Mato Grosso
Sema recebe animais silvestres em entrega voluntária da população
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) recebeu três animais nos últimos 15 dias por meio de entrega voluntária. O ato vem se tornando mais comum após divulgação por meio de portais oficiais e veículos de imprensa sobre outros animais que foram entregues em Mato Grosso. A entrega voluntária de animais silvestres é importante para que eles passem pelos cuidados veterinários necessários e seja dada a destinação correta.
Um filhote de onça-parda, encontrado em Juína, foi entregue em Sinop na última sexta-feira (11.03). O filhote foi encontrado perto de uma represa dentro de uma propriedade rural sem a mãe. Os proprietários da fazenda pegaram o animal e o criaram durante 45 dias, mas ao ver a reportagem sobre a onça Marruá, que foi entregue em Cáceres, se conscientizaram da importância de entregar o filhote para o órgão ambiental e entraram em contato com a Sema.
A Secretaria de Meio Ambiente orienta que animais filhotes em seu habitat natural, mesmo se encontrados sozinhos, nunca devem ser retirados da natureza. Quem encontrar filhotes de animais silvestres ou animais adultos que estejam em ambiente urbano, ou com ferimentos, deve entrar em contato com a Sema ou Batalhão Ambiental para realizar o resgate.
“Muitas vezes a mãe sai para caçar e deixa o filhote no ninho, mas ela volta. Estes animais quando são retirados da natureza dificilmente conseguem retornar pois são domesticados ao ter contato muito próximo com humanos e outros animais. Outro problema é a alimentação incorreta que pode comprometer sua saúde, como o uso de leites não específicos para a espécie”, explica o gerente de Fauna da Sema, Fernando Siqueira.
Outros animais entregues
Os outros animais entregues de forma voluntária foram um filhote de bicho-preguiça e um gato-palheiro. O bicho-preguiça foi entregue ao Corpo de Bombeiros de Alta Floresta que o direcionou à Regional da Sema no município. O gato palheiro foi entregue para Polícia Ambiental em Rondonópolis que o encaminhou para a Secretaria de Meio Ambiente em Cuiabá.
Os três animais já estão em Cuiabá aos cuidados do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para receber suplemento vitamínico e realizar exames específicos.

Onça Marruá
A onça Marruá estava sendo criada em uma fazenda em Cáceres e foi destinada para a reserva do Instituto Nex, em Goiás. O animal foi resgatado por uma equipe da Secretaria Sema e do Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental no dia 2 de fevereiro deste ano, após ter sua retirada necessária devido a aproximação com humanos do entorno, o que facilitaria uma possível caça do animal, cuja espécie está em extinção.
O animal foi resgatado após incêndios em 2020 e desde então vinha sendo alimentado por humanos até ocorrer a entrega voluntária. A onça fêmea tem aproximadamente 2 anos de idade. Por ser muito dócil e domesticada não foi possível a soltura em ambiente natural.
Denúncias ou entrega voluntária de animais
Para realizar denúncias ou solicitar o resgate ou entrega voluntária de animais basta entrar em contato com a Sema pelo telefone 0800 065 3838 ou com o Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental pelo 190 ou (65) 99987-4024.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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