Mato Grosso
Setasc leva Ônibus Lilás para Encontro de Mulheres Rurais em Cáceres
A Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) levará o Ônibus Lilás para o 6 ° Encontro de Mulheres Rurais do município de Cáceres, localizado a 218 km de Cuiabá. O veículo é equipado com salas para os atendimentos psicossociais e jurídicos. Esta ação faz parte do Programa Ser Mulher, que visa fortalecer o combate à violência contra as mulheres.
O evento, que será realizado neste sábado (14.09), no Centro de Eventos Maria Sofhia Leite, é promovido pela Empaer em parceria com a Prefeitura Municipal. A programação terá início às 7 horas, com palestras, almoço dançante, sorteio de brindes e roda de conversas entre mulheres.
A secretária adjunta de Direitos Humanos da Setasc, Salete Marockosk, ressalta que a participação no encontro é o caminho para ampliar o contato com a mulher do campo, que também sofre com a violência doméstica.
“O Ônibus Lilás oferece um acolhimento para as vítimas e informação para o combate a violência, dando oportunidade para realizar atendimentos psicossociais e jurídicos de forma gratuita”.
O Ônibus Lilás segue, no dia 16 de setembro, para a Escola 12 de Outubro. No dia 17, será na Vila Aparecida, e no dia 18, no Assentamento Paiol. O veículo também ficará disponível para as mulheres do Distrito Caramujo (no dia 19.09) e do Distrito H. D’Oeste (no dia 20.09).
A programação do Ônibus, que conta com o apoio também do Centro de Referência em Direitos Humanos de Cáceres, seguirá para o município de Mirassol d´Oeste, a 295 km de Cuiabá: no Assentamento Margarida Alves (23.09), Assentamento Santa Helena (24.09), Assentamento Roseli Nunes (25.09), Assentamento Nossa Terra Nossa Gente (26.09) e no Assentamento Silvio Rodrigues (27.09). No dia 18 de outubro, o ônibus atenderá São José dos Quatro Marcos, a 315 km da Capital.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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