Mato Grosso
Sobre o Setembro Amarelo e as relações sociais na atualidade
Quem foi jovem no período pré internet percebe facilmente a diferença entre as relações sociais do passado e as de agora. Hoje a tecnologia nos permite a comunicação virtual com centenas, milhares de pessoas, sem que nenhuma delas esteja de fato se comunicando. O contato é simplificado, superficial, rápido e volátil.
De igual modo, percebe-se a efemeridade e a fragilidade das relações que se manifestam por meio de teclas para deletar, excluir e bloquear indivíduos ocultos por codinomes ou sorrisos em selfies estratégicas.
Não raro se observa a mera contrariedade de opinião em discussões virtuais como fundamento para o descarte do interlocutor através de poucos cliques. Quem nunca viu isso nos últimos anos deve ter sido abduzido por seres de outro planeta…
Outro aspecto diretamente relacionado à mudança de comportamento se encontra claramente nas relações afetivas, quando as pessoas simplesmente se afastam umas das outras, sem diálogo, justificativa, discussão e nem lamentações.
A princípio se pode compreender que esse tipo de rompimento seja inodoro, insípido e indolor, mas também inútil por que não representa necessariamente um encerramento, senão a substituição de interesses imediatos oportunizando uma reconexão futura. Contudo, talvez seja uma metodologia muito mais nociva por que não proporciona nada além do vazio. Nenhuma das partes envolvidas extrai qualquer ensinamento do que foi vivenciado, exceto que poderia ter pensado mais em si próprio para se poupar da situação de rejeição, fomentando ainda mais a principal característica comportamental do século XXI, o individualismo.
Nesse sentido, quando o indivíduo por qualquer razão busca alguma conexão (este seria o termo mais adequado às relações atuais) mais sólida com outro, depara-se com a muralha do eucentrismo impedindo qualquer aproximação que permita enxergar além da selfie ou do post publicados.
Sobre o eucentrismo, na intenção de conferir certa leveza a assunto tão sério quanto o Setembro Amarelo, chamemos jocosamente a somatória do nosso individualismo, egoísmo e egocentrismo de EUCENTRISMO (se é que esse termo já não foi cunhado por pensador mais qualificado).
Pondere-se que para a maioria de nós não é o homem enquanto indivíduo que importa, mas somente o eu enquanto centro do meu próprio universo que interessa a mim mesmo, sem qualquer plenonasmo na construção da frase.
Talvez por essa natureza superficial e frágil das relações pessoais estejamos vivendo a era do politicamente correto malconcebido, quando qualquer palavra pode ser compreendida como ofensa porque os seres humanos se tornam fracos e intolerantes e para se protegerem de suas próprias emoções estabelecem conexões sociais superficiais falsas e fúteis, como fossem relações de consumo, como ensinou Zygmunt Bauman.
Sob o prisma da modernidade líquida de Bauman questiona-se o quanto a fragilidade e fluidez das relações interpessoais do mundo atual têm afetado ou contribuído para o aumento do comportamento depressivo e com eles os suicídios em face do isolamento e da solidão que o eucentrismo acarreta.
Em dois anos lidando com ocorrências de suicídio na Delegacia Especializada de Proteção a Pessoa percebemos que as vítimas comumente apresentam comportamento depressivo e por vezes faziam tratamento contra Depressão. Entretanto em boa parte dos casos as famílias jamais cogitaram a possibilidade da auto-eliminação em seus lares.
Isso nos leva a pensar sobre a necessidade de abordar o tema ampla e francamente, uma vez que essas situações se instalam em todas as classes sociais, faixas etárias, gêneros e raças e têm se tornado cada vez mais freqüentes, assim como a Depressão que já é considerada endemia.
A OMS divulgou ano passado números que colocam o Brasil como campeão de casos de depressão na América Latina apontando que 5,8% da população nacional seja afetada pela doença.
Os estudos publicados sobre suicídio no Brasil em geral apontam o comportamento depressivo como característica da vítima suicida e também colocam a habilidade nas relações sociais como um dos fatores de proteção ao comportamento suicida, logo, acreditamos seja inegável a relação.
Por conseguinte, pensemos como um efeito “geladeira” nas palavras da filosofia popular do cantor Wesley Safadão, atua numa pessoa que já apresenta um quadro depressivo com emprego de medicamentos… (sobre o efeito geladeira recomendo a leitura das letras das músicas do artista e de outros sucessos populares).
De que maneira um adolescente que não se encaixa nos padrões estéticos e comportamentais das mídias sociais reage a um bullying virtual que não tem efetiva solução, já que o conteúdo postado em rede social foge ao controle das controladoras dos sitios. Ou seja, meu caro leitor, um vídeo postado por meio de certos aplicativos jamais será excluído da rede mundial de computadores e o indivíduo que estiver incomodado com isso terá que conviver eternamente com esse incômodo.
É necessário lidar com as frustrações do cotidiano para que se possa enfrentar a realidade por detrás das redes sociais e das conexões(relações) superficiais e fluidas.
