Mato Grosso
Setasc promove encontros para esclarecer diretrizes do Pró-Família
Visando aperfeiçoar o atendimento ofertado à população beneficiária do programa Pró-Família, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), através da Secretaria Adjunta de Programa e Projetos Especiais e Atenção à Família, está capacitando os agentes e lideranças responsáveis pela condução dos trabalhos nos municípios do Estado.
No último dia 10, as diretrizes do programa foram repassadas para a equipe técnica dos Centros de Referência e Assistência Social (Cras) da Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social, os agentes comunitários de saúde (ACSs) da Secretaria Municipal de Saúde e o Comitê Gestor do programa Pró-família em Rondonópolis, 214 km de Cuiabá.
O assunto também foi tema do encontro com profissionais das áreas de assistência social e saúde realizado, no mês de agosto, no município de Sinop (480 km da Capital). O programa atende famílias em situação de vulnerabilidade social que recebem um auxílio mensal a ser aplicado principalmente em alimentação. Entre as condicionalidades exigidas para participar do programa está a frequência dos filhos na escola.
O Pró-Família abrange 19 mil famílias de Mato Grosso que permanecem inseridas por um período de 24 meses, caso sejam atendidas todas as condicionalidades instituídas em seu decreto inicial. Em Rondonópolis contabilizam 620 famílias assistidas pelo Pró-família. Já em Sinop, somam 293 beneficiárias.
De acordo com a secretária adjunta Katia Azevedo o objetivo é orientar, esclarecer dúvidas e promover a aproximação, bem como o diálogo com todos os atores do programa.
“Em uma ponta temos a equipe técnica com pedagogos, psicólogos, assistentes sociais e a gestora da Pasta, além dos agentes comunitários de saúde. Na outra, temos os beneficiários”.
Ela pontua ainda que além dos encontros, a equipe da Setasc visita algumas famílias assistidas pelo programa.
“A intenção é conhecer as famílias e saber se o Pró-família gerou melhorias em suas vidas. Também buscamos conscientizá-las de que o programa não se constitui apenas de transferência de renda, mas é integrado pelas oficinas de capacitação oferecidas nos Cras e que a participação delas nos cursos é fundamental, fazendo com que se sintam parte da sociedade”.
A iniciativa também será realizada em outros municípios mato-grossenses.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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