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Vamos malhar nossa laringe e faringe?

Sonia Mazetto
Neste mês, no dia 7 de abril, o mundo se reúne para discutir as prioridades da saúde global em busca de soluções. Em alusão ao Dia Mundial da Saúde, trago a luz sobre a importância do cuidado da saúde das estruturas da laringe e faringe, tema pouco discutido, mas de muito impacto para a nossa qualidade de vida. Os músculos da laringe são responsáveis pela mobilidade das cordas vocais, enquanto os da faringe atuam no aparelho digestório.
Assim como nós malhamos a musculatura do corpo, também precisamos malhar a musculatura orofacial (musculatura interna e externa). Na fonoaudiologia, a Motricidade Orofacial (M.O) é uma das especialidades que estuda as alterações estruturais e funcionais desses músculos que compreende o trabalho realizado para uma boa performance de voz, canto, deglutição, mastigação, respiração, sucção e fonação.
A falta de tonificação da musculatura facial e oral gera flacidez e causa prejuízos como a disfagia, que é o engasgo e acontece principalmente com as mulheres depois de uma certa idade. Muitas vezes não se é dada a devida atenção a esses engasgos que acontecem “do nada”, quando a pessoa está se alimentando, mas é um sinal muito importante para se buscar um especialista.
O ronco é outro prejuízo também gerado pela flacidez da musculatura, na posição vertical (deitada) a musculatura colava (gruda) e dificulta a passagem do ar que ao passar faz o barulho do ronco, se essa musculatura estiver tonificada, isso não vai ocorrer ou a intensidade será bem menor. É muito raro o profissional otorrino encaminhar para o fono um problema de apneia, eles normalmente indicam o CPAP, que é o aparelho usado para dormir, para não correr o risco de uma parada respiratória durante o sono, que pode levar a morte em casos graves.
O que muitas pessoas não sabem é que o trabalho de motricidade orofacial torna possível um quadro apneico grave regredir para médio ou leve, porque vai trabalhar o posicionamento e a tonificação das estruturas.
Pessoas que tiveram um AVC, paralisia facial ou derrame podem ter dificuldade para engolir, nesses casos também entra o trabalho da MO. O fono irá trabalhar a adequação da musculatura.
É preciso atenção para não negligenciar o trabalho muscular orofacial e entender que a musculatura, que a motricidade orofacial é uma especificidade da fonoaudiologia e o objetivo dela é trazer para as pessoas bem-estar nessa caminhada. Dificilmente você terá essa dificuldade com disfagia se essa musculatura estiver tonificada e trabalhada, da mesma forma não terá dificuldade com processo respiratório, também vai evitar modificação severa de extensão vocal.
Trabalhar esses músculos e estruturas orofaciais beneficia até na questão do rejuvenescimento, pois a motricidade orofacial também mantém a musculatura da face mais tonificada e mais trabalhada, então a fala, o timbre e a expressão articular ficam mais jovens. E ai, vamos malhar nossa laringe e faringe???
Sonia Mazetto é fonoaudióloga, palestrante e coordenadora da Saúde da BPW Várzea Grande
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Infraestrutura se constrói com pessoas: o desafio estratégico de formar quem vai transformar o Brasil

* Por Paulo Bittar
Diante da escassez crescente de profissionais qualificados, o setor de engenharia precisa assumir protagonismo na formação de talentos — condição essencial para garantir a continuidade de serviços essenciais e o desenvolvimento sustentável do país.
Quando assumi a posição de CEO da Passarelli, uma das prioridades que identifiquei de forma imediata foi o fortalecimento do pilar Pessoas. Não como um discurso institucional, mas como uma agenda estratégica de longo prazo. Afinal, garantir a longevidade de um negócio que se aproxima de um século passa, inevitavelmente, por investir em quem vai construir os próximos 100 anos dessa história.
No setor de infraestrutura, essa reflexão ganha ainda mais urgência. O Brasil vive um momento decisivo para avançar em competitividade, qualidade de vida e sustentabilidade — e isso depende diretamente da nossa capacidade de executar projetos estruturantes. No entanto, convivemos com um cenário desafiador: a escassez de mão de obra qualificada, especialmente na engenharia. Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) indicam que o país pode enfrentar, em breve, um déficit de cerca de 400 mil profissionais.
Esse movimento já se reflete na base. O número de formandos em engenharia vem diminuindo de forma consistente nos últimos anos. Em 2018, eram pouco mais de 128 mil concluintes. Em 2023, esse número caiu para aproximadamente 95 mil, segundo levantamento do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), com base no Censo da Educação Superior. Mais do que uma estatística, esse dado acende um alerta sobre o futuro da nossa capacidade produtiva.
Parte desse desafio passa pela forma como a engenharia é percebida pelas novas gerações. Em um cenário de múltiplas possibilidades de carreira, é natural que jovens busquem caminhos que ofereçam reconhecimento, desenvolvimento e propósito. E aqui está um ponto central: a infraestrutura precisa comunicar melhor o seu valor.
Poucas áreas têm um impacto tão direto e transformador na vida das pessoas. É a engenharia que viabiliza o acesso à água tratada, que conecta cidades, que sustenta o crescimento das indústrias e que melhora, de forma concreta, o cotidiano da população. Existe um legado tangível naquilo que construímos — e ele precisa ser mais evidente para quem está escolhendo seu caminho profissional.
Diante desse contexto, formar jovens deixa de ser apenas uma iniciativa de recursos humanos e passa a ser uma escolha estratégica — quase um compromisso com o país. É papel das empresas reduzir a distância entre teoria e prática, aproximar universidades do mercado e oferecer experiências que permitam aos estudantes enxergar, na prática, o impacto da profissão.
Na Passarelli, temos avançado com consistência nessa agenda. Investimos em parcerias com universidades, programas estruturados de estágio, mentorias e trilhas de desenvolvimento que combinam capacitação técnica e comportamental. Mais recentemente, proporcionamos a estudantes de engenharia civil uma imersão em uma de nossas obras, permitindo que vivenciassem o dia a dia de um projeto de infraestrutura e entendessem, de forma concreta, como a engenharia se materializa.
Essa conexão com a realidade é fundamental. O futuro da engenharia começa antes da formação — ele se constrói a partir das experiências que despertam interesse, desenvolvem habilidades e reforçam o propósito.
Ao mesmo tempo, aprendemos que não basta atrair talentos: é preciso desenvolvê-los e retê-los. Isso passa por ambientes que estimulem aprendizado contínuo, pela convivência entre diferentes gerações e pela valorização de quem escolhe construir carreira no setor.
O desafio da mão de obra qualificada não será resolvido de forma isolada. Ele exige uma mudança de mentalidade coletiva — de empresas, instituições de ensino e lideranças. Mais do que disputar talentos, precisamos formar talentos.
Infraestrutura é, em essência, um projeto de futuro. E não existe futuro possível sem pessoas preparadas para transformá-lo em realidade.
* Paulo Bittar é CEO da Passarelli Engenharia e Construção
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