Os humanos da atualidade vêm se protegendo uns dos outros visando escapar das contrariedades e se fecham em si mesmos. Contudo, têm deixado de experimentar da vida o que ela melhor pode oferecer: o sentir, e quando algo foge ao controle (sempre vai fugir) o efeito é devastador conduzindo a comportamentos depressivos por causas que antes eram vivenciadas com naturalidade pelos nossos antepassados próximos.
Sem qualquer pretensão terapêutica, apenas como humano vivente nesta era eucêntrica, conclamamos o leitor a se emocionar e a se vulnerabilizar em relações reais buscando resgatar o respeito, a compaixão, o altruísmo e a lealdade que parecem ter sido esquecidas no século passado.
Lembramos que os efeitos desse modelo líquido de interação social está presente em nosso cotidiano, lares, filhos e talvez sem perceber estejamos fomentando e reproduzindo a fluidez das relações que pode levar a tragédias que afetarão nosso mundo eucêntrico. Será que nossas relações familiares não têm sido igualmente líquidas?
Aproveitemos o mês escolhido pela OMS para conscientização da importância e da proximidade do suicídio e do que podemos fazer para nos protegermos dele e da necessidade ajuda especializada quando presentes alguns dos sintomas de depressão ou mesmo do comportamento depressivo.
Mato Grosso
Presidente do TCE-MT destaca retomada das obras na MT-170 após fiscalização

Foto-Tony Ribeiro/TCE-MT
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou o anúncio da retomada das obras de pavimentação da MT-170, feito pelo Governo do Estado nesta quarta-feira (10), menos de uma semana após fiscalização realizada pelo órgão na região Noroeste. Durante a vistoria, foram constatados problemas graves na execução da obra, incluindo a deterioração precoce do asfalto em um trecho que recebeu investimentos milionários.
“O anúncio da retomada das obras na MT-170 mostra que o trabalho do Tribunal de Contas está no caminho certo. Vamos continuar cumprindo o nosso papel constitucional de fiscalizar o uso do dinheiro público, seja com vistorias in loco, seja pelo trabalho dos gabinetes dos demais conselheiros, seja pela atuação do nosso corpo de auditores. Estivemos lá pessoalmente e vimos que esse trecho de 50 quilômetros, que custou R$ 130 milhões ao Estado e ainda tem uma parte para ser paga, já não tem mais nada de asfalto, está totalmente destruído menos de um ano depois”, afirmou o presidente.
De acordo com o governador Otaviano Pivetta, em anúncio feito durante reunião com empreiteiras, as obras de pavimentação da MT-170 serão retomadas na próxima semana. “Nós nunca tivemos compromisso com o erro. Sabemos que lá temos problemas. Todas as empresas foram notificadas e estamos nos esforçando para resolver.”
Segundo representante da MT-Sul, a empresa está em busca de uma engenharia mais qualificada para evitar novos problemas, além de já ter mobilizado uma equipe e direcionado equipamentos para a retomada das obras.
O TCE-MT vai acompanhar a retomada das obras por meio da mesa técnica, que teve sua reabertura determinada pelo presidente do TCE na segunda-feira (8), para corrigir as falhas e garantir asfalto de qualidade na rodovia MT-170.
Com informações do Governo do Estado
Mato Grosso
CPI da Saúde convoca atual e ex-secretário do Governo de Mato Grosso
Mato Grosso
Governador Otaviano Pivetta convoca mais 283 policiais penais e anuncia novo concurso

Foto- Assessoria
O governador Otaviano Pivetta anunciou, nesta terça-feira (9.6), a convocação de mais 283 policiais penais, oriundos do concurso de 2016 para atuação no Sistema Penitenciário. E também autorizou a realização de um novo concurso público para a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).
“Estou convocando hoje 283 policiais penais para cuidar dos nossos presídios, e estou também assinando um novo concurso público para o sistema prisional. São medidas que integram o conjunto de ações que já estamos adotando nos últimos sete anos, voltadas ao fortalecimento da segurança pública e à ampliação da capacidade operacional das unidades prisionais”, afirmou o governador.
Para o secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado, o reforço no quadro de servidores é considerado fundamental para acompanhar o crescimento da capacidade instalada e garantir a segurança nas unidades.
“A convocação desses 283 policiais penais e o anúncio de um novo concurso público demonstram o compromisso do Governo de Mato Grosso com o fortalecimento do sistema prisional. Estamos ampliando a estrutura física das unidades e, ao mesmo tempo, investindo em pessoas, garantindo que tenhamos profissionais qualificados para atuar na segurança, na disciplina e nas ações de ressocialização. Esse reforço permitirá oferecer melhores condições de trabalho aos servidores e mais eficiência na gestão penitenciária”, destacou o secretário.
O Governo de Mato Grosso ampliou o número de servidores no Sistema Penitenciário. Em 2019, eram 521 servidores, e em 2025, o número passou para 805. Além disso, desde 2019, Mato Grosso criou 6.516 novas vagas no sistema prisional e mantém obras em andamento que irão acrescentar outras 1.728 vagas nos próximos meses.
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