Mato Grosso
Unemat Editora lança livro sobre Educação e Socioeconomia Solidária
O livro “Educação e socioeconomia solidária: fundamentos da produção social de conhecimentos”, organizado pelos professores Laudemir Luiz Zart, Eliane dos Santos Martinez Paezano e Jucilene de Oliveira Martins (388 p.), é o oitavo volume da Série Sociedade Solidária.
A obra reúne autores de universidades brasileiras que têm como foco educação, trabalho e reflexões sobre o processo de incubação solidária de empreendimentos econômicos solidários e sustentáveis. Exemplar disponível para download gratuito. Acesse no site da Editora Unemat.
A obra evidencia metodologias, referenciais teóricos, práticas sociais e culturais de interação de pesquisadores, estudantes e servidores de universidades brasileiras para o entendimento e ação transformadora de realidades sociais de empobrecimento das pessoas.
O livro está organizado em três partes, cada uma com seis capítulos, num total de 18, que reúnem 39 autores de oito IES: Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Estadual de Maringá (UEM), Brasília (UnB), Federal de Mato Grosso (UFMT), Estadual de Campinas (Unicamp), Federal do Pará (UFPA), Federal Fluminense (UFF) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT/Cáceres).
Parte I- “Produção de Conhecimentos, Democracia, Tecnologias Sociais e Produção Associada” reúne experiências de incubação de empreendimentos econômicos solidários, formulação, aplicação e avaliação de políticas públicas, mobilização e articulação territorial de agentes da economia solidária, formação superior de professores indígenas, inclusão e afirmação das mulheres no mundo do trabalho e no protagonismo político, tecnologias sociais e trabalho associado em comunidades tradicionais quilombolas e movimentos sociais.
Parte II- “Socioeconomia Solidária: experiências de produção de conhecimentos, cooperação e diversidades socioculturais” evidencia experiências realizadas em Mato Grosso. As reflexões traduzem o trabalho e a organização de pescadores, camponeses, catadores, povos indígenas e povos da Fronteira Brasil-Bolívia. São tratados temas como incubação solidária, educação popular, cooperação intercultural, sociabilidades multiculturais, saberes tradicionais, reforma agrária, tecnologias sociais e comercialização solidária.
Parte III- “Incubação Solidária nas Experiências do Núcleo Unemat/Unitrabalho” traz as metodologias, a pesquisa e a extensão inseridas e comprometidas com grupos sociais populares. São analisados os processos de formação para a geração da cultura da auto-organização e da autogestão.
O livro resulta das atividades desenvolvidas no Núcleo Unemat-Unitrabalho, da Universidade do Estado de Mato Grosso, a partir do projeto “Incubação e Fortalecimento dos Empreendimentos Econômicos Solidários e Sustentáveis do Pantanal e Baixados Cuiabana (Incubar)”, na chamada MCTI/SECIS/MTE/Senaes/CNPq nº 89/2013.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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