra a cigarrinha-do-milho e a lagarta-do-cartucho, é uma mistura exclusiva da Nortox, com amplo espectro de proteção contra as pragas do milho e efeito de choque imediato. Os princípios ativos são Clorantraniliprole e Metomil – OD.

Já o Raker Top, grande destaque, é um herbicida seletivo e sistêmico de pós-emergência, formulado com os princípios ativos Nicossulfuron e Tolpiralate. Ele é indicado especificamente para o controle de plantas daninhas na cultura do milho. Além disso, conta com a segurança de dois safeners para um manejo de pós-emergência sem causar fitotoxicidade.

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O evento reuniu representantes de 39 cooperativas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A programação teve início na quarta-feira (29), com a recepção das equipes, e prosseguiu ao longo de toda a quinta-feira (30), reunindo palestras e apresentações técnicas voltadas às principais tendências do agronegócio e às soluções desenvolvidas pela Nortox para o campo.

Na abertura, o diretor-presidente da Nortox, Romeu Stanguerlin, apresentou a trajetória da empresa, seus resultados e as perspectivas de crescimento previstas no planejamento estratégico até 2030. Em seguida, João Marcos Ferrari destacou a evolução do portfólio da companhia, abordando investimentos em pesquisa, inovação, desenvolvimento de produtos, nutrição vegetal e sementes.

Ao longo do encontro, também foram apresentados programas voltados às cooperativas, novas estratégias de manejo em fungicidas, soluções para pastagens, avanços na área de herbicidas, além de debates técnicos que promoveram a troca de experiências entre especialistas da Nortox e representantes das cooperativas. A programação contou ainda com palestras de convidados externos, como o economista Igor Barreto, do Itaú BBA, que apresentou uma análise do cenário econômico e das perspectivas para o agronegócio, e do pesquisador Aroldo Marochi, que abordou os desafios relacionados às doenças nas lavouras e ao manejo com fungicidas.

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