Mato Grosso
Servidores da Politec ganham prêmio nacional com projeto que alia capacitação com qualidade de vida
Cinco agentes da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec) conquistaram o primeiro lugar da categoria “Segurança Pública” no 2º Prêmio de Boas Práticas, promovido pelo Consórcio Brasil Central. Nesta categoria, Mato Grosso se destacou com um projeto que consiste na compensação de horas de cursos noturnos e de fins de semana com a carga horária mensal de trabalho.
A iniciativa de “capacitação com qualidade de vida e resultados” leva em consideração a entrega de um produto de qualidade desenvolvido com os ensinamentos apresentados no curso e relacionado com a atividade de trabalho.
A proposta surgiu após os peritos relatarem o conflito entre a necessidade de qualificação proissional continuada, manutenção da qualidade de vida e o curto período livre após a jornada de trabalho, destacando, especificamente, os cursos finalísticos realizados no período noturno e nos finais de semana.
Para a elaboração do projeto foi utilizada a metodologia “Design Thinking” (abordagem que centraliza as pessoas no processo de solução de problemas, promovendo colaboração e empatia com todos as partes interessadas), após analisar os fatores que impactam na satisfação e eficácia dos peritos criminais na instituição, considerando as avaliações da Qualidade de Vida no Trabalho e Motivação para Capacitação Continuada, assim como o compartilhamento de ideias.
Após a elaboração da proposta, foi realizado um teste para avaliar a solução final, utilizando um curso de especialização oferecido nos finais de semana, durante três meses, com aulas síncronas via internet, destinado aos peritos criminais da Politec.
Após o término de cada módulo de aula, o gerente da seção encaminhava para a Diretoria da Politec as declarações de frequência dos participantes, emitidas pela instituição que forneceu o curso. Em seguida, a Diretoria emitia uma comunicação interna autorizando a compensação de 21h do curso para abater na carga horária mensal de trabalho. O documento foi utilizado para realizar as justificativas no Webponto.
Por último, o gerente alimentava tabelas de controle das compensações de cada servidor para que a gerência não ficasse desassistida.
Compõem a equipe vencedora os peritos oficiais criminais Andrea Abilio M. Diniz Neuenschwander, Carlo Ralf De Musis, Ozlean de Lima Dantas, Tadeu Junior Gross e Fracielle Lima de Mello.
O perito oficial Carlo Ralph de Musis considera que o reconhecimento pelo prêmio reflete o impacto positivo que essas práticas têm não apenas nos servidores, mas também nos serviços prestados ao público.
“Esta premiação representa o reconhecimento do nosso compromisso contínuo com a inovação e excelência no serviço público, além de ser um marco importante na validação dos nossos esforços para melhorar a vida dos servidores. A iniciativa de capacitação que desenvolvemos concentra-se não apenas em aprimorar as habilidades profissionais dos servidores, mas também em promover um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. Ao investir em programas que focam tanto no desenvolvimento profissional quanto no bem-estar pessoal, conseguimos criar um ambiente onde os servidores se sentem valorizados e apoiados. Isso se traduz em melhor desempenho, pois servidores motivados e bem capacitados são mais propensos a oferecer serviços de alta qualidade à comunidade”, afirmou.
Os membros das equipes vencedoras receberão uma premiação no valor de R$ 20 mil em reconhecimento aos seus esforços e contribuições excepcionais.
2º Prêmio de Boas Práticas
A premiação tem por objetivo incentivar a melhoria contínua nos serviços públicos e promover a troca de ideias inspiradoras entre as sete unidades federativas que compõem o Consórcio, formado pelos estados de Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Tocantins além do Distrito Federal.
Todas as práticas inovadoras premiadas serão amplamente divulgadas, tornando-se modelos inspiradores para outras iniciativas em todo o país. O Consórcio Brasil Central acredita que compartilhar essas experiências é fundamental para enfrentar os desafios comuns encontrados nos serviços públicos, promovendo assim uma melhoria contínua e colaborativa em prol do bem-estar da sociedade.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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